Comunicação e Sociedade (E-Journal)
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    Digital Rights During the Covid-19 Pandemic in Latin America

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    This article discusses digital rights during covid-19 pandemic. It offers a comparative analysis of the measures that affected digital rights to freedom of expression, access and privacy implemented by governments and private companies (internet service providers and internet intermediaries) between March and August 2020 in Argentina, Brazil and Mexico. It also studies reactions from civil society and international organizations. The theoretical framework draws on human rights provisions about progressive and regressive policy making. The central questions are: how are digital rights of freedom of expression, access and privacy affected by companies and governments during the period under consideration in the three countries studied? How have civil society organizations and international organizations position themselves with regards to these digital rights? It is based on a comparative analysis of how government, private sector, and civil society stakeholders have responded to the information and communications technology governance challenges created by the pandemic, and how their governance responses have impacted human rights in the areas of freedom of expression, access, and privacy. Answering these questions is relevant to identify and understand the precedent that these strategies — developed in an exceptional context — could set for the post-crisis scenario, which exceeds the scope of this article. Conclusions show that public policies adopted during covid-19 varied in the three countries. However, in the three, both progressive and regressive measures can be identified. The companies developed regressive strategies, implemented some progressive but exceptional measures; while civil society and international organizations promoted progressive and long-term solutions.Este artigo discute os direitos digitais durante a pandemia de covid-19. Propõe uma análise comparativa das medidas que afetaram os direitos digitais à liberdade de expressão, acesso e privacidade implementadas por governos e empresas privadas (fornecedores de serviço de internet e intermediários de internet) entre março e agosto de 2020 na Argentina, Brasil e México. Também estuda reações da sociedade civil e de organizações internacionais. A estrutura teórica baseia-se em disposições de direitos humanos sobre a formulação de políticas progressivas e regressivas. As questões centrais são: como os direitos digitais de liberdade de expressão, acesso e privacidade foram afetados por empresas e governos durante o período considerado nos três países estudados? Como as organizações da sociedade civil e as organizações internacionais se posicionam em relação a esses direitos digitais? É baseado em uma análise comparativa de como o governo, o setor privado e as partes interessadas da sociedade civil responderam aos desafios de governança de tecnologias da informação e comunicação criados pela pandemia, e como suas respostas de governança impactaram os direitos humanos nas áreas de liberdade de expressão, acesso e privacidade. Responder a estas questões é relevante para identificar e compreender o precedente que estas estratégias — desenvolvidas num contexto excepcional — podem abrir para o cenário pós-crise, que extrapola o âmbito deste artigo. As conclusões mostram que as políticas públicas adotadas durante a covid-19 variaram nos três países. No entanto, tanto medidas progressivas quanto regressivas podem ser identificadas nos três. As empresas desenvolveram estratégias regressivas, implementaram também algumas medidas progressivas, mas excepcionais; enquanto a sociedade civil e as organizações internacionais promoveram soluções progressivas e de longo prazo

    Descarte e consumo: narrativas participativas visuais de crianças e adolescentes residentes no Jardim Gramacho

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    This article invites us to realize how a group of 16 children and young people, from four to 15 years, residents of the old landfill of Jardim Gramacho, in Rio de Janeiro, act as narrators of their own stories. Based on the analysis of the photographs produced by the group of participants, the article aims to understand how they visually represent contemporary social consumption practices and the disposal environment in which they live. The participatory photography is a tool for the construction and critical reflection of meanings that involve a critical perception around consumption, but not the acquisition of goods such as toys, play environments and other objects, through the photovoice method. The research is part of the project of social intervention “Olhares do Gramacho” that developed in November 2018 a set of workshops which culminated in a photographic exhibition at the end of the action.O artigo convida-nos a refletir sobre o modo como um grupo de 16 crianças e jovens, de quatro a 15 anos, moradores do antigo aterro sanitário do Jardim Gramacho, no Rio de Janeiro, atua como agentes narradores das suas próprias histórias. A partir da análise das fotografias produzidas pelo grupo de participantes, o trabalho propõe-se perceber como representam visualmente as práticas sociais de consumo contemporâneo e o ambiente de descarte em que vivem. A fotografia participativa é a ferramenta de construção e reflexão crítica de significados que possibilita uma percepção crítica em torno do consumo, mas não da aquisição de bens como brinquedos, ambientes de brincadeiras e outros objetos através do método photovoice. A pesquisa se integra ao projeto de intervenção social “Olhares do Gramacho” que desenvolveu em novembro de 2018 um conjunto de oficinas e culminou numa exposição fotográfica no fim da ação

    A despesa improdutiva e a mercadoria espetacular

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    Para apreender corretamente o espírito de nosso tempo, é necessário analisar em profundidade e na superfície a correspondência contemporânea entre o espetáculo e o consumo: consumo espetacular e espetáculo de consumo. A cadeia das mercadorias-signos (Baudrillard, 1968), meio e veículo de adesão ao sistema produtivo e político, assume um valor extraordinário a partir do momento em que acolhe tudo o que é não-racional numa sociedade racionalizada, bem como o aspeto anti-utilitarista de um social focado, precisamente, na lógica do utilitarismo. Nesse sentido, o ciclo dos consumos espetaculares coincide com o consumo da individualidade burguesa, enquanto a massa que se tornou público se torna a matriz na qual o sujeito se perde para amortecer o peso das mudanças e exprimir as pulsões marginalizadas pelo sistema social.In order to fully grasp the spirit of our times, we need to analyse fully the contemporary relationship between spectacle and consumption: spectacular consumption and the spectacle of consumption. The chain of sign merchandise (Baudrillard, 1968) is simultaneously a mean and a vehicle of adherence to the productive and political system. It takes on extraordinary value from the moment it welcomes all that is non-rational in a rationalised society, as well as it embodies the anti-utilitarian aspect of a social system based solely on the logic of utilitarianism. In this sense, the cycle of spectacular consumption coincides with the consumption of bourgeois individuality, while the mass that has become public becomes the matrix in which the subject loses itself and cushions the weight of change in a way to express the impulses marginalized by the social system

    The role of public relations professionals in corporate social responsability: some notes from the Portuguese reality

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    Os profissionais de relações públicas (RP) são envolvidos nos processos de decisão sobre cidadania corporativa (CC) ou apenas são chamados a divulgar as práticas das organizações a este nível? As organizações estão comprometidas com a responsabilidade social corporativa (RSC) ou com a cidadania corporativa? No âmbito de um paradigma pragmatista, foi desenvolvida uma abordagem explicativa sequencial recorrendo a métodos mistos. Foi realizada uma investigação em duas fases, uma fase inicial quantitativa de recolha e análise de dados, e de seguida uma fase de recolha e análise de dados qualitativa. Em outubro de 2018, foram convidadas a responder a um inquérito online as 158 organizações que pertencem a uma associação portuguesa para a promoção da CC (Grace). Posteriormente, foram realizadas entrevistas presenciais com o responsável pela RSC/CC organizações que responderam ao questionário. O estudo aponta para que a área social (filantrópica) seja a mais relevante nas organizações entrevistadas e que esta área da RSC está sob fortes reformulações. No entanto, as organizações parecem não utilizar o conceito de cidadania corporativa. Ao contrário do esperado pelos investigadores, os profissionais de comunicação parecem não assumir responsabilidades a nível estratégico.Are public relations (PR) professionals involved in the decision-making processes concerning corporate citizenship (CC) or are they only asked to report the organizations’ best practices? Are organizations committed to corporate social responsibility (CSR) or corporate citizenship? In the framework of a pragmatist paradigm, a sequential explanatory mixed methods approach was developed. This method is a two-phase design that is characterized by an initial quantitative phase of data collection and analysis, followed by a qualitative phase of data collection and analysis. An invitation to answer an online survey was sent to all 158 organizations that belonged to an association for the promotion of CSR in Portugal (Grace), in October 2018. Afterwards, face-to-face interviews with the CSR/CC responsible were conducted to those organizations that answered the survey. The research showed that the social (philanthropic) area emerged as the most relevant one in all the organizations interviewed, even though the area seems to be under strong reformulations. Corporations tend to choose CSR as the main concept and dislike the concept of corporate citizenship, that is, the idea of being both a social and political actor. PR practitioners seem to have fewer responsibilities than those the researchers expected to find out, at least at a strategic level

    Imagens e poder: encenação, rasura e pintura

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    This article addresses the power of images in three periods of 20th century history. The use of images, particularly of photography, during these periods became omnipresent, although there are many other examples of the power of images over the relevance of words: the sight of Phryne’s partially naked body, for instance, had a big impact in her trial in the 4th century. Two of the examples presented in this paper (Nazism and Stalinism) used images as an instrument of power. They aimed to present simultaneously a sense of heroism and of “normalization” in radical contrast to the brutality that left a decisive mark in history as one of the most tragic dark moments of the 20th century. On the other hand, under Stalin, photos and images were manipulated: erasing people in photos can be understood as a macabre allegory of their annihilation in real life. The efficacy in the re-construction of reality through the manipulation of photos seems to result from an illusional omnipotence, as if dictators had the power to enunciate, create and destroy “reality”. The third part of this article discusses the answer open and given by painting to the increasing erosion of images witnessed nowadays. Painting, contrary to the ephemeral nature of photography, survive dark times. It resists in a stubborn way, as we can see, for instance in the example of Tuymans’ paintings. You cannot erase its memory. Painting is not “programmatic”. It is an attempt to depollute images. And by doing this, it tears open a space for the search for meaning.Este artigo procura abordar o poder da presença da imagem em três períodos históricos do século XX, algo que se tornou omnipresente nestas épocas históricas, mas que não é exclusivo das mesmas: veja-se a referência ao impacto da visão de parte do corpo descoberto de Frine, levada a julgamento no século IV a.C. A imagem, em dois dos casos aqui apresentados (o nazismo e o estalinismo), constituiu um instrumento ao serviço do poder, com o objetivo de encenar simultaneamente a “heroicidade” e uma normalidade em contraste radical com uma brutalidade que marcou decisivamente a história e constituiu um dos principais momentos de trevas vividos no século XX. Por seu turno, sob Estaline, a imagem é manipulada, tornando o processo de rasura de personagens uma alegoria macabra da sua aniquilação real. A eficácia da reconstrução da realidade, através da manipulação da imagem, passa, assim, por uma ilusão de omnipotência: como se os ditadores tivessem o poder de enunciar, construir e destruir a “realidade”. Na terceira parte, partindo da questão da acentuada erosão das imagens na atualidade, a discussão centra-se na resposta que a pintura abre e problematiza. Ao contrário do carácter efémero da fotografia, a pintura sobrevive a tempos sombrios, persiste teimosamente, como se pode ver no caso de Tuymans. A memória não pode ser apagada. E porque não é programática, porque constitui uma tentativa de despoluição da imagem, rasga o espaço para a busca de sentido

    Refugiados e migrantes em campanhas públicas: dar voz a quem não tem voz

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    This article focuses on the persuasive potential of public communication campaigns on refugees and migrants. From the analysis of the rhetoric to supports (n=62), it is concluded that the discourse adopts a rhetorical tactic based on the Aristotelian proposal: ethos, pathos and logos. The results indicate: 1) the use of the credibility of the source and the active subject, constructing the impression that they are worthy of trust; 2) at the level of pathos, the instigation of the affective dimension, motivating, potentially and with positive value, empathy, compassion, exercise of reflection, recognition of the error of prejudices, weight of responsibility, impetus to act and to solve problems, gratification for helping and awareness of the contribution to something positive and, with negative value, frustration and guilt; 3) at the level of logos, the strength of realism –, based on statistical data, facts, examples and personalization –, stylistic resources such as metaphor, the use of the question mark, and the diversity of creativity.Este artigo foca-se no potencial persuasivo das campanhas de comunicação pública sobre refugiados e migrantes. A partir da análise da retórica a suportes (n=62), conclui-se que o discurso adota uma tática retórica assente na proposta aristotélica: ethos, pathos e logos. Os resultados indicam: 1) o uso da credibilidade da fonte e do sujeito ativo, construindo a impressão de que são dignos de confiança; 2) ao nível do pathos, a instigação da dimensão afetiva, motivando, potencialmente e com valor positivo, a empatia, o compadecimento, o exercício de reflexão, o reconhecimento do erro dos preconceitos, o peso da responsabilidade, o ímpeto a agir e a resolver problemas, a gratificação por ajudar e a consciencialização do contributo para algo positivo e, com valor negativo, a frustração e a culpa; 3) ao nível do logos, a força do realismo – alicerçada nos dados estatísticos, factos, exemplos e personalizações –, dos recursos estilísticos como a metáfora, do uso do ponto de interrogação e da riqueza e multiformismo da criatividade

    Recensão do livro Images of immigrants and refugees in Western Europe. Media representations, public opinion, and refugees experiences

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    Uma criança, com roupa amarrotada e suja, observa um muro imponente de grades e de arame farpado. Não consegue ultrapassar aquele obstáculo e, por isso, parece resignada. Mesmo sem qualquer legenda, imediatamente nos ocorre que aquela fotografia terá sido captada num qualquer campo de refugiados ou numa zona fronteiriça vedada à circulação de pessoas. E assim se dá o mote à capa do livro Images of immigrants and refugees in Western Europe. Media representations, public opinion, and refugees’ experiences (2019), de Leen d’Haenens, Willem Joris e François Heinderyckx, que reúne o trabalho de investigadores sobre as implicações dos movimentos migratórios do ponto de vista comunicacional, mediático e sociológico, no contexto europeu...A child, wearing only wrinkled and dirty clothes, stares at a gigantic wall of bars and barbed wire. She seems resigned; the obstacle is too high to climb over. Looking at this picture, no caption is needed. Probably this photograph was taken in a refugee camp or in a border area where the circulation of people is not allowed. This is the book cover of Images of immigrants and refugees in Western Europe is titled. Media representations, public opinion, and refugees’ experiences (2019), written by Leen d’Haenens, Willem Joris and François Heinderyckx, which collects the work of several researchers about the implications of migratory movements from a communicational, media and sociological point of view in the European context..

    Migrantes, refugiados e outrização: construindo a europeidade. Uma exploração dos média portugueses e alemães

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    O processo de instituição da União Europeia supranacional foi acompanhado por uma construção de uma ideia de europeidade (Geary, 2013; Pieterse, 1991/1993), de pertencer a um nós, criando uma ideia de quem somos, enquanto europeus, e, necessariamente, da outrização dos que não pertencem (Butler & Spivak, 2007; El-Tayeb, 2011). A chamada “crise dos refugiados/migratória” é um contexto particularmente interessante para explorar discursos não apenas sobre esta divisão entre nós e eles, em relação aos que são apresentados como não-europeus, mas também sobre a construção do que somos nós, europeus. Os média desempenham um papel crucial na reprodução de representações sobre os outros, com quem o público não tem contacto direto. Neste artigo, exploramos discursos, nos média portugueses e alemães, de 2011 a 2017, sobre a chamada “crise dos refugiados/migratória”. Através de uma análise qualitativa de conteúdo, procuramos compreender como é construída a ideia de europeidade em relação a este fenómeno. Esta análise exploratória permitiu identificar que não existe apenas uma construção da ideia da Europa, na qual os migrantes ou refugiados são o outro, mas também uma ideia da Europa intrinsecamente incompatível com a rejeição desse outro, incompatível com ideias e movimentos de extrema direita ou xenófobos. Ser europeu, portanto, é ser não-muçulmano, ser não-refugiado, e ser não-xenófobo.The process of establishing the supranational European Union has been accompanied by a construction of the idea of Europeanness (Geary, 2013; Pieterse, 1991/1993), of belonging to a common us, creating an idea of what we are, as Europeans, and necessarily othering those who do not belong (Butler & Spivak, 2007; El-Tayeb, 2011). The so-called “refugee/migration crisis” is a particularly interesting context in which to explore discourses not only about this us/them divide regarding what are presented as non-Europeans, but also who we Europeans are constructed as being. The media play an important role in the reproduction of representations about others, with whom the audience does not have direct contact. In this article, we explore discourses, in the Portuguese and German media, from 2011 to 2017, about the so-called “refugee/migration crisis”. Through a qualitative content analysis, we have sought to understand how the idea of Europeanness is constructed, in relation to this phenomenon. This exploratory analysis allowed us to identify that there is not only a construction of the idea of Europe in which migrants or refugees are the other, but also of an idea of Europe that is intrinsically incompatible with the rejection of this other, incompatible with far-right or xenophobic ideas and movements. Being European, thus, is being not a Muslim, not a refugee, and not xenophobic

    “Them”, Venezuelans, and the crisis in Venezuela: discursive practices in the magazine Veja

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    This paper analyses the feature article “Fuga de uma ditadura: a saga dos venezuelanos no Brasil” (Flight from a dictatorship: the saga of Venezuelans in Brazil), by Jennifer Ann Thomas, published by the Brazilian magazine Veja in 2019. The subject of the article is refugees and the crisis in Venezuela. This paper identifies the discursive structures used tin the article to represent “others”, in this case, Venezuelan immigrants. Analysis is also made of linguistic expressions, which symbolise and produce differences between “us” (Brazil and Brazilians) and “them” (the other – Venezuela and its citizens). The paper concludes that the discourse about the “other”, which in Veja’s article also includes statistics and quotes sources close to the government, only states that which is appropriate for the magazine’s audiences to know, i.e. their readers. In summary, analysis of the article published by Veja magazine allows us to conclude that it reproduces the hegemonic discourse about “the other” – a reductionist, conservative and nationalist discourse. The theoretical reference underpinning this paper’s semiological orientation is Social Semiotics (Martins, 2002/2017), a discipline of Social and Human Sciences, whose main concern is to establish the conditions that govern the social possibility of meaning and that, in semantic and pragmatic terms, leads to the explanatory and comprehensive interpretation of discourses. On the other hand, since this paper aims to understand social construction processes of the other, i.e. understand the social construction processes of identities, it is inspired by the intellectual current known in Europe as the “philosophy of difference” (Descombes, 1998; Foucault, 1966; Levinas, 2002; Martins, 2019; Ricoeur, 1991).Este artigo analisa a reportagem intitulada “Fuga de uma ditadura: a saga dos venezuelanos no Brasil”, da autoria de Jennifer Ann Thomas, publicada, em 2019, pela revista brasileira Veja. O objeto são os refugiados e a crise na Venezuela. Foram identificadas as estruturas discursivas utilizadas para representar os outros, no caso, os imigrantes venezuelanos. E foram analisadas as expressões linguísticas, que simbolizam e produzem as diferenças entre “eles” (os outros, a Venezuela e os seus cidadãos) e “nós” (o Brasil e os brasileiros). A conclusão a que chegámos é a de que o discurso sobre o outro, que na reportagem da Veja compreende também as estatísticas e as fontes próximas do poder governamental, apenas dizem o que é adequado que os públicos da revista saibam, ou seja, os seus leitores. Em síntese, a análise desta reportagem da revista Veja permite concluir que nela ocorre a reprodução do discurso hegemónico sobre “o outro”, um discurso reducionista, conservador e nacionalista. A nossa linha de orientação semiológica tem como referência teórica a Semiótica Social (Martins, 2002/2017), uma disciplina das Ciências Sociais e Humanas, que tem como preocupação essencial estabelecer as condições de possibilidade social do sentido e que, em termos semânticos e pragmáticos, procede à interpretação explicativa e compreensiva dos discursos. Por outro lado, sendo o nosso propósito a compreensão dos processos de construção social do outro, ou seja, a compreensão dos processos de construção social das identidades, inspiramo-nos na corrente de pensamento, que ficou conhecida na Europa como a “filosofia da diferença” (Descombes, 1998; Foucault, 1966; Levinas, 2002; Martins, 2019; Ricoeur, 1991)

    Migrant speeches: strategies for representing us and them in opinion journalistic discourse

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    O presente estudo analisa o tratamento mediático do fluxo migratório em direção à Europa num período de intensa visibilidade da questão na imprensa nacional (setembro e outubro de 2015), num corpus de textos de opinião e títulos de outros textos jornalísticos de três publicações generalistas de referência no âmbito nacional. Recorre aos fundamentos teóricos e aos instrumentos metodológicos da análise do(s) discurso(s), tomada em sentido amplo (Adam, 2011; Berthoud & Mondada, 1995; Charaudeau, 1997, Moirand 1999, 2006; Rabatel & Chauvin-Vileno 2006, nomeadamente), para descrever e analisar a construção discursiva das imagens dos migrantes em contraste com as dos europeus, com saliência para a dêixis pessoal, as escolhas lexicais e os processos de modalização, marcados nos discursos. Conclui que o discurso dos média foi fundamental para a construção discursiva do acontecimento social protagonizado pela chegada massiva de refugiados e migrantes à Europa. Essa construção articula-se em torno de dois grupos, nós e eles. Na atividade de referenciação levada a cabo, ocorre um processo de categorização e recategorização que aponta para a construção de um grupo homogéneo, eles, os outros, em torno de diferentes designações, mas maioritariamente em torno da designação “refugiado”. Em contraste com tal homogeneidade, o grupo constituído por nós, os europeus, está fraturado por dissensos em torno de valores, frequentemente marcados em estruturas paralelísticas opositivas. Os modos de referenciação, que convocam o conhecimento partilhado sobre a guerra, e a modalidade avaliativa enquadram o posicionamento dos locutores-enunciadores envolvidos na construção da opinião pública e conferem aos discursos uma vertente emocional forte.This study analyses the press coverage of the migratory flow towards Europe in a period of intense visibility of this issue in the Portuguese press (September and October 2015), in a corpus of opinion texts and titles of other journalistic texts from three generalist reference publications at the national level. It draws on theoretical assumptions and methodological tools of discourse analysis, taken in a broad sense (Adam, 2011; Berthoud & Mondada, 1995; Charaudeau, 1997, Moirand 1999, 2006; Rabatel & Chauvin-Vileno 2006, nomeadamente), to describe and analyse the discursive construction of images of migrants in contrast to those of Europeans, with emphasis on the personal deixis, lexical choices and modalization processes marked in discourses. It concludes that the media discourse was fundamental in the discursive construction of the social event led by the massive arrival of refugees and migrants in Europe. This construction is structured around two groups, us and them. In the referenciation activity carried out, there is a process of categorization and recategorization that points to the construction of a homogeneous group, they, the others, around different designations, but mostly around the designation “refugee”. In contrast to such homogeneity, the group formed by us, the Europeans, is fractured by disagreements about values, often marked in oppositional parallel structures. The ways in which discursive referenciation is constructed, which call for shared knowledge about the war, and the evaluative modality frame the position of the locutors-enunciators involved in the construction of public opinion and give the speeches a strong emotional feature

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