Revista Comunicação Midiática
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Racismo e necropolítica no jornalismo brasileiro: Uma análise crítica do discurso do UOL
O trabalho analisa as manifestações de abuso de poder discursivo racistas que aparecem em enunciados jornalísticos a partir da perspectiva da Análise Crítica do Discurso (ACD). Foram escolhidos seis textos publicados, com temática racial, no Portal UOL entre maio e agosto de 2021, selecionados entre os cinco textos publicados às 22h nos sete primeiros dias dos meses de coleta. Para análise, além dos autores da ACD (como Van Dijk, 2008, 2017; Batista Jr; Sato; Melo, 2018), discutimos o racismo estrutural (Almeida, 2019), e necropolítica (Mbembe, 2018) em diálogo com a noção de biopoder em Foucault (2008). Mostramos o discurso da mídia sobre o racismo como causa de ações violentas, a relação entre racismo, a desigualdade social e a necropolítica.
Maternidades interditadas: A cobertura noticiosa sobre a perda de guarda de mães afro religiosas
O artigo propõe uma discussão acerca do debate público sobre racismo, intolerância religiosa e desigualdade de gênero em casos em que mães perderam a guarda de seus filhos(as) por fazerem parte de religiões de presença africana. Como trajetória empírica, propomos a análise de três reportagens que materializam a problemática social em questão, publicadas recentemente no portal UOL e Universa UOL, por meio de protocolo no campo da Análise de Discurso. O objetivo é compreender o conteúdo do discurso construído pela cobertura do portal, a ação das instituições e agentes do Estado, além dos sujeitos envolvidos no caso estudado e aspectos políticos e sociais que contextualizam o fenômeno
Comunicação digital, redes e cidadania: Apresentação do dossiê
Texto de apresentação do dossiê "Comunicação digital, redes e cidadania" por seus organizadores Caroline Kraus Luvizotto, Jorge Alberto Hidalgo Toledo e Magda Rodrigues da Cunha
“Eu queria acabar com o WhatsApp”: uma etnografia com grupos que almejam se desconectar das mídias digitais
Em um cenário trabalhista conectado, as ferramentas digitais se mostram artefatos indispensáveis para o exercício laboral. Todavia, rotinas de trabalho cada vez mais vinculadas às plataformas digitais têm corroborado para mudanças nesse campo, como aumento dos níveis de ansiedade e burnout. Esses efeitos fomentam o crescimento de fenômenos como o detox digital, que promove dietas de desconexão, visando equilibrar o consumo das tecnologias digitais. Assim, a partir de uma etnografia para internet (HINE, 2015), este artigo analisa os impactos dos artefatos digitais no bem-estar de um grupo de indivíduos, além de identificar estratégias para equilibrar o consumo destes aparatos. O exercício revela o impacto das mídias digitais na realidade dos interlocutores através da expansão das jornadas de trabalho e a relação de dependência para o exercício laboral
Comunicação Digital e Cidadania: A Atuação de Movimentos Sociais e Contramovimentos Durante a Pandemia de Covid-19
No Brasil, a pandemia de Covid-19 promoveu uma disputa de narrativas entre movimentos sociais e contramovimentos em torno da gravidade e das formas de enfrentamento da pandemia. Por meio da revisão sistemática da literatura este texto apresenta uma reflexão sobre o desempenho dos movimentos sociais frente os impactos da pandemia e a mobilização causada por contramovimentos, enfatizando a importância da comunicação digital no contexto. A crise provocada pela pandemia de Covid-19 deve ser tratada como um momento de ruptura que trouxe mudanças significativas em nossas vidas e nossas sociedades. É imperativo compreender a dinâmica estabelecida entre movimentos sociais e contramovimentos durante a pandemia de Covid-19 para que sejam assegurados os valores cidadãos durante e após a crise
# Gordofobia: : Produção de sentido sobre corpos gordos femininos no Instagram
Em um cenário de comunicação digital no qual, não raro, a alteridade corpórea é excluída e objetificada por meio de discursos de ódio e violência, investigamos produções de sentido sobre o corpo gordo no Instagram considerando-as como um sintoma da sociedade contemporânea. Nessa vitrine dos desejos de exposições padronizadas que é o Instagram, investigamos produções de sentido sobre a hashtag gordofobia, a fim de analisar o discurso corpóreo que recae sobre os corpos não normativos. Um dos resultados dessa pesquisa mostrou que as produções de sentido observadas na hashtag gordofobia, apesar de possibilitarem a aglutinação de diversos sentidos em um único lugar, a variedade de derivações é imprevisível e influenciam as interpretações sobre como são vistos e percebidos pelos usuários da plataforma
Grupos “autistas”: tribus digitales de jóvenes latinoamericanos de la subcultura del sarcasmo en grupos de Facebook
Investigación que aborda la forma en que prácticas incendiarias globales de la comunicación en línea, como la subcultura del trolling, son resignificadas por jóvenes de contextos latinoamericanos en grupos de Facebook, conocidos en la jerga de Internet como “comunidades autistas”. Mediante una aproximación etnográfica denominada Comunicación de la Provocación Tecno-Mediada en Línea, se encontró que forman tribus digitales de la subcultura del sarcasmo con las que confeccionan identidades en línea
El enunciador común en las redes sociales: La eutanasia en debate
Este estudio tiene como objetivo principal profundizar en el conocimiento sobre las características identitarias del enunciador común en la interacción en redes sociales. Con dicho fin, se analizaron críticamente los comentarios publicados por enunciadores comunes (EC) en la red social Twitter, durante el debate público sobre la eutanasia retomado en Uruguay en abril de 2022. El análisis se apoyó teóricamente en el Análisis crítico del discurso de redes sociales de KhosraviNik (2016), la categorización de enunciadores de Gambetta (2017) y en la identificación del uso de falacias (COPI, 2013) y topoi argumentativos (WODAK, 2003). La participación del EC se caracterizó por prácticas discursivas con alta carga valorativa, enfocadas a atacar a las personas en lugar de sus argumentos. Asimismo, el EC se orientó prioritariamente a lograr el apoyo de otros EC
Do cancelamento ao dispositivo: Discurso de ódio no contexto do consumo
Este artigo problematiza o cancelamento como uma manifestação do discurso de ódio no contexto do consumo em sociedades midiatizadas, considerando o cancelamento como um dispositivo, que mobiliza discursos e representações de mundo, pois sua emergência, manutenção e transformação funcionam em rede e envolvem elementos heterogêneos. Para tanto, utilizamos como objeto três situações em que ocorreram boicotes e posicionamentos de consumidores, são eles: i) à cultura russa, decorrente da Guerra da Ucrânia; ii) à franquia de Harry Potter, por conta de declarações preconceituosas da autora J. K. Rowling; e iii) à marca de fast fashion Zara, envolvida em polêmicas raciais e trabalhistas. A fundamentação teórica é baseada nos estudos de Foucault, Courtine, Castro, Da Empoli, Butler, Türcke e Micheletti
Bob Cuspe, sem anestesia: Desentendimento e ódio no discurso de ruptura de um personagem iconoclasta
O discurso de ódio é tratado neste artigo em uma chave alternativa às abordagens que questionam a violência, a negação e a exclusão do outro, na busca da superação dos conflitos. Assume a ideia do desentendimento e do confronto, da crítica sarcástica e do discurso agressivo como recursos de enfrentamento e resistência, como “estratégias sensíveis” adotadas por segmentos subalternizados da sociedade que habitam os “territórios opacos” da cidade. Parte de articulações entre cultura e contracultura, história e comunicação, estética e política, no estudo de narrativas midiatizadas, como é o caso das Histórias em Quadrinhos e Charges. Traz para a análise um recorte do discurso de ruptura proposto pelo cartunista Angeli, na figura de um personagem iconoclasta, o subversivo e agressivo Bob Cuspe, que confronta e desafia a sociedade neoliberal com seu irônico e contundente discurso de ódio. Para problematizar e refletir criticamente sobre este tema, busca-se fundamentação teórica em leituras de autores como Jacques Rancière, Grégoire Chamayou e Muniz Sodré