Portal de Periódicos da Universidade Federal de São João del-Rei
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Histeria, Feminino e Corpo elementos clínicos psicanalíticos
No que tange ao tratamento de base psicanalítica, nos consultórios, ambulatórios, ou estudos teóricos, a “histeria”, é, ao mesmo tempo, algo clássico e atual: partindo de sua “descoberta”, em suas primeiras manifestações, até suas formas atuais, esta estrutura clínica ganhou várias modulações. Percorrendo os estudos de Freud e Lacan sobre o tema, o presente artigo busca apreender algumas das diferentes formas de articulação entre “histeria”, “corpo” e “feminino”. Para tal, visaremos, num primeiro momento, apreender algumas posições de Freud ao colocar esta problemática para, posteriormente, intentar pensar, com Lacan, a abertura para novas possibilidades e composições sobre o assunto. Se para Freud a histeria é atravessada pelas questões da “erogeneização de funções orgânicas” e da “conversão”, e Lacan, nos anos 50, evoca a dialética de posições simbólicas, instaurada pelo significante fálico, este artigo privilegiará um resgate destas modulações a partir da noção, mais tardia em Lacan, de “encontro com o real” relativo à própria sexualidade: o corpo e o feminino
O que pode a psicanálise diante do adoecimento do corpo? Considerações sobre a escuta do sujeito no hospital
Diante do adoecimento, as pessoas normalmente buscam, no saber médico, respostas para suas mazelas. Sendo o hospital uma instituição de tratamento, a internação torna-se uma tentativa de contornar, por meio da ciência, o mal que se apresenta. Para algumas pessoas, o encontro com o adoecimento aparece como uma devastação, fazendo furo na rede de significações em que estas se reconheciam ao longo da vida. Podendo ser indício de um Real inapreensível na linguagem, o adoecer faz emanar sentimentos de angústia. O encontro com o analista no hospital pode ser uma possibilidade para que, diante do que vivencia, o sujeito possa encontrar uma via possível por meio da palavra. Nesse sentido, a proposta deste artigo é discutir o que pode a Psicanálise oferecer ao sujeito que se encontra diante do adoecimento de seu corpo
Os elementos da contratransferência com casos-limite: identificação projetiva, holding analítico, reverie e o trabalho de figurabilidade.
O presente estudo que é parte de uma investigação mais ampla sobre os primórdios do psiquismo e a clínica dos casos-limite, tem como objetivo investigar os elementos que compõem a transferência/contratransferência com estes casos. Compreendendo os casos-limite como uma subjetividade marcada por traumas precoces derivados de falhas básicas, busca-se investigar os elementos dos primórdios da vida psíquica que ofereçam subsídios para o manejo da transferência/contratransferência e para a construção de ferramentas que permitam minimizar os impasses vividos na clínica com estes casos. À noção de identificação projetiva, em seu viés clínico, juntam-se as noções de reverie, de díade continente/contido, do espaço potencial e do trabalho de figurabilidade como elementos que compõem a situação analítica e ampliam o alcance da contratransferência para dimensões mais primitivas do psiquismo
Estado de Torpor como "troco" na operação econômica capitalista
Nas relações de trabalho da sociedade capitalista, há uma operação econômica em que os sujeitos investem sua vida para conseguir sua subsistência, por conseguinte eles ganham de “troco” nessa operação de renúncia de gozo - o estado de torpor: apatia e subserviência para garantir a vida. Nesse sentido, o objetivo deste trabalho é refletir como e quais são as estratégias usadas pelo sistema capitalista neoliberal, especialmente o brasileiro, para garantir que os sujeitos trabalhem e doem suas vidas para a manutenção do capital. Para tanto, vamos refletir sobre o histórico de como as relações de trabalho se estabeleceram na sociedade capitalista; em seguida apresentaremos como se estruturam os processos ideológicos decorrentes dessas relações de trabalho e por fim as consequências disso para os sujeitos no atual laço social, tendo o estado de torpor como uma marca da opressão no sujeito contemporâneo
Ruptura ou Transvaloração? Os ensaios de Freud sobre a sexualidade
O artigo articula a reviravolta da noção de sexualidade de Freud e o conceito de transvaloração de todos os valores de Nietzsche. Foi necessário percorrer como Nietzsche transvalorou as noções de corpo e alma na tradição filosófica. O corpo é elevado a uma categoria positivada em relação a alma. Tomar o corpo como mais primordial é, sem dúvida, o que subverte toda ordem da metafísica e é neste sentido que o exemplo do binômio corpo/alma resta em Nietzsche favorável à discussão de como Freud também subverte a episme moderna. Freud ao separar a pulsão e o objeto, para modificar a ideia de perversão vigente em sua época, muda a noção de sexualidade, que afinal funda um campo novo de saber. Resta saber se essa inversão que Freud promove é apenas uma inversão, uma ruptura com o pensamento da época, ou uma transvaloração de valores, segundo Nietzsche. 
A metáfora paterna e a tríade R-S-I no romance A Morte Sem Nome, de Santiago Nazarian
A morte Sem Nome aborda a história de Lorena, uma mulher que vive para se matar. Entremeio às mortes da personagem, Lorena, surgem ideias, pensamentos, esclarecimentos sobre a personagem e sua relação com o Outro. Na busca por si mesma, Lorena se encontra aos pedaços entre um adolescente, um garçom, um feirante e um estuprador. Pela riqueza de conteúdo, a obra pode ser analisada à luz da Psicanálise, principalmente no que diz respeito à metáfora paterna e os registos R-S-I, de Lacan. Levando isto em conta, este trabalho tem por objetivo explanar os três elementos descritos e argumentados por Lacan, articulando-os por meio da obra literária. Feito isso, foi possível adentrar o psiquismo desse sujeito e sentir de forma mais próxima as delicadas consequências do não-desenvolvimento, ou de um desenvolvimento problemático, do momento do estádio do espelho na vida de um sujeito. A relação R-S-I é trazida em evidência e pôde ser refletida com mais detalhes no plano Simbólico, no qual a linguagem permite que se faça relações abstratas e consistentes, metafóricas e metonímicas, sempre tendo como pano de fundo a dramática história de Lorena
A construção do conceito de Psicose de Freud à Lacan e suas implicações na prática clínica
Este artigo destaca o percurso realizado por Freud e por Lacan na construção da teoria da clínica da psicose. Inicialmente, este trabalho demarca como Freud, partindo da teoria das neuroses, desenvolve e articula as primeiras conceituações acerca da psicose, para, em um segundo momento, destacar os postulados lacanianos que possibilitaram a análise de sujeitos psicóticos. O objetivo central do artigo é articular a construção da teoria da psicose, de Freud a Lacan, e suas implicações na clínica
Pulsão de morte e agressividade no campo de Freud-Lacan
Este artigo tem como objetivo expor e discutir a teoria da pulsão de morte elaborada por Freud e a concepção de agressividade em Lacan, realizando uma espécie de síntese geral sobre este eixo teórico da psicanálise do campo de Freud-Lacan. Assim, discorremos primeiramente o modo no qual podemos compreender a teoria das pulsões e em seguida abordamos propriamente a teoria das pulsões na psicanálise. Após isto, adentramos na problemática da pulsão de morte freudiana e, no final deste texto, discutimos seus desdobramentos com a concepção de agressividade em Lacan