Revistas da Faculdade de Ciências e Tecnologia UNESP (Universidade Estadual Paulista São Paulo)
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Lógicas e estratégias espaciais da grande distribuição internacionalizada em cidades médias:: Petrolina/PE e Juazeiro/BA
As redes varejistas globais de alimentos, ao se expandirem pelas cidades médias atuam reestruturando, hierarquizando e redefinindo o espaço urbano. Nesse sentido, o objetivo desse artigo é analisar as lógicas espaciais da grande distribuição internacionalizada na produção do espaço de Juazeiro/BA e Petrolina/PE, visando compreender a relação dessa produção com a lógica da globalização. Evidencia-se, portanto, as estratégias espaciais das grandes empresas comerciais de capital internacional, com destaque para o Carrefour, o Assaí, Cencosud e o Grupo Mateus. Para tanto, a metodologia utilizada combinou pesquisa bibliográfica – baseada em conceitos como produção do espaço, comércio varejista e cidades médias – com trabalhos de campo. Entre os resultados, destacam-se: a expansão de estabelecimentos de grupos varejistas globais, em pontos estratégicos das cidades analisadas e as mudanças nas dinâmicas de interação espacial entre cidades vizinhas. Destarte, conclui-se que as cidades de Juazeiro e Petrolina funcionam como espaços para a reprodução do capital das empresas da grande distribuição internacionalizada que encontraram, nas cidades médias, a possibilidade de ampliar suas operações e consolidar seu domínio no varejo alimentar
O arquipélago urbano trinacional do Pantanal:: centralidades entre pontos e fluxos
O artigo investiga o papel das cidades distribuídas pelo Pantanal trinacional (Bolívia, Brasil e Paraguai), discutindo como essas localidades se inserem no domínio natural e geoeconômico pantaneiro. A análise urbano-regional revela que, apesar da demografia modesta, tais cidades configuram centralidades locais que têm papel no manejo ambiental desse domínio natural e também elos essenciais nos agenciamentos econômicos que exploram e atravessam o Pantanal. Sustentam uma base econômica e logística articulada aos eixos viários, os quais dão vazão tanto à exploração de recursos naturais quanto ao transbordo de produtos para outras regiões do Cone Sul. Ainda que apresentem desenvolvimento em diferentes setores econômicos, essas cidades conformam um arquipélago urbano: não chegam a constituir uma rede urbana fortemente integrada e intrínseca, mas assimilam e reproduzem fluxos econômicos que impactam a sustentabilidade do domínio natural e a integração a outras economias regionais
QUANDO A OBRIGATORIEDADE ENCONTRA A PRÁTICA: DESAFIOS E APRENDIZADOS DE UM PROJETO DE EXTENSÃO EM PARADESPORTO
Este artigo apresenta um relato de experiência sobre o Projeto de Extensão em Paradesporto (PEP), desenvolvido na Unicesumar Curitiba desde 2017, com foco na promoção da inclusão de pessoas com deficiência por meio da prática esportiva. A análise discute os efeitos da obrigatoriedade da extensão universitária na formação discente e na gestão do projeto. Argumenta-se que a extensão, ao articular ensino, pesquisa e compromisso social, favorece experiências formativas significativas ao conectar saberes acadêmicos e populares. A adesão ampliada de estudantes ao PEP após a normatização legal evidenciou benefícios, como maior visibilidade do paradesporto e diversificação das vivências pedagógicas. Contudo, também impôs desafios, como o redimensionamento das atividades e a necessidade de supervisão pedagógica mais intensa. O texto reforça a extensão como espaço formativo essencial e destaca seu potencial transformador quando mediada por ações planejadas, reflexivas e conectadas às demandas sociais. A experiência do PEP revela que a obrigatoriedade pode ser ressignificada como oportunidade para qualificar a formação superior e promover o compromisso ético com a inclusão
ESPORTES E JOGOS PARA CRIANÇAS COM TEA E SÍNDROME DE DOWN: UMA EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA DA FEF – UNICAMP
O presente relato de experiência retrata o projeto de extensão universitária “Esportes e Jogos para crianças com TEA e Síndrome de Down”, desenvolvido na Faculdade de Educação Física da Unicamp entre 2022 e 2023. O projeto teve como objetivo promover vivências motoras, sociais e lúdicas em um ambiente seguro e inclusivo para crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista e Síndrome de Down, articulando ensino, pesquisa e extensão, os pilares da universidade. As atividades foram estruturadas inicialmente em quatro etapas – lutas, jogos e brincadeiras, lanche e dança – e planejadas de forma individualizada a partir das necessidades e interesses de cada aluno. A organização docente envolveu reuniões semanais para avaliação das aulas, definição de objetivos específicos e elaboração de estratégias pedagógicas, incluindo a utilização de pictogramas para favorecer a comunicação e a previsibilidade. Ao longo dos quatro semestres, o projeto passou por adaptações, como a ampliação do público atendido e a reorganização da carga horária. Os resultados observados indicaram avanços significativos na coordenação motora, equilíbrio, força, comunicação e socialização dos alunos, além de contribuições formativas relevantes para os monitores, que puderam vivenciar na prática os princípios da Educação Física Adaptada.
FINANCEIRIZAÇÃO DO TERRITÓRIO NO CERRADO: MATOPIBA, VERTICALIDADES E CONFLITOS SOCIOAMBIENTAIS
O artigo analisa os mecanismos gacor slot socioeconômicos, políticos e ambientais vinculados à financeirização do espaço rural e à expansão do agronegócio no Cerrado, com foco na região MATOPIBA. O problema central reside em como esse processo reproduz assimetrias geoeconômicas, intensifica conflitos socioambientais e aprofunda a dependência do Brasil no capitalismo global. A justificativa enfatiza a relevância acadêmica e social ao integrar teorias críticas (como "acumulação por espoliação" de Harvey (2005) e o "meio técnico-científico-informacional" de Santos (1996) e evidenciar impactos como expulsão de comunidades tradicionais e degradação ambiental. Metodologicamente, combina análise qualitativa (revisão teórica) e quantitativa (dados do CONAB, Prodes/Inpe e MapBiomas), além de georreferenciamento. Os resultados revelam crescimento de 4.636% na produção de soja (1990-2020), perda de 350.000 km² de vegetação nativa (2001-2022), 94,7% das propriedades sob controle gacor slot corporativo e avanço da desertificação. Conclui-se que o modelo agroexportador globalizado no MATOPIBA aprofunda desigualdades e degradação, exigindo alternativas como agroecologia e governança participativa para conciliar produção, preservação e equidade
O RECUO DA ÁREA FLORESTAL E OS IMPACTOS NOS SOLOS DO NORTE PIONEIRO DO PARANÁ
O Norte Pioneiro do Paraná sofreu intensas mudanças ao longo do tempo, devido a diversos fatores – desenvolvimento das técnicas agrícolas, crescimento populacional, desmatamento etc. -, essas modificações na configuração espacial da Mesorregião acarretaram o recuo da área florestal e os impactos no solo local, com isso, essas problemáticas desencadearam o avanço dos processos erosivos. Mediante ao exposto, o objetivo deste trabalho é discorrer sobre o recuo da área florestal atrelado ao avanço agropecuário e as consequências para os solos da Mesorregião Norte Pioneiro do Paraná, evidenciando a problemática da erosão, para isso foi perpassado algumas etapas metodológicas: (I) levantamento bibliográfico e documental de autores como Lepsch (2021) e Guerra, Silva e Botelho (2007) e das informações da Prefeitura Municipal de Jundiaí do Sul (PR); (II) análise dos dados do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social – IPARDES e do Instituto Água e Terra (IAT); (III) Trabalho de campo no município de Jundiaí do Sul e elaboração do mapa de localização da Mesorregião e do Índice de Vegetação por Diferença Normalizada (NDVI) e, por fim, a discussão dos resultados obtidos e da problemática do recuo florestal e dos processos erosivos, no qual foi possível verificar que os municípios de Sapopema, São Jerônimo da Serra, Curiúva e Ibaiti são destaques em relação as taxas de perda de vegetação
GOVERNANÇA NA ÁREA DE PRESERVAÇÃO AMBIENTAL CORUMBATAÍ: uma análise das discussões do Conselho Consultivo
Uma Área de Proteção Ambiental é definida como área amplamente extensa, com certo nível de ocupação humana, que possui atributos abióticos, bióticos, estéticos ou culturais de grande relevância para a qualidade de vida e o bem-estar das populações humanas. Apesar da existência de instrumentos legais e institucionais voltados à gestão dessas unidades, persistem desafios relacionados à efetividade da governança, especialmente no que se refere ao funcionamento dos conselhos gestores e à participação social nos processos decisórios. Diante desse problema, o presente trabalho tem como objetivo analisar os aspectos da governança na APA Corumbataí, localizada no estado de São Paulo, no período de 2022 a 2024. Para isso, foi utilizado o método de análise de conteúdo nas atas do Conselho Consultivo da APA Corumbataí. Os resultados indicam que o Conselho Consultivo desempenha papel central na governança da unidade, abordando temas como educação ambiental, gestão de recursos hídricos, combate a incêndios florestais e elaboração de planos de manejo, sendo as câmaras técnicas instrumentos relevantes para a participação social e a integração regional. Apesar de limitações institucionais, estratégias como transparência, diversidade, comunicação e fortalecimento da participação social mostram-se fundamentais para o aprimoramento da gestão
NUPE: ESPAÇO DE ACOLHIMENTO E FORMAÇÃO PARA AS QUESTÕES DA NEGRITUDE
O presente artigo visa socializar os resultados centrais da pesquisa PIBIC cujo objetivo geral foi investigar o NUPE em uma unidade da Unesp como espaço relevante para a construção de uma universidade antirracista, mediante análise de sua origem (passado), suas atividades atuais (presente) e propostas (futuro). Considerando os objetivos deste estudo, desenvolvemos a abordagem da pesquisa qualitativa que retrata a complexidade do cotidiano, apresentando uma preocupação maior com o processo em si do que com o produto. Esse estudo utilizou três instrumentos metodológicos: levantamento bibliográfico, análise de documentos e observação participante. Levantamento bibliográfico sobre racismo, educação antirracista nas universidades, autora Lélia Gonzalez e o Movimento Negro Unificado no portal da SciELo. Análise de documentos sobre o NUPE/Unesp (relatórios de bolsistas, projetos de docentes, resoluções e portarias da Unesp) e Observação Participante como membro atuante do NUPE/FCT/Unesp desde 2021.Constata-se a relevância de Lélia Gonzáles e do Movimento Negro Unificado na luta por justiça racial e reconhecimento da negritude como identidade cultural e política no Brasil, que contribuíram no debate racial nas Universidades incentivando e fortalecendo coletivos negros, como o NUPE que data 1999 na Unesp. O NUPE tem contribuído na promoção da luta antirracista, com diversas atividades, como: Café de Preto, Festival Ocupação Preta, Cursos de Formação continuada de profissionais da Educação, Palestras no interior da universidade, Projetos de Pesquisa Acadêmica e de Extensão, Parcerias com escolas em projetos formativos, fortalecimento da temática no Programa de Pós-Graduação em Educação da FCT/Unesp, dentre outras atividades