Entropia (E-Journal)
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APRESENTAÇÃO
Estamos lançando o segundo número da revista Entropia. Mantendo o foco na divulgação de pesquisas vinculadas à temática dos movimentos sociais e mídia.Na atual edição, teremos uma conjunto de artigos que abarcam diversos temas ampliando os olhares sobre a produção científica no Brasil
MOVIMIENTO SOCIAL: MOVILIZADOR DE RESISTENCIA Y EMPODERAMIENTO DE LAS MUJERES RURALES EN EL DEPARTAMENTO DEL ATLÁNTICO, COLOMBIA
Las mujeres trasgredieron la impronta cultural patriarcal y judeocristiana que las excluye y margina. Por sus derechos han realizado acciones colectivas de organización y movilización social. Las rurales sufren doble discriminación por su sexo y origen, así, en el departamento del Atlántico ha gestado un movimiento social, como resistencia para mejorar las condiciones de vida, empoderándose personal y colectivamente.
 
“FOI UMA REVOLUÇÃO”: CONDIÇÕES DE VIDA E CONFLITOS AGRÁRIOS EM MIGUEL ALVES, PIAUÍ (1984-2013)
O presente trabalho tem por objetivo analisar as relações sociais estabelecidas entre trabalhadores rurais e proprietários de fazendas em Miguel Alves, Piauí, entre 1984 e 2013. Neste período o município foi palco de intensas disputas e tensões no campo. De um modo geral, abordamos as condições de vida e trabalho neste cenário, no qual os não proprietários poderiam ter acesso a uma parcela de terra em troca do pagamento de renda e cumprimento de obrigações aos fazendeiros. Destacamos as estratégias de sobrevivência, formas de exploração, controle e dominação, igualmente, as resistências possíveis. Dialogamos principalmente com os conceitos de experiência e paternalismo de E. P. Thompson (1998); micro-resistência e discurso oculto de James C. Scott (2002)/(2013). A metodologia da História Oral é importante na pesquisa, pois através da realização de entrevistas de história de vida, com roteiros semiestruturados, foi possível ter acesso às memórias e problematizar as experiências dos antigos moradores das fazendas. Da mesma forma, fazemos uso de fontes hemerográficas, fontes oficiais, livros e outras publicações
ANTICOMUNISMO, GOLPISMO E QUESTÃO AGRÁRIA: UMA ANÁLISE SOBRE O PROGRAMA AGRÁRIO DO IPÊS: 1963 - 1966
O artigo aborda a percepção do Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais - Ipês em relação à questão agrária, no período compreendido de 1963 a 1966, com objetivo de analisar a visão de mundo de grupos anticomunistas da década de 60. Tem como fontes primárias publicações do próprio instituto, como Reforma Agrária, Bases e Soluções, Reformas de Base: a posição do Ipes, os Boletins Mensais Ipês e jornais de grande circulação. O Ipês era um agrupamento anticomunista, formado por civis e militares, fundado em 1961, cujos integrantes participaram da articulação do golpe civil militar de 1964. Quadros dessa organização, como Paulo Assis Ribeiro, foram incorporados ao governo Castello Branco, participando da formulação do Estatuto da Terra (ASSIS, 2001; DREIFUSS, 2008). O Ipês defendia um programa de mudanças para o Brasil em contraposição às Reformas de Base preconizadas pelo governo João Goulart. Dando continuidade ao nosso trabalho no mestrado, intitulado O discurso anticomunista do Ipês entre 1963-1966, o artigo analisa ainda a relação do modelo de reforma agrária defendido pelo Ipês com suas perspectivas quanto ao trabalhador rural, além da ligação dessas propostas com suas concepções anticomunistas, seus princípios doutrinários em defesa da Aliança para o Progresso e à carta Mater et Magistra e sua vinculação com os princípios da Escola Superior de Guerra
LAVA JATO E PRETORIANISMO JURÍDICO-MIDIÁTICO: A CORRUPÇÃO COMO PONTO CEGO NA DISPUTA POR HEGEMONIA
Pertencentes a uma mesma elite estatal, os procuradores lavajatistas preservam os capitais sociais de seus familiares e se inserem no contexto político brasileiro através do discurso anticorrupção como aqueles responsáveis por purificar a classe política através do monopólio da investigação e do combate ao crime. Com um discurso voltado para a necessidade de se eliminar da política dada categoria “corrupta” de político, contribuiram para criação de uma onda “antipetista” no Brasil. Nesse sentido, através de uma contextualização sócio-política da Lava Jato, analisamos a forma com que as trajetórias pessoais e profissionais dos procuradores lavajatistas nos informam sobre a composição do judiciário brasileiro, quais os capitais em disputa no campo jurídico e político, como através de um pretorianismo jurídico-midiático vieram a adquirir capital simbólico como forma de influenciar a opinião pública (vindo a resultar no golpe institucional em 2016 e na eleição do atual governo), e como a Lava Jato e o discurso lavajatista se inserem no atual contexto, pós eleição presidencial de 2018.
 
“COMO É QUE ISSO TUDO COMEÇOU”: SENTIDOS DE ORIGEM DAS OCUPAÇÕES EM ESCOLAS ESTADUAIS DO RIO DE JANEIRO (2016)
Partindo do verso “Como é que isso tudo começou”, da música Almanaque, de Chico Buarque (1981) e dos referenciais do Coletivo de Pesquisa Juventude, Desigualdade Social e EJA (COLEJA-UFRJ), do qual fazemos parte, este artigo propõe um movimento inicial de aproximação com a bibliografia sobre as ocupações de escola e também com as falas dos alunos que participaram desse movimento no Rio de Janeiro, entre os anos de 2015 e 2016. Tendo como fio condutor os sentidos de origem que são concedidos a este movimento, pretendemos analisar o estabelecimento de algumas leituras hegemônicas acerca das ocupações como sendo uma etapa inexorável de movimentos sociais históricos, por vezes, alheios às condições materiais reais desses jovens, considerando o preocupante distanciamento no tempo e no espaço. Para nós, tal discurso heroiciza os jovens e tende a encerrar suas experiências de vida no momento das ocupações, sem entendê-los em suas trajetórias e condições socioeconômicas reais e com vivências anteriores e posteriores ao processo de ocupação. Para cumprir tal objetivo, buscaremos referenciais na produção bibliográfica sobre o tema e também em grupos focais realizados pelo coletivo de pesquisa, focando nas narrativas sobre as motivações desses estudantes para o início do processo. Acreditamos que estas reflexões contribuem para o enfrentamento político das questões apontadas por esses jovens colaborando com a crítica necessária aos atuais discursos de descrédito na potência transformadora tanto do espaço escolar quanto do ser jovem sem, entretanto, deixar de considerar suas questões internas, subjetividades e contradições
COMPARTILHAR IMAGINÁRIOS: O JORNALISMO COMPARTILHADO COMO CONSTRUTOR DE ESPAÇOS DEMOCRÁTICOS E CRIATIVOS
A América Latina é um campo fértil e produtivo de imaginários sociais ao mesmo tempo em que vários veículos de comunicação ignoram essa diversidade por seus interesses econômicos, transformando tudo em informação hegemônica. Em contrapartida, o Jornalismo Compartilhado tem contribuído com a memória e o imaginário social das comunidades que, historicamente, foram e são sub-representadas ou, ainda, não representadas. É esse o ponto de partida para a construção deste artigo, a experiência que o Jornalismo Compartilhado oferece como uma alternativa teórica e prática. Desde 2000, o laboratório de ensino, pesquisa, extensão e coletivo Magnifica Mundi vem trabalhando pela democratização da comunicação no Brasil, além de proporcionar experiências diferenciadas e não hegemônicas a graduandos em Jornalismo. O coletivo oferece cursos de formação para jovens e adultos, que se tornam jornalistas populares e produzem informações dentro de suas realidades. A memória, assim, vai sendo recuperada, preservada e repassada também pelos jornalistas populares
LUTA SOCIAL E ECOLOGIA: UM ENSAIO SOBRE A EXPERIÊNCIA DOS LATINO-AMERICANOS
Pretendemos com este trabalho, em uma primeira parte, fazer uma incursão sobre os limites e possibilidades da abordagem pós-colonial na análise dos movimentos sociais a partir da exposição descritiva de duas experiências especialmente distintas de mobilização social. Em uma segunda parte, daremos foco ao conceito de experiência na análise dos movimentos sociais desde sua herança em Edward P. Thompson para uma análise crítica à luz dos aportes pós-coloniais. Compreendemos a partir deste texto, ser central a apreensão das lutas sociais latino-americanas indissociáveis à questão ecológica, pois assim se constroem as subjetividades, traduzindo as estruturas sociais segundo as experiências vividas em sua relação com o meio. Nosso trabalho reforça a contribuição dos autores pós-coloniais em “localizar” o aparato teórico-metodológico de investigação segundo as especificidades dos atores sociais, assim como, uma reflexão crítica do lugar de fala do investigador. Nos parece que estes elementos, se por um lado não encerram o paradigma latino-americano de apreensão dos movimentos sociais, por outro, são elementos imprescindíveis para captar as especificidades das lutas sociais na América Latina
A FOTOGRAFIA NOS MOVIMENTOS SOCIAIS: UM DIFUSOR DE REALIDADES
A fotografia, ao visibilizar realidades ocultas e marginalizadas, serve de ins- trumento político cada vez mais utilizado pelos movimentos sociais e por fotógrafos engajados em contextos políticos diversos. A partir de estudos teóricos sobre a história da fotografia, este trabalho propõe uma reflexão so- bre modos de ver e perceber a fotografia como um ato político. Para tal, será estudado o conceito de realidade trabalhado pelo pesquisador e fotógrafor, Boris Kossoy. Busca-se compreender a construção de uma segunda realida- de na fotografia de cunho político, em que o fotógrafo domina a fim de dar ênfase a determinados problemas sociais. Estudos sobre teoria da imagem e da sociologia da fotografia contribuem para reflexão: Vílem Flusser André Rouillé, e José de Souza Martins dão base para este trabalho. Objetiva-se, com isso, ultrapassar a discussão sobre o valor documental da fotografia para apreender o processo em que a fotografia se torna expressão dos movimentos sociais
ALUMNOS COMO COINVESTIGADORES: BUSCANDO NUEVOS SIGNIFICADOS DEL ACOSO ESCOLAR.
Una de las formas de violencia escolar que afecta de manera grave el desarrollo y el ambiente social de los estudiantes es el acoso escolar o bullying (Ortega, Del Rey & Merchan 2001; Nansel, T. et al. 2001; Prieto, 2005).
En México, la incidencia del maltrato entre pares no es lo suficientemente clara. Por una parte, hay encuestas que muestran un incremento progresivo en esta conducta, al afirmar que cinco de cada diez estudiantes agreden a otro compañero adentro o afuera de la escuela (Periódico Milenio; OCDE, 2014). En contraste, hay otros sondeos que perciben al acoso escolar como una conducta poco usual, al informar que el 7.3 por ciento de los estudiantes han reportado haber sufrido bullying (Secretaría de Educación Pública, 2014).
Una de las causas que puede explicar la diferencia en estas estimaciones está relacionada con la percepción de los estudiantes en torno al acoso escolar. Mientras un alumno cree que la intimidación entre pares es cualquier conducta agresiva; otro puede considerar al bullying como el uso de la fuerza física sobre otro compañero que se repite constantemente.
Derivado de ello, en el estudio que llevo a cabo y que forma parte de mi tesis doctoral, busco comprender cómo los estudiantes piensan, representan y experimentan el acoso escolar, a partir de una investigación con un enfoque predominantemente cualitativo. Además, dado que diversos autores sostienen que la participación estudiantil puede dar cuenta y ayudar en la problemática del acoso escolar, utilicé una metodología colaborativa, cuyo objetivo se centró en escuchar la voz de los estudiantes y en hacer de ellos co-investigadores de esta pesquisa (Hart, 1992; Shier, 2001; Pérez, 2014). Este método es conocido como Investigación-Acción Participativa Juvenil -YPAR- (Cammarota, 2008). En este escrito se presentan los resultados preliminares de esta investigación.