Revista GeoAmazônia (Universidade Federal do Pará)
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A CONFIGURAÇÃO URBANA: A CIDADE DE PORTO VELHO/RO EM FACE DA INSTALAÇÃO DAS HIDRELÉTRICAS NO RIO MADEIRA
A compreensão dos mecanismos de produção do espaço urbano e do ordenamento do território na cidade de Porto Velho/RO na Amazônia Sul-ocidental, requer uma análise contextualizada e integrada dos fatores sociais, políticos e econômicos que influenciaram sua dinâmica territorial ao longo do processo histórico em que a cidade está inserida. Esse processo perpassa pela implantação de obras de infraestrutura, as quais se apresentam como ações derivadas do planejamento do uso território que produzem efeitos sobre a formação do espaço urbano. Neste sentido, o objetivo do presente artigo é analisar o modo como as hidrelétricas implantadas no rio Madeira convergiram para a configuração do território urbano da cidade de Porto Velho-RO. A metodologia utilizada consiste em identificar, por meio de consultas bibliográficas, pelo tratamento de dados oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE e pela análise do plano diretor municipal, a relação entre o aporte de infraestrutura, os deslocamentos populacionais para a cidade e a organização do território urbano decorrente desse processo. Para a presente análise, foram considerados os dados dos censos de 2000 e 2010 e a Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios – PNAD referente aos interstícios censitários. Os resultados apresentados apontam o aumento populacional para dedicação ao trabalho nas obras ou em atividades acessórias devido ao aquecimento da economia local. Conclui-se que a conjugação dos fatores econômicos (mobilidade de capitais para viabilizar os empreendimentos, atores sociais, movimentação populacional atraída pela possibilidade de emprego e renda), ainda que temporários e fatores de ordem política como desregulamentação ambiental, apoio incondicional e irrestrito ao modelo de desenvolvimento proposto, fragilidades dos instrumentos legais de planejamento urbano e os interesses econômicos, dirigiram a reorganização do espaço urbano ao longo de todo o período anterior, durante e após a construção das usinas.Palavras-chave: Planejamento, hidrelétricas, território urbano
GEOGRAFIA E FENOMENOLOGIA: POR UMA CIÊNCIA DAS ESSÊNCIAS
A relação entre Geografia e Fenomenologia é um exercício que vem atraindo cada vez mais o interesse de geógrafos, no entanto, ainda, em menor quantidade de pesquisas. Trata-se, portanto, de questionar, a partir da fenomenologia, o sentido da geografia enquanto ciência e, por conseguinte, descrever uma possível ontologia do espaço, enquanto essência da ciência geográfica. O artigo, portanto, levanta a tese no qual a relação entre homem-espaço é indissociável, tendo como elo as experiências. Esta perspectiva nos lança, de um modo geral, ao debate sobre o sentido original de mundo, anunciando o primado da percepção e suas filiações geográficas.Palavras-Chave: Corporeidade. Dasein. Geograficidade. Percepção
OCUPAÇÃO E APROPRIAÇÃO DA MARGEM ESQUERDA DO RIO PARAGUAI: FATORES QUE CONSTITUEM OS DILEMAS SOCIOAMBIENTAIS DOS MORADORES DO BAIRRO JARDIM OLIVEIRA, CÁCERES, MT
Este artigo tem como objetivo descrever o processo histórico de ocupação do Jardim Oliveira e como ocorreu a apropriação da margem esquerda do rio Paraguai no bairro. Buscou-se ainda entender como esses fatos interferiram ou interferem nas relações socioambientais nos dias atuais dos moradores da localidade. O Jardim Oliveira está localizado na cidade de Cáceres/MT, afastado do centro da cidade, a aproximadamente 3,5 km. A pesquisa possui caráter descritivo com abordagem qualitativa. Está ancorada em fontes bibliográficas e documentais. Para a coleta de dados, utilizamos os procedimentos metodológicos pautados em observação e em entrevista semiestruturada com roteiro previamente elaborado, aplicado a 20 moradores do Jardim Oliveira. Os resultados da pesquisa indicam alguns elementos importantes que são fundamentais para compreender como era a área pertencente ao Jardim Oliveira antes da ocupação, a qual passou por longas e diversas metamorfoses causadas pelas empresas que por lá foram instaladas. As lembranças e resistências dos moradores em relação à ocupação são descritas a partir do que vivenciaram, do que viram quando chegaram ao local e nele adquiriram suas experiências. Percebe-se os ganhos com a terra e as novas dinâmicas socioeconômicas de formas de uso e valores que se instalaram na margem do rio. Na atualidade é visível a divisão do bairro, se de um lado há casas residenciais e de veraneio, pousadas que levam os muros há alguns metros e que ocupam a margem do rio, do outro lado há moradores do bairro que dependem do rio para o seu trabalho, para a pesca de subsistência e para o lazer.Palavras-chave: Ocupação; apropriação; Rio Paraguai; Jardim Oliveira; questões socioambientai
ANÁLISE TEMPORAL DA PERDA DA COBERTURA VEGETAL DOS BAIRROS DA ÁREA CENTRAL DA CIDADE DE BELÉM-PA
O crescimento desordenado da cidade de Belém-PA ocasionou modificações no ambiente urbano, as quais, não são favoráveis à arborização da cidade. O interesse pelo estudo se deu a partir de observações que ao longo de décadas a cidade de Belém, em especial os bairros que formam a área central, vêm apresentado perdas significativas da vegetação, comprometendo as diversas funções sociais, estética e climática que a vegetação exerce na cidade. O principal objetivo deste estudo foi quantificar a perda da cobertura vegetal dos bairros da área central de Belém, a partir de uma série histórica (1977, 1998, 2006, 2013), com a finalidade de demonstrar os bairros que mais apresentaram perdas durante o período analisado. No procedimento de mapeamento da cobertura vegetal utilizaram-se fotografias áreas e imagens de satélites de alta resolução (IKONOS) para o mapeamento da configuração espacial da vegetação, estabelecendo Índice de Cobertura Vegetal por Bairro (ICVB). Os bairros do Guamá, Montese, Condor, Jurunas e Cremação registraram as maiores perdas durante o período analisado, seguido dos bairros do Telégrafo, Sacramenta, Barreiro, Pedreira e Fátima. Assim, a perda da cobertura vegetal na área central da cidade de Belém é considerada um processo histórico em função da crescente ocupação da cidade.Palavras-Chave: Índice de Cobertura Vegetal, Bairro, Vegetação Urbana, Ambiente Urban
O ARGUMENTO DA “MISTURA”, A POLITICA INDIGENISTA E O TERRITÓRIO-TERRITORIALIDADE ENTRE OS TENETEHAR-TEMBÉ NA FRONTEIRA PARÁ-MARANHÃO
Este artigo debate aspectos da produção do território e territorialidade entre os Tenetehar-Tembé da Terra Indígena Alto Rio Guamá, a partir dos conflitos entre as ações da política indigenista empreendida pelo SPI e FUNAI, aqui entendidos enquanto elementos fundamentais para a constante construção e demarcação de sua identidade e indianidade. Através da leitura e análise de documentos históricos do acervo digital do Museu do Índio, intercruzada com os dados etnográficos e sócio-históricos levantados nesta pesquisa, enfatizou-se os conflitos em torno do território e processos de autonomia Tembé na gestão e usos dos recursos na TIARG. A pesquisa buscou interpretar a trajetória dos Tenetehar-Tembé a partir de suas narrativas, saberes e historicidade, os quais se posicionam em vistas de sua autonomia e indianidade, retomando antigas alianças e processos históricos com povos e comunidades da fronteira Pará-Maranhão.Palavras-chave: Pará-Maranhão; território Tembé; indianidade; conflitos; resistências
OS ORGANISMOS DO SOLO E A MANUTENÇÃO DA MATÉRIA ORGÂNICA
No pilar do debate contemporâneo sobre a sustentabilidade agrícola está a matéria orgânica do solo, que também é de suma importância para o entendimento da dinâmica de funcionamento geossistêmica dos ecossistemas tropicais Dentre os constituintes da matéria orgânica estão os organismos do solo, micro, meso e macro fauna, os mediadores do processo de ciclagem biogeoquímica do sistema água-solo-planta-atmosfera. Dada à importância desses organismos, o objetivo do trabalho foi caracterizar os principais grupos de organismos componentes da fauna edáfica, descrevendo suas características e a importância desses organismos para manutenção da fertilidade, qualidade ambiental e agrícola do solo. A pesquisa se baseia em uma revisão bibliográfica dos diferentes grupos de organismos do solo e a contribuição de cada um desses na rede trófica estabelecida no solo. Apesar da simplicidade do método e da proposta essa pesquisa se mostra amplamente necessária a partir das constatações sobre a ausência de conhecimento acessível, gratuito e em linguagem compreensível sobre esses organismos e suas funções desenvolvidas no solo. Considera ao fim a existência de muitas lacunas no conhecimento da fauna edáfica em geral, mas também da proposta de construção de conhecimento integrado a ciência do solo, que ao que tudo indica é o mais profícuo caminho para a efetiva conservação do solo em consonância com a manutenção da produtividade agrícola nas regiões tropicais mais especificamente.Palavras chave: fauna edáfica, ecologia do solo, grupos funcionais
QUANDO O LUGAR TEM OU NÃO TEM ESPAÇO NO ENSINO DE GEOGRAFIA: ESTUDOS DE CASOS NO BAIXO PARNAÍBA MARANHENSE E NA AMAZÔNIA PARAENSE
O estágio docente supervisionado se constitui como uma das fases experimentais da formação profissional no ensino de Geografia e o momento mais apropriado para confrontar a realidade com os embasamentos teórico-conceituais construídos ao longo da formação profissional. Estabelece-se, assim, a primeira relação socioespacial com a educação e seus entes sociais: docentes, discentes, diretivos, técnicos, e funcionários que constituem a comunidade escolar e constroem a vida da escola. Considerando essa discussão, o presente trabalho apresenta os resultados dos estudos de casos do ensino de Geografia; visa analisar e compreender os processos históricos, dificuldades, desafios e contradições do ensino de Geografia na Educação do Ensino Fundamental e Médio. Para tal fim, o estudo foi desenvolvido mediante pesquisa bibliográfica que permitisse analisar o contexto histórico e teórico-conceitual da Geografia; em seguida foram realizadas as análises das atividades em campo, observações in loco e aplicação de questionário de entrevistas semiestruturadas aos docentes das escolas E.M.E.F. Dep. Júlio Monteles, do município Santana do Maranhão-MA, e Escola de Aplicação da UFPA, localizada no município de Belém-PA. Obteve-se como resultado a compressão da realidade do ensino de Geografia nas referidas unidades de ensino, suas dificuldades, contradições e desafios na educação, como amostra de uma realidade mais complexa vivida no Brasil.PALAVRAS CHAVES: Educação; Ensino de geografia; Lugar, Geografia
ANÁLISE DOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E DAS CONDIÇÕES DE DRENAGEM DE ÁGUAS PLUVIAIS DA ÁREA CENTRAL DO MUNICÍPIO DE BELÉM/PA
Analisa os instrumentos de planejamento e as condições de bacia de drenagem urbana (DU) da área central do município de Belém. Inicialmente foram pesquisadas leis, planos, despesas operacionais e a arrecadação do setor de DU do município. Na segunda etapa foi selecionada a bacia de drenagem da área central de Belém, para elaboração do mapa hipsométrico no software ArcMap 10.6 e verificação das variáveis morfométricas. Na terceira etapa foram avaliadas as condições estruturais da drenagem da bacia estudada. Foi constatada grande deficiência de informações e de instrumentos de planejamento no setor de drenagem urbana do município, inclusive com divergência nos limites da bacia da Tamandaré em relação ao dado oficial da Companhia de Desenvolvimento e Administração da Área Metropolitana de Belém (CODEM). Também foi verificado que vários fatores morfométricos indicam a propensão a inundação e alagamento na área, como a declividade de 1,37%, a baixa densidade de drenagem de 0,65 km/km2 e a forma circular da bacia. Além disso, problemas estruturais e operacionais comprometem a drenagem da bacia. Com a pesquisa foi verificada a necessidade do poder público adequar o planejamento e a gestão da drenagem urbana ao estabelecido na Política Nacional de Saneamento Básico.Palavras-chave: Planejamento; bacia; drenagem; topografia; Tamandaré
A PRODUÇÃO DO ESPAÇO URBANO SEGREGADO: A FAVELA COMO FÓRMULA DE SOBREVIVÊNCIA – NOTAS SOBRE A REGIÃO METROPOLITANA DA GRANDE VITÓRIA-ES
A presente nota busca problematizar as favelas na Região Metropolitana da Grande Vitória - ES (RMGV-ES). Objetiva analisar a distribuição espacial das favelas, suas características morfológicas no sítio urbano e suas características demográficas. Constatou-se que 11,02% do espaço da mancha urbana da região se constituí como favelas e que nesse nesses espaços residem 10,97% da população urbana da RMGV. Esses números podem ser maiores tendo em vista as limitações metodológicas do levantamento desses dados e também em função da falta de pesquisas em escala metropolitana sobre a problemática. Tal falta revela assim, uma falta de conhecimento de maneira precisa do processo de favelização na RMGV.Palavras chaves: Favelas; Espaço urbano; Segregação; Região Metropolitana da Grande Vitória