Comunicação e Sociedade (E-Journal)
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    As Estratégias de Comunicação das Plataformas de Trabalho: Circulação de Sentidos nas Mídias Sociais das Empresas no Brasil

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    This article aims to analyze how ride-hailing and delivery platforms in Brazil produce their ethos on social media in the context of the first national strike of workers in the pandemic. We argue, based on the notion of circulation of meanings, how the construction of the platform’s ethos is a sign element of class struggles, and a dimension of the role of communication in the platformization of labor. We conducted a content analysis on social media (Instagram, Facebook, Twitter and YouTube) from two delivery (iFood and Rappi) and two ride-hailing platforms (Uber and 99), the largest of the country. The categories are: “pandemic and health” (contextual dimension in relation to the pandemic); “citizenship and diversity” (recurrent dimension in the discourse of platforms, in line with the literature in the area), “relations with brands and influencers” (visibility labor of the platforms with specific stakeholders) and “workers’ representations” (as a central element of the sign dimension of the class struggles). In general, the platforms’ media strategies, focused on consumers, present meanings of charity, philanthropy, citizenship and diversity, stating they are open to the demands of workers. The workers’ demands are reframed from the perspective of sacrificial citizenship, self-help, entrepreneurship and resilience. The results show how the platforms’ media strategies on social media play a central role in class contradictions.Este artigo tem o objetivo de analisar como as plataformas de entrega e transporte no Brasil construíram seu ethos nas mídias sociais, no contexto da primeira greve dos trabalhadores dessas empresas, dentro do cenário da pandemia de coronavírus. Argumentamos, a partir da noção de circulação de sentidos, como a construção do ethos das plataformas é um elemento sígnico da luta de classes e uma dimensão do papel da comunicação na plataformização do trabalho. Conduzimos análise do conteúdo veiculado em mídias sociais (Instagram, Facebook, Twitter e YouTube) de duas plataformas de entrega (iFood e Rappi) e duas de transporte (Uber e 99), as principais do país. As categorias de análise são: “pandemia e saúde” (dimensão contextual em relação à crise sanitária); “cidadania e diversidade” (dimensão recorrente no discurso produzido pelas plataformas, em linha com a literatura da área), “relações com marcas e influenciadores” (trabalho de visibilidade das plataformas com públicos interessados específicos) e “representações dos trabalhadores” (como elemento central da dimensão sígnica da luta de classes). Em linhas gerais, as estratégias de comunicação das plataformas, focadas nos consumidores, apresentam sentidos de caridade, filantropia, cidadania e diversidade, dizendo-se abertas às demandas dos trabalhadores. As reivindicações dos trabalhadores são ressignificadas a partir de um olhar de cidadania sacrificial, autoajuda, empreendedorismo e superação. Os resultados mostram como a comunicação das plataformas nas mídias sociais jogam um papel central nas contradições de classes

    Jornalismo em Contexto de Crise Sanitária: Representações da Profissão e Expectativas dos Jornalistas

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    As dificuldades económicas das empresas mediáticas, as derrapagens ético-deontológicas, o progresso tecnológico e a globalização dos fluxos de informação têm sido encarados como os principais fatores da crise contemporânea do jornalismo. Com repercussões nas condições de trabalho e na imagem pública dos jornalistas, estas variáveis são, no entanto, apenas a face mais visível das ameaças a uma atividade que tem, segundo Nelson Traquina (2002), uma relação simbiótica com a democracia. Na extensão destas circunstâncias económicas, sociais e culturais estão também as expectativas dos próprios profissionais. Numa ocupação tantas vezes descrita como apaixonante, a situação profissional parece ser cada vez menos gratificante, não só pela diminuição das oportunidades de trabalho, com redações cada vez mais esvaziadas, mas também pela falta de perspetiva de progressão na carreira. Este é um dos resultados do “Estudo Sobre os Efeitos do Estado de Emergência no Jornalismo no Contexto da Pandemia Covid-19”, realizado entre maio e junho de 2020. Com um enfoque particular na leitura das expectativas dos jornalistas, neste artigo analisamos as representações simbólicas de uma profissão que fundou a sua legitimidade social numa ideia de serviço público. A partir de estudos acerca da profissão e das suas representações, procurámos encontrar respostas para compreender a razão pela qual a aceitação da precarização e o abandono da profissão podem ser entendidos, ainda assim, como lugares de resistência.The economic difficulties of media companies, ethical-deontological lapses, technological progress and the globalisation of information flows have been seen as the main factors of the contemporary crisis in journalism. With repercussions on working conditions and the public image of journalists, these variables are, however, only the most visible face of threats to an activity that, according to Nelson Traquina (2002), has a symbiotic relationship with democracy. Beyond these economic, social and cultural circumstances are also the expectations of the professionals themselves. In an occupation so often described as passionate, the professional situation seems to be less and less rewarding, not only due to the decrease in job opportunities, with newsrooms increasingly empty, but also due to the lack of perspective on career progression. This is one of the results of the “Study on the Effects of the State of Emergency on Journalism in the Context of the Covid-19 Pandemic”, conducted between May and June 2020. With a particular focus on reading journalists’ expectations, in this article we analyse the symbolic representations of a job that founded its social legitimacy on an idea of ​​public service. Based on studies about the profession and its representations, we tried to find answers to understand why the acceptance of precariousness and abandonment of the profession can still be understood as places of resistance

    The Controversy in Media Health Coverage: The Stayaway Covid Application and Information Sources

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    Presented as an essential tool to stop the covid-19 pandemic, the Stayaway Covid app has remained at the scene of the national media landscape since it was mentioned for the first time, having generated around 1,400 news in 2020. This remarkable volume of news coverage reflects the potential relevance of this technology during a pandemic and the controversy among the public and the media. To contribute to the understanding of the news coverage of the application, we analysed the sources of a sample of 182 press, radio and television news pieces associated with Stayaway Covid, distinguishing those that focus on privacy and obligatoriness controversies from those that do not. In this case of public health controversy, the results show that experts did not take the lead, with politicians having a more prominent role in fueling the controversy, especially concerning the intention to make the application mandatory.Apresentada como um importante instrumento no combate à progressão da pandemia de covid-19, desde que foi mencionada pela primeira vez nos media, a aplicação Stayaway Covid manteve-se em cena no panorama mediático nacional, tendo originado cerca de 1.400 notícias em 2020. Este assinalável volume de notícias justifica-se não só pela potencial relevância desta tecnologia em contexto de pandemia, mas também pelas polémicas que se levantaram na opinião pública e nos media. De forma a contribuir para a compreensão da cobertura noticiosa da aplicação, foram analisadas as fontes de uma amostra de 182 notícias de imprensa, rádio e televisão com referência à Stayaway Covid, distinguindo as que focam as controvérsias da privacidade e da obrigatoriedade das que não o fazem. Os resultados evidenciam que, neste caso de controvérsia em saúde pública, os especialistas não assumiram o protagonismo, tendo os políticos tido um papel mais preponderante a alimentar a polémica, sobretudo no que diz respeito à intenção de tornar a aplicação obrigatória

    Plataformas Digitais na Economia Conectada: Discurso, Controlo, Consumo e Colaboração. Nota Introdutória

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    O volume 39 da revista Comunicação e Sociedade apresenta uma série de estudos sobre diferentes abordagens de utilização das plataformas digitais. Se por um lado, são interpretadas como um importante meio de consumo e espaço para o surgimento de práticas sociais colaborativas, por outro lado, também podem ser analisadas como novos mecanismos de vigilância e de produção de discursos performáticos numa economia cada vez mais conectada...Volume 39 of Comunicação e Sociedade is dedicated to a series of studies from different approaches on the use of digital platforms. These platforms, on the one hand, are interpreted as an important means of consumption and arena for the emergence of collaborative social practices. On the other hand, they are also analysed as new mechanisms for surveillance and the production of performative discourses in an increasingly connected economy..

    Retórica Clássica e Storytelling na Práxis Publicitária

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    Partindo da constatação de que o storytelling adquiriu uma nova centralidade nas estratégias publicitárias, cujo sucesso pode ser explicado pela crescente importância da comunicação de marca em detrimento da publicidade unidirecional do produto (Baynast & Lendrevie, 2014; Baynast et al., 2018; Kotler & Keller, 2015; Rossiter et al., 2018); pelo efeito da evolução tecnológica que permitiu que os vídeos publicitários deixassem a exclusividade da televisão e passassem a estar disponíveis nos canais de vídeo da internet, como o YouTube (Cardoso et al., 2017; Laurence, 2018; Zamudio, 2016); e por vivermos numa sociedade hedónica que privilegia as emoções e as gratificações sensoriais e que, simultaneamente, elege o cidadão comum como protagonista (Escalada, 2016; Laurence, 2018; Rossiter et al. 2018), este texto pretende evidenciar que a riqueza comunicacional do storytelling em publicidade tem na retórica clássica alguns dos vieses científicos em que assenta, nomeadamente: (a) na verossimilhança da história, que surge por estar sustentada numa narrativa do quotidiano, com conteúdos de “valor humano” e com o recurso a “pessoas” reais (Ballester & Sabiote, 2016; Escalada, 2016; Laurence, 2018; Panarese & Villegas, 2018); (b) na evidência do pathos, que advém, principalmente das emoções que a história gera nas audiências (Ballester & Sabiote, 2016; Laurence, 2018; Panarese & Villegas, 2018; Salmon, 2016); (c) na relevância do ethos, que surge da confiabilidade do autor/credibilidade da marca (Laurence, 2018; Panarese & Villegas, 2018).Based on the observation that storytelling has acquired a new centrality in the advertising strategies, which success can be explained by the growing importance on the brand communication in prejudice of the product’s unidirectional advertisement (Baynast & Lendrevie, 2014; Baynast et al., 2018; Kotler & Keller, 2015; Rossiter et al. 2018); by the effect of the technological evolution, which allowed that the advertisement videos stop having the television exclusivity and started to be available in internet video channels, such as YouTube (Cardoso et al., 2017; Laurence, 2018; Zamudio, 2016); and for living in a hedonic society, which privileges the emotions and sensory gratifications, and, simultaneous, elect the ordinary citizen as leading figure (Escalada, 2016; Laurence, 2018; Rossiteret al., 2018); this text pretends to point the communicational wealth of storytelling in advertising, that has in the classical rhetoric some of the scientific bias on which it is based, can be established via: (a) the history verisimilitude, that comes for being sustained in the quotidian narrative, with content of “human value” and with resource to real “people” (Ballester & Sabiote, 2016; Escalada, 2016; Laurence, 2018; Panarese & Villegas, 2018); (b) evidence of the pathos, which comes mainly from the emotions that the history generates in the audience (Ballester & Sabiote, 2016; Laurence, 2018; Panarese & Villegas, 2018; Salmon, 2016); (c) the relevance of the ethos, which comes from the reliability of the author/credibility of the brand (Laurence, 2018; Panarese & Villegas, 2018)

    Análise de Sentimentos: Da Psicométrica à Psicopolítica

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    Os dados sobre nossas emoções, os chamados emotional data, constituem hoje uma valiosa commodity coletada e comercializada por plataformas de comunicação digital. Entre os maiores interessados em obtê-la estão corporações financeiras e políticas que, entre outros usos, baseiam suas decisões em informações sobre os afetos dos usuários das redes. Existem diferentes formas de se gerar emotional data, e uma delas é a análise de sentimentos. Este artigo aborda algumas características dessa ferramenta, investigando o seu funcionamento e os saberes psicométricos que a constituem. A análise de sentimentos é entendida não apenas como uma ferramenta de detecção de afetos, mas também de produção emocional, uma técnica que opera instrumentalizando as emoções para uma capitalização alheia ao indivíduo. É dessa maneira que é possível delineá-la — para além de um instrumento psicométrico — como um aparato psicopolítico. Neste sentido, conceitos como “sociedade de controle” (Deleuze, 1992), “sociedade confessional” (Bauman, 2012/2014), além da própria noção de “psicopolítica” (Han, 2014/2014b), são úteis para compreendermos aspectos da produção emocional assentes nas novas tecnologias da comunicação. Este artigo, portanto, pretende contribuir para o entendimento de um fator importante, mas ainda algo negligenciado nos estudos sobre big data e vigilância: o monitoramento e a produção de afetos como forma de controle subjetivo.The data about our affects, the so-called emotional data, constitute nowadays a valuable commodity, collected and marketed by digital communication platforms. Among the interested in obtaining it are financial and political corporations that base their decisions on information about network user’s affects. There are different ways to generate emotional data, one of which is the sentiment analysis. This article addresses some characteristics of this tool, clarifying its operation and the psychometric knowledges that constitute it. Sentiment analysis is understood not only as a tool for detecting affects, but also for emotional production. It is in this sense that it is possible to outline it — beyond a psychometric instrument — as a psychopolitical apparatus, a technique that operates by instrumentalizing emotions for a capitalization beyond the individual. In this sense, concepts such as “control society” (Deleuze, 1992), “confessional society” (Bauman, 2012/2014), and the very notion of “psychopolitics” (Han, 2014/2014b), are useful to understand aspects of emotional production based on new communication technologies. This article, therefore, aims to contribute to the understanding of an important factor which is still somewhat neglected in studies on big data and surveillance: the monitoring and production of affects as a form of subjective control

    Economia da Partilha e Práticas de Comunicação Organizacional em Tempos de Covid-19: Social Brands no Brasil e em Portugal

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    O artigo trata da relação entre as organizações pertencentes à economia da partilha e suas práticas, comportamentos e posturas de comunicação organizacional em função da pandemia do novo coronavírus. Definimos economia da partilha (sharing economy ou economia colaborativa) como os bens e serviços fornecidos pelas plataformas digitais da rede por meio do compartilhamento de recursos e da confiança. Tomamos como premissa a digitalização compulsória a que muitos negócios se viram submetidos e partimos para a reflexão a partir daí. Nossa análise, pautada pela pesquisa bibliográfica e exploratória, se localizou em marcas escolhidas intencionalmente, no Brasil e em Portugal, buscando refletir sobre o contexto da covid-19 e suas respectivas ações de comunicação em suas propriedades digitais ou em seus perfis de mídias sociais. Ilustramos estratégias de exposição e visibilidade comunicacional desde março até agosto de 2020, chegando a uma reflexão sobre a urgência em atuar ativamente em demandas sociais, caracterizando-as como social brands. Em nosso entendimento, uma marca social tem forte presença no digital, destaca-se com boas práticas de comunicação e, acima de tudo, possui uma estratégia de atuação que vai além do seu negócio ou do lucro direto não apenas durante um período de crise, mas também consciente de seu papel social e do impacto que sua atuação responsável gera.The paper deals with the relationship between organizations belonging to the sharing economy and their practices, behaviors and postures in organizational communication due to the pandemic of the new coronavirus. We define the sharing economy (or collaborative economy) as the goods and services provided by the digital platforms of the network through the sharing of resources and trust. We take as a premise the compulsory digitalization that many businesses have been subjected to and we started the reflection from there. Our analysis, based on bibliographic and exploratory research, was located in brands chosen intentionally, in Brazil and Portugal, seeking to reflect on the context of covid-19 and its respective communication actions in their digital properties or in their social media profiles. We illustrated strategies for exposure and communicational visibility from March until August 2020, reaching a reflection on the urgency to act actively in social demands, characterizing them as social brands. In our understanding, a social brand has a strong presence in digital, stands out with good communication practices and, above all, has a performance strategy that goes beyond its business or direct profit not only during a period of crisis, but also aware of its social role and the impact that its responsible performance generates

    Potentialities of Podcasting in Health Journalism — An Analysis of Three Podcasts About Covid-19 in Portugal

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    The pandemic caused by covid-19 was a lever for the appearance of several podcasts dedicated to the disease. In several countries, including Portugal, the media added audio content to their traditional information offering by using this digital tool. The podcast’s popularity has grown with audiences, and media companies look to this platform as a good strategy to diversify content and thus reach audiences. In times of crisis, such as a pandemic, the need for populations to access credible information they can trust and thus gain knowledge to help them make decisions increases. In this particular case, covid-19, the populations felt the need to be informed about an unknown disease, looking for information about symptoms, contagion, or means of personal protection, and podcasts represented an answer to these information needs. This article examines how three Portuguese podcasts dedicated exclusively to covid-19 treated the disease. Based on the data, we will reflect on the importance of this new tool for health journalism. The results of the research allow us to conclude that the national podcasts on covid-19 analyzed follow some patterns identified in the coverage of health topics in Portugal and that, adopting an “advisory” tone, they placed themselves in the position of supporting tools in combat the pandemic by clarifying, informing and clarifying issues related to the disease.A pandemia provocada pela covid-19 foi uma alavanca para o aparecimento de vários podcasts dedicados à doença. Em diversos países, incluindo Portugal, os media acrescentaram à sua oferta informativa tradicional conteúdos sonoros utilizando para tal esta ferramenta digital. A popularidade do podcast tem crescido junto das audiências e as empresas de comunicação social olham para esta plataforma como uma boa estratégia para diversificar os conteúdos e assim chegar junto dos públicos. Em momentos de crise, como uma pandemia, cresce a necessidade de as populações terem acesso a informações credíveis nas quais possam confiar e, assim, obterem um conhecimento que as ajudem a tomar decisões. Neste caso em particular, a covid-19, as populações sentiram a necessidade de estarem informadas sobre uma doença desconhecida, procurando informações sobre os sintomas, o contágio ou os meios de proteção pessoal e os podcasts representaram uma resposta para essas necessidades informativas. O presente artigo analisa como três podcasts portugueses dedicados em exclusivo à covid-19 trataram a doença. A partir dos dados procederemos a uma reflexão sobre a importância desta nova ferramenta para o jornalismo de saúde. Os resultados da pesquisa permitem-nos concluir que os podcasts nacionais sobre a covid-19 analisados seguem alguns padrões identificados na cobertura de temas de saúde em Portugal e que, adotando um tom de “consultório”, se colocaram na posição de ferramentas coadjuvantes no combate à pandemia, ao esclarecerem, informarem e clarificarem questões relacionadas com a doença

    Covid-19: Uma Pandemia Gerida Pelas Fontes Oficiais Através de uma Comunicação Política

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    A pandemia causada pelo vírus SARS-CoV-2 trouxe para o campo jornalístico um conjunto alargado de especialistas, principalmente da área da saúde. No entanto, as fontes oficiais, sobretudo políticas, não perderam espaço. A elas ficou reservado o papel de decisores, mas isso nem sempre foi comunicado da melhor forma, criando-se com regularidade entropias de vária ordem. Por exemplo, por vezes não se tornou claro por que é que alguns países adotaram confinamentos severos enquanto outros rejeitaram medidas restritivas. A resposta a esta pandemia foi sempre difícil. Acima de tudo, porque o conhecimento era escasso, mas muitas vezes porque não havia cooperação e coordenação entre vários agentes, entre eles os governos, autoridades de saúde ou especialistas. Neste trabalho, procuramos saber qual o lugar das fontes oficiais na imprensa portuguesa durante os estados de emergência. Para isso, analisámos dois jornais, um de referência (Público), outro de linha popular (Jornal de Notícias), de 18 de março a 2 de maio de 2020 e de 9 de novembro a 23 de dezembro de 2020. O nosso corpus de análise é composto por 2.307 textos noticiosos: 1.850 textos foram publicados durante a primeira fase de emergência nacional, citando 4.048 fontes; e 457 foram publicados na segunda fase, apresentando a citação de 857 fontes. Como conclusões, constatamos uma grande visibilidade das fontes oficiais, particularmente do governo, sobressaindo aí o primeiro-ministro e um conjunto restrito de outros ministros. Não há propriamente ninguém que assuma o papel de porta-voz oficial daquilo que vai acontecendo, ao contrário do que é recomendado na literatura, e isso foi provocando alguns deslizes na comunicação ao longo de 2020, verificando-se no final desse ano uma subida de casos, resultante também de algumas hesitações ao nível das decisões.SARS-CoV-2 pandemic attracted a wide range of expert sources into journalism, especially those from the health field. Nonetheless, official sources (mainly politicians) did not become less visible. They were mainly decision-makers, even though decisions were not always well-communicated, which promoted entropy. Worldwide, countries adopted different strategies, some undergoing severe lockdowns and others rejecting restrictive measures — and that was often difficult to understand. The management of this pandemic was hard, not only due to the lack of technical knowledge but also due to the lack of cooperation and coordination amongst several stakeholders, such as governments, health authorities, or experts. In this research, we seek to understand the role of official sources in the Portuguese press during the emergency states. In order to do so, we analyzed two national newspapers, a reference newspaper (Público) and a mainstream newspaper (Jornal de Notícias) from March 18 to May 2, 2020, and from November 9 to December 23, 2020. Our corpus comprises 2.307 news pieces: 1.850 were published during the first emergency state, quoting 4.048 news sources, and 457 were published during the second emergency state, with 857 sources. We realized that official news sources are highly visible in the news, especially those from the government, such as the prime minister and a few other ministers. Although evidence recommends the appointment of an official spokesperson, that did not happen in Portugal, and it may have contributed to some lapses throughout 2020. By the end of the year, the country had an increase in covid-19 cases, and the hesitancy that characterized political decisions was also behind that

    Building Trust in Digital Platforms for Sharing Collaborative Lifestyles in Sustainable Contexts

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    The term “sharing economy” is intended to identify a set of social relations, digitally mediated, based on the principles of reciprocity and trust. However, such principles must result from the technological and design requirements of the platforms used where users deposit their personal data, insert information about interests and daily practices, communicate with strangers and, in this way, create personal bonds. The study hereby presented aims to identify a set of guidelines for building trust in the context of digitally mediated sharing of collaborative lifestyles, on platforms that promote the sharing of experiences in sustainable contexts. Within the scope of this study, sharing collaborative lifestyles means a non-monetary social exchange of knowledge, skills, accommodation, and food. The analyzed platforms — Volunteers Base, The Poosh, and WWOOF Portugal — are non-commercial organizations that promote experiences in educational projects in eco villages, natural construction projects in rural areas, permaculture projects on farms, among others. A multi-case and documentary study of the terms and policies published by these digital platforms was carried out. These regulatory documents were submitted to content analysis, using the Iramuteq and MAXQDA software. From this analysis, 20 guidelines emerged, in three categories: “practices and conduct”, “conditions” and “security and privacy”, which can guide users and platforms in the construction of digitally mediated sharing relationships in a transparent and reliable way.A designação de “economia de partilha” pretende identificar um conjunto de relações sociais, digitalmente mediadas, baseadas nos princípios da reciprocidade e confiança. Todavia, tais princípios devem resultar dos requisitos tecnológicos e de design das plataformas utilizadas onde os utilizadores depositam os seus dados pessoais, inserem informações sobre interesses e práticas quotidianas, comunicam com desconhecidos e, desta forma, criam vínculos pessoais. Este estudo tem como objetivo identificar um conjunto de diretrizes para a construção da confiança na partilha de estilos de vida colaborativos mediada digitalmente por plataformas que promovem partilha de experiências em contextos sustentáveis. Neste estudo, a partilha de estilos de vida colaborativos é compreendida como uma troca social não monetária de conhecimentos, habilidades, acomodação e alimentação. As plataformas analisadas, Volunteers Base, The Poosh e WWOOF Portugal, são organizações não comerciais que promovem experiências em projetos de educação em ecovilas, de construção natural em zonas rurais, de permacultura em quintas, entre outros. Realizou-se, portanto, um estudo multicasos e documental dos termos e políticas divulgados por estas plataformas digitais. Estes documentos reguladores foram submetidos a uma análise de conteúdo com auxílio dos softwares Iramuteq e MAXQDA. Desta análise emergiram 20 diretrizes, em três categorias: “práticas e condutas”; “condições”; e “segurança e privacidade”, que podem orientar os utilizadores e as plataformas na intenção de construir relações de partilha mediadas digitalmente de forma transparente e confiável

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