Portal de Periódicos da Univali (Universidade do Vale do Itajaí)
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    Análise de autenticidade de tintura de guaco comercializados em farmácias magistrais de Itajaí – SC

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    A crescente demanda por medicamentos fitoterápicos tem impulsionado o uso de insumos vegetais em farmácias magistrais, evidenciando fragilidades nos processos de qualificação de fornecedores e controle de autenticidade desses materiais. Considerando que a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 67/2007 isenta farmácias da obrigatoriedade de testar a autenticidade de insumos provenientes de fornecedores qualificados, este estudo teve como objetivo investigar, por meio de ensaios laboratoriais, a autenticidade da tintura de guaco (Mikania glomerata), uma das espécies medicinais mais utilizadas na prática magistral brasileira. Foram adquiridas seis amostras de tintura de guaco em farmácias magistrais do município de Itajaí-SC, as quais foram submetidas à análise de densidade relativa, resíduo seco, identificação de cumarina por Cromatografia em Camada Delgada (CCD) e quantificação do marcador químico por Cromatografia Líquida de Alta Eficiência (CLAE). A presença de cumarina foi confirmada em todas as amostras por meio de comparação cromatográfica com padrão de referência em CCD. Os resultados obtidos por CLAE evidenciaram variações expressivas no teor de cumarina, oscilando entre 0,35% e 1,4%, em relação ao resíduo seco. Os valores de densidade relativa variaram entre 0,8974 g/mL e 0,9289 g/mL, enquanto o resíduo seco apresentou resultados de 1,0% a 2,2%, parâmetros compatíveis com os limites estabelecidos para tinturas hidroalcoólicas. Apesar disso, a ampla variação nos teores do marcador químico entre as amostras aponta para a ausência de padronização nos processos extrativos empregados pelos fornecedores desse insumo às farmácias, o que pode comprometer a reprodutibilidade e a eficácia terapêutica do fitoterápico. Os ensaios realizados demonstram que a rotulagem das preparações como “tintura de guaco” não assegura, por si só, a autenticidade e a equivalência entre os produtos manipulados. Conclui-se que a análise laboratorial é uma ferramenta essencial para validar a identidade química de preparações vegetais manipuladas, sendo fundamental a adoção de critérios mais rigorosos de controle de qualidade no contexto magistral, a fim de garantir segurança, padronização e eficácia terapêutica aos usuários de fitoterápicos

    Avaliação do efeito antiurolítico das folhas de Calophyllum brasiliense em modelo de cálculo urinário in vivo

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    A urolitíase, ou pedra nos rins, configura-se como um problema de saúde pública mundial por ser uma das doenças mais comuns do trato urinário, acometendo entre 2% e 20% da população global e apresentando taxas de recorrência de 30% a 50% em cinco anos. Trata-se de uma condição multifatorial associada a fatores de risco como histórico familiar, obesidade, diabetes, sexo, idade e origem racial, sendo considerada fator predisponente para o desenvolvimento de hipertensão, doenças cardiovasculares e complicações renais graves. Atualmente, os tratamentos disponíveis não apresentam eficácia satisfatória para a cura ou prevenção da doença, uma vez que os medicamentos atuam principalmente no alívio da dor e dos sintomas, sem interferir de forma efetiva na dissolução ou eliminação dos cálculos. Diante disso, a busca por novas substâncias com atividade antiurolítica constitui uma necessidade clínica relevante. O presente estudo teve como objetivo avaliar a atividade antiurolítica da fração aquosa obtida das folhas de Calophyllum brasiliense em modelo experimental de cálculo urinário in vivo. Foram utilizados ratos machos da linhagem Wistar, distribuídos em grupos experimentais. O grupo naive recebeu apenas água, enquanto os demais grupos foram submetidos à indução de urolitíase por adição de etilenoglicol a 1% e cloreto de amônio a 1% na água de beber durante dez dias. O grupo veículo não recebeu tratamento, o grupo tratado com hidroclorotiazida (5 mg/kg) serviu como controle positivo, e os grupos tratados com C. brasiliense receberam doses orais de 10, 30 e 100 mg/kg do extrato. Foram avaliados peso corporal, mortalidade, parâmetros urinários, bioquímicos séricos, além de análises histológicas, oxidativas e inflamatórias no tecido renal. Os resultados demonstraram que os grupos tratados com o extrato nas doses de 10 e 30 mg/kg apresentaram 100% de sobrevivência semelhante ao grupo naive, enquanto os grupos 100 mg/kg e hidroclorotiazida apresentaram mortalidade semelhante ao veículo. Todos os grupos submetidos à indução apresentaram perda de peso em relação ao naive. O tratamento com 30 mg/kg promoveu aumento significativo do volume urinário, sem alterações no pH, condutividade ou níveis urinários de sódio e potássio. Quanto à atividade antiurolítica, observou-se redução significativa do número total de cristais, bem como das formas mono e dihidratadas, nos grupos tratados com hidroclorotiazida e com o extrato em todas as doses, quando comparados ao veículo. No peso relativo dos órgãos, apenas a dose de 100 mg/kg provocou aumento significativo no peso renal. Os exames séricos revelaram que a indução promoveu aumento de ureia, fosfato e creatinina, alterações normalizadas pela hidroclorotiazida e pelo tratamento com C. brasiliense na dose de 30 mg/kg. Nos marcadores de estresse oxidativo, verificou-se que o veículo promoveu aumento de GSH e SOD, enquanto reduziu a atividade de GST. O tratamento com C. brasiliense modulou esses parâmetros, promovendo redução de GSH e aumento da atividade de GST na dose de 30 mg/kg, além de reduzir significativamente os níveis de LOOH em todas as doses. Nos parâmetros inflamatórios, constatou-se que a atividade da MPO foi significativamente reduzida pelos tratamentos de 10 e 30 mg/kg, enquanto a NAG permaneceu elevada em todos os grupos e os níveis de nitrito não apresentaram alterações relevantes. Os resultados indicam que o extrato aquoso de Calophyllum brasiliense apresenta efeito antiurolítico significativo, evidenciado pela atividade diurética, pela redução da cristalúria e pela melhora dos parâmetros bioquímicos séricos, além de modular marcadores de estresse oxidativo e inflamação no tecido renal. Esses achados sustentam o potencial terapêutico da espécie no manejo da urolitíase e sugerem que seus efeitos estejam relacionados à promoção da diurese e à modulação de processos oxidativos e inflamatórios, representando recurso promissor para novas abordagens terapêuticas nessa condição

    Depressão pós-parto em contexto de gestação de alto risco

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    O puerpério constitui um período marcado por intensas transformações físicas, emocionais e sociais, que podem ser potencializadas em mulheres com gestação de alto risco. Nessas circunstâncias, o risco de desenvolver depressão pós-parto é ampliado, sobretudo quando associado a comorbidades maternas. A depressão pós-parto, além de comprometer a saúde da mulher, pode afetar negativamente o vínculo mãe-bebê e o desenvolvimento infantil. Nesse contexto, a utilização da Escala de Depressão Pós-Parto de Edimburgo constitui ferramenta fundamental para o rastreamento precoce de sintomas depressivos. Trata-se de um instrumento validado, de fácil aplicação e interpretação, que pode ser incorporado de maneira efetiva às consultas de puericultura e de acompanhamento puerperal, permitindo identificar mulheres em situação de vulnerabilidade psicológica e direcionar intervenções oportunas. Este estudo, vinculado a um projeto de iniciação científica em Enfermagem e a um macroprojeto sobre o cuidado no pré-natal de alto risco, tem como objetivo identificar as comorbidades mais prevalentes em puérperas com maior risco de depressão pós-parto. Trata-se de uma pesquisa de natureza básica, exploratória, observacional, descritiva e de abordagem quantitativa, realizada em um ambulatório de gestação de alto risco. Por envolver seres humanos, o estudo foi submetido e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP). A amostra inicial foi composta por 279 mulheres atendidas entre 2023 e 2024. Para o presente recorte, foram incluídas as participantes que obtiveram escore ≥12 na Escala de Depressão Pós-Parto de Edimburgo (EPDS), ponto de corte utilizado para indicar risco elevado de sintomas depressivos. A amostra final resultou em 54 mulheres (19,35% do total). Nesta etapa parcial da pesquisa, procedeu-se à análise da prevalência do risco de depressão pós-parto e à associação com fatores de risco maternos e gestacionais previamente identificados nos prontuários clínicos e durante o acompanhamento pré-natal, como presença de comorbidades, histórico obstétrico e condições sociais. A prevalência de patologias na gestação é classificada em: patologias na gestação atual (desenvolvidas durante a gestação) e prévias à gestação (presentes antes da gestação). Essa análise resultou nos seguintes dados: 61,11% de prevalência de patologias na gestação atual e 59,26% de prevalência de patologias prévias à gestação. Entre as patologias que vieram a se desenvolver durante a gestação identificou-se duas de maior prevalência: a doença hipertensiva/pré-eclâmpsia com taxa de prevalência de 16,67% e a diabetes mellitus gestacional com 35,19% de taxa de prevalência. Além disso, entre os usuários que tinham essas patologias a maioria apresentava obesidade ou sobrepeso associado, sendo prevalente em usuários com doença hipertensiva/pré-eclâmpsia. A patologia de maior prevalência prévia à gestação foram as doenças psiquiátricas graves com a prevalência de 27,78%, seguido da hipertensão arterial descompensada com 7,41% de prevalência, mesmo índice de prevalência das tireoidopatias. Entre outros fatores de risco analisados estão os individuais e sociais demonstrando prevalência: mulher de raça negra (20,37%), tabagista ativa (11,10%) e > 40 anos. O histórico de transtornos mentais é considerado um importante fator de risco para depressão pós-parto e consta na EPDS como um dos itens a serem preenchidos, porém não exclui a necessidade da avaliação de outros fatores de risco associados. Os resultados parciais indicam que, embora o histórico de transtornos mentais permaneça como fator de risco predominante para a depressão pós-parto, patologias gestacionais (como diabetes mellitus gestacional e doença hipertensiva/pré-eclâmpsia), condições prévias (hipertensão e tireoidopatias) e fatores sociais (idade avançada, raça negra, tabagismo) também se associam de forma significativa ao risco aumentado. Esses achados ressaltam a necessidade de uma abordagem ampliada no rastreamento durante o pré-natal e puerpério, considerando múltiplos fatores de risco para além dos sintomas avaliados pela EPDS. Futuramente, recomenda-se ampliar a integração de variáveis clínicas e sociais na avaliação sistemática da saúde mental materna

    Bio Goods: um Bobbie Goods sobre a ciência da limpeza das mãos em um livreto educativo para crianças

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    Em cumprimento à Resolução n.º 7 MEC/CNE/CES, de 18 de dezembro de 2018, Meta 12.7 da Lei nº 13.005/2014 e Resolução N.º 123/CONSUN/2021, ações de extensão promovem a curricularização da extensão por meio de atividades desenvolvidas pelos acadêmicos. Nesse contexto, um livreto para colorir intitulado “Amigos da Limpeza” em alusão ao Bobbie Goods foi desenvolvido pelos acadêmicos da disciplina de Química Orgânica e Inorgânica do curso de Ciências Biológicas, sendo caracterizado pelos estudantes como Bio Goods - Bobbie Goods da Ciência. Visando mostrar a importância da Química na área da saúde, a temática foi relacionada a função orgânica álcool. O livreto apresenta ilustrações criadas pelos acadêmicos retratando cinco personagens que descobriram dois grandes aliados que ajudam a manter as mãos limpas e protegidas como álcool em gel, assim como, a água e sabão. Ainda, o ambiente da história contou com a presença dos personagens em uma aula de laboratório, promovendo a ambiente da ciência para crianças. Este livreto foi entregue para 14 crianças entre 6 e 11 anos do Instituto Rio Allegro, localizado em Camboriú/SC, logo após uma oficina temática com experimentação utilizando álcool gel, sendo recebido com grande entusiasmo. Em relação a formação dos acadêmicos tem-se os seguintes relatos: “Uma experiência incrível! Desde o planejamento do projeto até a entrega dos livros para as crianças, foi tudo encantador. Ver o interesse e o sorriso no rosto de cada criança foi magnífico!”; “Fiquei feliz de poder participar ativamente de um projeto tão importante quanto esse, podendo ver que meus desenhos podem sim mudar o mundo”; “Consegui enxergar além do aprendizado e conscientização para as crianças em relação a higiene como também um passatempo divertido”. Do ponto de vista da professora responsável pela disciplina verificou-se a possibilidade e motivação da aplicação de habilidades pessoais dos alunos como o desenho criativo evidenciando a contribuição na área de formação acadêmica. Por fim, além da formação de recursos humanos em extensão com intercâmbio de saberes na promoção da saúde com desenvolvimento de materiais educativos, a ação inspirou a continuidade dos acadêmicos em ações de extensão da Univali, avançando na ideia do Bio Goods - Bobbie Goods da Ciência, assim como, inclusão de uma das bolsistas como bolsista do projeto Química Social

    Saúde global e clima: perspectivas da aprendizagem interprofissional no Projeto Interprofessional Learning in Climate and Health (IP LINC)

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    De acordo com o Intergovernamental Panel on Climate Change (IPCC) e as Nações Unidas, mudanças climáticas são um dos principais desafios no Século 21, e um dos maiores obstáculos para obtenção dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030. Segundo dados do United Nations Framework Convention on Climate Change (UNFCCC), uma mudança climática é toda aquela que interfere direta ou indiretamente nas atividades humanas, geradas por alterações da composição da atmosfera global e dos recursos naturais em comparação a outros períodos do tempo. Inclui-se, desmatamento, urbanização descontrolada, alto consumo, eliminação descontrolada de resíduos e queima de combustíveis fósseis, como fatores desencadeantes das mudanças climáticas atuais (1). Tais ocorrências, acentuam problemas relacionados à saúde global, como a incidência de doenças respiratórias causadas por dispersões de dióxido de carbono (CO²), precipitações torrenciais, insegurança alimentar e entre outros agravos não visíveis, assim como o adoecimento psicossocial de populações atingidas pelas mudanças do clima. Adicionalmente, estas incidências levam a sobrecarga dos sistemas de atenção à saúde, intensificando esta problemática (2). Neste cenário, a saúde global demanda de abordagens interprofissionais que provam a colaboração entre estudantes e profissionais de distintas áreas de formação, preparando-os para atuar diante de crises populacionais complexas. O IP LINC (Interprofessional Learning in Climate and Health) surge como uma iniciativa inovadora que articula ensino, pesquisa e prática colaborativa em saúde, com foco na associação entre clima e bem-estar populacional. Por meio de atividades desenvolvidas em caráter internacional e interdisciplinar, o programa buscou fortalecer competências acadêmicas e profissionais, voltadas à sustentabilidade, equidade e enfrentamento dos desafios em saúde global. O presente estudo tem como objetivo relatar a experiência vivenciada durante a participação projeto internacional, desenvolvido pelo programa de Mestrado em Saúde e Gestão do Trabalho, denominado IP LINC, evidenciando os aprendizados decorrentes das atividades interprofissionais realizadas e sua relevância para a formação acadêmica em saúde. Trata-se de um relato de experiência, fundamentado na observação participante ao longo de uma semana de atividades o segundo semestre de 2025. As ações compreenderam encontros presenciais, debates em grupo, análise de casos e pesquisa científica relacionados aos impactos climáticos na saúde populacional, além da elaboração coletiva de propostas de intervenções de cenários climáticos na saúde populacional, além de elaboração coletiva de propostas de intervenções para cenários globais e locais. A dinâmica metodológica, baseou-se na participação de professores, profissionais e estudantes de diferentes cursos da área da saúde, entre eles enfermeiros, terapeutas ocupacionais e fisioterapeutas. Tais ações foram mediadas por professores da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), Western Norway University of Applied Sciences (HVL) e University of New England (UNE). Os resultados obtidos foram positivos, visto que, o trabalho colaborativo na compreensão dos efeitos das mudanças climáticas sobre saúde, é extremamente necessário e relevante, especialmente na construção acadêmica de futuros profissionais de saúde. A vivência demonstra ganhos na ampliação do pensamento crítico, no reconhecimento da interdependência entre fatores ambientais e condições clínicas, e no fortalecimento de habilidades de comunicação interprofissional e cultural. As discussões permitiram identificar desafios comuns a diversos contextos, como a vulnerabilidade de grupos específicos e a necessidade de efetivação de políticas públicas voltada à práticas sustentáveis. Conclui-se que a participação no IP LINC contribuiu de maneira significativa para o desenvolvimento de competências interprofissionais voltadas ao enfrentamento das mudanças climáticas na perspectiva da saúde global. A vivência proporcionou não apenas a integração entre saberes, mas também a sensibilização para o papel social de futuros profissionais de saúde na promoção da equidade e sustentabilidade. Tais experiências reforçam a relevância da educação interprofissional global, como estratégia formativa que apontam caminhos para a construção de sistemas de saúde mais resilientes e preparados frente às crises climáticas

    Panorama epidemiológico de distúrbios gastrointestinais pediátricos em uma cidade litorânea na Noruega de 2024 a 2025

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    Distúrbios gastrointestinais são condições que afetam digestão, absorção e excreção, podendo ser agudos ou crônicos. Tais doenças representam uma das principais causas de morbimortalidade pediátrica mundial. Estima-se que 24,7% das crianças de 0 a 3 anos e 25% das de 4 a 18 anos apresentem algum distúrbio gastrointestinal. Mesmo em países desenvolvidos, como a Noruega, onde há saneamento e saúde universais, quadros como gastroenterites, colites e síndromes funcionais intestinais persistem, exigindo atenção a fatores como dieta, estilo de vida, contaminação hídrica e vulnerabilidades regionais. Este estudo retrospectivo, de natureza quantitativa, analisou dados de crianças e adolescentes (0 a 18 anos) atendidos no sistema público de saúde de uma cidade norueguesa litorânea, entre abril de 2024 e abril de 2025, totalizando 677 diagnósticos agrupados em quatro categorias: doenças infecciosas, distúrbios funcionais, doenças inflamatórias intestinais (DII) e sintomas gastrointestinais diversos. Na categoria infecciosa, foram identificados 58 casos, predominando gastroenterite e colite de causa não especificada (32), seguidas de diarreia e gastroenterite presumivelmente infecciosas (9). Enterites virais, como rotavírus e adenovírus, somaram 8 registros, e infecções bacterianas por Campylobacter e Clostridium difficile, 9 casos. Os distúrbios funcionais somaram 213 diagnósticos, com destaque para constipação funcional (183), síndrome do intestino irritável (24) e diarreia funcional (6). Já as DII constituíram o grupo mais prevalente, com 214 casos, sendo 99 de doença de Crohn e 115 de colite ulcerativa. Os sintomas diversos abrangeram 192 ocorrências: náuseas e vômitos (91) e dor abdominal em diferentes formas (101). Os resultados evidenciam predominância de distúrbios funcionais e inflamatórios, mesmo em um país com elevado padrão de vida. A prevalência de constipação, síndrome do intestino irritável e DII sugere influência de fatores como alimentação industrializada, baixa ingestão de fibras, sedentarismo infantil, além de estresse e ansiedade. A menor ocorrência de infecções virais e bacterianas confirma a eficácia das políticas de saneamento, sem excluir riscos ocasionais. O acesso universal à saúde contribui para o diagnóstico precoce e acompanhamento clínico, reforçando a relevância de sistemas públicos robustos. Contudo, a elevada incidência de quadros funcionais e inflamatórios indica que variáveis ambientais e comportamentais continuam a impactar a saúde infantil. Assim, mesmo em contextos de alta qualidade de vida, a saúde digestiva pediátrica requer atenção contínua. Estratégias preventivas e educativas voltadas a alimentação equilibrada, promoção da atividade física e cuidados com saúde mental são fundamentais para reduzir impactos. Os achados ressaltam a importância da integração entre políticas públicas, educação em saúde e monitoramento epidemiológico, reforçando que determinantes sociais influenciam diretamente a prevalência de distúrbios gastrointestinais em crianças e adolescentes

    Adequações territoriais da Estratégia Saúde da Família: enfrentando o crescimento populacional de um município litorâneo de Santa Catarina

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    A territorialização constitui um eixo estratégico da Atenção Primária à Saúde (APS), uma vez que organiza o processo de trabalho das equipes e permite que os serviços sejam planejados conforme o perfil demográfico, epidemiológico e social da população. Essa ferramenta orienta a distribuição dos recursos, promove a equidade e possibilita maior efetividade das ações de cuidado. Em municípios litorâneos, como Itajaí (SC), observa-se um crescimento populacional acelerado, intensificado pela expansão urbana, atividades portuárias, turismo e migração, o que impacta diretamente a rede de serviços de saúde. Entre 2010 e 2022, a população local passou de 183.373 para 264.054 habitantes, com projeção de atingir 294.850 em 2025, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse aumento, aliado à elevada densidade demográfica, impõe desafios à Estratégia Saúde da Família (ESF), que se constitui como principal dispositivo da APS no Brasil. Nesse contexto, avaliar a adequação e a expansão das equipes de saúde em relação à dinâmica demográfica torna-se essencial para assegurar cobertura eficiente, equidade no acesso e sustentabilidade do sistema. Esse estudo tem como objetivo avaliar a adequação das equipes de ESF em Itajaí (SC) frente ao crescimento populacional, identificando a necessidade de redistribuição territorial e de ampliação do número de equipes. Trata-se de um estudo descritivo-analítico, de caráter documental, fundamentado em dados secundários. Utilizaram-se informações do Censo Demográfico 2022, projeções populacionais oficiais do IBGE para 2025 e os parâmetros preconizados pelo Ministério da Saúde para cobertura por equipe de ESF, que varia de 2.000 a 3.500 habitantes por equipe. A análise foi realizada em duas etapas: inicialmente, calculou-se a taxa de adequação populacional considerando a população total e o número atual de equipes implantadas. Posteriormente, estimou-se o quantitativo ideal de equipes necessário para suprir a demanda prevista para 2025. A comparação entre o número existente e o número ideal permitiu identificar o déficit de cobertura, bem como projetar estratégias de expansão progressiva. Os resultados revelaram que atualmente, Itajaí conta com 77 equipes de ESF distribuídas entre áreas urbanas e periurbanas. Com base na projeção populacional de 294.850 habitantes para 2025, estimou-se a necessidade de aproximadamente 84 equipes para garantir cobertura dentro dos parâmetros ministeriais. Esse cenário evidencia um déficit de sete equipes, o que reforça a sobrecarga de algumas unidades já existentes. Em resposta a essa demanda, a gestão municipal iniciou processo de ampliação gradual da rede, com a implantação de duas novas equipes e a organização de outras três, em fase de estruturação. Essa expansão progressiva representa um esforço para corrigir as desigualdades territoriais e minimizar os impactos do crescimento populacional acelerado sobre a APS. Além de ampliar o número de equipes, observa-se a necessidade de reavaliar o desenho territorial, visando melhor alocação dos recursos humanos, maior proximidade das equipes às comunidades e fortalecimento da integralidade da atenção. Portanto, concluímos que o crescimento demográfico acelerado de Itajaí (SC) evidencia a necessidade de ajustes permanentes na distribuição territorial das equipes de ESF. A expansão planejada, combinada com estratégias de gestão territorial, mostra-se fundamental para assegurar equidade no acesso, qualidade da atenção e sustentabilidade da APS em municípios com alta dinâmica populacional

    A utilização dos protocolos de avaliação audiológica infantil no Brasil na última década

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    Para o diagnóstico audiológico infantil os fonoaudiólogos dispõem de uma bateria de testes, sendo que um teste complementa ou válida outro para um melhor diagnóstico audiológico. O objetivo deste trabalho foi verificar o estado da arte da literatura brasileira quanto a utilização dos protocolos de avaliação audiológica infantil no Brasil na última década, nas diferentes populações infantis. Esta pesquisa consistiu de uma revisão integrativa da literatura a qual limitou-se a analisar somente artigos cujas pesquisas foram realizadas no Brasil, o estudo contou com cinco fases 1ª Fase - elaboração da pergunta norteadora, 2ª e 3ª Fases - busca ou amostragem na literatura e coleta de dados propriamente dita ,4ª Fase - análise crítica, e por fim a 5ª Fase - discussão dos resultados. Do total de artigos encontrados 128, foram incluídos apenas 20, que atenderam aos critérios de pesquisa: artigos publicados em Português até o ano de 2024, sem limite mínimo de data. Na leitura e análise dos artigos foi possível identificar 3 categorias de temáticas: 1. Avaliação auditiva eletrofisiológica (n=8); 2. Avaliação auditiva básica (n=5), e por fim 3. Avaliação auditiva combinada,exames eletrofisiológicos e básicos (n=8). A maioria dos estudos envolveu protocolos que usavam somente avaliação eletrofisiológica e/ou avaliação auditiva combinada entre eletrofisiológicos e básicos. A população predominante foram neonatos e bebês, a maioria com indicadores de risco para perda auditiva

    Potenciais benefícios e riscos da inteligência artificial na consulta de enfermagem

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    O avanço da Inteligência Artificial (IA) na saúde transformou a forma de coletar, processar e utilizar dados clínicos, ampliando a capacidade diagnóstica, antecipando complicações e otimizando fluxos de trabalho. Na consulta de enfermagem, destaca-se como ferramenta estratégica ao permitir análise de informações, estratificação de riscos e personalização do cuidado, favorecendo intervenções mais rápidas e precisas. Contudo, sua incorporação exige atenção a desafios como preservação da humanização, proteção de dados sensíveis, transparência nos processos automatizados e risco de dependência tecnológica. Assim, torna-se necessária regulamentação adequada e um posicionamento ético que assegure o uso da IA como apoio, sem substituir o julgamento clínico do enfermeiro. Analisar criticamente as potencialidades e os riscos do uso da Inteligência Artificial na consulta de enfermagem, considerando seus impactos sobre a qualidade do cuidado, a tomada de decisão clínica e a relação entre enfermeiro e paciente. O estudo adotou uma revisão narrativa da literatura científica, contemplando publicações recentes acerca da aplicação da Inteligência Artificial na prática de enfermagem. Foram analisados trabalhos que abordam contribuições, desafios e implicações éticas relacionadas ao uso dessa tecnologia no processo de consulta e acompanhamento clínico. A análise da literatura revelou que a IA pode contribuir de forma significativa para a qualificação da consulta de enfermagem. Entre os benefícios identificados, destacam-se a capacidade de processar grandes volumes de dados clínicos em tempo real, a detecção precoce de alterações no estado de saúde, a previsão de complicações e a integração de informações oriundas de diferentes sistemas. Tais funcionalidades oferecem subsídios mais consistentes para a tomada de decisão, aumentando a precisão diagnóstica e a efetividade do planejamento do cuidado. Outro aspecto relevante diz respeito à automação de tarefas administrativas e à padronização de protocolos clínicos, o que pode liberar tempo do enfermeiro para atividades de cuidado direto, favorecendo a dimensão humanizada da assistência. Além disso, a IA tem potencial para apoiar a personalização das condutas, ajustando intervenções conforme perfil e as necessidades específicas de cada paciente. Por outro lado, os estudos analisados evidenciam riscos e desafios. A dependência excessiva de sistemas automatizados pode reduzir a autonomia profissional e comprometer a sensibilidade clínica necessária diante de situações complexas ou imprevisíveis. Questões relacionadas à privacidade e segurança da informação mostram-se centrais, visto que a manipulação de dados sensíveis demanda protocolos rígidos de proteção. Soma-se a isso a necessidade de capacitação contínua dos profissionais de enfermagem e a adaptação dos serviços às diferentes realidades institucionais, o que constitui um desafio adicional à implementação efetiva da IA. A Inteligência Artificial apresenta um potencial expressivo para aprimorar a consulta de enfermagem, ampliando a capacidade analítica, a precisão diagnóstica e a eficiência assistencial. Contudo, sua adoção deve estar ancorada em princípios éticos, regulamentações claras e protocolos estruturados, de modo a garantir que a tecnologia atue como suporte e não como substituta da autonomia e do julgamento clínico do enfermeiro. Investir em programas de capacitação específicos é essencial para preparar os profissionais a utilizarem a IA de maneira crítica, segura e responsável, preservando a centralidade do paciente e a humanização do cuidado. Dessa forma, a integração equilibrada entre competência humana e inovação tecnológica pode representar um avanço significativo para a prática de enfermagem e para a qualidade da assistência prestada no Sistema Único de Saúde e em outros contextos de atenção à saúde

    Práticas corporais esportivas para além da técnica: de estudantes do ensino médio

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    Este estudo tem como objetivo principal analisar as práticas corporais esportivas para além da técnica e da competição como possibilidade de cooperação e inclusão de estudantes do Ensino Médio. Os esportes coletivos, os jogos cooperativos e as atividades rítmicas, oferecem um ambiente propício para o desenvolvimento de habilidades motoras básicas e específicas, bem como para a vivência de experiências inclusivas e colaborativas. Enquanto sistemas de comunicação motriz, tais práticas corporais refletem as relações sociais e possibilitam o aprendizado de regras, papéis, interações humanas, construção de valores como empatia, solidariedade, respeito mútuo e responsabilidade coletiva. No Ensino Médio, etapa marcada por intensas transformações físicas, emocionais e sociais, essas práticas ganham ainda mais relevância, pois para os adolescentes, em busca de autonomia e pertencimento, essas vivências oportunizam competências socioemocionais, como liderança, cooperação, escuta ativa e resolução de conflitos. Além disso, ao vivenciar práticas que respeitam a diversidade de habilidades e características individuais, os estudantes ampliam sua compreensão sobre inclusão e equidade, aspectos fundamentais para a construção de uma sociedade mais justa. A experiência foi conduzida no âmbito do estágio supervisionado obrigatório e das atividades do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência, em uma escola pública estadual localizada no município de Itajaí, Santa Catarina, durante o primeiro semestre do ano de 2025. O percurso metodológico revela uma abordagem qualitativa, descritiva, do tipo relato de experiencia. Conduzidos pelos instrumentos: observação do campo, planos de ensino, planos de aula, relatórios analíticos e relatório final. Em quatorze encontros de cinco horas na escola, as experiências focaram na promoção de práticas esportivas com ênfase na cooperação, no respeito à diversidade e na inclusão, buscando estimular o pensamento crítico e a tomada de decisão dos estudantes. As categorias encontradas foram: Para além da técnica: as práticas corporais esportivas como estratégia para o engajamento na Educação Física e na vida cotidiana; Relações e comportamento: autonomia, cooperação e inclusão; não é aula livre: o estágio e a experiência de ser professor. Os principais resultados apontam para um significativo engajamento dos alunos, aprimoramento das habilidades socioemocionais e uma percepção ampliada das práticas corporais esportivas como ferramentas de integração e desenvolvimento integral, superando a visão meramente competitiva. A ênfase na cooperação e na inclusão permitiu que alunos com diferentes níveis de habilidade se sentissem valorizados e parte integrante do grupo, superando barreiras e preconceitos. Os desafios encontrados na experiência de ser professor sugerem a necessidade de adaptação constante das atividades e a gestão de grupos heterogêneos, flexibilidade e criatividade na aplicação das propostas, sempre em diálogo com os estudantes

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