Revista de Arqueologia (SAB - Sociedade de Arqueologia Brasileira)
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    Tomando chá com o chapeleiro: a Arqueologia Sensorial como Arqueologia Descolonizante

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    A infância é realmente um momento mágico, em que podemos sonhar, fantasiar e brincar. Podemos falar com objetos, com animais e até sozinhos em voz altano meio da rua: ninguém irá achar estranho. Mas quando crescemos tudo muda. Passamos a considerar objetos como seres inanimados, animais como seres sem consciência, e sonhos como algo infantil. A situação piora quando nos tornamos cientistas, pois passamos a buscar verdades. Propõe-se, assim, uma ruptura dos discursos hegemônicos, cujo caminho pode ser a arqueologia sensorial. Ela tem o potencial de mudar não apenas o discurso arqueológico, mas também o arqueólogo, ao possibilitar diferentes contatos com os objetos, ao permitir que se fale a língua deles novamente

    Adornos em concha do sítio Cabeçuda

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    Cabeçuda e sua coleção osteológica auxiliaram sobremaneira o desenvolvimento de hipóteses sobre o modo de vida das populações sambaquieiras. Ao contrário dos vestígios humanos, materiais faunísticos coletados pela equipe de Luis de Castro Faria há aproximadamente 60 anos só recentemente foram objeto de estudos. Adornos manufaturados em conchas de diversas espécies de moluscos e associados a sepultamentos ao longo de 8,5 metros de profundidade perfazem praticamente um terço do total de peças da coleção faunística. As mais de 16.000 peças recuperadas fazem com que Cabeçuda esteja entre os sambaquis mais ricos em adornos já estudados. Os resultados sugerem a possibilidade de contas discoides servirem comoindicadores de identidade e o uso de pingentes como marcadores de distinções dentro da comunidade

    Os contextos funerários na arqueologia da calha do rio Amazonas

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    Durante um pouco mais de dez anos venho pesquisando as práticas e os gestos funerários na Amazônia, principalmente no período anterior ao contato com as populações europeias. Um dos principais resultados dessa pesquisa foi a elaboração e defesa de minha tese de doutorado “Os Contextos Funerários na Arqueologia da Calha do rio Amazonas” orientada pelo Prof. Dr. Levy Figuti, no Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo, com apoio doCNPq no último ano

    Redescoberta rupestre: São Paulo e um novo cenário

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    O patrimônio rupestre paulista tem sido tema de poucas pesquisas nos últimos anos, resultando numa lacuna de conhecimento e, por conseqüência, de divulgação desse patrimônio. Entre os anos de 2010-2013 desenvolvemos pesquisa com sítios rupestres do Estado de São Paulo, na busca de uma sistematização dos registros identificados, objetivando refletir sobre esse panorama e propor um modelo de musealização da arqueologia baseado nos conceitos da Sociomuseologia. Os resultados obtidos com a sistematização dos dados demonstram um importante avanço na pesquisa, contribuindo com novos olhares para essepatrimônio. Acredita-se que a associação desse conhecimento com a musealização da arqueologia, extrapolando o edifício museu e priorizando a participação social, proporciona um passo em direção à sua democratização e, por conseguinte, à sua preservação

    A garrafa que deixou de ser: Arqueologia com a cidade e musealização

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    Na Arqueologia Urbana há um princípio básico: considerar o processo de urbanização de um território. Tal premissa proporciona ao arqueólogo lidar não somente com o contexto arqueológico (abandono), mas também com o contexto sistêmico (vida). Esse último se reflete no olhar sobre os vestígios do passado e no processo de ressignificação, que os recoloca no contexto sistêmico (tempo atual). Nesse caminho se dá uma nova funcionalidade ao que foi abandonado, como uma postura crítica ao presente que, através da musealização, pautada pela Sociomuseologia, carrega um almejar de futuro. Exercer-se uma Arqueologiacom a Cidade que se preocupa, na análise crítica do território, para o entendimento de que o lugar é uma escolha, no qual um porvir deve ser sonhado

    Os sítios pré-colombianos com estruturas de terra na região de fronteira entre o Acre, Brasil, e Riberalta, Bolívia, Amazônia sul-ocidental

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    Este artigo visa apresentar uma síntese das pesquisas arqueológicas realizadas nos sítios com estruturas de terra em Riberalta e no estado do Acre, na Amazônia Sul-Ocidental. Os sítios nas duas regiões vizinhas foram comparados discutindo seus paralelos e diferenças. Os sítios bolivianos, sendo estruturalmente menos complexos, são interpretados como assentamentos permanentes, enquanto no Acre as estruturas de terra foram construídas principalmente para fins cerimoniais. A prática da engenharia de terra prevaleceu em Riberalta de 200 a.C. até o Período Colonial. No Acre, a tradição começou mais cedo, ca. 1200 a.C. As populações formativas que ocuparam estes sítios demonstram um sedentarismo emergente e desenvolvimento organizacional. No contexto do Acre os povos foram unidos por um sistema ideológico materializado na arquitetura das estruturas de terra geométricas

    Editorial

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    Neste duplo número da Revista de Arqueologia apresentamos duas novidades, o formato exclusivamente digital e o foco em um determinado tema da arqueologia brasileira, no caso o da musealização. O formato digital acompanha a principal tendência das revistas acadêmicas nacionais e internacionais. Ao eliminarmos os custos de impressão e distribuição, ainda que enquanto arqueólogos e intelectuais apreciemos a materialidade das palavras sobre o papel, esperamos ter outros ganhos, como a possibilidade de aumentarmos o conteúdo, a inclusão de mais imagens, inclusive a cores, a inserção de ferramentas de busca por palavras chave e por autor, e outros recursos os quais a Revista ainda deve ir aprimorando ao longo dos próximos números

    Notícias sobre novos projetos acadêmicos

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    Os trabalhos aqui reunidos correspondem aos novos projetos acadêmicos que estão em realização e foram levantados a partir de enquete eletrônica no âmbito da REMAAE (Rede de Museus de Acervos Arqueológicos). Agradecemos àqueles que responderam à enquete, possibilitando a verificação dos temas que estão sendo problematizados e as experiências que se encontram em desenvolvimento

    A área arqueológica de Serra Negra: Alto Aracuaí, Minas Gerais - Implantação, repertório cultural e análise tecnológica

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    A Área Arqueológica de Serra Negra está localizada na face leste da Serra do Espinhaço Meridional, Minas Gerais. Está constituída por 56 sítios, sendo todos abrigos sob rocha, a maioria com presença de painéis rupestres. Este artigo tem como objetivo apresentar as principais características da área, discutindo questões referentes à implantação dos sítios na paisagem, características geoambientais e repertório cultural. Como norte teórico optou-se em discutir acerca do conceito de paisagem, baseado, principalmente, no de lugarespersistentes. Para tanto, foi necessário adotar a multidisciplinaridade como base de pesquisa, utilizando métodos e técnicas de várias Ciências. Como resultado espera-se uma compreensão mais assertiva acerca do sistema regional de assentamento, bem como evidenciar as principais características do repertório cultural

    Musealização da Arqueologia e Produção Acadêmica: Novos Problemas, Novos Desafios

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    O convite recebido da Sociedade de Arqueologia Brasileira para a organização de uma proposta editorial, voltada à divulgação das pesquisas que têm sido elaboradas a partir das inspirações e problematizações da Musealização da Arqueologia, nos levou a considerar que os esforços empreendidos nas últimas décadas para a configuração de um campo de experimentação e análise, orientado para a problematização das ações museológicas aplicadas aos contextos arqueológicos, já apresenta resultados que podem ser verificados a partir de múltiplos olhares daqueles que têm produzido trabalhos acadêmicos neste âmbito

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