Historia Ambiental Latinoamericana y Caribeña (HALAC - E-Journal)
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    Dar Nome aos Bois: Animais e o Espelhamento da Modernidade (Natal, Séculos XIX-XX)

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    The article aims to understand the animals’ role within modernization process of the city of Natal between the late 19th and early 20th centuries. From the second half of the 19th century, chroniclers and writers expressed, in their articles, the desire for the physical remodeling of the capital of Rio Grande do Norte according to the ideal of European civilizing urbanity. As this desire was realized and the city transformed, the relationship between humans and animals also changed, producing new tensions and conflicts. The work employs Animal Studies and Environmental History theoretical and methodological contribution to revisit documentary sources widely used in the historiography of Rio Grande do Norte, especially widely circulated local newspapers, but emphasizing the animals that were part of the daily life of the city of Natal in relation to functions such as feeding and transportation, as well as cats and dogs – so-called "invisible in plain sight," as said by Thomas Almeroth-Williams. The presence of animals in newspapers often points to anti-modern representations; undesirable yet necessary, animals were used in pejorative analogies to criticize attitudes and political positions, or in factual episodes to emphasize urban problems. Furthermore, the presence of animals reinforced the idea of colonial inferences, in contrast to a city that was striving to integrate into the Western capitalist world.O artigo objetiva compreender o papel dos animais frente ao processo de modernização da cidade do Natal entre fins do século XIX e início do XX. A partir da segunda metade do século XIX, cronistas e articulistas externavam, em seus artigos, o desejo da remodelação física da capital do Rio Grande do Norte de acordo com o ideal de urbanidade civilizatório europeu. Na medida em que esse ensejo era concretizado e a cidade se transformava, a relação entre os Homens e Animais igualmente se alteram, produzindo novas tensões e conflitos. Com aporte teórico-metodológico dos Estudos sobre os animais e da História Ambiental, o trabalho retoma fontes documentais amplamente utilizadas na historiografia potiguar, em especial os jornais de ampla circulação local, contudo enfatizando os chamados “invisíveis a plena vista”, nas palavras de Thomas Almeroth-Williams: os animais integrantes do cotidiano da cidade potiguar ao redor das funções de alimentação e de transporte, além de gatos e cachorros. A presença dos animais nos relatos aponta para representações antimodernas; indesejáveis, porém necessários, os bichos eram usados em analogias pejorativas, usadas para criticar atitudes e posições políticas, ou em episódios factuais a fim de enfatizar problemas urbanos. Ademais, a presença dos animais reforçava a ideia de atraso, com inferências coloniais, de encontro a uma cidade que se esforçava em se inserir no mundo capitalista ocidental.O artigo objetiva compreender o papel dos animais frente ao processo de modernização da cidade do Natal entre fins do século XIX e início do XX. A partir da segunda metade do século XIX, cronistas e articulistas externavam, em seus artigos, o desejo da remodelação física da capital do Rio Grande do Norte de acordo com o ideal de urbanidade civilizatório europeu. Na medida em que esse ensejo era concretizado e a cidade se transformava, a relação entre os Homens e Animais igualmente se alteram, produzindo novas tensões e conflitos. Com aporte teórico-metodológico dos Estudos sobre os animais e da História Ambiental, o trabalho retoma fontes documentais amplamente utilizadas na historiografia potiguar, em especial os jornais de ampla circulação local, contudo enfatizando os chamados “invisíveis a plena vista”, nas palavras de Thomas Almeroth-Williams: os animais integrantes do cotidiano da cidade potiguar ao redor das funções de alimentação e de transporte, além de gatos e cachorros. A presença dos animais nos relatos aponta para representações antimodernas; indesejáveis, porém necessários, os bichos eram usados em analogias pejorativas, usadas para criticar atitudes e posições políticas, ou em episódios factuais a fim de enfatizar problemas urbanos. Ademais, a presença dos animais reforçava a ideia de atraso, com inferências coloniais, de encontro a uma cidade que se esforçava em se inserir no mundo capitalista ocidental

    Minería y Acción Industrial en el Valle del Huasco, Región de Atacama, Chile. Una Mirada Socioecológica

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    The article proposes four interfaces that highlight the importance of mining and industrial action as agents of transformations that, at least from the 18th century onwards, conditioned the trajectory of many natural and social processes in the Huasco Valley. These interfaces correspond to: the logging and disappearance of vernacular vegetation during the 18th century; the expansion of mining capital in the agricultural sector and the deterioration and decline of the area\u27s forest biomass between 1820 and 1850; a second expansion of mining capital that, coming from the salt pampas, invested in the agricultural development of Huasco between 1890 and 1930; and finally, the arrival of the Pacific Steel Company in the valley in the mid-20th century. At present, processes of resistance to the socio-ecological crisis can be detected that are synonymous with active social participation as a way of building a new distributive order capable of regulating social entropy and the biophysical environment based on knowledge and future expectations. This translates into modifying asymmetries in access, management and allocation of benefits and externalities that imply unequal ecological exchanges and, in the same way, to correct the absence of the State as an organizing and regulating entity of economic interests whose actions strongly impact the destiny of territories such as the one studied.El artículo propone cuatro interfaces que advierten la importancia de la minería y la acción industrial como agentes de transformaciones que, al menos desde el siglo XVIII en adelante, condicionan la trayectoria de muchos procesos naturales y sociales en el valle del Huasco. Esas interfaces corresponden a: la tala y desaparición de la vegetación vernácula durante el siglo XVIII; la expansión del capital minero en el sector agrícola y el deterioro y la disminución de la biomasa boscosa del área entre 1820 y 1850; una segunda expansión de capitales mineros que, provenientes de la pampa salitrera, invierten en el desarrollo agrícola del Huasco entre 1890 y 1930 y, por último, la llegada de la Compañía de Aceros del Pacífico al valle a mediados del siglo XX. En la actualidad, se detectan procesos de resistencia a la crisis socioecológica que son sinónimo de una participación social activa como forma de construir un nuevo orden distributivo capaz de regular la entropía social y del entorno biofísico basándose en el conocimiento y las expectativas futuras. Esto se traduce en la aspiración de modificar las asimetrías al acceso, la gestión y la asignación de beneficios y externalidades que suponen intercambios ecológicos desiguales y, del mismo modo, corregir la ausencia del Estado como ente ordenador y regulador de intereses económicos cuyas acciones impactan fuertemente el destino de territorios como el estudiado.El artículo propone cuatro interfaces que advierten la importancia de la minería y la acción industrial como agentes de transformaciones que, al menos desde el siglo XVIII en adelante, condicionan la trayectoria de muchos procesos naturales y sociales en el valle del Huasco. Esas interfaces corresponden a: la tala y desaparición de la vegetación vernácula durante el siglo XVIII; la expansión del capital minero en el sector agrícola y el deterioro y la disminución de la biomasa boscosa del área entre 1820 y 1850; una segunda expansión de capitales mineros que, provenientes de la pampa salitrera, invierten en el desarrollo agrícola del Huasco entre 1890 y 1930 y, por último, la llegada de la Compañía de Aceros del Pacífico al valle a mediados del siglo XX. En la actualidad, se detectan procesos de resistencia a la crisis socioecológica que son sinónimo de una participación social activa como forma de construir un nuevo orden distributivo capaz de regular la entropía social y del entorno biofísico basándose en el conocimiento y las expectativas futuras. Esto se traduce en la aspiración de modificar las asimetrías al acceso, la gestión y la asignación de beneficios y externalidades que suponen intercambios ecológicos desiguales y, del mismo modo, corregir la ausencia del Estado como ente ordenador y regulador de intereses económicos cuyas acciones impactan fuertemente el destino de territorios como el estudiado

    Posições Antagônicas sobre os Agrotóxicos a Partir das Discussões do PL Nº 6.299/02

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    The debate involving the use of pesticides shows divergent narratives: one aligned with agribusiness and the other with environmental sustainability. Each one presents a motivation with arguments for and against the use of pesticides and conforms the discussion of the issue. Environmental demands had been building for some time a narrative of decreasing the use of pesticides due to the dangerousness of the substances they contain. However, even with the advancement of agendas aimed at the achievement of civil rights and the consolidation of knowledge about environmental impacts, the narrative of support for the use of pesticides has been gaining notoriety. Part of this notability is linked to the historical denial of the construction of the environmental agenda, which is represented in the current regulatory frameworks. Narrative analysis served as a theoretical basis for choosing different approaches to the use of pesticides in Brazil and contributed to describing their origins, conceptions of development, and prospects for advancement that corroborate each narrative. Narrative tensions spill over into public policies, which are made up of non-linear advances, with the progression of environmental sustainability up to 2016. After 2016, a tendency towards a paralysis in advances of a more sustainable agenda in relation to the use of pesticides and denotes a dismantling of the achievements and advances of this theme, in favor of the liberalization of pesticides.O debate que envolve o uso do agrotóxico evidencia narrativas divergentes: uma alinhada ao agronegócio e outra à sustentabilidade ambiental. Cada uma apresenta uma motivação com argumentos prós e contra o uso de agrotóxicos e conforma a discussão da questão. As demandas ambientais vinham há algum tempo construindo uma narrativa de diminuição do uso de agrotóxicos em razão da periculosidade das substâncias neles contidas. Porém, mesmo com o avanço de pautas voltadas para a conquista de direitos civis e de consolidação do conhecimento sobre impactos ambientais, a narrativa de apoio ao uso de agrotóxico vem ganhando notoriedade. Parte desta notabilidade está atrelada a negação histórica de construção da agenda ambiental, que está representada nos marcos regulatórios vigentes. A análise de narrativa serviu como base teórica para eleger diferentes enfoques sobre o uso dos agrotóxicos no Brasil e contribuiu para descrever as suas origens, as concepções de desenvolvimento e perspectivas de avanço que corroboram com cada narrativa. As tensões narrativas transbordam para as políticas públicas, que são compostas por avanços não lineares, com progressão da sustentabilidade ambiental até 2016. Posterior a 2016, percebe-se uma tendência voltada para a paralisação nos avanços de uma agenda mais sustentável em relação ao uso dos agrotóxicos e denota-se um desmonte das conquistas e avanços desta temática, em prol da liberalização do agrotóxico.O debate que envolve o uso do agrotóxico evidencia narrativas divergentes: uma alinhada ao agronegócio e outra à sustentabilidade ambiental. Cada uma apresenta uma motivação com argumentos prós e contra o uso de agrotóxicos e conforma a discussão da questão. As demandas ambientais vinham há algum tempo construindo uma narrativa de diminuição do uso de agrotóxicos em razão da periculosidade das substâncias neles contidas. Porém, mesmo com o avanço de pautas voltadas para a conquista de direitos civis e de consolidação do conhecimento sobre impactos ambientais, a narrativa de apoio ao uso de agrotóxico vem ganhando notoriedade. Parte desta notabilidade está atrelada a negação histórica de construção da agenda ambiental, que está representada nos marcos regulatórios vigentes. A análise de narrativa serviu como base teórica para eleger diferentes enfoques sobre o uso dos agrotóxicos no Brasil e contribuiu para descrever as suas origens, as concepções de desenvolvimento e perspectivas de avanço que corroboram com cada narrativa. As tensões narrativas transbordam para as políticas públicas, que são compostas por avanços não lineares, com progressão da sustentabilidade ambiental até 2016. Posterior a 2016, percebe-se uma tendência voltada para a paralisação nos avanços de uma agenda mais sustentável em relação ao uso dos agrotóxicos e denota-se um desmonte das conquistas e avanços desta temática, em prol da liberalização do agrotóxico

    Storying the Soyacene

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    Book Review Claiton Marcio da Silva and Claudio de Majo, eds. The Age of the Soybean: An Environmental History of Soy during the Great Acceleration (Winwick: The White Horse Press, 2022).Book Review Claiton Marcio da Silva and Claudio de Majo, eds. The Age of the Soybean: An Environmental History of Soy during the Great Acceleration (Winwick: The White Horse Press, 2022).Book Review Claiton Marcio da Silva and Claudio de Majo, eds. The Age of the Soybean: An Environmental History of Soy during the Great Acceleration (Winwick: The White Horse Press, 2022)

    Strategy for the Training of Environmental Historians in the 21st Century

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    Environmental history has been practiced by professionals from various disciplines who are traditionally trained in history, anthropology, geography, and other social sciences or humanities. There are even environmental historians who have been trained as natural scientists. This has generated a paradigmatic dispersion: the issues addressed by environmental history generate a problem of cetacean dimensions. At the same time, the environmental sciences have dealt with similar problems, which is why, for the 21st century, the strategy proposed is that historians who become environmental historians study postgraduate studies in environmental sciences. Some advantages that this would bring to environmental history are discussed, and it addresses the example of the Programa Multidisciplinario de Posgrado en Ciencias Ambientales at the Universidad Autónoma de San Luis Potosí. This is with the intention of institutionalizing initiatives in Latin America and the Caribbean that experiment with this training path, and that environmental historians benefit from other organizational strategies presented.Environmental history has been practiced by professionals from various disciplines who are traditionally trained in history, anthropology, geography, and other social sciences or humanities. There are even environmental historians who have been trained as natural scientists. This has generated a paradigmatic dispersion: the issues addressed by environmental history generate a problem of cetacean dimensions. At the same time, the environmental sciences have dealt with similar problems, which is why, for the 21st century, the strategy proposed is that historians who become environmental historians study postgraduate studies in environmental sciences. Some advantages that this would bring to environmental history are discussed, and it addresses the example of the Programa Multidisciplinario de Posgrado en Ciencias Ambientales at the Universidad Autónoma de San Luis Potosí. This is with the intention of institutionalizing initiatives in Latin America and the Caribbean that experiment with this training path, and that environmental historians benefit from other organizational strategies presented.La historia ambiental ha sido practicada por profesionales de diversas disciplinas, quienes tradicionalmente tienen formación en historia, antropología, geografía y otras ciencias sociales o humanidades. Incluso hay historiadores ambientales que han sido formados como científicos naturales. Esto ha generado una dispersión paradigmática: los temas que aborda la historia ambiental le generan un problema de dimensiones cetáceas. Paralelamente, las ciencias ambientales han lidiado con problemas similares, por lo que, para el siglo XXI, se propone que los historiadores que devengan en historiadores ambientales estudien posgrados en ciencias ambientales. Se abordan algunas ventajas que esto traería a la historia ambiental y se aborda el ejemplo del Programa Multidisciplinario de Posgrado en Ciencias Ambientales de la Universidad Autónoma de San Luis Potosí.  Esto con la intención de que se institucionalicen iniciativas en Latinoamérica y el Caribe que experimenten con este camino formacional, y que los historiadores ambientales se beneficien de otras estrategias orgaizacionales planteada

    Questões Socioambientais na Dinâmica de Mobilidade Warao da Venezuela a Manaus-AM

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    The aim of this work was to describe the socio-environmental aspects that favored the mobility process practiced by the Warao indigenous Venezuelan ethnic group, from the Orinoco Delta in northeastern Venezuela to Manaus, capital of the state of Amazonas, in northern Brazil. The methodology used in this research was the deductive method; in terms of means, the research used bibliographic and documentary productions; in terms of ends, the research was qualitative. The conclusion reached was that the primary factor driving the departure of many Warao from their ancient lands was the environmental impact of government and private company interventions. The consequences of these interventions went beyond the environmental sphere and influenced the social, economic and cultural issues perceived by the remaining Warao in Manaus.O objetivo deste trabalho foi descrever os aspectos socioambientais que favoreceram o processo de mobilidade praticado pela etnia indígena venezuelana Warao, desde o delta do Orinoco, no nordeste da Venezuela até Manaus, capital do estado do Amazonas, na região norte do Brasil. A metodologia utilizada nesta pesquisa foi a do método dedutivo; quanto aos meios, a pesquisa utilizou-se de produções bibliográficas e documentais; quanto aos fins, a pesquisa foi qualitativa. A conclusão a que se chegou foi a de que o primeiro fator que impulsionou a saída de inúmeros Warao de suas milenares terras foram os impactos ambientais resultantes das intervenções governamentais e de empresas particulares. As consequências desses eventos romperam o âmbito ambiental e influenciaram questões sociais, econômicas e culturais percebidas nos Warao remanescentes em Manaus.O objetivo deste trabalho foi descrever os aspectos socioambientais que favoreceram o processo de mobilidade praticado pela etnia indígena venezuelana Warao, desde o delta do Orinoco, no nordeste da Venezuela até Manaus, capital do estado do Amazonas, na região norte do Brasil. A metodologia utilizada nesta pesquisa foi a do método dedutivo; quanto aos meios, a pesquisa utilizou-se de produções bibliográficas e documentais; quanto aos fins, a pesquisa foi qualitativa. A conclusão a que se chegou foi a de que o primeiro fator que impulsionou a saída de inúmeros Warao de suas milenares terras foram os impactos ambientais resultantes das intervenções governamentais e de empresas particulares. As consequências desses eventos romperam o âmbito ambiental e influenciaram questões sociais, econômicas e culturais percebidas nos Warao remanescentes em Manaus

    Uma História dos Caramujos em um Regime Vetorial de Doenças: Entre a Esquistossomose, a Big Pharma e a Tecnociência (1948-2022)

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    The essay seeks to provide a history of snails, specifically those that are the intermediate hosts of Schistosoma, the parasite that causes schistosomiasis, considered endemic in Brazil and classified as a neglected tropical disease. The disease gained greater visibility from the 1940s onwards, with national and international mobilization, via the World Health Organization (WHO) and Brazilian parasitology researchers, around its framing as a public health problem. The argument is that there is a set of interactions between humans and this animal, in a “material and reciprocal agency” (Carlos Maia) that involves the snails’ responses to the demands placed by technoscience and the pharmaceutical-industrial complex, which places this disease in a vector regime. Even though schistosomiasis is a disease linked to poverty and the ills of capitalism, there is a research and public health agenda that is molluscocentric. The very framing of the disease as “vector-borne diseases”, by the WHO, is an element of this centrality and how it orbits around the snail. Historical sources emanating from the WHO and the World Bank help demonstrate how international organizations engender forces on a global scale around this disease vector regime. We also covered other views and other horizons of agency with the animal, such as those promoted by the public health doctor Frederico Simões Barbosa (1916-2004). The essay concludes by demarcating the historicity of the interaction processes between humans and snails and how a disease is capable of demonstrating the multiple cultural, economic, political and ontological confluences between the two.O ensaio visa elaborar uma história dos caramujos, especificamente aqueles que são os hospedeiros intermediários do Schistosoma, parasita causador da esquistossomose, considerada endêmica no Brasil e classificada como doença tropical negligenciada. A doença ganhou maior visibilidade a partir dos anos 1940, com uma mobilização nacional e internacional, via Organização Mundial da Saúde (OMS) e pesquisadores brasileiros da parasitologia, em torno do seu enquadramento como problema de saúde pública. Argumenta-se haver um conjunto de interações entre humanos e esse animal, em um “agenciamento material e recíproco” (Carlos Maia) que envolve respostas dos caramujos às provocações colocadas pela tecnociência e pelo complexo industrial-farmacêutico, que incluem essa doença em um regime vetorial. Mesmo que a esquistossomose seja uma doença atrelada à pobreza e às mazelas do capitalismo, nota-se uma agenda de pesquisas e da saúde pública que é moluscocêntrica. O próprio enquadramento da enfermidade como “vector-borne diseases”, pela OMS, é um elemento dessa centralidade e de como ela orbita em torno do caramujo. As fontes históricas que emanam da OMS e do Banco Mundial ajudam a demonstrar como organizações internacionais engendram forças em escala global em torno desse regime vetorial da doença. Este texto também percorre outras visadas e outros horizontes de agenciamento com o animal, como os promovidos pelo médico sanitarista Frederico Simões Barbosa (1916-2004). O ensaio conclui pela demarcação da historicidade dos processos de interação entre humanos e caramujos e sobre como uma doença é capaz de demonstrar as múltiplas confluências culturais, econômicas, políticas e ontológicas entre ambos.O ensaio visa elaborar uma história dos caramujos, especificamente aqueles que são os hospedeiros intermediários do Schistosoma, parasita causador da esquistossomose, considerada endêmica no Brasil e classificada como doença tropical negligenciada. A doença ganhou maior visibilidade a partir dos anos 1940, com uma mobilização nacional e internacional, via Organização Mundial da Saúde (OMS) e pesquisadores brasileiros da parasitologia, em torno do seu enquadramento como problema de saúde pública. Argumenta-se haver um conjunto de interações entre humanos e esse animal, em um “agenciamento material e recíproco” (Carlos Maia) que envolve respostas dos caramujos às provocações colocadas pela tecnociência e pelo complexo industrial-farmacêutico, que incluem essa doença em um regime vetorial. Mesmo que a esquistossomose seja uma doença atrelada à pobreza e às mazelas do capitalismo, nota-se uma agenda de pesquisas e da saúde pública que é moluscocêntrica. O próprio enquadramento da enfermidade como “vector-borne diseases”, pela OMS, é um elemento dessa centralidade e de como ela orbita em torno do caramujo. As fontes históricas que emanam da OMS e do Banco Mundial ajudam a demonstrar como organizações internacionais engendram forças em escala global em torno desse regime vetorial da doença. Este texto também percorre outras visadas e outros horizontes de agenciamento com o animal, como os promovidos pelo médico sanitarista Frederico Simões Barbosa (1916-2004). O ensaio conclui pela demarcação da historicidade dos processos de interação entre humanos e caramujos e sobre como uma doença é capaz de demonstrar as múltiplas confluências culturais, econômicas, políticas e ontológicas entre ambos

    A Abordagem Territorial do Cerrado e a Produção de Alimentos: o Caso dos Povos Karajá em Aruanã, Goiás

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    The objective of this article is to interpret the structures and spatial circumstances through which indigenous peoples of the Cerrado in Goiás, specifically the Karajá people in Aruanã - GO, establish relationships with food. The reflections are instigated by the following issue: what changes have occurred in indigenous food? The direct question is: how do the Karajá people in Aruanã, who are territorialized along the banks of the Araguaia River, develop food production strategies in the spatial context in which they are situated? The reflections presented in this article are supported by fieldwork, data collection from the Mauro Borges Institute (IMB), direct dialogue with researchers from various fields of knowledge, as well as guidance at the undergraduate, master\u27s, and doctoral levels. The theoretical foundation is based on the territorial approach of the Cerrado. Through an interweaving of scales, this perspective undertakes the reading of the Cerrado, its subjects, and their issues, observing the actions of actors in the biome according to their strategies of power and spatial dominance. It is also considered that food, linked to the rooted layers of traditional peoples, has become, through the formation of agro-food empires, a form of domination of indigenous culture and its subordination.Interpretar as estruturas e as circunstâncias espaciais pelas quais os povos indígenas do Cerrado goiano, especificamente os povos Karajá em Aruanã - GO, estabelecem relações com a alimentação, é o objetivo do presente artigo. As reflexões são instigadas pela seguinte problemática: que mudanças têm ocorrido na alimentação indígena? A problemática direta é: como os povos Karajá em Aruanã, territorializados às margens do rio Araguaia, desenvolvem estratégias de produção de alimentos no contexto espacial em que se situam? As reflexões apresentadas neste artigo têm como suportes metodológicos os trabalhos de campo, o levantamento de dados do Instituto Mauro Borges (IMB), a interlocução direta com pesquisadores de vários campos de saber, assim como orientação em nível da graduação, mestrado e doutoramento. O alicerce teórico baseia-se na abordagem territorial do Cerrado. A partir de um entrelaçamento de escalas, essa perspectiva empreende a leitura do Cerrado, dos seus sujeitos e de seus problemas, observando a ação dos atores no bioma conforme suas estratégias de poder e de domínio espacial. Considera-se, ainda, que o alimento, vinculado aos estratos enraizadores dos povos tradicionais, tem se tornado, mediante a formação dos impérios agroalimentares, uma forma de domínio da cultura indígena e de sua subordinação.Interpretar as estruturas e as circunstâncias espaciais pelas quais os povos indígenas do Cerrado goiano, especificamente os povos Karajá em Aruanã - GO, estabelecem relações com a alimentação, é o objetivo do presente artigo. As reflexões são instigadas pela seguinte problemática: que mudanças têm ocorrido na alimentação indígena? A problemática direta é: como os povos Karajá em Aruanã, territorializados às margens do rio Araguaia, desenvolvem estratégias de produção de alimentos no contexto espacial em que se situam? As reflexões apresentadas neste artigo têm como suportes metodológicos os trabalhos de campo, o levantamento de dados do Instituto Mauro Borges (IMB), a interlocução direta com pesquisadores de vários campos de saber, assim como orientação em nível da graduação, mestrado e doutoramento. O alicerce teórico baseia-se na abordagem territorial do Cerrado. A partir de um entrelaçamento de escalas, essa perspectiva empreende a leitura do Cerrado, dos seus sujeitos e de seus problemas, observando a ação dos atores no bioma conforme suas estratégias de poder e de domínio espacial. Considera-se, ainda, que o alimento, vinculado aos estratos enraizadores dos povos tradicionais, tem se tornado, mediante a formação dos impérios agroalimentares, uma forma de domínio da cultura indígena e de sua subordinação

    Voces Diversas en la Historia Ambiental: Hacia Una Representación Multivocal

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    This article examines the possibilities of a multivocal perspective in environmental history, understood as the inclusion and appreciation of diverse voices. The analysis focuses on the political concept of voice and other concepts related to vocal practice. It addresses the challenge of democratically representing diverse voices in environmental history by exploring three historiographical theoretical proposals: history from below, subaltern studies, and more-than-human conceptualizations of politics and historical agency. Additionally, the role of oral history in this process is considered, and an analysis is conducted on how these historiographical currents have influenced this practice. Through this research, the aim is to recognize how environmental history has addressed this issue and to contribute to the construction of a polyphonic environmental history.Este artículo examina las posibilidades de una perspectiva multivocal en la historia ambiental, entendida como la inclusión y valoración de voces diversas. El análisis se centra en el concepto político de voz y en otros conceptos ligados a la práctica vocal. Se aborda el desafío de la representación democrática de diversas voces en la historia ambiental mediante la exploración de tres propuestas teóricas historiográficas: la historia desde abajo, los estudios subalternos y las conceptualizaciones más que humanas la política y la agencia histórica. Además, se considera el papel de la historia oral en este proceso y se analiza cómo estas corrientes historiográficas han influido en dicha práctica. Mediante esta investigación se busca reconocer la manera en la que la historia ambiental ha abordado este problema y contribuir a la construcción de una historia ambiental polifónica.Este artículo examina las posibilidades de una perspectiva multivocal en la historia ambiental, entendida como la inclusión y valoración de voces diversas. El análisis se centra en el concepto político de voz y en otros conceptos ligados a la práctica vocal. Se aborda el desafío de la representación democrática de diversas voces en la historia ambiental mediante la exploración de tres propuestas teóricas historiográficas: la historia desde abajo, los estudios subalternos y las conceptualizaciones más que humanas la política y la agencia histórica. Además, se considera el papel de la historia oral en este proceso y se analiza cómo estas corrientes historiográficas han influido en dicha práctica. Mediante esta investigación se busca reconocer la manera en la que la historia ambiental ha abordado este problema y contribuir a la construcción de una historia ambiental polifónica

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