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Apresentação outros temas
A Mandrágora chega ao seu 30º. ano de existência desafiando cânones e fazendo ecoar as vozes femininas, feministas no campo religioso, mesmo naqueles temas ainda pouco explorados, como é o caso do budismo, contemplado com um dossiê na última edição de 2023. O fato de ser ainda pouco debatido no Brasil nos levou a propor um segundo dossiê na presente edição. Os artigos do dossiê Gênero e Justiça Social nas Tradições Budistas, coordenado por Fernanda Marina Feitosa Coelho e Patricia Guernelli Palazzo Tsai contemplam análises de múltiplos aspectos e formas pelas quais questões de justiça social e de gênero atravessam as tradições budistas, articulando raça, sexo, sexualidade em perspectiva interseccional
Rede de apoio da criança acolhida: a perspectiva da criança
A primeira formação de rede de apoio tende ocorrer no contexto familiar. Posteriormente, as redes se estendem paraa família extensa, amigos, professores. Para as crianças que vivenciam o acolhimento institucional, soma-se a formaçãode vínculos no interior da instituição. O presente estudo objetivou conhecer a rede de apoio de crianças em acolhimentoinstitucional. Participaram do estudo oito crianças, entre quatro e dez anos. Utilizaram-se questionários paracaracterização sociodemográfica e o Mapa dos cinco campos. Principais resultados: 1) A figura da genitora apareceno nível mais alto do mapa para todas as crianças; 2) A família extensa é amplamente representada; 3) Os membrosda instituição foram representados de maneira positiva; 4) A maioria das crianças indicou relações negativas comcolegas da escola. Conclui-se ser necessário fortalecer a rede de apoio social das crianças, com o intuito de facilitaro processo de reinserção familiar, além de auxiliar no período de acolhimento
Pandemia da covid-19 e a saúde mental de gestantes brasileiras
Trata-se de uma pesquisa de opinião para conhecer as repercussões psicológicas da Covid- 19 em gestantes. 710 grávidas responderam um questionário disseminado pelo Instagram@, Facebook@ e Whatsapp@. Calculou-se a média das repostas e o coeficiente de Spearman. Os resultados mostraram que não ter um acompanhante no parto, não amamentar e transmitir verticalmente o coronavírus são os maiores temores das participantes. Os medos e as preocupações, inerentes ao período gestacional, estão potencializados pela pandemia e impactam negativamente a saúde mental das gestantes por estimularem fantasias/crenças que aumentam a sua vulnerabilidade psíquica. Conclui-se que o acompanhamento pelo psicólogo da saúde/hospitalar e clínico às gestantes é fundamental para enfrentar o cenário pandêmico atual
Audição de vozes em população adulta não psiquiátrica: revisão integrativa da literatura
Este estudo é uma revisão integrativa da literatura, que analisou a produção científica acerca da audição de vozes e os fatores relacionados em população adulta não psiquiátrica. Incluiu artigos originais publicados até 2018 nas bases de dados eletrônicas: Sci-Verse Scopus; Web of Science; PubMed e LILACS. Adotaram-se os termos: “voice hearing” OR “voice hearer” OR “voice hearers” OR “hearing voices” como estratégia de busca, resgatando-se 1029 títulos. Identificaram-se 44 artigos para leitura na íntegra, 18 preencheram os critérios para inclusão. Evidências disponíveis mostraram uma variação de 0,8 a 41% de audição de vozes em populações não psiquiátricas. Observou-se que a audição de vozes, assim como outras experiências reconhecidas como psicóticas são vivenciadas por muitas pessoas, com intensidades, frequências e repercussões diferentes na vida de cada uma. Níveis de ansiedade, depressão e trauma na infância, em especial abuso sexual, têm sido discutidos como potenciais fatores relacionados. A presença marcante na literatura do fator traumático como preditor dessas experiências ressalta a necessidade, e evidencia a urgência da superação dos enquadramentos sintomáticos para construção de explicações mais individualizadas para o fenômeno de acolhimento e escuta das histórias de vida em sua singularidade. Além disso, possibilita vislumbrar ações precoces para prevenção de trauma na infância como possível intervenção protetora
Perfil cognitivo e percepção de competência de crianças com e sem TDAH
O objetivo deste estudo foi investigar a relação entre o perfil cognitivo e a percepção de competência de crianças com e sem TDAH. Participaram 30 crianças com TDAH e 30 crianças no grupo controle, entre 8 a 12 anos. O Self-perception Profile for Children (SPPC) foi preenchido pelas crianças para avaliar a percepção de competência e o perfil cognitivo foi investigado pelo WISC-IV. Os resultados apontam, para ambos os grupos, que os rendimentos altos em componentes do WISC-IV implicaram em elevadas percepções de competências. As pontuações baixas nos índices do WISC-IV se associavam a baixas percepções de competências. Para as crianças com TDAH, a competência de conduta comportamental foi relacionada ao perfil cognitivo com maior significância em relação as crianças sem o transtorno. Esses achados reforçam a necessidade de compreender como as crianças constroem suas percepções e julgamentos sobre suas habilidades, e como os processos cognitivos perpassam por essa percepção
Grupo Conexões: acolhimento psicológico por meio de grupos virtuais durante a pandemia da Covid-19
O objetivo deste artigo é descrever a prática de acolhimento psicológico a universitários por meio de grupos virtuais durante a pandemia da Covid-19. A ação foi implementada por cinco psicólogos da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) ao longo de cinco meses e culminou com a realização de nove encontros com periodicidade quinzenal. As principais demandas que emergiram no grupo estão relacionadas às experiências socioemocionais decorrentes do isolamento social imposto pela pandemia e ao novo modelo de ensino e aprendizagem adotado pela universidade em substituição às atividades acadêmicas presenciais. A realização do grupo em meio virtual possibilitou a continuidade do cuidado em saúde mental mesmo diante da suspensão das atividades presenciais na instituição e permitiu que os participantes compreendessem e manejassem as emoções e as situações-problema vivenciadas ao longo do isolamento social. Ao apresentar a experiência de grupos virtuais de acolhimento psicológico, o artigo contribui com a teoria e a prática psicológica no âmbito universitário em tempos de pandemia
Sintomas depressivos, de ansiedade, de estresse e de isolamento afetivo em comissários(as) de voo
A rotina de trabalho de um(a) comissário(a) de voo pode desencadear alterações nos estados de sono e vigília, afastamento de vínculos significativos, bem como outros prejuízos à saúde mental. Assim, este estudo buscou investigar a presença de sintomas depressivos, de ansiedade, de estresse e indicadores de isolamento afetivo em comissários(as) de voo e também a correlação destas variáveis na amostra. Realizou-se um estudo transversal, correlacional e de cunho quantitativo. Participaram da pesquisa 146 indivíduos com idades entre 20 e 52 anos (M = 30,62; DP = 6,23), que trabalhavam em voos nacionais e internacionais. Aproximadamente 31% de participantes apresentaram sintomas de depressão classificados entre moderado e severo, enquanto para os sintomas de ansiedade e de estresse esses valores foram, respectivamente, 38% e 30%. Em relação aos sintomas de solidão, cerca de 11% dos participantes apresentaram escores referente a intensidades moderadas a intensas. Também pode-se observar que, quanto maior o tempo de atuação como comissário/a de voo, maiores são os escores de sintomas depressivos e os sinais de isolamento afetivo. Por fim, os resultados encontrados apontam para a importância de implementação de práticas que promovam cuidados da saúde mental dos comissários(as) de voo
Avaliação do comer intuitivo e fatores associados em universitários brasileiros na pandemia do COVID-19
Esse estudo avaliou o nível de comer intuitivo e os fatores associados em universitários brasileiros durante a pandemia do COVID-19. Trata-se de um estudo observacional transversal realizado via formulário on-line com estudantes de graduação de uma universidade federal do sudeste brasileiro. Foi aplicado o instrumento Intuitive Eating Scale 2 (IES-2). Participaram 876 estudantes, a maioria do sexo feminino (n=647; 73,9%). Morar sozinho (OR=0,356; IC=0,176-0,719; p=0,004), apresentar sobrepeso/obesidade (OR=0,414; IC=0,261-0,656; p<0,001) e comer motivado por “controle de peso” (OR=0,457; IC=0,337-0,618; p<0,001) ou “controle de emoções” (OR=0,178; IC=0,129-0,245; p<0,001) reduziram as chances de uma alimentação mais intuitiva. As motivações por “preferências” (OR=1,565; IC=1,037-2,364; p=0,033), “necessidade e fome” (OR=1,875; IC=1,227-2,865; p=0,004), por “saúde” (OR=1,464; IC=1,011-2,119; p=0,044) e “questões naturais” (OR=1,461; IC=1,086-1,964; p=0,012), favoreceram uma alimentação mais intuitiva. Entender essas associações pode auxiliar no rastreamento de comportamentos alimentares desordenados e estabelecimento de estratégias pautadas em uma alimentação intuitiva, principalmente no contexto de pandemia atual
Bem-estar subjetivo e psicológico em amostras brasileiras: uma revisão integrativa
No contexto da Psicologia, as teorias sobre o bem-estar subdividem-se em duas principais vertentes: bem-estar subjetivo e bem-estar psicológico. Existem evidências de que ambos os constructos são associados a desfechos em saúde e variáveis socioculturais. Foi realizada uma revisão integrativa com o objetivo de identificar as variáveis associadas ao bem-estar subjetivo, psicológico e satisfação com a vida em amostras populacionais brasileiras. Foram selecionados 47 artigos publicados entre 2016 e junho de 2021 e indexados nas bases de dados LILACS, Medline, Index Psi e PePSIC. Identificou-se que a maior parte dos estudos realizados com amostras populacionais brasileiras utiliza o constructo bem-estar subjetivo, associando-o a condições de saúde, gênero, raça e traços de personalidade. Conclui-se que há uma disparidade na produção científica sobre bem-estar, com menor quantidade de estudos sobre bem-estar psicológico e que considerem a associação entre bem-estar e variáveis sociopolíticas
Serviços-Escola: perspectivas na caracterização de queixas iniciais da clientela de psicoterapia
No Brasil, os cursos de Psicologia oferecem formação clínica nos chamados “Serviços-Escola”, onde a população recebe assistência, geralmente gratuita, em Saúde Mental. Quando se procura caracterizar as queixas dessa população, o número elevado de cursos de graduação de Psicologia, uma diversidade de práticas e a extensão geográfica do país; têm produzido resultados que não são comparáveis entre si. Nosso objetivo foi comparar três diferentes sistemas de categorização de queixas iniciais, identificando seus limites e perspectivas, do ponto de vista metodológico e acadêmico. Dados de prontuários de um período intermitente de doze anos, oriundos de um Serviço-Escola de Universidade pública, foram organizados por gênero e faixa etária. Posteriormente, um recorte das queixas iniciais (2018) permitiu comparar três diferentes sistemas de categorização. Foi possível concluir que o método documental descritivo se mostrou insatisfatório para a categorização de queixas iniciais e limitado para o planejamento de programas de intervenção ou prevenção em Saúde Mental