Historia Ambiental Latinoamericana y Caribeña (HALAC - E-Journal)
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Caminhos para a História Ambiental - Ensaio sobre Abordagens e Fontes
This essay contains observations and lessons learned about approaches and sources related to environmental history. I reexamine a few texts in which I dealt with both topics, but I add a number of unpublished considerations. I could argue that I deal with methodological matters of environmental history. However, it is more appropriate to state that I deal with approaches and sources, because I am not a trained historian and am not prone to high level methodological digressions. I present further comments on pertinent points that I wrote about in previously published texts produced at separate times and with different goals, trying to place them in an easily understood order. I have also added new reflections on several matters of environmental history. My goal is to provide more detailed answers to questions that have been made to me over the years and to which I responded only orally. I believe these answers can be useful for researchers of environmental history, experienced or beginners.Reúno neste texto observações e aprendizados sobre abordagens e fontes referentes à história ambiental (HA). Revisito alguns textos de minha autoria em que tratei de passagem dos dois tópicos, mas acrescento algumas reflexões inéditas. Eu poderia afirmar que trato da “metodologia” da história ambiental. No entanto, é mais apropriado dizer apenas que trato de “abordagens e fontes” da HA, pois não tenho formação de historiador, nem sou dado a altos voos metodológicos. Neste ensaio recupero e comento passagens que podem ser lidas como metodológicas, espalhadas por alguns desses textos, produzidos em diferentes momentos e com diferentes objetivos, colocando-as numa ordem desejavelmente didática. Apresento ainda reflexões inéditas. Pretendo apresentar respostas mais elaboradas a perguntas que me têm sido feitas ao longo dos anos sobre a “metodologia da HA”, às quais tenho dado respostas apenas orais, esperando que essas respostas publicadas possam ser úteis para praticantes e leitores de HA, tanto os iniciantes quanto os experientes.Reúno neste texto observações e aprendizados sobre abordagens e fontes referentes à história ambiental (HA). Revisito alguns textos de minha autoria em que tratei de passagem dos dois tópicos, mas acrescento algumas reflexões inéditas. Eu poderia afirmar que trato da “metodologia” da história ambiental. No entanto, é mais apropriado dizer apenas que trato de “abordagens e fontes” da HA, pois não tenho formação de historiador, nem sou dado a altos voos metodológicos. Neste ensaio recupero e comento passagens que podem ser lidas como metodológicas, espalhadas por alguns desses textos, produzidos em diferentes momentos e com diferentes objetivos, colocando-as numa ordem desejavelmente didática. Apresento ainda reflexões inéditas. Pretendo apresentar respostas mais elaboradas a perguntas que me têm sido feitas ao longo dos anos sobre a “metodologia da HA”, às quais tenho dado respostas apenas orais, esperando que essas respostas publicadas possam ser úteis para praticantes e leitores de HA, tanto os iniciantes quanto os experientes
“El Costo de la Abundancia” Formación y Consolidación de las Historias de la Energía en el Mundo
This article explores the evolution of historical literature on energy, highlighting key conceptual and methodological developments, as well as emerging themes shaped by the Anthropocene and contemporary environmental concerns. Over the past forty years, interdisciplinary and empirical contributions from ecology, economics, and environmental history have positioned energy as a vital lens for understanding both modern economic development and current energy challenges. By employing statistical tools, national-scale energy histories have illuminated patterns of consumption, energy transitions, and the economic significance of various energy sources. They also reveal how electrification and fossil fuels have shaped the social and cultural fabric of modern transportation and society.El artículo busca identificar la evolución de la literatura histórica sobre la energía, los avances conceptuales, metodológicos y las temáticas tratadas a la luz del Antropoceno y las actuales preocupaciones ambientales. Los aportes interdisciplinares y empíricos desde la ecología, la economía y la historia ambiental constituyeron en los últimos cuarenta años a la energía como un objeto de estudio histórico transversal para la comprensión del devenir económico moderno y los desafíos energéticos presentes y futuros. A través del uso de herramientas estadísticas, las historias de la energía a escala nacional han permitido reconocer los consumos aparentes, las transiciones energéticas, el peso de ciertas energías en las economías, así como la configuración social y cultural por medio de la electrificación y las energías fósiles en la modernización del transporte y las sociedades.El artículo busca identificar la evolución de la literatura histórica sobre la energía, los avances conceptuales, metodológicos y las temáticas tratadas a la luz del Antropoceno y las actuales preocupaciones ambientales. Los aportes interdisciplinares y empíricos desde la ecología, la economía y la historia ambiental constituyeron en los últimos cuarenta años a la energía como un objeto de estudio histórico transversal para la comprensión del devenir económico moderno y los desafíos energéticos presentes y futuros. A través del uso de herramientas estadísticas, las historias de la energía a escala nacional han permitido reconocer los consumos aparentes, las transiciones energéticas, el peso de ciertas energías en las economías, así como la configuración social y cultural por medio de la electrificación y las energías fósiles en la modernización del transporte y las sociedades
Lagunillas em uma Linha do Tempo: A História das Transformações de sua Paisagem
Timelines allow the correct understanding of the temporal sequence in which one or more phenomena occurred, indicating the main elements that have been marking this phenomenon and the time or period in which they occurred. Environmental History presents evidence that documents the environmental changes that occurred in the past through this resource to identify and understand the changes that man promotes in the dynamics of the earth. In Venezuela, Lagunillas is officially the only town located below sea level (-8 m), its soils correspond to a drained swamp, devoid of vegetation and whose material was originally oversaturated with water. When the Spanish colonizers arrived, there was a water town in the area, of indigenous origin and whose population obtained from the lake, the canal and the swamp almost everything they needed, with harmony, maintaining a balance with nature. Since the beginning of oil extraction, certain parts of the ground sank to such an extent that it was necessary to build a coastal dike and in 1929, when the region became the largest oil field in Venezuela, the surface subsidence was officially confirmed and it was the last time that the Gran Ciénaga de Lagunillas appeared on a map. The triangulation of written and visual sources and georeferenced data allowed the identification of events considered historical milestones to influence the behavior of the elements described and analyzed. The subsidence not only sank Lagunillas, making it dependent on a pumping system to drain meteoric water and sewage, but also plunged it into disrepair. The search for black gold influenced the rupture of man\u27s relationship with the land. In the area there is no research framed in Environmental History, there is no description of the evolution -and its consequences- of subsidence, which is why this research is considered a precedent.Quando os colonizadores espanhóis chegaram na área de estudo havia um povoado de água de origem indígena e cuja população obtinha do lago de Maracaibo, da ciénaga e do canal quase tudo o que precisava. Desde o início da extração de petróleo, certas partes da terra afundaram e para conter as águas do lago e preservar os limites das concessões, foi construído um dique. Em 1929, quando Lagunillas se tornou o maior campo petrolífero da Venezuela, a subsidência foi corroborada e a Gran Ciénaga de Lagunillas apareceu mapeada pela última vez. O problema descrito é a mudança de paisagem, a forma como este pequeno povoado de água tornou-se oficialmente o único povoado que há quase 100 anos está abaixo do nível das águas do lago. A triangulação de diversas fontes permitiu identificar eventos considerados “marcos” históricos por influenciar o comportamento dos elementos descritos e analisados. Por meio de linhas do tempo, a História Ambiental apresenta evidências das mudanças ambientais ocorridas no passado, identificando as alterações que o homem promove na dinâmica da terra e descrevendo os eventos que influem nessas mudanças e o tempo ou período em que ocorreram. A subsidência não apenas afundou Lagunillas, tornando-a dependente de um sistema de bombeamento para drenar a águas meteóricas e de esgoto, também a mergulhou no abandono. A relação harmoniosa com a natureza, que caracterizava a população primitiva, se transformou à medida que a busca e extração do ouro negro avançava, impactando na ruptura da relação do homem com a terra. São diversas as investigações das quais Lagunillas é protagonista, mas nenhuma considerou a relação natureza-homem-petróleo-subsidência-Lagunillas como objeto de estudo e aos olhos da História Ambiental, razão pela qual esta investigação é considerada um precedente. Mundialmente, Lagunillas é o povoado mais afetado pela subsidência devido à extração de hidrocarbonetos.Quando os colonizadores espanhóis chegaram na área de estudo havia um povoado de água de origem indígena e cuja população obtinha do lago de Maracaibo, da ciénaga e do canal quase tudo o que precisava. Desde o início da extração de petróleo, certas partes da terra afundaram e para conter as águas do lago e preservar os limites das concessões, foi construído um dique. Em 1929, quando Lagunillas se tornou o maior campo petrolífero da Venezuela, a subsidência foi corroborada e a Gran Ciénaga de Lagunillas apareceu mapeada pela última vez. O problema descrito é a mudança de paisagem, a forma como este pequeno povoado de água tornou-se oficialmente o único povoado que há quase 100 anos está abaixo do nível das águas do lago. A triangulação de diversas fontes permitiu identificar eventos considerados “marcos” históricos por influenciar o comportamento dos elementos descritos e analisados. Por meio de linhas do tempo, a História Ambiental apresenta evidências das mudanças ambientais ocorridas no passado, identificando as alterações que o homem promove na dinâmica da terra e descrevendo os eventos que influem nessas mudanças e o tempo ou período em que ocorreram. A subsidência não apenas afundou Lagunillas, tornando-a dependente de um sistema de bombeamento para drenar a águas meteóricas e de esgoto, também a mergulhou no abandono. A relação harmoniosa com a natureza, que caracterizava a população primitiva, se transformou à medida que a busca e extração do ouro negro avançava, impactando na ruptura da relação do homem com a terra. São diversas as investigações das quais Lagunillas é protagonista, mas nenhuma considerou a relação natureza-homem-petróleo-subsidência-Lagunillas como objeto de estudo e aos olhos da História Ambiental, razão pela qual esta investigação é considerada um precedente. Mundialmente, Lagunillas é o povoado mais afetado pela subsidência devido à extração de hidrocarbonetos
“Antes Vejo nela uma Condição de Morte, ou pelo Menos de Atraso”: as Crises Socioambientais do Açúcar na Segunda Metade do Século XIX
This article aimed to discuss the socio-environmental crises that affected Brazilian sugar production in the 19th century and that still have an impact on the current scenario of environmental collapse. This text sought to analyze documents that have been little studied from the perspective of environmental history, such as the survey conducted by the ministries of Finance, Justice and Agriculture entitled Informações sobre o estado da lavoura, published in 1874; and the two books by the French engineer and sugar mill owner Henrique Augusto Milet: Auxílio à lavoura e crédito real, from 1876, and A lavoura da cana-de-açúcar, from 1881. In their pages, the growing centrality assumed by technical knowledge clashes with the traditional techniques of sugar manufacturing and sugarcane cultivation, exacerbating the debate on the routine and backwardness of Brazilian agriculture. The central themes are the modernization process, set in motion with the project of the central sugar mills, and the incorporation of environmental issues into the ideas that circulated during the period.Este artigo teve como objetivo discutir as crises socioambientais que afetaram a produção açucareira brasileira no século XIX e que ainda impactam atualmente no cenário de colapso ambiental em que vivemos . Busca-se neste texto analisar documentos pouco trabalhados pela perspectiva da história ambiental , como o inquérito realizado pelos ministérios da Fazenda, da Justiça e da Agricultura intitulado Informações sobre o estado da lavoura, publicado em 1874; e os dois livros do engenheiro francês e senhor de engenho Henrique Augusto Milet: Auxílio à lavoura e crédito real, de 1876, e A lavoura da cana-de-açúcar, de 1881. Em suas páginas, a crescente centralidade assumida pelos saberes técnicos entra em choque com as técnicas tradicionais de fabrico do açúcar e cultivo dos canaviais, exacerbando o debate sobre a rotina e o atraso da agricultura brasileira. O tema central são o processo de modernização, colocado em curso com o projeto dos engenhos centrais, e a incorporação das questões ambientais nas ideias que circularam no período.Este artigo teve como objetivo discutir as crises socioambientais que afetaram a produção açucareira brasileira no século XIX e que ainda impactam atualmente no cenário de colapso ambiental em que vivemos . Busca-se neste texto analisar documentos pouco trabalhados pela perspectiva da história ambiental , como o inquérito realizado pelos ministérios da Fazenda, da Justiça e da Agricultura intitulado Informações sobre o estado da lavoura, publicado em 1874; e os dois livros do engenheiro francês e senhor de engenho Henrique Augusto Milet: Auxílio à lavoura e crédito real, de 1876, e A lavoura da cana-de-açúcar, de 1881. Em suas páginas, a crescente centralidade assumida pelos saberes técnicos entra em choque com as técnicas tradicionais de fabrico do açúcar e cultivo dos canaviais, exacerbando o debate sobre a rotina e o atraso da agricultura brasileira. O tema central são o processo de modernização, colocado em curso com o projeto dos engenhos centrais, e a incorporação das questões ambientais nas ideias que circularam no período
O Olhar Geográfico sobre as Transformações Históricas na Amazônia
Book Review
KOHLHEPP, G. The Brazilian Amazonia in Change II: Five Decades of Exploitation, Deforestation and Attempts at Sustainable Development. Bielefeld: transcript Verlag, 2025.Book Review
KOHLHEPP, G. The Brazilian Amazonia in Change II: Five Decades of Exploitation, Deforestation and Attempts at Sustainable Development. Bielefeld: transcript Verlag, 2025.Book Review
KOHLHEPP, G. The Brazilian Amazonia in Change II: Five Decades of Exploitation, Deforestation and Attempts at Sustainable Development. Bielefeld: transcript Verlag, 2025
“Eu Sou como a Garça Triste”: Romantismo, Escravidão e Natureza na Poetica de Castro Alves
Antônio Frederico de Castro Alves (1847-1871) became known as “the poet of the slaves” because of his abolitionist poems. The poet was part of Brazilian romanticism, not renouncing from representations of nature. Brazilian romanticism, on the other hand, appears linked to the State of the newly born empire, and was intimately related to the formation of a nationality that tried to oppose the new nation to the old metropolis. In this context, Castro Alves created representations that were hyperbolic and opened up space to dissenting opinions — like those of his friends, who were also abolitionists, Rui Barbosa and Joaquim Nabuco —, although their poems are still appreciated for the beauty described, often grandiloquent. The abolitionist poet related their representations of nature to the enslaved, implementing a rhetoric of positivization in relation to these individuals, rehumanizing them by recognizing them as part of nature, and in this way, subverting the objectification that was imposed on them by masters and throughout the slave system.Antônio Frederico de Castro Alves (1847-1871) ficou conhecido como “o poeta dos escravos” por causa de seus poemas abolicionistas. O poeta fazia parte do romantismo brasileiro, não se furtando às representações da natureza. O romantismo brasileiro, por seu turno, surge ligado ao Estado do recém-nascido império, e esteve intimamente relacionado à formação de uma nacionalidade que tentava opor a nova nação à antiga metrópole. Nesse sentido, Castro Alves criou representações que eram hiperbólicas e que dividiram opiniões - como as de seus amigos, e abolicionistas, Rui Barbosa e Joaquim Nabuco -, apesar de seus poemas serem até hoje apreciados por sua beleza nas descrições, muitas vezes grandiloquentes. O poeta abolicionista relacionou suas representações da natureza aos escravizados, implementando uma retórica de positivação com relação a esses indivíduos, reumanizando-os ao reconhecê-los como parte da natureza, e dessa forma, subvertendo a coisificação que lhes era imposta pelos senhores e por todo o sistema escravista.Antônio Frederico de Castro Alves (1847-1871) ficou conhecido como “o poeta dos escravos” por causa de seus poemas abolicionistas. O poeta fazia parte do romantismo brasileiro, não se furtando às representações da natureza. O romantismo brasileiro, por seu turno, surge ligado ao Estado do recém-nascido império, e esteve intimamente relacionado à formação de uma nacionalidade que tentava opor a nova nação à antiga metrópole. Nesse sentido, Castro Alves criou representações que eram hiperbólicas e que dividiram opiniões - como as de seus amigos, e abolicionistas, Rui Barbosa e Joaquim Nabuco -, apesar de seus poemas serem até hoje apreciados por sua beleza nas descrições, muitas vezes grandiloquentes. O poeta abolicionista relacionou suas representações da natureza aos escravizados, implementando uma retórica de positivação com relação a esses indivíduos, reumanizando-os ao reconhecê-los como parte da natureza, e dessa forma, subvertendo a coisificação que lhes era imposta pelos senhores e por todo o sistema escravista
Floresta Branca: o Sertão dos Engenheiros
Using the concept of landscape, this article explores some representations of the Caatinga, particularly at the end of the 19th century, in order to understand the phenomenon of droughts, as well as the debates triggered by its socio-environmental crises from the perspective of Environmental History. In this sense, through a transdisciplinary approach, Saturnino de Brito\u27s text on the northeastern histerland was used to identify other representations of the caatingas produced by naturalist travelers, geographers and engineers not only contemporary to Saturnino such as: Spix, Martius, Theodoro Sampaio, Giácomo Gabaglia, Euclides da Cunha and Aziz Ab\u27Saber. As a result, it was possible to see a progressive understanding of the phenomenon of droughts in the semi-arid northeast of Brazil based on historical, economic, social and environmental problems as opposed to deterministic explanations. Another piece of evidence was that the northeastern hinterland was progressively ceasing to be represented as an emptiness or desert and was instead represented by the characteristic features of the caatingas biome, with the identification of plants and ecological systems typical of the biome that were already used in their natural characteristics by the indigenous peoples who passed through that territory invaded by the dynamics of colonization and industrial capitalism.Através do conceito de paisagem este artigo explora algumas representações sobre a Caatinga, notadamente, ao final do século XIX, com intuito de compreender o fenômeno das secas bem como os debates ensejados por suas crises socioambientais a partir da perspectiva da História Ambiental. Nesse sentido, por meio de uma abordagem transdisciplinar, o texto de Saturnino de Brito sobre os sertões nodestinos foi utilizado para identificar outras representações sobre as caatingas produzidas pelos viajantes naturalistas, geógrafos e engenheiros não apenas contemporâneos à Saturnino, como: Spix, Martius, Theodoro Sampaio, Giácomo Gabaglia, Euclides da Cunha e Aziz Ab’Saber. De modo que foi possível notar um progressivo entendimento do fenômeno das secas no semiárido nordestino a partir de problemas históricos, econômicos, sociais e ambientais em contraposição às explicações apenas deterministas. Outra evidência foi a de que o sertão nordestino progressivamente foi deixando de ser representado como o vazio ou o deserto para ser representado pelas particularidades características do bioma das caatingas, com a identificação de plantas e sistemas ecológicos típicos deste bioma que já eram utilizados em suas características naturais pelos povos indígenas que transitavam por aquele território invadido pelas dinâmicas da colonização e do capitalismo industrial.Através do conceito de paisagem este artigo explora algumas representações sobre a Caatinga, notadamente, ao final do século XIX, com intuito de compreender o fenômeno das secas bem como os debates ensejados por suas crises socioambientais a partir da perspectiva da História Ambiental. Nesse sentido, por meio de uma abordagem transdisciplinar, o texto de Saturnino de Brito sobre os sertões nodestinos foi utilizado para identificar outras representações sobre as caatingas produzidas pelos viajantes naturalistas, geógrafos e engenheiros não apenas contemporâneos à Saturnino, como: Spix, Martius, Theodoro Sampaio, Giácomo Gabaglia, Euclides da Cunha e Aziz Ab’Saber. De modo que foi possível notar um progressivo entendimento do fenômeno das secas no semiárido nordestino a partir de problemas históricos, econômicos, sociais e ambientais em contraposição às explicações apenas deterministas. Outra evidência foi a de que o sertão nordestino progressivamente foi deixando de ser representado como o vazio ou o deserto para ser representado pelas particularidades características do bioma das caatingas, com a identificação de plantas e sistemas ecológicos típicos deste bioma que já eram utilizados em suas características naturais pelos povos indígenas que transitavam por aquele território invadido pelas dinâmicas da colonização e do capitalismo industrial
De la República de las Letras a la República de las Bestias: El Diario Económico de México como Fuente para el Análisis de las Relaciones Humano-Animal en la vida Cotidiana de la Ciudad de México Novohispana
The Diario Económico de México was one of the most significant periodicals of its time. Some of its more fantastic qualities include the fact that vast swaths of Mexico City’s society participated in it with publications of all sorts, and, unlike other periodicals of the era, this one enjoyed an almost uninterrupted run for more than a decade, 1805 to 1817. Despite the variety of its contents, historians have seldom used it to study the human-animal relationships of the past. This article examines the Diario’s “Announcement” section from 1805 to 1809 as a sample to analyze how the residents of Mexico City interacted with three specific types of animals: equines, birds, and dogs. In the process, it also proposes how these human-animal relationships intersect with other areas of historical interest, such as the notion of labor, the significance of agency, evidence of transculturation, the history of women, and the formation of family units in the early modern period.El Diario Económico de México fue uno de los periódicos más importantes de la época, en él participaron casi todos los sectores de la Ciudad de México, y además gozó de un tiraje casi ininterrumpido desde 1805 hasta 1817. A pesar de su vasto contenido, éste rara vez ha sido usado para estudiar las relaciones humano-animales del pasado. El presente artículo examina la sección de “Avisos” del Diario de 1805 a 1809 como un muestrario para analizar cómo los residentes de la Ciudad de México se relacionaron con tres grupos de animales: equinos, aves y perros. En el proceso, propone diferentes maneras en las cuales estas relaciones humano-animales se entrecruzan con otras áreas de interés histórico, como son la noción del trabajo, el significado de agencia, la evidencia de la transculturación, la historia de las mujeres y la conformación de la familia durante el periodo moderno tempranoEl Diario Económico de México fue uno de los periódicos más importantes de la época, en él participaron casi todos los sectores de la Ciudad de México, y además gozó de un tiraje casi ininterrumpido desde 1805 hasta 1817. A pesar de su vasto contenido, éste rara vez ha sido usado para estudiar las relaciones humano-animales del pasado. El presente artículo examina la sección de “Avisos” del Diario de 1805 a 1809 como un muestrario para analizar cómo los residentes de la Ciudad de México se relacionaron con tres grupos de animales: equinos, aves y perros. En el proceso, propone diferentes maneras en las cuales estas relaciones humano-animales se entrecruzan con otras áreas de interés histórico, como son la noción del trabajo, el significado de agencia, la evidencia de la transculturación, la historia de las mujeres y la conformación de la familia durante el periodo moderno tempran
¿Cómo fue que un Guacamayo se Extravió en la Materia? Una Lectura de la Obra de Mario Payeras desde la Historia Ambiental y Animal
This article analyzes the story “Historia del guacamayo que se extravió en la materia” from the series El mundo como flor y como invento, published in 1987 by the Guatemalan guerrilla commander Mario Payeras, with the aim of denouncing the cycles of accumulation that turn the tropical fauna of the global periphery into a motif of contemplative enjoyment in the zoos of the central economies. The objective of this research is to delve into the reading of authors who, without being historians or working in the academic field, produced writings that enrich the sources of what we could call an Intellectual History of Environmental and Animal History in a Latin Americanist key. The problematization starts from an understanding of Latin Americanism as an epistemological positioning in which the knowledge produced by the actors and networks of social movements seeks to be recognized in its value, together with an open reading of the discursive genres in which it has been expressed, these being the essay or the varied literary registers, ranging from memoirs, to short stories, from novels to travel diaries. The invitation to the reader is to strengthen the interdisciplinary character that has been recognized both in Latin American Studies and in Environmental and Animal History. With this, the aim is also to elaborate on the partiality of the so-called “culturalist” and “applied” approaches.Este artículo analiza el cuento “Historia del guacamayo que se extravió en la materia” perteneciente a la serie El mundo como flor y como invento, publicada en 1987 por el comandante guerrillero guatemalteco Mario Payeras, con el interés de denunciar los ciclos de acumulación que convierten a la fauna tropical de la periferia global en motivo de disfrute contemplativo en los zoológicos de las economías centrales. El objetivo de la investigación es ahondar en la lectura de autoras y autores que sin ser historiadores o desempeñarse en el ámbito académico produjeron escritos que enriquecen las fuentes de lo que podríamos dar en nombrar como una Historia Intelectual de la Historia Ambiental y Animal en clave latinoamericanista. La problematización parte de un entendimiento del latinoamericanismo como un posicionamiento epistemológico en el que el conocimiento producido por los actores y redes de los movimientos sociales busca ser reconocido en su valía, junto con una lectura abierta de los géneros discursivos en que se ha expresado, siendo estos el ensayo o los variados registros literarios, que van de las memorias, a los cuentos, de las novelas a los diarios de viaje. La invitación al lector consiste en fortalecer el carácter interdisciplinario que se ha reconocido tanto a los Estudios Latinoamericanos como a la Historia Ambiental y Animal. Con esto, también se busca elaborar en torno a la parcialidad de los enfoques llamados “culturalistas” y “aplicados”.Este artículo analiza el cuento “Historia del guacamayo que se extravió en la materia” perteneciente a la serie El mundo como flor y como invento, publicada en 1987 por el comandante guerrillero guatemalteco Mario Payeras, con el interés de denunciar los ciclos de acumulación que convierten a la fauna tropical de la periferia global en motivo de disfrute contemplativo en los zoológicos de las economías centrales. El objetivo de la investigación es ahondar en la lectura de autoras y autores que sin ser historiadores o desempeñarse en el ámbito académico produjeron escritos que enriquecen las fuentes de lo que podríamos dar en nombrar como una Historia Intelectual de la Historia Ambiental y Animal en clave latinoamericanista. La problematización parte de un entendimiento del latinoamericanismo como un posicionamiento epistemológico en el que el conocimiento producido por los actores y redes de los movimientos sociales busca ser reconocido en su valía, junto con una lectura abierta de los géneros discursivos en que se ha expresado, siendo estos el ensayo o los variados registros literarios, que van de las memorias, a los cuentos, de las novelas a los diarios de viaje. La invitación al lector consiste en fortalecer el carácter interdisciplinario que se ha reconocido tanto a los Estudios Latinoamericanos como a la Historia Ambiental y Animal. Con esto, también se busca elaborar en torno a la parcialidad de los enfoques llamados “culturalistas” y “aplicados”
“ – Já passamos o Éden”: Machado de Assis e a Abertura de Caminhos para uma Agência Animal Compartilhada no Brasil
The Brazilian writer Machado de Assis (1839-1908) dedicated part of his complex work to discussing the relationships between human beings and other animals. Many of these discussions are related, in a deeply critical way, to the main sociocultural, political-economic, scientific-technological and ecological-environmental movements of the period. Through literary writing, he developed important reflections on the limits and contingencies of the human and animal condition, opening paths to explore the complex field of Animal History in Brazil. Among hundreds of Machado’s writings on animals (novels and chapters, short stories and scenes from plays, poems and newspaper chronicles), this article seeks to highlight the writings in which the author addressed animal agency, the subjectivities and idiosyncrasies of these beings. This article also aims to discuss how these texts point to and are part of the discussions on animal protection in Brazil in the last decades of the 19th century. Animals in Machado de Assis are more than just metaphors. On several occasions, they are the protagonists and agents of the history, of their own histories that are shared with the writer’s history and with the histories of his readers.O escritor brasileiro Machado de Assis (1839-1908) dedicou parte de sua complexa obra para discutir as relações entre o ser humano e os outros animais. Muitas dessas discussões estão relacionadas, de forma profundamente crítica, aos principais movimentos socioculturais, político-econômicos, científico-tecnológicos e ecológico-ambientais do período. Por meio da escrita literária, elaborou importantes reflexões sobre os limites e contingências da condição humana e animal, abrindo caminhos para explorar o complexo campo da História dos Animais no Brasil. Entre centenas de registros machadianos sobre animais (em romances, contos, peças teatrais, poemas e crônicas de jornal), neste artigo procura-se destacar os escritos nos quais o autor abordou a agência animal, as subjetividades e as idiossincrasias desses seres. Busca-se também discutir de que forma esses textos apontam e estão inseridos nas discussões sobre proteção animal no Brasil nas últimas décadas do século XIX. Os animais em Machado de Assis são mais do que metáforas. Em diversas ocasiões, eles são protagonistas e agentes da história e de suas próprias histórias, que são compartilhadas com a história do escritor e com as histórias de seus leitores.O escritor brasileiro Machado de Assis (1839-1908) dedicou parte de sua complexa obra para discutir as relações entre o ser humano e os outros animais. Muitas dessas discussões estão relacionadas, de forma profundamente crítica, aos principais movimentos socioculturais, político-econômicos, científico-tecnológicos e ecológico-ambientais do período. Por meio da escrita literária, elaborou importantes reflexões sobre os limites e contingências da condição humana e animal, abrindo caminhos para explorar o complexo campo da História dos Animais no Brasil. Entre centenas de registros machadianos sobre animais (em romances, contos, peças teatrais, poemas e crônicas de jornal), neste artigo procura-se destacar os escritos nos quais o autor abordou a agência animal, as subjetividades e as idiossincrasias desses seres. Busca-se também discutir de que forma esses textos apontam e estão inseridos nas discussões sobre proteção animal no Brasil nas últimas décadas do século XIX. Os animais em Machado de Assis são mais do que metáforas. Em diversas ocasiões, eles são protagonistas e agentes da história e de suas próprias histórias, que são compartilhadas com a história do escritor e com as histórias de seus leitores