Portal de Periódicos da Univali (Universidade do Vale do Itajaí)
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    Subsídios para o observatório urbano costeiro da costa centro-norte de Santa Catarina: o uso de indicadores ambientais integrados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

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    A qualidade da água para fins recreativos, de contato primário, constitui a balneabilidade. A balneabilidade das praias do Estado de Santa Catarina é monitorada pelo Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA/SC), que as classifica como próprias e impróprias para uso recreativo. O presente trabalho teve como objetivo avaliar a balneabilidade das praias dos oito municípios do setor Centro-Norte catarinense, estabelecidos no Art. 3º do Decreto Estadual nº 5.010/2006, através da compilação e análise de dados oficiais do IMA no período de 2019 a 2024, e identificar possíveis fatores que afetam a sua qualidade. A partir disso, buscou-se relacionar o incremento populacional, a pluviosidade, o tratamento de esgoto sanitário com a balneabilidade das praias. Os dados referentes ao incremento populacional foram obtidos a partir da análise das estimativas da população, fornecidas pelo IBGE. Para o indicador balneabilidade, foi realizado levantamento na página web do IMA, através dos relatórios de balneabilidade. Para a coleta de dados de precipitação, foram pesquisados os dados pluviométricos no banco de dados do Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia - CIRAM da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina - EPAGRI. Contudo, para este dado, igualmente como ocorreu para o dado do saneamento básico, foi apenas levantado para o Município de Balneário Camboriú. Os resultados mostraram uma variação na qualidade das águas, com alguns municípios apresentando praias com balneabilidade abaixo dos padrões estabelecidos pela Resolução CONSEMA nº 182/2021. Em alguns anos, houve uma relação entre balneabilidade e incremento populacional. Para o Município de Balneário Camboriú, pode-se observar relação também entre pluviosidade e saneamento, e para esse parâmetro foi analisada a quantidade de oxigênio consumida por microrganismos presentes nas amostras de efluentes, medida a cada 05 dias, em temperatura de 20ºC - DBO5,20, segundo a Resolução CONSEMA nº182/2021. Tal parâmetro foi retirado dos relatórios de monitoramento da qualidade do efluente tratado, na página da web da EMASA. Essas correlações apresentadas não são percebidas como regra, podendo inferir que existem outros fatores interferindo na balneabilidade das praias dos municípios. Estes resultados destacam a importância da divulgação das análises de balneabilidade e a necessidade de que medidas sejam tomadas para gestão ambiental dos municípios, garantindo a saúde e a segurança dos usuários das praias. Outro propósito deste trabalho foi gerar subsídios para desenvolver um banco de dados permanente, na forma de um Observatório Urbano Costeiro do Setor Centro-Norte de Santa Catarina, tendo como referência os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável – ODS na dimensão ambiental. O Observatório do setor Centro-norte de Santa Catarina, formado por professores, pesquisadores e acadêmicos da Universidade do Vale do Itajaí – UNIVALI tem como objetivo ser um elo de comunicação e informação entre a academia e a sociedade. A proposta é implementar os resultados do presente projeto como uma das ações da UNIVALI buscando uma forma de entender a importância de integrar os ODS como fator indutor do desenvolvimento no setor costeiro Centro-Norte de Santa Catarina. Os dados de divulgação serão parte integrante do Observatório Urbano Costeiro da Costa Centro-Norte de Santa Catarina

    Influência do Iluminismo com a função social da propriedade dentro do ordenamento jurídico brasileiro

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    A Função Social da Propriedade, consagrada como princípio constitucional nas Constituições Federais de 1967 e 1988, não é fruto de um pensamento jusfilosófico recente, mas sim resultado de uma longa trajetória filosófica e histórica que teve início muito antes do século XX. Este trabalho tem como objetivo analisar como o Iluminismo influenciou a construção da ideia de Função Social da Propriedade, tendo como ponto de partida a compreensão de que a história do pensamento jurídico é essencial para entender os princípios vigentes na atualidade. Adotando uma abordagem qualitativa, com método indutivo e revisão bibliográfica de obras filosóficas, Constituições, doutrinas e artigos jurídicos e científicos, o estudo parte da investigação da concepção de propriedade nas sociedades anteriores ao Iluminismo, onde prevalecia a ideia de que a propriedade era um direito absoluto e vinculado ao direito divino dos reis. A crítica Iluminista, especialmente pelas obras de John Locke, defendendo a propriedade como resultado do trabalho humano, e Jean-Jacques Rousseau, que defendeu a tese de que a propriedade deveria ser voltada ao interesse coletivo, foram cruciais ao proporem essa ruptura de concepção patrimonialista vigente na época. Ainda que o Iluminismo não tenha constituído, por si só, a Função Social da Propriedade como um princípio jurídico, seus ideais estabeleceram as bases filosóficas que permitiram evoluções posteriores. A análise percorre também pela profunda contradição da aplicação prática desses ideais com a "idealizada" filosofia Iluminista. Apesar de seus valores universais de liberdade, igualdade e fraternidade, o Iluminismo falhou ao aplicar de forma coerente esses princípios na sociedade. Ainda que alguns iluministas tenham sido críticos da escravidão, como Condorcet e Rousseau, esse debate foi relativizado na época, permitindo a coexistência entre ideais de liberdade e as práticas coloniais. Um exemplo dessa contradição foi o Code Noir, documento normativo que codificava e regulava a escravidão nas colônias, representando uma monstruosidade legal ao tentar conciliar "escravidão" com "direito" - em um mesmo contexto, os termos se anulam, por representarem significados opostos. O trabalho destaca a contribuição de Leon Duguit, jurista francês que no início do século XX, sistematizou a teoria da Função Social da Propriedade como uma obrigação jurídica voltada ao bem coletivo, distanciando ainda mais essa dicotomia entre Direito Privado e Direito Público e legitimando a intervenção estatal na posse de propriedade do indivíduo, desde que tenha como objetivo, atender ao interesse coletivo. Por fim, examina-se a evolução do direito de propriedade nas Constituições Brasileiras, partindo da primeira Constituição até a atual. Observa-se que em 1824, o direito de propriedade era garantido em sua plenitude, não havendo qualquer aparição da palavra "função social" ou de seu conceito. A Constituição de 1891 - que foi a primeira Constituição após o Brasil Império - não contrapôs de forma alguma esse entendimento, mantendo quase que de forma integral como seria regido este direito. A Constituição de 1934 foi a primeira que evoluiu este conceito, ampliando a forma que a propriedade deveria ser exercida, que desta vez deveria estar voltada ao interesse social ou coletivo. A Magna Carta de 1946 recebe a característica de ter sido a primeira a implementar a necessidade da propriedade estar vinculada ao bem-estar social. Já na Constituição de 1967, a partir da Emenda Constituição nº 01/69, a Função Social da Propriedade é finalmente consagrada como um princípio, que foi resguardado na atual Constituição vigente, de 1988. Por fim, como resultado, conclui-se que a Função Social da Propriedade, embora juridicamente consolidada apenas na Idade Contemporânea, possui raízes filosóficas, transpassada por várias Eras Histórias, com uma longa trajetória de reflexões, rupturas e refinamentos conceituais, nas quais o Iluminismo teve um papel fundamental, ainda que indireto e com suas contradições

    Ensino da história e o uso de fontes: caminhos para a formação do pensamento crítico

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    É comum que o ensino de História se restrinja à reprodução do que foi transmitido ao docente, limitando o estudante a uma visão única e dificultando o desenvolvimento do pensamento crítico. Nesse sentido, o uso de fontes históricas em sala de aula torna-se essencial, pois amplia as possibilidades de interpretação, estimula a curiosidade, a criatividade e a capacidade reflexiva dos alunos.Este resumo tem como objetivo destacar a aplicação das fontes históricas (escritas e não escritas) como recurso pedagógico para a formação do pensamento crítico na aquisição de conhecimentos. Para isso, foi desenvolvida uma pesquisa de caráter qualitativo, com análise de fontes e revisão bibliográfica durante uma aula, a partir do tema que estava sendo estudado: o contexto sociocultural e político brasileiro na década de 1970.O trabalho consistiu em propor a interpretação de diferentes fontes, produção escrita, conclusão e reflexão dos resultados por meio de apresentação oral. Para tanto, a turma foi organizada em grupos, cada qual com um tipo de fonte: grupo A (fontes sonoras e visuais), grupo B (fontes orais) e grupo C (fontes textuais). Em seguida, realizou-se a apresentação e a interpretação dos documentos históricos, bem como a análise contextualizada, com produção textual a partir das observações feitas. As fontes foram exploradas a partir de três eixos: futebol, política e comportamento das classes populares brasileiras.Também ocorreram a apresentação e a discussão dos resultados, orientadas pelo professor, que buscou relacionar acontecimentos históricos com questões atuais. Foi fundamental que o docente não fornecesse respostas prontas, incentivando a participação ativa e reflexiva dos estudantes.Como resultado, os alunos chegaram a debates importantes: a forte influência do futebol durante o Regime Militar — tanto como forma de mascarar a ditadura quanto como meio de protesto — e a permanência do futebol como espaço de manifestação política. Visualizaram, por exemplo, como o governo se beneficiou da conquista da Copa do Mundo de 1970, promovendo propaganda positiva ao regime por meio do slogan “Pra Frente Brasil”. Por outro lado, também perceberam como as camadas populares encontraram no futebol instrumentos de resistência à ditadura, como no episódio entre Corinthians e Santos, em 1979, quando torcedores ergueram uma faixa com a frase “anistia ampla, geral e irrestrita”.Toda essa análise culminou em resultados como o fortalecimento da consciência crítica e a ampliação das perspectivas dos estudantes em relação ao tema. Conclui-se que, ao ensinar História, é essencial compreender que não existe uma “verdade absoluta”, mas múltiplas interpretações construídas a partir das fontes históricas. Afinal, é por meio delas que o historiador reconstrói eventos, sempre a partir de sua própria perspectiva. Sendo, portanto, indispensável a sua presença em sala de aula

    Diversidade funcional da ictiofauna de riachos costeiros

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    Riachos costeiros representam ecossistemas fundamentais para a manutenção da biodiversidade aquática, provisão de água em quantidade e qualidades adequadas e oferta de serviços ecossistêmicos. Contudo, esses ambientes sofrem pressões antrópicas intensas em regiões densamente povoadas, incluindo poluição, retirada excessiva de água, barramentos e soterramento, o que compromete a integridade ecológica e a conectividade com a bacia de drenagem. Nesse contexto, a diversidade funcional da ictiofauna configura-se como uma ferramenta relevante para diagnosticar a influência das alterações ambientais sobre as comunidades aquáticas. O presente estudo analisou a diversidade funcional de peixes em seis riachos da bacia hidrográfica do rio Itajaí-Mirim, em Santa Catarina, sendo três trechos classificados como preservados e três como degradados. As amostragens foram realizadas em outubro de 2024, com captura de peixes por pesca elétrica, identificação taxonômica, registro biométrico e análise de traços funcionais morfológicos e tróficos. As condições limnológicas locais foram avaliadas por meio de variáveis físico-químicas (oxigênio dissolvido, pH, condutividade) e físicas (largura, profundidade), enquanto a diversidade funcional foi mensurada a partir dos índices de riqueza (FRic), uniformidade (FEve) e divergência (FDiv). A análise estatística incluiu ordenações multivariadas, testes não paramétricos e modelos lineares para examinar a relação entre a diversidade funcional e as características ambientais. Foram coletados 162 indivíduos, distribuídos em 3 ordens, 10 famílias e 15 espécies. Os resultados indicaram que riachos preservados apresentaram maior divergência funcional e composição de espécies distinta em relação aos degradados evidenciada pela presença de bagres em ambientes preservados e a sua ausência nos degradados. Nos trechos degradados, predominaram espécies generalistas e tolerantes, como lambaris e cascudos de pequeno porte, que apresentam elevada capacidade de adaptação a ambientes homogêneos e com baixa complexidade estrutural. As espécies apresentaram morfologia fusiforme, corpo pequeno, robusto e comprimido lateralmente. Já em riachos preservados, foram registradas espécies com corpos mais achatados lateralmente, dorsoventralmente e alongados. Riachos com maior divergência funcional foram aqueles com maior temperatura, sinuosidade, disponibilidade de oxigênio, complexidade do substrato e conservação da vegetação ripária, enquanto a riqueza e regularidade funcional não apresentaram variação significativa em função das condições locais. Apesar disso, a composição funcional revelou-se sensível às alterações ambientais, refletindo a homogeneização dos habitats e a perda de funções ecológicas em riachos degradados. Tais resultados reforçam a importância da manutenção da vegetação ripária e da heterogeneidade do habitat como estratégias para conservação da ictiofauna e dos processos ecológicos em riachos costeiros. Este estudo contribui para a compreensão do papel das condições ambientais na determinação da diversidade funcional e evidencia a necessidade de políticas de manejo que garantam a integridade de pequenos cursos d’água, frequentemente negligenciados, mas essenciais para a conservação da biodiversidade regional e para a provisão de serviços ecossistêmicos

    Práticas corporais, saúde pública e escolas: uma revisão integrativa sobre conceitos, metodologias e operacionalizações científicas no entrelaçamento destes objetos nos campos da saúde e educação

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    Esta pesquisa teve como objetivo “analisar as relações entre práticas corporais, saúde e escola em artigos científicos disponíveis nas bases de dados Portal de Periódico CAPES, Scientific Electronic Library Online (SciELO) e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS)”. Partiu-se de uma pesquisa de Revisão Integrativa (RI) da literatura sobre o objeto de estudo. Analisar contextos e usos de práticas corporais implica problematizar quando e como este conceito é mobilizado no campo da Educação Física e que interfaces faz com educação e saúde. Metodologicamente se baseou a busca de artigos científicos nos portais CAPES, SciELO e BVS tendo os seguintes descritores de busca: ‘práticas corporais’, ‘educação’ e ‘saúde’, seguidos pelo operador booleano “and”. Para maior refinamento dos dados foram estipulados critérios de elegibilidade dos artigos, como por exemplo: a) ser publicado no brasil, b) em idioma português, c) nos anos de 2019 à 2023 (último 5 anos a partir do início desta pesquisa), d) ser artigo científico, e) em periódico revisado por pares, f) ser estudo primário, e g) estar com o link de acesso nas plataformas ativo. Inicialmente, a partir da busca seguindo os descritores supracitados nos três bancos de dados que compuseram o escopo da pesquisa, obteve-se 9588 artigos. No entanto, ao realizar o filtro de busca através dos critérios de elegibilidade foram eleitos 29 artigos para análise e discussão. As categorias elegidas foram: abordagens metodológicas das pesquisas, uso do conceito e sua operacionalização, e definições para práticas corporais. Dentre os 29 artigos analisados, destaca-se a predominância do uso de metodologias de pesquisa de cunho qualitativo, com uso de análise documental, pesquisas de campo com utilização de entrevistas e pesquisa-ação. No que se refere ao uso do termo práticas corporais verificou-se distintas formas de utilização: a) ‘práticas corporais’; b) ‘práticas corporais e atividades físicas’; e c) ‘práticas corporais /atividade. Em relação ao uso da expressão ‘práticas corporais’ de forma isolada, percebeu-se que se constitui como um conceito único para responder demandas de ordem sociocultural. Por outro lado, quando apresentada seguida do termo ‘atividades físicas’, estes se colocam como oposição um do outro, sendo atividade física direcionada para o campo biológico do corpo humano. E assim, o aditivo ‘e’ considera uma distinção de ambos conceitos. E por fim, destaque para o uso de ambos os termos empregados de forma conjunta, ‘práticas corporais/atividades físicas’, que representa que estes conceitos são sinônimos e respondem aos mesmos problemas do campo da educação física. Dos 29 artigos analisados, apenas 11 definem práticas corporais. Estas definições foram separadas em três grandes grupos: a) artigos que ao definir práticas corporais associam o conceito ao movimento humano, para além de fatores biológicos, como cultura e em oposição à atividade física; b) artigos caracterizados pelo uso do conceito de forma análoga ao de cultura corporal de movimento; e c) artigos que adotam pressupostos teóricos do campo da saúde coletiva, e assim, se vale termos como cuidado, autonomia, acolhimento e afeto para definir práticas corporais. Por fim, considera-se recorrentes os três distintos usos de práticas corporais apresentados, além dos consensos na associação de práticas corporais como forma de linguagem e de uma concepção de movimento para além do biológico, considerando aspectos culturais e históricos de cada ser humano. As divergências representadas implicam em diferentes formas de usos dos termos e conceituações, o que indica uma necessidade de mais estudos e avanços na área para produção de conceitos que possam ser mais precisos no campo da Educação Física em interface com saúde e educação, assim como, análises que se debrucem sobre as bases epistemológicas que sustentam cada uso destes termos

    Análise do risco para lesões decorrentes do posicionamento cirúrgico do paciente em um hospital público de referência em alta complexidade

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    O posicionamento cirúrgico é um procedimento que deve ser realizado com todo cuidado pela equipe cirúrgica e de enfermagem, pois pode implicar diretamente em riscos ao paciente no período intraoperatório. Para sua execução torna-se necessário o conhecimento das alterações anatômicas e fisiológicas decorrentes deste procedimento no organismo do paciente, bem como dos equipamentos e dispositivos adequados para a implementação de intervenções efetivas para a prevenção de complicações que possam ocorrer devido a permanência prolongada do paciente em posição cirúrgica. Buscou-se com esse estudo analisar o risco de desenvolvimento de lesões relacionadas ao posicionamento cirúrgico nos pacientes submetidos a cirurgias de médio e grande porte em um hospital público de referência em alta complexidade em todas as especialidades cirúrgicas a partir da aplicação da Escala de Avaliação de Risco para o Desenvolvimento de Lesões Decorrentes do Posicionamento Cirúrgico do paciente. Trata-se de uma pesquisa descritiva, exploratória e observacional com abordagem quantitativa. Os dados foram coletados na unidade de centro cirúrgico de um hospital de grande porte referência em alta complexidade da macrorregião de saúde da Foz do Rio Itajaí. A coleta de dados ocorreu entre os meses de março e julho de 2025 após a aprovação do Comitê de Ética e Pesquisa da Universidade do Vale do Itajaí. O estudo foi desenvolvido por meio da aplicação de um questionário, um instrumento com dados de identificação dos pacientes, tipo de cirurgia e especialidade e a escala de avaliação de risco para o desenvolvimento de lesões decorrentes do posicionamento cirúrgico do paciente para avaliação do escore. Para a realização da coleta de dados, houve o primeiro contato com os pacientes ou familiares no intuito de fornecer as primeiras explicações acerca da pesquisa. Após a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, realizou-se o preenchimento do instrumento com dados de perfil clínico, e na sequência acompanhado os pacientes até a sala operatória, onde foi aplicado a escala referida após o paciente estar posicionado na mesa operatória para a cirurgia. A pesquisa contou com a participação de 116 pacientes, dos quais 52,5% eram do sexo masculino. Em relação a idade a maioria dos participantes estavam na faixa etária entre 40 e 59 anos (37,9%), apesar da idade média ser de 55,4 anos entre os pacientes do estudo. No que tange ao momento operatório destaque para os procedimentos eletivos (54%), e quanto a especialidade cirúrgica a maior frequência ficou com os procedimentos vinculados a ortopedia (48,2%). Outro dado a se destacar é em relação ao Índice de Massa Corporal (IMC) onde 48,8% encontravam-se com o índice alterado para mais no momento da cirurgia. Quando avaliados quanto ao risco de lesões decorrentes do posicionamento cirúrgico, 67 pacientes (57,8%) do estudo obtiveram pontuação igual ou superior a 20, sendo assim, classificados como maior risco de desenvolverem lesões em virtude do posicionamento cirúrgico no período intraoperatório. Entendemos que a atuação do enfermeiro deve estar pautada no processo de avaliação do paciente durante o período perioperatório, buscando melhorar a assistência prestada ao paciente cirúrgico. Esperamos que o presente estudo possa contribuir para o meio acadêmico acerca da temática, através da valorização das práticas de enfermagem por meio da interação com pacientes e profissionais no setor, fortalecendo o vínculo ensino e pesquisa, além de proporcionar subsídios para o planejamento dos cuidados realizados e interesse em pesquisas futuras relacionadas ao tema, com possível aplicabilidade da escala ELPO nas rotinas hospitalares das instituições

    Seletividade alimentar no autismo infantil: uma revisão narrativa

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    A seletividade alimentar é um comportamento comum em crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), caracterizado pela recusa persistente de diversos alimentos e pela manutenção de preferências alimentares restritas, o que pode levar a deficiências nutricionais significativas e complicações de saúde que impactam negativamente o desenvolvimento físico, cognitivo e social. Este estudo de revisão narrativa aborda a seletividade alimentar em crianças com TEA, destacando causas, consequências e estratégias de intervenção descritas na literatura. A metodologia consistiu em uma investigação detalhada nas bases de dados PubMed e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), resultando na seleção de 19 artigos para análise crítica. Os achados evidenciam que a seletividade alimentar está fortemente associada a fatores como hipersensibilidade sensorial, dificuldades relacionadas a texturas, sabores e odores, rigidez comportamental, neofobia alimentar e experiências negativas prévias com a alimentação. Como consequência, observa-se a prevalência de dietas pobres em frutas, vegetais e proteínas, associadas ao consumo excessivo de carboidratos simples e ultraprocessados. Esse padrão alimentar contribui para o desenvolvimento de deficiências de micronutrientes essenciais, como vitaminas A, B12, D, ferro e ácido fólico, além de provocar desequilíbrios energéticos que podem se manifestar tanto como desnutrição quanto como sobrepeso ou obesidade. Os estudos também apontam que crianças com TEA apresentam maior prevalência de distúrbios gastrointestinais, como constipação, refluxo e dores abdominais, condições frequentemente associadas a alterações da microbiota intestinal, que podem agravar a seletividade e comprometer ainda mais a absorção de nutrientes. Nesse contexto, a compreensão da relação entre seletividade alimentar, alterações metabólicas e predisposição genética, como polimorfismos que afetam o metabolismo do folato e das vitaminas do complexo B, torna-se essencial para direcionar estratégias terapêuticas. Entre as medidas de intervenção destacam-se a suplementação nutricional específica, a introdução gradual e planejada de novos alimentos, a terapia cognitivo-comportamental (TCC) e a Análise do Comportamento Aplicada (ABA), que utilizam reforço positivo e dessensibilização sensorial como ferramentas para ampliar a aceitação alimentar. A atuação interdisciplinar é apontada como fundamental, reunindo vários profissionais, com intuito de elaborar planos individualizados que considerem as particularidades sensoriais e comportamentais de cada criança. Conclui-se que a seletividade alimentar em crianças com TEA constitui um desafio complexo e multifatorial, que exige estratégias terapêuticas integradas, contínuas e personalizadas, capazes de prevenir deficiências nutricionais, favorecer o bem-estar e promover um desenvolvimento saudável. Ainda assim, ressalta-se a necessidade de mais estudos que aprofundem a relação entre seletividade alimentar, fatores ambientais, bem como o desenvolvimento de intervenções nutricionais inovadoras que possam ampliar a aceitação alimentar e garantir melhor qualidade de vida às crianças e suas famílias

    Territorialização em saúde: relato de experiência sobre a atualização geoespacial de duas regionais da rede ESF em Itajaí

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    A territorialização é um dos pilares fundamentais para a organização e efetividade da Atenção Primária à Saúde (APS), pois possibilita o conhecimento aprofundado da realidade local e a organização das ações em saúde a partir das necessidades da população. No âmbito da Estratégia Saúde da Família (ESF), mapas territoriais atualizados são instrumentos estratégicos para a gestão e planejamento, já que subsidiam a alocação de recursos, a identificação de vulnerabilidades e a definição de prioridades de intervenção. Contudo, observa-se que, em muitas realidades, os mapas geoespaciais encontram-se desatualizados, comprometendo a qualidade das informações disponíveis e, consequentemente, a eficiência da gestão em saúde. Diante desse contexto, a atualização, padronização e integração da representação geoespacial em Itajaí torna-se uma necessidade premente, tanto para a gestão quanto para a prática das equipes de saúde. Atualizar, padronizar e integrar a representação geoespacial de duas regionais da Rede ESF de Itajaí e das respectivas regionais de saúde, de modo a subsidiar a gestão e fortalecer o processo de territorialização na APS. Trata-se de um relato de experiência desenvolvido durante o estágio supervisionado em saúde coletiva. As atividades foram conduzidas em duas regionais da Rede ESF de Itajaí, envolvendo as Unidades Básicas de Saúde (UBS) e suas microáreas. O processo metodológico incluiu: (1) levantamento bibliográfico sobre territorialização em saúde e sua relevância para a gestão da APS; (2) diagnóstico situacional para identificação das fragilidades decorrentes da desatualização dos mapas; (3) realização de rodas de conversa com as equipes de ESF das regionais selecionadas, para levantamento de demandas e discussão coletiva sobre os territórios; (4) atualização dos mapas geoespaciais, incorporando os dados coletados em campo e as contribuições das equipes; (5) padronização da representação cartográfica, visando integrar os mapas territoriais às necessidades da rede municipal de saúde. A experiência possibilitou a construção de mapas geoespaciais atualizados e padronizados, que passaram a refletir com maior fidedignidade a realidade territorial das duas regionais de saúde estudadas. As rodas de conversa permitiram identificar fragilidades relevantes, como microáreas desatualizadas, limites territoriais pouco claros e ausência de registro de novos equipamentos comunitários. A integração das contribuições das equipes favoreceu a adequação dos mapas às práticas de cuidado cotidianas e fortaleceu o vínculo entre profissionais e território. Ademais, observou-se maior apropriação por parte das equipes quanto à importância da territorialização como ferramenta de planejamento, além da identificação da necessidade de dar continuidade ao processo nas demais regionais da rede. A atualização geoespacial das regionais estudadas mostrou-se uma ação estratégica para fortalecer a gestão em saúde, melhorar o planejamento territorial e qualificar o trabalho das equipes da ESF. A experiência evidenciou que a participação ativa dos profissionais nas rodas de conversa potencializou a construção coletiva dos mapas, conferindo maior legitimidade e aplicabilidade ao processo. Recomenda-se que a iniciativa seja expandida para as demais regionais de saúde do município, consolidando a territorialização como prática contínua, integrada e essencial para a APS

    Avaliação in vitro dos efeitos de um novo agonista PPARƴ sobre a neuroinflamação

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    Os casos de câncer têm aumentado significativamente, sendo uma das principais causas de morte e uma barreira importante para o aumento da expectativa de vida, visto que a terapêutica anticâncer está associada a uma importante toxicidade, destacando-se a neuropatia periférica induzida por quimioterapia. Dois dos quimioterápicos mais utilizados para tratar o câncer, o paclitaxel e a oxaliplatina, são responsáveis pela indução de neuropatia periférica altamente debilitante, provocada por mecanismos neuroinflamatórios. Pesquisas recentes têm demostrado a capacidade de receptores ativados por proliferadores de peroxissoma, especialmente o PPARγ, em proporcionar um efeito anti-hiperalgésicos, reduzindo o estresse oxidativo e a inflamação em modelos de dor neuropática. O projeto proposto visou investigar os efeitos da glitazona D3 em células BV-2 (micróglia) a fim de avaliar suas implicações sobre a neuroinflamação. Para tal, as células foram mantidas em cultivo e posteriormente estimuladas com LPS (1 µg/mL) co-tratados ou não com o composto D3 (0,1, 1 ou 10 µM). No sobrenadante do cultivo destes ensaios, foram mensurados os níveis de NO2 -, de proteínas totais, e da citocina TNF. Para a avaliação da possível citotoxicidade do composto, foi realizado o ensaio de MTT. Além disso, foi realizado um teste piloto de estímulo das células in vitro com os quimioterápicos paclitaxel e oxaliplatina, para verificar a resposta das mesmas frente ao estímulo. Os resultados obtidos demonstram que o agonista D3 é capaz de modular respostas neuroinflamatórias, diminuindo significativamente as concentrações de TNF, uma importante citocina mediadora de processos inflamatórios, bem como de NO2-. As células estimuladas com os quimioterápicos não demonstraram alterações na produção de mediadores como NO2-. Por meio do teste de MTT, foi possível concluir que o agonista D3 não demonstrou atividade citotóxica sobre as células, em nenhuma das concentrações testadas. Ademais, durante o período experimental, foi desenvolvido e aplicado um novo equipamento no laboratório para avaliação automatizada de comportamento animal, o qual será utilizado em posteriores testes com a molécula. Estudos seguem em andamento para a avaliação de possíveis mecanismos biológicos e moleculares envolvidos

    Recursos e técnicas utilizados em aplicativos móveis para prevenção do suicídio: uma revisão de escopo

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    O suicídio representa uma das principais causas de mortalidade no mundo e sua prevenção exige intervenções multissetoriais e inovadoras. O uso de aplicativos móveis vem sendo apontado como estratégia promissora para ampliar o acesso a recursos de saúde mental, em especial entre jovens e adultos em situação de vulnerabilidade. O presente estudo teve como objetivo mapear, por meio de uma revisão de escopo, os recursos e técnicas empregados em aplicativos digitais voltados à prevenção do comportamento suicida. A busca foi realizada em seis bases de dados (PubMed, PsycINFO, Portal CAPES, ScienceDirect, Cochrane Library e Embase), abrangendo o período de 2015 a 2025, com publicações em português, inglês e espanhol. Inicialmente, foram identificados 1.827 registros, dos quais, após triagem e leitura completa, 16 estudos atenderam aos critérios de elegibilidade. A análise revelou que os recursos mais frequentes foram plano de segurança digital, acesso a contatos de emergência, estratégias de enfrentamento, monitoramento de humor e caixa virtual de esperança. Esses elementos compõem o núcleo funcional dos aplicativos, frequentemente complementados por psicoeducação, exercícios de mindfulness, ferramentas de distração e comunicação com profissionais de saúde. Os resultados indicam que, apesar do potencial dessas soluções digitais, persistem lacunas quanto à validação de conteúdo, à adaptação cultural e à integração aos serviços de saúde. Conclui-se que aplicativos móveis configuram instrumentos relevantes para a prevenção do suicídio, desde que baseados em evidências científicas, ajustados ao contexto local e articulados com redes de apoio formais e informais

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