Instituto de Geociências da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas): Portal de Periódicos do IG
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Sobre Geoestatística e mapas
Until very time ago Geology was frequently considered a science based on purely qualitative interpretations of the geological phenomena. In the last 40 years, however, occurred a notable change from the descriptive phase to utilization of quantitative methods, mostly in the Applied Geology area. Among many related subjects to the quantification in Geology the boarded one in this paper concern the application of Geostatistics in geological mapping. In the first part of the article is introduced quantitative aspects in the interpretation of the geological phenomena, soon after basic concepts concerning geostatistical methodology and, finally, a classical application of lineal geostatistics, based on covariance and variogram stationary concepts, for spatial estimation and contouring.A Geologia, até há bem pouco tempo, era freqüentemente considerada uma ciência baseada em interpretações puramente qualitativas dos fenômenos geológicos. Nos últimos 40 anos, porém, tem ido notável a mudança da fase descritiva para a utilização de métodos quantitativos, principalmente na área da Geologia Aplicada. Entre tantos temas relacionados com a quantificação em Geologia o assunto abordado neste artigo, que pretende ser de cunho didático, diz respeito à aplicação da Geoestatística na confecção de mapas geológicos. Na primeira parte do trabalho é feita uma introdução sobre os aspectos quantitativos na interpretação dos fenômenos geológicos, em seguida conceitos básicos sobre a metodologia geoestatística e, na última parte, uma aplicação clássica da geoestatística linear, baseada nos conceitos da estacionaridade da covariância e do variograma, para a confecção de mapas
Bilhões de anos em uma tela de computador
Bilhões de anos em uma semana. A instigante frase foi cunhada por alunos de geologia da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro para despertar a atenção das pessoas em geral sobre um ciclo de palestras, em janeiro de 2007. A abordagem situa precisamente a função do geocientista e das geociências nas sociedades modernas: estudar, entender e explicar, em palavras simples, a origem e padrões de evolução do planeta onde vivemos. A mesma imagem, bilhões de anos em uma tela de computador, pode ilustrar o papel de uma revista eletrônica como Terræ Didatica, que busca difundir conhecimentos geocientíficos sobre o planeta.Para acompanhar o noticiário contemporâneo, um cidadão precisa ter conhecimentos sobre Ciências da Terra e relações entre a Terra e as sociedades humanas, temas cada vez mais complexos – que justificam a criação do Ano Internacional do Planeta Terra (2007-2009) – já que podem afetar até mesmo a sobrevivência da espécie no planeta. Como exemplo do conflito sociedade X natureza, basta lembrar o triste episódio ocorrido em túnel de metrô em São Paulo. Ainda são mal conhecidas as proporções do acidente, mas foi alto o custo oriundo da má avaliação e gerenciamento de riscos. Experiente geólogo de empresa pública contratante das escavações destacou [documento do geólogo Kenzo Hori sobre acidente da Linha 4] que: "a natureza não tem culpa dos erros do homem"; este, geralmente, é quem provoca o desequilíbrio. Não basta conhecer pormenorizadamente características do subsolo, a dinâmica e as causas de fenômenos naturais, é preciso atualizar continuamente os dados obtidos em frentes de obras e, segundo ele, investir na formação dos jovens geólogos e engenheiros sobre a "difícil arte de construir túneis". Reaparece pois, nesse contexto trágico, a questão educacional.Lançada ao final de 2005 pelo Instituto de Geociências da Unicamp, Terræ Didatica foi bem recebida pelos leitores. É provavel que a principal explicação desse sucesso seja o interesse despertado pelo ensino-aprendizagem das Ciências da Terra. A revista objetiva atender às comunidades de Geologia, Geografia e Educação, do Brasil e outros países, em particular a íbero-latino-americana.Este númeroO presente número de Terræ Didatica dá continuidade ao esforço de divulgar ações educacionais, fomentar novas experiências pedagógicas, estimular intercâmbio de metodologias de ensino e práticas educativas inovadoras, além de interligar o ambiente acadêmico com a divulgação das Ciências da Terra. Alargou-se o espectro de autores, em relação ao primeiro número, mediante participação de docentes e pesquisadores de várias universidades brasileiras que aceitaram a chamada de trabalhos e ajudaram a consolidá-la como periódico aberto.A primeira comunicação resulta de palestra proferida pelo prof. F.F.M. de Almeida por ocasião de homenagens recebidas em diferentes cidades brasileiras durante 2004, atendendo a sucessivos lançamentos de livro publicado em sua homenagem.O segundo trabalho sobre Geoestatística e o terceiro, sobre estruturas atectônicas, sintetizam conceitos especializados, ainda que introdutórios, de seus respectivos campos de conhecimento. O artigo das estruturas dobradas registra fotos e esquemas da notável descoberta de feições dessa natureza na área urbana de Campinas, SP. As comunicações seguintes abordam conceitos especializados de Paleontologia e do ensino de Mineralogia por meio de recursos de Informática e da abordagem de minerais raros. Finalmente, as páginas eletrônicas de Terræ Didatica abrigam relatos de reuniões 1 e 2 e 2004 e 2005 do Fórum Nacional de Cursos de Geologia. Com mais esta etapa, damos continuidade ao registro de uma série de reuniões importantes para aprimorar o ensino de Geologia no país.Fazemos votos de que as comunicações aqui contidas sejam úteis e reiteramos o convite à comunidade a produzir materiais didáticos originais e utilizar sua criatividade para estender sua pesquisa na divulgação das Ciências da Terra. Estamos receptivos a acolher sugestões sobre outros modos de utilização deste espaço de difusão de idéias e propostas educativas
Relato final do V Encontro do Fórum Nacional de Cursos de Geologia, Cuiabá (MT), junho de 2005
Estruturas atectônicas da Bacia do Paraná em Campinas (SP): deformação sin-sedimentar no Subgrupo Itararé
Between 2000-2001, new outcrops of convolute folds have been discovered at the Highway D. Pedro I, in the interconnection with the Campinas to Moji-Mirim and Moji-Guaçu Highway. The features are typical atectonic folds. A level of weathered laminated siltites exhibits tight to isoclinal folds in rocks of the Itararé Subgroup (Tubarão Group). Open folds in sandstones and siltites have also been displayed, but soon later they were destroyed. This paper sinthezises distinctive criteria for atectonic structures and describes similar features elsewhere. Two main alternatives for the origin of the deformations are considered: direct action of ice movements or gravitational dislocations of unconfined inconsolidated layers. Data integration indicates that the two types of occurrences at Campinas result of both processes, but the later mechanism explains better the described convolute folds.Entre 2000-2001, obras na Rodovia D. Pedro I expuseram dobras atectônicas no Subgrupo Itararé, Bacia do Paraná, no trevo da estrada que une Campinas a Moji-Mirim e Moji-Guaçu. Ocorrem dobras convolutas decimétricas, fechadas a isoclinais, controladas por siltitos laminados. As obras também expuseram, e depois destruíram, ondulações com comprimento de onda da ordem de 20 m. Sintetizam-se critérios distintivos desse tipo de estrutura e descrevem-se feições similares, entre SP e SC. A origem das deformações pode ser associada diretamente à ação do gelo ou ao deslizamento subaqüoso de camadas inconsolidadas. As ocorrências de Campinas parecem resultar de ambos os processos. Localmente, camadas não-confinadas em ambiente subaqüoso sofreram deformações penecontemporâneas à sedimentação, ao passo que as ondulações mais amplas e abertas devem-se à ação direta do gel
A aplicação dos ostracodes (Crustacea) em pesquisas paleoceanográficas e paleoclimáticas
Ostracodes constitutes a microfossil group with many applications to geosciences as denoted by their paleoenvironmental and biostratigraphic uses. From the middle of 20th century ostracode assemblages began to be used as oceanographic proxies because of the relationship between faunal turnovers and hydrologic changes. The chitino-calcitic shell enables also geochemical analyses which permit the assessment of the influence of climatic events in the oceanic circulation and water properties. That research field has been developed in some Brazilian research institutions, improving the oceanographic knowledge in our country.Os ostracodes constituem um grupo de microfósseis com grande aplicabilidade à geociências, o que é atestado pela contribuição que seu estudo trouxe a paleoecologia e bioestratigrafia. A partir da segunda metade do século XX, os ostracodes revelaram-se também como uma excelente fonte de dados para estudos oceanográficos por meio da relação entre as mudanças nas suas assembléias e mudanças nas características hidrológicas, tais como a temperatura e a salinidade. A presença de uma carapaça quitino-calcítica possibilita ainda a realização de análises geoquímicas, que fornecem dados adicionais sobre eventos oceanográficos e auxiliam a compreender suas influências na biota marinha. Sua pesquisa é atualmente desenvolvida em algumas instituições brasileiras, oferecendo oportunidades para o aprimoramento da paleoceanografia em nosso país
Uso do programa cristalográfico Mercury® para o ensino de Química Mineral e Mineralogia
The use of Mercury® Software on Mineral Chemistry and Mineralogy teaching. The crystallographic Mercury freeware, distributed in the internet by the CCDC, allows tridimensional visualization of mineral structures from CIF files, also permits: measurement of bond distances and angles and torsion angles; selection or exclusion of atoms; generation of X-ray powder diffraction diagrams; visualization of crystal hkl planes; of the unit cell and of selected portions of the crystal. It has been used for three years as a teaching resource in the course CQ-029, offered by the Chemistry Department to Geology major students of UFPR (Federal University of Paraná). The impacts of this methodology have been significant to the students’ understanding of the different silicate structures, the different types of ion coordination, the origin (and assignment) of X-ray diffraction peaks and the various types of solid solution.O programa cristalográfico Mercury®, distribuído gratuitamente na internetpelo Cambridge Crystallographic Data Centre (CCDC) permite a visualização tridimensional de estruturas de minerais a partir de arquivos CIF (Crystallographic Information File) e permite também: medição de distâncias e ângulos de ligação e ângulos de torção; seleção ou exclusão de átomos; geração do difratograma de raios X de pó e a visualização de planos hkl do cristal; da cela unitária e de porções selecionadas do cristal. Ele tem sido usado como recurso didático, há três anos, na disciplina CQ-029, ofertada pelo Departamento de Química aos alunos do Curso de Geologia da UFPR (Universidade Federal do Paraná). Os efeitos desta metodologia têm sido significativos na compreensão, por parte dos alunos, das diferentes estruturas de silicatos, dos diferentes tipos de coordenação de íons, da origem (e atribuição) dos picos em difratogramas de raios X e na compreensão dos vários tipos de substituição sólida
A Mineralogia e alguns de seus minerais raros ou de gênese exótica
Mineralogy, rare minerals, and species of exotic genesis. The knowledge of the mineral genesis includes a large list with over than 4.000 valid species, can present some special aspects which made those processes different of the normal ones. There are, for instance, seasonal mineral species, which appear in dry seasons and are destructed in wet epochs; or minerals formed by oxidation of carbonatic material samples, only when stored within wooden cases; or a species that is formed by reaction between serpentinite and a licken developed on its surface; or other, whose formation begun since a centennial ship sunk in a river, by water action on tin tools. Such examples, related with others in this paper, show mineral genesis in which time and environmental conditions are quite different of those usually found.O estudo da gênese dos minerais envolve um amplo espectro com mais de 4.000 espécies válidas, podendo apresentar aspectos especiais e únicos, na medida em que grande parte dessas espécies constitui raridades, e algumas em particular possuem um modo de formação inteiramente exótico. Por exemplo, existem minerais de formação sazonal, aparecendo em estações secas e logo depois destruídos nas épocas úmidas; ou minerais formados pela oxidação de amostras de material carbonático, somente quando o mesmo encontra-se guardado dentro de caixas de madeira; ou originados pela reação de serpentinitos com certo líquen desenvolvido em suas superfícies; ou ainda formados pela ação da água sobre objetos de estanho afundados junto com uma canoa. Esses casos, do mesmo modo que outros mostrados neste trabalho, demonstram a possibilidade de existência de condições ambientais que são muito distintas das usualmente encontradas na natureza
Trabalhos de campo na disciplina de Geologia Introdutória: a saída autônoma e seu papel didático
The article describes diverse types of fieldwork and its didactic roles, relating them with a discipline of applied Introductory Geology for the course of Geography. The types of field works are: the Illustrative, Inductive field, Motivator, Trainer and Investigative types. It is here suggested a new proposal of fieldwork, the Autonomous field activity, when pupils carry through works without the presence of the professor in the field. This new work proposal favors to continuous investigative activities along the disciplines, therefore from the subjects that are approached on classrooms, pupils have the possibility of make relationships between the theory and its application in the daily one. Another important aspect is to allow the total participation of the group, therefore the schedules of field trips are set by appointments the proper study groups, this is of a special interest for groups of the nocturnal period, that shows a lesser participation in fieldwork on weekendsSão relatados diversos tipos de trabalhos de campo e seus papéis didáticos, relacionando-os com a disciplina de Geologia Introdutória aplicada ao curso de Geografia. Os tipos de trabalhos de campo relatados são: as saídas de campo Ilustrativa, Indutiva, Motivadora, Treinadora e Investigativa. Sugere-se uma nova proposta de trabalho de campo, a saída de campo Autônoma, na qual os alunos realizam trabalhos sem a presença do professor em campo. Esta nova proposta de trabalho favorece atividades investigativas constantes ao longo da disciplina, pois a partir dos temas que vão sendo abordados em sala de aula, os alunos têm a possibilidade de fazer a inter-relação entre a teoria e sua aplicação no cotidiano. Outro aspecto importante refere-se ao fato de permitir a participação total da turma, pois os horários de ida ao campo são agendados pelos próprios grupos de estudo, em especial turmas do período noturno, que tradicionalmente participam menos de saídas de campo realizadas em finais de semana