Revista de Arqueologia (SAB - Sociedade de Arqueologia Brasileira)
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    Arqueologia paulista e o marcador cerâmico como delimitador de fronteira étnica: um estudo das regiões sul e oeste do estado de São Paulo

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    O objetivo deste trabalho foi compreender as fronteiras culturais entre os grupos produtores de cerâmica tendo como enfoque espacial áreas entre o sul da Bacia do Rio Tietê e o norte da bacia do Rio Paranapanema, isto é, sul e oeste paulistas. Na área pesquisada identificou-se a forte presença das tradições Tupiguarani e Itararé-Taquara. Nesse sentido, optou-se por apresentar um respaldo histórico da ocupação do estado de São Paulo, em que são identificados os grupos indígenas presentes no momento do contato com o europeu. Também se utilizou de descrições de autores dos séculos XVI e XVII, que apresentam as localizações espaciais desses grupos históricos conhecidos. Além disso, o leitor é convidado a pensar sobre conceituações relativas à distribuição, circulação, mobilidade, sedentarismo, migração e ocupação dos espaços pelos grupos pretéritos

    Vidros lascados em contexto experimental

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    Neste artigo serão apresentados resultados da observação microscópica feita em vidros lascados, coletados no sítio arqueológico histórico Engenho do Murutucu, localizado no município de Belém, Estado do Pará. Além de passar por uma observação em microscópio, os exemplares arqueológicos foram comparados com peças produzidas após uma série experimental que perpassou três fases: fragmentação aleatória de garrafas, pisoteio, confecção e uso de instrumentos em dois substratos: madeira e couro. A comparação feita entre os materiais experimentais e arqueológicos, aliada a observação microscópica sugeriram que os vidros lascados do Murutucu tratam-se de instrumentos

    Cestos enterrados no Vale do Peruaçu: classificação e utilização dos artefatos têxteis e trançados dos sítios sob abrigo do norte de Minas Gerais

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    A rara preservação de artefatos trançados de fibras vegetais em sítios arqueológicos brasileiros resulta em um conhecimento restrito acerca desses materiais na pré-história. No vale do Peruaçu, Minas Gerais, os sítios Lapa do Boquete, Abrigo do Malhador, Lapa da Hora e Lapa do Caboclo apresentaram tais materiais excepcionalmente preservados, geralmente associados a depósitos de vegetais ou sepultamentos do Holoceno tardio. Apresentamos neste trabalho a coleção de artefatos trançados e têxteis de fibras vegetais do vale do Peruaçu sob a ótica do sistema classificatório de Berta Ribeiro (RIBEIRO, 1980, 1985, 1986b), explorando a maneira como esses artefatos foram depositados em seus respectivos contextos e chamando atenção para a importância e diversidade de artefatos perecíveis utilizados pelos grupos horticultores que ocuparam essa região

    Marieta e Josefa no prédio da loucura: uma arqueologia dos espaços manicomiais

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    Marieta e Josefa tiveram suas vidas entrelaçadas e confinadas no Hospital de Neuro-psiquiatria Infantil (Belo Horizonte – MG), e é a partir de certos elementos que encontrei ao longo da pesquisa, que assumo elas terem sido pacientes de tal instituição. Suas histórias, aqui (re)construídas por mim de forma livre, tendo por base fontes documentais e materiais, nos guiarão pelo hospital criado em 1947, o qual recebeu desde crianças com sofrimento mental até órfãs ou portadoras das mais diversas doenças. Com discursos de poder e controle materializados na espacialidade do prédio, espero discutir, através da Arqueologia da Arquitetura, como essa instituição funcionou como um mantenedor da ordem urbana ao tirar de circulação uma gama de pequenos indesejáveis rechaçados pela sociedade

    A infância e o sistema semiótico de mãos carimbadas na arte rupestre

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    Os agentes sociais infantis geravam registros arqueológicos, muito embora por um largo período não tenham sido considerados relevantes no marco da literatura arqueológica. No Estado do Ceará, no Nordeste do Brasil, há registros de mãos carimbadas infantis num painel de arte rupestre. No marco dos sistemas de classificações que fundamentam tradições arqueológicas de arte rupestre, as mãos carimbadas foram circunscritas à Tradição Agreste e, posteriormente, como expressivo demarcador da Tradição Geométrica. Na perspectiva semiótica, independente de se filiar a tradições arqueológicas em arte rupestre, o estudo de mãos carimbadas é passível de se constituir num corpus de elementos icônicos, no qual a pintura de mãos carimbadas infantis está na ordem da similaridade do objeto

    Brincando com pontas de projétil: imitação infantil de lascamento em um sítio de caçador-coletor em abrigo-sob-rocha de 8.500 anos de idade no Sul do Brasil

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    This paper discusses how archaeologists can potentially identify the presence of children in the archaeological record through the study of finished lithic products. As a case study, I use Adelar Pilger (RS-C-61), a hunter-gatherer rockshelter habitation site in southern Brazil dated to approximately 8500 BP. By linking decisions related to raw material selection with the aesthetic and technological properties of projectile points, I have identified three types of points potentially made by experts, advanced apprentices, and children and/or initial apprentices. I suggest that children at the Adelar Pilger site were producing points as a form of play imitation. Children were able to roughly imitate formal shapes but could not properly reproduce the tools in a three dimensional or technological sense.Este artigo discute como as arqueólogas e arqueólogos podem potencialmente identificar a presença de crianças no registro arqueológico através do estudo de produtos líticos acabados. Como um estudo de caso, eu uso Adelar Pilger (RS-C-61), um sítio em abrigo-sob-rocha habitado por caçadores-coletores no sul do Brasil e datado de aproximadamente 8500 AP. Ao relacionar as decisões associadas à seleção de matéria-prima com as propriedades estéticas e tecnológicas de pontas do projétil, eu identifiquei três tipos de pontas potencialmente produzidas por especialistas, aprendizes avançados e crianças e/ou aprendizes iniciais. Eu sugiro que as crianças no sítio Adelar Pilger produziram pontas de projétil como uma forma de brincadeira de imitação. Através desta brincadeira, as crianças foram capazes de imitar grosseiramente somente as formas e o contorno geral das pontas do projétil, mas não foram capazes de reproduzir estes instrumentos em um sentido tridimensional ou tecnológico

    Corpos, infâncias e agência: um olhar particular sobre as populações pré-históricas

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    En estas páginas pretendemos aproximarnos a las identidades sociales de las comunidades del pasado a través del estudio de la infancia. Para ello expondremos nuestra consideración sobre el concepto de cuerpo como elemento central en la reflexión sobre los grupos humanos. Utilizaremos una mirada antropológica para entender las distintas perspectivas sobre el cuerpo: individual, o la experiencia fenomenológica consciente propia de cada individuo; social, como representación de la interacción entre naturaleza, sociedad y cultura; y política, como artefacto que puede ser utilizado como instrumento de organización y/o control político y social. Y, finalmente, lo contrastaremos con la cultura material del registro funerario de las sociedades argáricas (c. 2200-1550 cal BC) del sureste de la Península Ibérica. Comprobaremos cómo los cuerpos de niños y niñas se utilizan en todas las sociedades, y específicamente en nuestro caso en las poblaciones argáricas, para sustentar, transformar, retar o resistirse a las estructuras e identidades sociales dominantes.Neste artigo pretendo abordar identidades sociais no passado através do estudo da infância. Para fazer isso, apresentarei minha consideração do conceito de corpo como um elemento central na reflexão sobre grupos humanos. Usarei uma abordagem antropológica para compreender as diferentes perspectivas sobre o corpo: como um corpo-eu individual fenomenalmente experimentado, como um corpo social, um símbolo natural para pensar sobre as relações entre natureza, sociedade e cultura, e como um corpo político, um artefato do social e político. E, finalmente, vou contrastá-lo com a cultura material do registro funerário das sociedades aragéricas (c. 2200-1550 cal a.C.) do sudeste da Península Ibérica. Eu serei capaz de demonstrar como os corpos das crianças são usados pelas sociedades, especificamente as da Idade do Bronze, para sustentar, transformar, resistir ou desafiar estruturas e identidades sociais

    Arqueologia do Baixo Sul da Bahia: Engenho Rio de Contas, Itacaré, Bahia, Brasil

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    O Engenho Rio de Contas é uma unidade de produção açucareira que funcionou no leito navegável do Rio de Contas, Bahia, do século XVIII ao início do XX. Em 2007, durante a construção da BA-001 (Camamu a Itacaré), o sítio foi escavado, quando também foi possível levantar os dados históricos e arqueológicos, além da análise dos materiais coletados. Este sítio foi analisado a partir da noção de “engenho” elaborada para a compreensão do sistema produtivo e distante das concepções tradicionais cunhadas na historiografia oficial. Assim, o Engenho Rio de Contas foi interpretado como uma grande estrutura de produção, adaptada à realidade local e imersa numa rede de produção e comércio, com controle territorial difuso da paisagem

    A percepção do meio ambiente por parte da população atual de Lagoa Santa e suas implicações para a Arqueologia Regional

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    A subsistência dos primeiros habitantes de Lagoa Santa - MG e as variações ambientais durante o Holoceno na mesma região têm fomentado intensas discussões entre os pesquisadores brasileiros nas últimas décadas. Um questionário foi aplicado para obter informações dos moradores mais velhos sobre as condições ambientais, assim como as atividades de coleta, pesca e caça praticadas por eles durante a infância e a juventude vividas nos arredores da APA Carste de Lagoa Santa. As informações obtidas são bastante coerentes a estudos científicos já publicados e fornecem elementos importantes para a interpretação dos dados arqueológicos da região, uma vez que os animais, as plantas e os desafios de subsistência de hoje são relativamente similares aos ali encontrados há milhares de anos

    Patologias invisíveis na Bioarqueologia da Infância

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    A Paleopatologia auxilia a identificar doenças no registro arqueológico a partir da observação de lesões nos ossos. Porém o que acontece quando o registro apresenta um número significativo de indivíduos sem sinais patológicos? Dois sítios arqueológicos no nordeste do Brasil, Pedra do Alexandre e Toca do Gongo III, propiciam refletir sobre a presença de subadultos em áreas de enterramentos, no entanto sem sinais reflexo de doenças antemortem ou causas de morte. A presença de crianças e adolescentes no registro arqueológico é um indicador das circunstâncias biológicas e culturais da morte nos grupos humanos do passado. A idade de morte ajuda na compreensão de como eram suas vidas, a quais doenças ou traumas foram expostos antes de morrer ou mesmo as causas da morte

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