Universidade do Minho: LASICS (Laboratório de Sistemas de Informação para a Investigação em Ciências Sociais)
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A Mobilidade Como Eixo Estruturante da CPLP Para os Próximos Anos, Para Potenciar a Cultura e as Indústrias Criativas
Quando a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) foi constituída em 1996, a promoção da língua portuguesa e da diversidade cultural foram definidas como áreas prioritárias. Estando a cultura no centro dos debates contemporâneos sobre identidade, coesão social e diversidade, tem assumido uma importância crescente nas relações de cooperação e intercâmbio, na criação de riqueza e na dinamização de atividades económicas globais. Isso mesmo foi vertido na declaração da “XII Conferência de Chefes de Estado e de Governo da CPLP”, que teve lugar, na Ilha do Sal (Cabo Verde), em 2019, e que adotou o lema “As pessoas. A cultura. Os oceanos”. Num olhar mais específico, inscrito na Declaração Sobre Cultura e Indústrias Criativas Como Sector Estratégico na CPLP (2018), é reafirmada a adequação da instituição com a Agenda 2030 das Nações Unidas. Os países da CPLP pretendem fazer o levantamento de informações sobre atividades culturais no âmbito da mobilidade de artistas e agentes culturais dos seus Estados-membros e a sua ampla divulgação, para a promoção da diversidade cultural, da língua portuguesa, reforçando os laços históricos. Para tanto, ficou decidido incentivar a promoção da mobilidade de artistas, criadores e das suas obras dentro do espaço da comunidade, para além de desenvolver a partilha de informação entre os Estados-membros sobre as políticas culturais nacionais, a legislação em matéria de circulação de bens, serviços e empreendimentos culturais, os dados estatísticos relativos às atividades culturais e ao seu impacto na economia e na sociedade, para além do estado de adesão e de implementação das convenções da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Os graves problemas financeiros da CPLP parecem não impedir esta nova abordagem da instituição em relação ao setor cultural, pretendendo contribuir para o aumento da empregabilidade de artistas e agentes da cultura, em consonância com as políticas culturais atuais assentes na mobilidade
Cenários Para Criação Intercultural: O Papel da Comunicação na Carta Cultural Ibero-Americana
Neste capítulo, analisa-se a Carta Cultural Ibero-Americana (2006), um projeto de colaboração da Secretaria Geral Ibero-Americana, da Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento e da Organização dos Estados Ibero-americanos para Educação, Ciência e Cultura. Esta investigação aborda um processo intercultural, complexo, ambivalente, feito de fluxos e refluxos, o espaço ibero-americano. São observados os aspetos culturais dessa comunidade no espaço global, propondo modelos para uma partilha, como tornar comum, comunicar, ações de cultura, assim como apresentar conteúdos culturais com referência à Carta Cultural Ibero-Americana para a população mais jovem. Temos como objetivo, adotando um modelo qualitativo, sugerir a formulação de hipóteses a partir de uma pergunta inicial: “qual a relevância da Carta Cultural Ibero-Americana para a definição de políticas culturais em Portugal na década 2020–2030?”. A investigação tem como referência teórica os estudos latino-americanos das ciências da comunicação em diálogo com os estudos anglo-saxónicos da comunicação e do marketing. Esta investigação recomenda como resultados do estudo: a criação de cenários comunicacionais para cultura, a profissionalização da comunicação e a colaboração empresarial com a criação de clusters culturais e criativos