Universidade do Minho: LASICS (Laboratório de Sistemas de Informação para a Investigação em Ciências Sociais)
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Quantas culturas cabem na escola? Comunicação intercultural e justiça escolar
O desenvolvimento do sistema de ensino universal e obrigatório envolveu desde sempre a coabitação entre diferentes sistemas de pensamento e organização social, sendo necessário colocar em suspenso a existência prévia de uma escola culturalmente homogénea. A construção da escola enquanto espaço central de transmissão e inculcação de saberes, valores e normas, embora duradoura, nunca conseguiu apagar, em definitivo, a diversidade, e, por vezes, a resistência cultural de muitos dos seus habitantes transitórios. Atualmente torna-se mais difícil defender a necessidade de homogeneização e nivelamento cultural dos alunos e das famílias, embora muitas das práticas curriculares e pedagógicas, e dos discursos institucionais e profissionais, estejam sustentados, ainda, nesta abordagem universalista. Refletir sobre a diversidade cultural nas escolas exige, por seu lado, uma utilização cuidadosa do conceito de cultura, tendo em conta a sua plasticidade e os seus usos contraditórios. O desafio de decifrar o outro dificilmente poderá ser construído com base em conteúdos curriculares estabelecidos de uma vez por todas, parecendo, antes, depender de uma pedagogia mediadora, necessária à exploração compartilhada de significados e à criação conjunta de soluções organizacionais inovadoras, enriquecidas por diferentes experiências e referenciais. Como efetivar o direito à liberdade de expressão e à participação de professores, alunos e famílias, enquanto integrantes de diferentes espaços de produção e reprodução cultural que incluem a Escola e, ao mesmo tempo, a atravessam e extravasam? A comunicação intercultural pode surgir, aqui, como um caminho possível, na procura de uma narrativa produzida a várias vozes, capaz de motivar os diferentes atores escolares para uma maior partilha dos processos e mecanismos desenvolvidos para pensar e recriar a Escola
Os contornos da mediação intercultural na educação contemporânea: delineamentos e projeções
O processo da globalização, aliado ao uso das novas tecnologias de informação e comunicação, permeia o presente embate cultural, pois viabiliza não só o contacto pessoal mas também virtual entre inúmeras pessoas de diferentes proveniências, numa proporção inimaginável há algumas décadas. O conceito de mediação intercultural tem sido elaborado no contexto da comunicação em relação com os processos oriundos dos fenómenos de mobilidade transnacional. Estas questões têm tido um impacto assinalável nos debates académicos contemporâneos, particularmente no contexto educacional, que tem vindo progressivamente a dar uma maior importância à mediação. Em 2018, o Conselho da Europa publica um volume de acompanhamento ao Quadro Europeu Comum de Referência para as línguas (QECR), publicado em 2001, que apresenta um quadro de descritores que incidem na mediação em relação com o ensino/aprendizagem de línguas. Face a este cenário, o presente artigo faz uma breve análise crítica do documento, acentuando o papel da mediação intercultural da perspetiva da educação para a paz, apresentando alguns vetores desses documentos reguladores (Conselho da Europa, 2001, 2018) e enfatizando a nova dimensão da mediação intercultural prevista neste último em relação intrínseca com a aprendizagem de línguas. A mediação adquire, assim, relevância para professores e formadores que desejam obter melhores resultados em seus encontros comunicativos em contextos plurilingues e pluriculturais, especialmente quando há elementos interculturais envolvidos. Acreditamos que a cultura de não-violência ou cultura de paz e, principalmente, uma educação para cidadania global intercultural, sejam questões inerentes à formação de professores de línguas, de modo a que estes possam melhor gerir o processo comunicativo e orientar ações de cidadania global. No final interrogamo-nos em que medida é que o objetivo principal deste novo documento do Conselho da Europa dedicado à mediação poderá ser alcançado, sem que se considerem alguns aspetos veiculados quer pelas teorias da comunicação, quer pelas teorias da mediação
Educação em saúde: influência da mídia na cultura alimentar de adolescentes escolares quilombolas em uma escola de Salvador, Bahia (Brasil)
O presente trabalho teve como objetivo verificar a influência da mídia nos hábitos alimentares de adolescentes em uma escola que atende estudantes quilombolas da Ilha de Maré, Bahia, Brasil. O trabalho teve uma abordagem quantitativa descritiva. Os dados foram coletados através de um questionário com 5 perguntas referentes aos hábitos alimentares dos adolescentes. Os sujeitos da pesquisa foram 50 estudantes do 1º ano do Ensino Médio com média de idade entre 15 e 16 anos. Os resultados demonstraram a necessidade da construção de uma visão crítica das propagandas que estimulam o consumo de alimentos pobres em nutrientes e principalmente de ações que respeitem a cultura alimentar tradicional da população quilombola
A construção e a apropriação de traços identitários brasileiros em anúncios publicitários do Instituto Brasileiro de Turismo
Este trabalho apresenta a síntese dos resultados da investigação desenvolvida na dissertação de mestrado intitulada Olhar do Instituto Brasileiro de Turismo sobre os traços identitários brasileiros: estudo da publicidade turística institucional. Com o objetivo de investigar como o Ministério do Turismo do Brasil, através do Instituto Brasileiro do Turismo – Embratur –, realiza a incorporação de traços identitários brasileiros na construção da imagem turística do país veiculada em outros países, através de campanhas publicitárias voltadas para os públicos internacionais podemos concluir que, embora seja representada uma maior diversidade de atrativos turísticos em relação à campanhas anteriores promovidas pela Embratur, notamos uma visão unificada e homogeneizante sobre as identidades brasileiras, associada especialmente à alegria e à hospitalidade. Por meio da utilização de estereótipos socialmente validados acerca do país (como a capoeira e o futebol) e sua conjunção com aspectos menos difundidos a respeito da imagem turística do Brasil (a exemplo do maracatu), a Embratur apresenta um país com uma rica diversidade cultural
Mulher artista. Registros clássicos da prática artística e docência
Notadamente é reduzido o número de nomes de artistas mulheres na História da Arte, bem como autores que tenham registrado a produção artística feminina. As perguntas que surgem são: não existiram mulheres no campo artístico? Ou o fato, assim como afirmam outros pesquisadores, foi construído historicamente? Refletindo sobre o tema, parece importante apontar registros dos autores clássicos italianos Plínio, “O Velho” (23 d.C.-79 d.C.), Giovanni Boccaccio (1313-1375) e Giorgio Vasari (1511-1574). Há de se considerar o hiato no tempo entre as publicações e o tempo presente, e a contextualização da sociedade de cada época. Este artigo busca iluminar estas questões e refletir a partir dos primeiros registros sobre a produção artística de mulheres e pesquisas posteriores desenvolvidas sobre o tema, como uma valorização da atividade artística independente de gênero, salientando a importância do aspecto social, político, econômico, artístico e humano de seres que compartilham saberes e trabalham na direção de enriquecimento e disseminação de cultura. As mulheres atuaram juntamente e não como coadjuvantes. Cabe aos pesquisadores dar luz aos fatos que deixaram lacunas na memória, colaborando para a compreensão e concepção de uma história mais próxima possível da realidade e para a evolução mais justa da humanidade
Comunicação Estratégica e Responsabilidade Social: estudo do pensamento estratégico nas universidades públicas portuguesas
O presente estudo procura compreender qual o estado da Comunicação Estratégica nas universidades públicas em Portugal e qual a sua relevância para o cumprimento da missão social destas instituições. Assim, a pergunta de partida que orienta este trabalho é: é a Comunicação Estratégica relevante para o alcance da Missão das universidades públicas portuguesas, em particular da sua extensão à sociedade? Os resultados obtidos apontam para uma resposta afirmativa e para uma relação de interdependência entre Comunicação Estratégica e Responsabilidade Social
A república das letras e o colégio invisível: figuras modernas das redes científicas na Era da internet
A natureza reticular está longe de ser uma caraterística acessória da ciência. De facto, podemos mesmo ver na feição relacional e comunicacional da ciência a sua característica essencial, de que dependem as outras: a verdade intersubjetiva, a disciplina do método, o rigor da prova. Nesse sentido, as atuais redes telemáticas vieram colocar (ainda mais) em evidência aquilo que já era de há muito reconhecido em figuras modernas como as da “república das letras” e do “colégio invisível”, cuja formulação é atribuída, respetivamente, a Francesco Barbaro, no século XV, e a Robert Boyle, no século XVII. Assim, depois do apagamento nacionalista que caracterizou a ciência no decurso dos séculos XIX e XXI, começa hoje a ressurgir a ideia de uma ciência em rede, colaborativa e global, resultante da iniciativa e do trabalho conjunto de cientistas de muitas perspetivas, muitas línguas e muitas partes do mundo
Tempo, cultura e desenvolvimento
Este texto desenvolve algumas ideias acerca da importância do tempo no desenvolvimento. O tema é amplo e remete para múltiplas questões relacionadas com a economia, a política e a cultura. Debruçamo-nos sobre um dos dilemas centrais que se colocam hoje ao desenvolvimento: a relação entre tempo de curto prazo e tempo de longo prazo, buscando problematizar alguns dos principais elos de ligação com a cultura