Portal de Periódicos da UECE (Universidade Estadual do Ceará)
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Hermenêutica e Ambigüidade: a estratégia discursiva de Espinosa
Benedito de Espinosa (1632-1677) entrara para a História da Hermenêutica em função da elaboração do método exegético apresentado em seu Tratado teológico-político. Aqui, desenvolvemos o conceito de uma hermenêutica em Espinosa a partir da proposital ambigüidade tantas vezes utilizada em seu discurso: tal duplicidade visaria não à manutenção de uma dualidade de sentidos, mas ao reenvio estratégico de um sentido equívoco à sua verdade natural
O Conceito de Conhecimento a partir do pensamento de Benedictus de Spinoza
Este trabalho tem o objetivo de apresentar o conceito de conhecimento através da leitura das obras Tratado da Correção do Intelecto e Tratado Breve do filósofo Benedictus de Spinoza. O progresso contínuo do intelecto humano, possível somente através de uma ordem correta de idéias, permite-nos alcançar o conhecimento verdadeiro e absoluto, ou seja, o conhecimento de Deus. Para o esclarecimento deste processo, destacaremos neste trabalho os modos de percepção que fazem parte do sistema spinozista para viabilizar a boa condução do nosso intelecto sem, entretanto, deixar de dar ênfase ao Amor. Para Spinoza, o amor se apresenta como uma força determinante em nosso estado de tristeza ou felicidade, pois, segundo o próprio filósofo, “a felicidade ou a infelicidade consiste somente numa coisa, a saber, na qualidade do objeto ao qual aderimos pelo amor.” Por esta razão, somente amando as coisas eternas e infinitas podemos atingir nosso maior grau de potencialização e, conseqüentemente, o conhecimento absoluto
Uma definição Geométrica e uma interpretação Física para os Atributos de Spinoza
Em oposição às três interpretações dos atributos de Spinoza descritas por Farias Brito, a saber, as de Erdmann, Thomas e Fischer, proponho uma definição geométrica e uma interpretação física alternativa, que seja coerente não só com a metafísica spinoziana como também com algumas idéias da Física contemporânea. Intento também evidenciar a impossibilidade de coerência da interpretação de Fischer com estas últimas
Spinoza e Espinosa: excurso antroponímico
Subsiste nos países de expressão ibérica uma ausência de uniformidade na designação onomástica do autor da “Ética”, quer quanto ao nome próprio quer quanto ao apelido. O presente artigo visa analisar as várias opções antroponímicas em língua portuguesa, seguindo diferentes critérios (o das preferências do filósofo, o histórico, o filológico, o da evolução da pronúncia), até atingir a conclusão da legitimidade, com diferentes fundamentos, de várias dessas mesmas opções. No final, por ser preferível uma crescente uniformidade internacional nos estudos spinozistas, apresenta-se a preferência pela forma “B. de Spinoza
Determinismo e Salvação em Espinosa – o papel do corpo
O artigo incide sobre o clássico problema da possível conciliação entre determinismo e liberdade em Espinosa. Começa por levantar alguns problemas quanto às relações entre determinismo, liberdade e salvação tentando superar aparentes discrepâncias. Seguidamente centra-se na Ética e aborda o modo tríplice como nesta obra se apresenta o corpo. Dá um especial relevo ao papel que no livro V o corpo desempenha na salvação individual e na conseqüente superação do determinismo. E devido à centralidade do corpo nesta abordagem, termina com algumas interrogações sobre salvação e diferença sexual
O conceito de Liberdade na Ética de Benedictus de Spinoza
Na obra maior de Benedictus de Spinoza, sua Ética, a delimitação do universo ontológico, além de discernir os elementos constituintes de sua Philosophia em geral, resulta também como que numa moldura conceitual para o principal tema de sua ética: a liberdade. Com o intuito de explicitarmos as relações entre a ontologia spinozista e o conceito de liberdade, ressaltando a importância deste conceito para o sistema de Spinoza em geral e sua especificidade dentro da Ética, em particular, explicitaremos o conceito de liberdade nesta obra: a Definição 7 da Parte 1. Nesta definição, composta de duas partes distintas, Spinoza irá opor “coisa livre” (res libera) e “coagida” (coacta), consistindo a primeira naquela que “existe exclusivamente por necessidade de sua natureza e por si só é determinada a agir” e a segunda, “o que é determinado por outra coisa a existir e a operar de certa e determinada maneira”. A seguir, procederemos à análise crítica do conceito tradicional de liberdade como vinculada à vontade e à contingência, seja como poder de escolher ou como poder de decisão ou de se regular por um modelo, em relação às causas que determinariam a liberdade da vontade ou absoluto beneplácito, ou ainda, daquilo que a regula, visando a caracterização da liberdade como autonomia necessária no existir e no agir, ou como necessidade intrínseca, vinculada à essência e àquilo que dela decorre. Além disso, analisaremos também os desdobramentos desta definição inicial em suas relações com a vontade (finita ou infinita) enquanto faculdade, com o entendimento (finito ou infinito), enquanto ausentes da essência divina, e, por fim, com a própria necessidade.
Résumé
Dans la plus grande oeuvre de Benedictus de Spinoza, son Éthique, la délimitation de l'univers ontologique, outre le fait de discerner les éléments constitutifs de sa Philosophia en général, résulte entre autre d’un cadre conceptuel pour le principal sujet de son éthique: la liberté. Ayant l'intention d'expliciter les relations entre l'ontologie spinoziste et le concept de liberté, en soulignant l'importance de ce concept au sein du système de Spinoza en général et sa spécificité à l'intérieur de l'Éthique en particulier, nous expliciterons le concept de liberté dans cette oeuvre: la Définition 7 de la Partie 1. Dans cette définition composée de deux parties distinctes, Spinoza ira opposer "chose libre" (res libera) et "contrainte" (coacta), la première consistant à celle qui "existe exclusivement par nécessité de sa nature et est par soi-même déterminé à agir", et la seconde à "ce qui est déterminé par autre chose à exister et à opérer de certaine manière déterminée". Ensuite, nous procéderons à l'analyse critique du concept traditionnel de liberté mise en relation avec la volonté et la contingence, que ce soit comme un pouvoir de choisir ou comme un pouvoir de décision ou d’être régit par un modèle, vis-à-vis des causes qui détermineraient la liberté de la volonté ou absoluto beneplácito, ou encore, de ce qui la régit, en visant la caractérisation de la liberté comme autonomie nécessaire à l’existence et à l’action, ou comme nécessité intrinsèque attachée à l'essence et à ce dont elle découle. En outre, nous analyserons aussi les dédoublements de cette définition initiale suivant leurs relations avec la volonté (finie ou infinie) comme faculté et avec l'accord (fini ou infini), en tant qu’absents de l'essence divine, et, finalement, avec la propre nécessité.
Mots-Clés: Benedictus de Spinoza. Éthique. Philosophia. Volonté. Liberté
A transformação do desejo em Espinosa
O tema central deste artigo é o problema da passagem da alegria passiva à alegria ativa, isto é, das alegrias comuns à verdadeira felicidade (beatitudo) ou liberdade. Gilles Deleuze, no capítulo XVII de Spinoza et le problème de l’expréssion, oferece-nos uma interpretação que, embora correta, acreditamos ser insuficiente para resolver o problema, na análise do qual pretendemos avançar, mostrando que se as alegrias passivas são necessárias à passagem à felicidade, elas não são suficientes: precisam de uma experiência afetiva que, levando em conta os efeitos maléficos (tristezas) de tais alegrias, vai impulsionar o sujeito a buscar um novo modo de vida.
Résumé
Le thème central de cet article est le problème du passage de la joie passive à la joie active, c’est-à-dire des joies ordinnaires à la vrai félicité (beatitudo) ou liberté. Gilles Deleuze, dans le chapitre XVII de Spinoza et le problème de l’expression, nous offre une interprétation que, quoique certaine, nous croyons être insuffisante pour résoudre le problème, dont l’analyse nous prétendons faire ici, en montrant que, si les joies passives sont nécessaires au passage à la felicité, elles ne sont pas suffisantes : elles ont besoin d’une expérience affective qui, en tenant compte des effets maléfiques (tristesses) de telles joies, va pousser le sujet à chercher un nouveau mode de vie.
Mots-Clés: Joie. Affects. Notions communes. Désir. Expérience.