Universidade do Minho: LASICS (Laboratório de Sistemas de Informação para a Investigação em Ciências Sociais)
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Cibercultura, Simbiose e Sincretismo
O impacto da Cibercultura, dos dispositivos digitais nos jovens enquanto extensões do seu corpo, pode ser visto em termos do decréscimo da estruturação de pensamento e informação, acréscimo da impulsividade na perceção e ação, e no desenvolvimento de mecanismos de defesa mais primitivos. Estes impactos adversos resultam num sentimento de isolamento e desvalorização, em frustração no presente e incerteza no futuro, em exteriorização e identidades flutuantes, nas identificações miméticas e adesivas, em menor coesão do self, e numa diminuída tolerância ao outro.
Este artigo foca os seguintes temas: (1) Simbiose versus Sincretismo: As afirmações da Simbiose. As diluições do Sincretismo; (2) Súmula: Sincretismo a mais, simbiose a menos. Falta de uma maior co-construção do conhecimento, duradoura e sustentável. Falta de maior e mais independente aprofundamento cognitivo pessoal. Falta de capacidade para
estar só; (3) Causalidade e Livre Arbítrio: Causalidade simbiótica versus sincrética; (4) Coda: Cyber-selfs distribuídos ou não
Questões de mobilidade, tempo e sustentatibilidade
Este breve texto pretende esclarecer alguns elementos de ordem sociológica que importa reconhecer no que concerne ao diagnóstico e à intervenção na área das mobilidades e da gestão do tempo. Esboçam-se algumas orientações à efetivação de uma política de tempos e mobilidades à escala organizacional e local, demonstrando a pertinência da organização de dados integrada para o conhecimento e a intervenção sobre as mobilidades e o tempo
Pelas narrativas do olhar: discursos fílmicos e fotográfi cos
Nas diversas culturas as narrativas emergem cedo no desenvolvimento
comunicacional e representam uma forma fundamental de tornar a experiência signifi cativa. A narrativa e o self são indissociáveis, a narrativa dá sentido ao self e dá sentido à experiência. As narrativas criam a interface entre o indivíduo e a sociedade, proporcionando ao indivíduo a oportunidade de atribuir uma ordem a eventos dispersos e de criar continuidade entre o passado e o futuro e/ou entre o futuro e o imaginado.
Neste início de século as narrativas tornam-se um objecto cada vez mais popular da investigação social. O seu estudo promete mudanças, impele as ciências sociais a desenvolver novas teorias, novas metodologias e novas formas de falar sobre o self e sobre a sociedade.
Focalizaremos a nossa refl exão nas narrativas fílmicas e fotográfi cas sobre a população migrante e, em particular, em trabalhos como o documentário premiado de Sérgio Tréfaut “Lisboetas” sobre a vaga de imigração que nos últimos anos teve a capital de Portugal por destino, os trabalhos do fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado que têm igualmente privilegiado o tema da migração e a exposição fotográfi ca de Gérard Bloncourt inaugurada no Museu Berardo
Uma experiência de jornal interno: estratégias de visibilidade e controle no processo de midiatização e adaptação da comunicação organizacional
Este artigo tem por objetivo compreender as tensões estratégicas que se dão nos processos de comunicação entre empregados e organização, a partir das análises das mudanças de conteúdo que aconteceram nas três primeiras edições do jornal Piãoneiro/Roda Livre, uma publicação que nasceu da iniciativa de um empregado e que aos poucos foi sendo apropriada pela empresa em que circulava. Parte-se do pressuposto de que este jornal representa um processo de midiatização direta e indireta (Hjavard, 2012) de um fenômeno comunicacional recorrente entre os empregados, a rádio peão. Busca-se aqui identificar os traços da reconfiguração que a rádio peão passou, a partir da apropriação da lógica da mídia, e a consequente situação que esse processo acarretou ao lidar com o conflito entre a visibilidade e controle
O protagonismo da mulher amazônida no cinema brasileiro regional
Neste artigo se propõe analisar a construção da imagem da mulher amazônida brasileira por meio da produção cinematográfica contemporânea realizada na própria região. Para isso, foi escolhido o curta-metragem Ribeirinhos do asfalto, da diretora paraense Jorane Castro, lançado em 2011. O filme é representativo de uma fase de intensificação das produções regionais, especialmente no Pará. O roteiro apresenta a estória da jovem Deyse, que mora na ilha Combu, do outro lado do rio, isolada da cidade “grande”, Belém. Sua mãe Rosa (atriz Dira Paes), faz de tudo para que Deisy (atriz Ana Letícia) consiga melhores condições de estudo na capital paraense, afrontando, inclusive, a autoridade do marido, machista e conservadora. Com imagens de paisagens naturais amazônicas, como o rio e a floresta, e de paisagens urbanas, símbolos da cultura local, como o mercado do Ver-o-Peso, o filme questiona a realidade de muitas mulheres/mães ribeirinhas que são desassistidas pelo poder público e precisam empreender esforços pessoais para garantir a educação dos filhos e, especialmente, das filhas. Como referencial teórico de análise são utilizados, principalmente, Judith Butler (1990) e Michel Foucault (2014), com o objetivo de abordar o debate sobre gênero, poder e imagem, também presente no curta
O rosto e a voz como inscrições do sofrimento em dois road movies
The brown bunny (Vincent Gallo, 2003) e Viajo porque preciso, volto porque te amo (Marcelo Gomes & Karim Aïnouz, 2010) são dois filmes de estrada com muitos pontos em comum. O principal deles é o estado de espírito de seus personagens centrais, Bud Clay e José Renato, respectivamente, que sofrem em decorrência do término de seus relacionamentos afetivos. Com esse aspecto como norte, este trabalho discute o enquadramento dos filmes de estrada na seara dos gêneros cinematográficos, bem como os motivos do deslocamento dos personagens. Posteriormente, debate como os filmes materializam na imagem e no som o estado emocional de seus personagens, especialmente a dor da ausência. A hipótese adotada é de que os close-ups no rosto de Bud Clay e os relatos orais de José Renato funcionam como catalisadores das emoções dos protagonistas nesses dois filmes