Universidade de Brasília: Portal de Periódicos da UnB
Not a member yet
27587 research outputs found
Sort by
Percurso antropológico de Carla Costa Teixeira
Esta produção de Carla Costa Teixeira, intitulada Do mundo das mulheres à etnografia das instituições – um traçado em retrospectiva, remete a distintas temáticas, leituras e arremates. Refiro-me à complexidade de um percurso, na perspectiva de Edgar Morin, mas, também me reporto à obstinação da autora para dissecar uma conjunção de problemas que dá os contornos de sua trajetória. A porosidade e a maleabilidade são marcas que delimitam suas vias teóricas e metodológicas. O artigo originado do memorial que narra mencionado trajeto, conforme exprime essa antropóloga e docente da UnB, é o oposto de um projeto, logrando situar a “lanterna na popa”, segundo a expressão de Campos. Em complemento, expresso a ideia de que ela também assentou a laterna na proa. A articulista de “Participação social na Saúde indígena: a aposta contra a assimetria no Brasil” (Amazônica – Revista de Antropologia, 2017) relata que o leitmotiv das suas pesquisas tem curso na moralidade e nos valores na Política, bem assim na perspectiva da instituição configuada no Estado. Estas delimitações precisas recebem aportes em nome de um inquieto e curioso posicionamento, aliado a uma necessidade constante de incorporar outros dados insurgentes, valorizando aspectos de uma nova teia de explicações.
Esta produção de Carla Costa Teixeira, intitulada Do mundo das mulheres à etnografia das instituições – um traçado em retrospectiva, remete a distintas temáticas, leituras e arremates. Refiro-me à complexidade de um percurso, na perspectiva de Edgar Morin, mas, também me reporto à obstinação da autora para dissecar uma conjunção de problemas que dá os contornos de sua trajetória. A porosidade e a maleabilidade são marcas que delimitam suas vias teóricas e metodológicas. O artigo originado do memorial que narra mencionado trajeto, conforme exprime essa antropóloga e docente da UnB, é o oposto de um projeto, logrando situar a “lanterna na popa”, segundo a expressão de Campos. Em complemento, expresso a ideia de que ela também assentou a laterna na proa. A articulista de “Participação social na Saúde indígena: a aposta contra a assimetria no Brasil” (Amazônica – Revista de Antropologia, 2017) relata que o leitmotiv das suas pesquisas tem curso na moralidade e nos valores na Política, bem assim na perspectiva da instituição configuada no Estado. Estas delimitações precisas recebem aportes em nome de um inquieto e curioso posicionamento, aliado a uma necessidade constante de incorporar outros dados insurgentes, valorizando aspectos de uma nova teia de explicações.
Contracepção reversível de longa duração para mulheres "em situação de vulnerabilidade": racismo institucional no Sistema Único de Saúde (SUS)
The article focuses on a recent empirical fact, the public consultation and subsequent approval of the etonogestrel subdermal implant inclusion in the prevention of unintended pregnancy for women in childbearing age in the scope of Brazilian Unified Health System (SUS), in April 2021 by the National Commission for the Incorporation of Technologies in the SUS (CONITEC), linked to the Ministry of Health. However, paradoxically, such inclusion did not happen universally, to all SUS family planning users who so wished, respecting a premise dear to our public health system. It was implemented by conditioning this offer to specific programs aimed at women “in a vulnerable situation”, that is, people homeless, with HIV/AIDS, deprived of liberty, sex workers, undergoing treatment for tuberculosis, in short, the admittedly poor, black women, socially deprived of regular access to public health, education and social development policies. It is argued that the social effects resulting from the selective incorporation of these long-acting reversible contraceptive technologies can intensify the institutional racism implicit in such health practices. The temporary suppression of the reproductive capacity of “undesirable” women violates principles of citizenship and violates constitutional prerogatives.O artigo debruça-se sobre um fato empírico recente, a consulta pública e posterior aprovação em abril de 2021 pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (CONITEC), vinculada ao Ministério da Saúde, da inclusão do implante subdérmico de etonogestrel na prevenção da gravidez não planejada para mulheres em idade fértil no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). No entanto, paradoxalmente, tal inclusão não se deu de modo universal, a todas as usuárias do planejamento reprodutivo do SUS que assim o desejarem, respeitando-se uma premissa cara ao nosso sistema público de saúde. Ela foi implementada condicionando-se tal oferta a programas específicos voltados a mulheres “em situação de vulnerabilidade”, ou seja, em situação de rua, com HIV/AIDS, privadas de liberdade, trabalhadoras do sexo, em tratamento de tuberculose, enfim, a mulheres reconhecidamente pobres, negras, socialmente privadas do acesso regular às políticas públicas de saúde, de educação, de desenvolvimento social. Argumenta-se que os efeitos sociais decorrentes da incorporação destas tecnologias contraceptivas reversíveis de longa duração de modo seletivo pode acirrar o racismo institucional implícito em tais práticas de saúde. A supressão temporária da capacidade reprodutiva de mulheres “indesejáveis” viola princípios de cidadania e infringe prerrogativa constitucional.
A pleasure to talk as always
Before offering my commentary, I wish to warmly congratulate the Postgraduate Program in Social Anthropology of the University of Brasilia (PPGAS-UnB) and Anuário Antropológico (AA), along with everyone who has contributed over the last 50 years to the excellence of both the academic centre and the publication, which have become reference points not just for Brazilian anthropology.
Before offering my commentary, I wish to warmly congratulate the Postgraduate Program in Social Anthropology of the University of Brasilia (PPGAS-UnB) and Anuário Antropológico (AA), along with everyone who has contributed over the last 50 years to the excellence of both the academic centre and the publication, which have become reference points not just for Brazilian anthropology.
Micropolíticas fisiológicas. Oxitocina, anestesia, cuidados e intervenciones en partos de Buenos Aires, Argentina
Based on interviews with professionals acting in institutional and home deliveries in Ciudad Autónoma de Buenos Aires and its peripheries, this article probes into the practice of some interventions and their relationship with “good care”, body intelligence and production/management of labouring women’s autonomies. It focuses specially on the action of endogenous and synthetic oxytocin and anaesthesia, understanding the ways in which the assistants’ choices and decisions shape and co-create care micropolitics, producing physiologies, temporalities and relationships.Basado en entrevistas a profesionales que actúan o actuaron en la asistencia a partos domiciliarios e institucionales en la Ciudad Autónoma de Buenos Aires y periferia, este artículo indaga la práctica de algunas intervenciones y su relación con los “buenos cuidados”, las inteligencias corporales y la gestión/producción de autonomías de les parturientes. Se focaliza especialmente en la acción de la oxitocina endógena, oxitocina sintética y anestesia, para analizar cómo las elecciones y decisiones de acompañamiento de les asistentes configuran y co-crean micropolíticas del cuidado, produciendo fisiologías, temporalidades y relaciones
Diplomacia Cultural: a influência do Hallyu através do reconhecimento mundial do BTS
The Hallyu Wave phenomenon has become one of the most important means of expansion for South Korea, increasing its influence both regionally and internationally. A key product of the Korean Wave gaining particular prominence is its K-dramas, and especially K-pop, with it now being one of the most lucrative sources of income for the South Korean economy, and has even gained its own department in the country's Ministry of Culture. The kpop industry brought with it visibility for the group BTS which, through its revolution, managed to become a source of profit for the South Korean government and has been acquiring thousands of fans worldwide. Moreover, the objective of this article is to present South Korean cultural diplomacy, seeking to understand how Hallyu has materialized as a mechanism to be used in South Korea's international relations, through the world-renowned Korean band, BTS. As a qualitative exploratory research method, using bibliographic sources, magazines and articles that address the expansion of Hallyu and South Korean soft power, it is considered a currency of exchange in different spheres of society and the international diplomatic arena. Coming to the conclusion that the Hallyu, more specifically, that BTS is used as an instrument of Cultural Diplomacy of the South Korean government, transmitting a positive image to countries through Hallyu, and thus achieving a better insertion in the International System with the increment of Soft Power.El fenómeno Hallyu wave ha demostrado ser uno de los medios más importantes para la expansión de Corea del Sur, aumentando su influencia a nivel regional e internacional. Uno de los productos de la Ola Coreana que más destaca son los K-dramas, y en especial el K-pop, que se convierte en una de las mayores fuentes rentables para la economía surcoreana, llegando incluso a ganar su propio departamento en el Ministerio de Cultura del país. La industria de la música trajo consigo visibilidad para el grupo BTS, que con su revolución logró convertirse en una fuente de ganancias para el gobierno de Corea del Sur, y ha ido conquistando a miles de fanáticos en todo el mundo. Por lo tanto, el objetivo de este artículo es presentar la diplomacia cultural de Corea del Sur, en la búsqueda de comprender cómo se materializó el Hallyu como un mecanismo para ser utilizado en las relaciones internacionales de Corea del Sur, a través de la banda coreana de renombre mundial, BTS. Teniendo como método de investigación cualitativo exploratorio, utilizando fuentes bibliográficas, revistas y artículos que abordan la expansión del poder blando Hallyu y surcoreano, considerado moneda de cambio en diferentes esferas de la sociedad y el ámbito diplomático internacional. Llegando a la conclusión que el Hallyu, más específicamente BTS, es utilizado como instrumento de diplomacia cultural por parte del gobierno de Corea del Sur, transmitiendo una imagen positiva a los países a través del Hallyu, que logró una mejor inserción en el sistema internacional con el incremento del soft power.O fenômeno Hallyu Wave tem se mostrado uns dos meios mais importantes para a expansão da Coreia do Sul, aumentando sua influência regional e internacionalmente. Um dos produtos da Onda coreana que mais ganha destaque são os K-dramas, e principalmente o K-pop, o que se torna uma das maiores fontes lucrativas para a economia sul-coreana, ganhando até um departamento próprio no Ministério da Cultura do país. A indústria musical trouxe com ela a visibilidade para o grupo BTS, que com sua revolução conseguiu se tornar uma fonte de lucro para o governo sul coreano, e vem conquistando milhares de fãs mundialmente. Deste modo, o objetivo deste artigo é apresentar a diplomacia cultural sul-coreana, na busca para compreender como o Hallyu se concretizou como um mecanismo a ser utilizado nas relações internacionais da Coreia do Sul, por meio da banda coreana mundialmente conhecida, BTS. Tendo como método qualitativo exploratório de pesquisa, utilizando fontes bibliográficas, revistas e artigos que abordam sobre a expansão do Hallyu e o soft power sul coreano, considerado uma moeda de troca em diferentes esferas da sociedade e da área diplomática internacional. Chegando à conclusão de que o Hallyu, mais especificamente o BTS, é utilizado como instrumento de diplomacia cultural do governo da Coreia do Sul, transmitindo uma imagem positiva para os países através da Hallyu, o que alcançou uma melhor inserção no Sistema Internacional com o incremento do Soft Power
A Interpretação Comunitária como garantia de direitos: qual formação para qual atuação no Brasil?
In Brazil, even in the institutional environments more oriented to providing public services (health, education, social, and legal), the conditions for serving people who do not speak Portuguese through language assistance services are precarious. This service is essential to enable the participation not only of newly arrived immigrants, but also of linguistic minorities under or not represented in the country, such as indigenous peoples, quilombolas, and deaf people, who are at a clear disadvantage when they need to interact in these institutions. In order to ensure this right, the Bill No. 5182 of 2020 is going through National Congress to make the Brazilian state legally bound to provide linguistic assistance from community interpreters for non-Portuguese speakers. In anticipation of the passing of this law, new professional regulation is needed, as well as guidelines for the evaluation, certification, and training of community interpreters providing such services. This paper presents a proposal for a Diploma course in Linguistic and Transcultural Mediation for the Training of Community Interpreters designed specifically for professionals to work in Brazil. Its syllabus is based on both a mapping of the linguistic assistance needs in different Brazilian socio-geographic regions and contexts, and the sociolinguistic characteristics of communities that need this assistance. The proposed training is guided by transversality and a multifaceted approach focused on situations of interaction. After presenting the sociolinguistic and contextual foundations on which the proposed course of study is based and its curriculum, the didactic, theoretical, and methodological pillars that structure the training are discussed: transculturality, the interactional approach, and role-playing.No Brasil, mesmo nos ambientes institucionais mais vocacionados a prestar serviços públicos (sanitário, educacional, de assistência social e judicial), as condições de atendimento a pessoas que não falam português por meio de serviços de assistência linguística são precárias. Esse serviço é indispensável para possibilitar a participação não somente de imigrantes recém-chegados, mas também de minorias linguísticas não ou sub-representadas no país, como indígenas, quilombolas e surdos, que ficam em clara desvantagem quando precisam interagir nessas instituições. Para buscar assegurar esse direito, o Projeto de Lei n° 5182, de 2020, tramita no Parlamento para consignar a obrigação de o Estado brasileiro prover assistência linguística, por meio da atuação de intérpretes comunitários, a não falantes de português. Em previsão da aprovação dessa Lei, fazem-se necessárias a regulamentação da profissão e diretrizes para sua avaliação, certificação e formação. Diante dessa necessidade, elaborou-se a presente proposta de “Especialização em mediação linguística e transcultural para a formação de intérpretes comunitários”, especialmente concebida para a atuação desses profissionais no Brasil. Desenhada com base num mapeamento das necessidades de assistência linguística nos diferentes contextos e regiões sociogeográficas brasileiras, mas também das características sociolinguísticas das comunidades que necessitam dessa assistência, a formação pauta-se na transversalidade e numa abordagem multifacetada focada nas situações de interação. Depois de apresentados o contexto sociolinguístico e as bases contextuais que assentam a proposta, assim como seu desenho curricular, discorre-se sobre os pilares didáticos e teórico-metodológicos que estruturam a formação: a transculturalidade; a abordagem interacional e a encenação como formação
O poder Judiciário e sua imprescindível reforma como corolários do acesso à justiça
O direito processual civil e o Poder Judiciário sempre tiveram suas bases estruturadas sob um modelo de direito e de justiça comprometido com os interesses de uma elite dominante que fez crer que preceitos como igualdade e liberdade eram garantidores da ordem e da segurança jurídica. A lei, como parâmetro geral, igualou os desiguais, criando um fosso entre os que alcançavam a satisfação de seus direitos e os demais que se viam à margem deste aparelhamento. Como alternativa para amenizar esta realidade, na década de 80, iniciou-se um movimento, denominado acesso à justiça, que buscava identificar os obstáculos ao ingresso no judiciário, bem como possíveis soluções para superá-los. Foram constatados óbices de natureza econômica, social e cultural e iniciaram-se diversas reformas, tanto do sistema normativo (Código de Processo Civil), como do judiciário, resultando em novos padrões formais. Entretanto, apesar dos esforços, a compreensão sobre o acesso à justiça estava limitada à faculdade de se ajuizar e contestar uma ação, o que, por mais que fossem identificados e superados os obstáculos que inviabilizavam o acesso ao judiciário, não contemplava a verdadeira mazela, voltada ao distanciamento dos cidadãos que não compunham a esfera do poder às garantias fundamentais. Com a Constituição Federal de 1988, procurou-se abrandar o legalismo e o formalismo excessivos, pautados na proteção da propriedade, em prol dos indivíduos e de seus anseios. No entanto, as novidades implementadas consideraram, como de costume, o olhar e as aspirações de quem sempre ocupou os espaços de poder, mantendo-se, apesar das reformas, o mesmo status de antes. Não se propiciou a possibilidade de o outro se manifestar acerca de suas expectativas. Respeitando-se a diversidade, adensando-se a cidadania, admitindo-se a participação daqueles que sempre estiveram à parte da organização do Estado, é que se garantirá a democratização da justiça. Esta é a proposta da pesquisa, analisar o modelo de direito e de justiça que se tem e, a partir dele, pensar num novo padrão que permita receber todos os olhares e, quiçá, sugerir a desformalização, a descentralização e a deslegalização como forma de garantir a des-hierarquização e a democracia como prática de liberdade e de participação
A FÍSICA EM UM DIA NA VIDA DE LÚCIA: DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA PARA JOVENS E ADULTOS
This is the story of Lúcia, a young worker who, during her day, likes to learn Physics through the things that happen around her. If you are curious and want to understand Physics in a simple way, you will enjoy following the story of a day in the life of Lucia and having fun with her. This is a popular science book.Esta é a história de Lúcia, uma jovem trabalhadora que, durante seu dia, gosta de aprender Física através das coisas que acontecem ao seu redor. Se você é curioso e quer compreender a Física de maneira simples, irá gostar de acompanhar a história de um dia na vida de Lúcia e divertir-se com ela. Este é um livro de divulgação científica