Portal de Periódicos da Univali (Universidade do Vale do Itajaí)
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Síntese de novo derivado anilínico do canabidiol: caracterização e predição in silico de atividade biológica
O canabidiol representa um composto bioativo de destaque da Cannabis sativa, exibindo potencial terapêutico em aplicações anti-inflamatórias, neuroprotetoras e anticonvulsivantes. A modificação estrutural de produtos naturais constitui abordagem essencial na química medicinal para obtenção de fármacos com propriedades farmacológicas otimizadas e menor incidência de efeitos adversos. O presente trabalho objetivou sintetizar um derivado anilínico do canabidiol através de transformações químicas direcionadas, contribuindo para ampliar o espectro de compostos canabinoides disponíveis para investigação farmacológica. A questão central da pesquisa reside na necessidade de diversificação estrutural do canabidiol para elucidar relações estrutura-atividade e potencializar características terapêuticas. A estratégia experimental consistiu em reações de substituição nucleofílica bimolecular (SN2), executadas em duas etapas sob agitação magnética, iniciando com a reação do canabidiol com dibromometano em meio básico de carbonato de potássio em dimetilformamida durante 2 horas a 25°C, seguida pelo acoplamento com anilina por 12 horas nas mesmas condições, monitorada por cromatografia em camada delgada, com isolamento do precipitado por filtração a vácuo e secagem em dessecador por 24 horas. A purificação final foi realizada por cromatografia flash em coluna de sílica gel, utilizando gradiente de solvente hexano:acetato de etila 95:5, acompanhada por cromatografia em camada delgada visando o isolamento do composto puro para subsequente caracterização estrutural. A identificação do produto empregou espectrometria de massa e espectroscopia no infravermelho, complementadas por análise computacional in silico para avaliação de propriedades farmacológicas. Os resultados da espectrometria de massa confirmaram a obtenção do produto desejado através da detecção do pico molecular principal de 419,6 g/mol, enquanto os dados de infravermelho validaram a presença dos grupos funcionais característicos introduzidos durante a síntese. A análise in silico revelou propriedades superiores do derivado anilínico em comparação ao canabidiol original, demonstrando ausência de inibição das enzimas do citocromo P450, parâmetros toxicológicos seguros e coeficiente de partição log Kp (absorção pela pele) otimizado em relação ao CBD. Os resultados obtidos corroboraram o sucesso da síntese molecular planejada, validando a eficiência da metodologia empregada para obtenção do derivado anilínico do canabidiol. A investigação estabelece uma rota sintética reprodutível e eficaz, contribuindo para o avanço na área de modificação de produtos naturais bioativos. As perspectivas futuras incluem a realização de ensaios farmacológicos do composto sintetizado e sintetizar outros derivados anilínicos, com ênfase particular em aplicações cardiovasculares, visando explorar o potencial terapêutico obtido e consolidar seu desenvolvimento como candidato farmacêutico promissor
Programa de parentalidade positiva em famílias de adolescentes: análise da aplicabilidade no serviço municipal de saúde de um município do Estado de Santa Catarina, Brasil: a ideia de direito de Gustav Radbruch (1878-1949) como terceira via diante da tensão filosófica ocidental entre ser (sein) e dever-ser (sollen)
Este trabalho faz parte de um projeto de pesquisa guarda-chuva que trata do desenvolvimento e validação de um Programa de Parentalidade Positiva, na modalidade online. Para fins deste projeto teve-se como objetivo verificar, junto aos profissionais de saúde, a aplicabilidade e inserção do Programa de Parentalidade Positiva em família com adolescentes no serviço de saúde de um município da região Sul do Brasil. Justifica-se pela importância ao campo científico e em relação a intervenções direcionadas à promoção de parentalidade positiva em prol do desenvolvimento na adolescência, um campo ainda pouco explorado em intervenções nacionais e, principalmente no que se refere aos fatores de vulnerabilidade e de proteção, envolvendo os efeitos da violência no contexto intrafamiliar. A coleta de dados envolveu a aplicação de uma entrevista semiestruturada com cinco profissionais da rede pública de saúde de um município da região do Vale do Itajaí. Este instrumento abrangeu a apresentação do programa de parentalidade positiva e seus materiais (relatório de validação, manuais para profissionais e para cuidadores, cartilhas), já validados em Santa Catarina e a verificação de sua aplicabilidade no serviço de atendimento a famílias de adolescentes na região, bem como levantamento das demandas e desafios neste campo da área da saúde. Os dados coletados foram analisados por meio da análise categorial temática. A partir dos eixos temáticos construídos identificaram-se entraves como a sobrecarga das equipes, a fragilidade nas redes de apoio e dificuldades estruturais, mas também o reconhecimento do potencial do programa como ferramenta de apoio às famílias. Os achados reforçam a importância da capacitação das equipes, do apoio institucional e da adequação do formato do programa à realidade dos serviços para sua efetiva implementação e expansão. O estudo contribui com reflexões importantes para o fortalecimento das ações de promoção da parentalidade nos serviços públicos de saúde. Os resultados reforçam que o investimento em estratégias de educação parental pode ter efeitos positivos tanto na saúde mental de adolescentes quanto no fortalecimento dos vínculos familiares, sendo uma proposta promissora para políticas públicas intersetoriais. De acordo as demandas apresentadas e a partir dos resultados dessa pesquisa, construiu-se um guia de inserção e aplicabilidade do programa na esfera municipal de saúde, que visa auxiliar gestores e equipes técnicas na adoção do Programa de forma contextualizada, com vistas a replicabilidade para outras secretarias municipais de saúde do Estado
Usabilidade de um aplicativo para o treinamento parental no manejo da seletividade alimentar de crianças com Transtorno do Espectro Autista
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição do neurodesenvolvimento que tem ganhado amplo espaço nas discussões neuropsiquiátricas. O autismo é reconhecido por prejuízos em duas áreas centrais: comunicação e interação social e comportamentos repetitivos e/ou estereotipados. Além disso, a literatura indica uma correlação entre os sintomas do autismo e problemas de comportamento alimentar. Esses comportamentos abrangem recusa alimentar, um repertório alimentar restrito e/ou uma ingestão alimentar unidirecional são caracterizados na literatura como seletividade alimentar. Há uma estimativa de que 46% a 86% das crianças com TEA são acometidas por distúrbios alimentares, variando desde perturbações sensoriais até comportamentos desadaptativos, como agressão ou autolesão. Devido ao alto custo das terapias, o treinamento parental surgiu como uma possibilidade, porém exige a presencialidade dos pais, impedindo na maior entrega desta modalidade. Por isso, o treinamento parental através de aplicativos surge como uma alternativa viável. Todavia, é necessária avaliação da usabilidade dos dispositivos tecnológicos antes da sua implementação prática para garantir que sejam seguros, eficazes e acessíveis aos usuários finais. A mensuração da usabilidade é responsável por investigar a qualidade intrínseca de uma interface, e avaliar a eficiência, eficácia e satisfação do utilizador com o uso de uma determinada tecnologia, inserida em um determinado ambiente para a realização de objetivos específicos. Entretanto, a avaliação da usabilidade desse tipo de recurso é pouco investigada. Por isso, este estudo objetivou avaliar a usabilidade por experts sobre um aplicativo de treinamento parental do manejo de seletividade alimentar de crianças com TEA. Esta pesquisa é um recorte de um projeto maior, intitulado “Capacitação Familiar Digital: Manejo de Seletividade Alimentar em Crianças com Transtorno do Espectro Autista”, e tem como intuito promover o aprimoramento e continuidade de uma linha de pesquisa que vem sendo desenvolvida, desde 2013, envolvendo diferentes universidades do Brasil. O aplicativo “Meu Diário TEA” foi estruturado dentro do modelo do Behavior Skills Training (BST) em 24 etapas. Participaram 7 especialistas em Análise do Comportamento Aplicada (ABA), que responderam ao instrumento Smartphone Usability Questionnaire (SURE) e duas questões abertas. As análises incluíram estatística descritiva e análise temática categorial com base nas heurísticas de Nielsen. Cinco dos sete experts classificaram o aplicativo no nível 80, o que representa uma forte concordância com os parâmetros de usabilidade. A análise qualitativa revelou a satisfação com a acessibilidade da ferramenta, embora contenha algumas falhas identificadas nas heurísticas de Nielsen. O aplicativo “Meu Diário TEA” demonstrou elevado nível de conformidade com os critérios de usabilidade, apesar das inconsistências identificadas nas heurísticas de Nielsen. Devem ser realizadas melhorias no aplicativo antes de entregá-la aos usuários finais. Neste momento, a tecnologia precisa ser avaliada pelos usuários finais. Depois das correções e validação do aplicativo, poderá ser ampliado o acesso ao treinamento de pais de crianças com TEA e seletividade alimentar
A inovatividade dos restaurantes e a relação com o valor percebido nas experiências gastronômicas
O turismo gastronômico consolidou-se como dimensão estratégica do turismo, ao articular cultura, identidade e economia, superando o ato de alimentar-se e configurando-se como experiência sensorial e socialmente significativa. Nesse contexto, restaurantes de alta gastronomia ou reconhecidos por guias internacionais assumem protagonismo, influenciando a atratividade de destinos e a escolha de visitantes. O estudo partiu da constatação de que, embora a literatura reconheça a inovação como elemento central da competitividade em serviços de hospitalidade, persistem lacunas sobre a inovatividade sob a ótica do consumidor e sua relação com o valor percebido em experiências gastronômicas. A questão norteadora foi compreender de que forma a inovatividade percebida em restaurantes de alta gastronomia influencia o valor percebido e, consequentemente, a avaliação global da experiência. A pesquisa foi realizada em São Paulo, cidade com maior concentração de restaurantes brasileiros citados no Guia Michelin e considerada um dos principais destinos gastronômicos do mundo. Adotou-se abordagem quantitativa, de caráter descritivo-explicativo, com aplicação de questionário estruturado a consumidores que frequentaram restaurantes Michelin na cidade. O instrumento reuniu dados sociodemográficos, escalas validadas de inovatividade e de valor percebido, com respostas em escala Likert de sete pontos. A coleta, realizada on-line, resultou em 168 respostas válidas, majoritariamente de consumidores com alto poder aquisitivo, predominância feminina e elevado nível educacional. Os dados passaram por limpeza, análise descritiva e testes de consistência, seguidos de Análise Fatorial Confirmatória para validação dos construtos e Modelagem de Equações Estruturais para testagem das hipóteses. Os resultados confirmaram validade convergente e discriminante das escalas e índices de ajuste robustos, assegurando a confiabilidade do modelo. A modelagem estrutural demonstrou que a inovatividade exerce efeito direto, positivo e significativo sobre o valor percebido, com coeficiente elevado, evidenciando que práticas inovadoras em cardápio, experiência, marca e promoção são reconhecidas pelos consumidores. Também se constatou que inovatividade e valor percebido impactam a avaliação global do restaurante, sendo o valor mediador parcial da relação, ampliando o efeito da inovação sobre a avaliação. As dimensões emocionais e epistêmicas do valor destacaram-se, mostrando que vínculos afetivos e curiosidade por novidades culinárias constituem mecanismos centrais da valorização da experiência. Na oferta, inovações em cardápio e marca tiveram maior peso explicativo, enquanto inovação em promoção foi menos determinante, sugerindo necessidade de estratégias de comunicação mais eficazes. Os achados reforçam que a inovatividade deve ser compreendida de forma multidimensional e gerida como ativo estratégico, fortalecendo atratividade, reputação e competitividade de restaurantes e destinos gastronômicos. Teoricamente, o estudo integra construtos de inovatividade e valor percebido sob a ótica do cliente, oferecendo evidências empíricas da inovação como geradora de valor funcional, emocional e simbólico. Em termos práticos, sugere que gestores priorizem investimentos em narrativas gastronômicas, ambientação, personalização e práticas sustentáveis, que ampliam autenticidade e responsabilidade socioambiental, alinhando-se a tendências contemporâneas de consumo. Reconhece-se como limitação a abrangência geográfica restrita a São Paulo e o delineamento transversal, que reduzem a generalização e a possibilidade de inferir causalidade plena. Pesquisas futuras podem ampliar o escopo para diferentes tipologias de restaurantes e destinos, realizar análises longitudinais e incorporar métodos qualitativos que aprofundem os mecanismos da percepção de inovação e valor. Conclui-se que a inovatividade percebida é fator determinante na criação de experiências gastronômicas memoráveis e na avaliação positiva de restaurantes, configurando-se como elemento essencial para a competitividade do setor e o fortalecimento da imagem de destinos gastronômicos
A influência da imagem do festival na satisfação e lealdade dos visitantes do Vinho & Arte Festival – Vindima de Altitude
A promoção de festivais é essencial para o desenvolvimento de destinos turísticos e criação de uma imagem positiva do local. Os festivais de vinho são parte integrante do enoturismo e atrações significativas para turistas interessados em explorar a cultura do vinho. São Joaquim é a sede da Vindima de Altitude, que além da visitação nas vinícolas é realizado o evento Vinho & Arte Festival, que se encontra na 11ª edição. Para se conhecer melhor o evento e a satisfação do visitante no festival, foi definido como problema de pesquisa: Qual o nível de satisfação dos visitantes com o festival de vinho em relação aos benefícios percebidos, instalações e equipamentos, serviços de apoio, tema e conteúdo da Vindima de Altitude? E, como objetivo principal, analisar a imagem do festival através da percepção dos visitantes, medindo diversos aspectos da experiência, incluindo os benefícios, a qualidade das instalações, dos serviços, o tema, o conteúdo e os vinhos e gastronomia. Os procedimentos metodológicos foram definidos a partir da pesquisa básica, quantitativa e exploratória-descritiva, com procedimentos técnicos de pesquisa bibliográfica e sondagem do tipo survey. A população contemplou visitantes do festival, entre moradores e turistas, utilizando a técnica de amostragem não-probabilística que reuniu 191 respondentes do questionário, aplicado diretamente por dois pesquisadores treinados. O questionário foi construído a partir das escalas dos estudos de Deng, Li e Shen (2013) e Santos, Zucco e Kraus (2015), composto por seis dimensões: benefícios, instalações, serviços, tema, conteúdo e vinho e gastronomia. As análises foram realizadas no SPSS v.23, com estatísticas descritivas. Como resultados, primeiramente foi descrito o perfil dos visitantes do festival predominantemente masculino, das gerações Y, X e Baby Boomer, casados, com nível de ensino superior, empregados e alta renda familiar. Quanto ao comportamento dos visitantes, os resultados indicaram que os visitantes estão mais interessados na degustação, compra de vinhos, conhecer o processo, harmonização e contatos com o Dono. Verificou-se que a maioria já visitou o Vinho & Arte Festival em edições anteriores e ficaram hospedados em São Joaquim, Urubici e Lages. Os resultados evidenciaram que as dimensões “Benefícios percebidos” e “Vinhos e gastronomia” foram os únicos preditores estatisticamente significativos para as três variáveis dependentes analisadas: satisfação, fidelização e recomendação. A contribuição cientifica da pesquisa é a ampliação das discussões sobre festivais de vinho, que muitos estão focados na motivação e comportamento dos consumidores nesses eventos (Yuan et al., 2005; Barth e Salazar, 2010; Kabiraj, Upadhya e Vij, 2021; Lee e Kwon, 2021; Payini et al., 2022; Mason e Paggiaro, 2012; Yuan e Jang, 2008), visando atrair públicos mais jovens e desenvolver futuros mercados-alvo para o enoturismo (Yuan et al., 2005), estimular promoção e compra dos produtos de vinho e vinícolas (Yuan e Jang, 2008; Barth e Salazar, 2010). Como contribuições gerenciais, o estudo auxilia os organizadores do evento, que podem identificar os pontos fortes e trabalhar nas fragilidades apontadas pelos visitantes, para implementarem melhorias para a próxima edição do evento nas diversas dimensões estudadas. Ainda aos gestores do destino, podem identificar o potencial de evento em atrair pessoas interessadas e incentivar o posicionamento do destino e destinar um orçamento maior para patrocinar novas edições do evento
Inovação aberta no turismo: uma revisão sistemática da literatura
A inovação aberta reduz custos de pesquisa e desenvolvimento, acelera processos e favorece a criação de ecossistemas de inovação baseados na cooperação interorganizacional. Esse fluxo de conhecimento permite um ciclo contínuo de aprendizagem, no qual ideias e práticas circulam entre diferentes atores, resultando em soluções mais eficazes. O objetivo geral projeto foi identificar e analisar as principais dimensões da inovação aberta que são importantes para o desenvolvimento e a competitividade no turismo, utilizando uma revisão sistemática da literatura sobre inovação aberta no contexto dos clusters turísticos. A metodologia envolveu a condução de uma revisão sistemática da literatura utilizando bases de dados como Scopus e Web of Science, para identificar e categorizar as dimensões da inovação aberta aplicáveis ao setor de turismo. Foram selecionados 17 artigos para leitura. O estudo identificou quatro dimensões da inovação aberta relevantes para o turismo: tecnologias digitais, colaboração e co-criação, cultura de inovação e sustentabilidade. As tecnologias digitais, como plataformas online e análise de dados, viabilizam a colaboração entre diferentes atores e a personalização de serviços turísticos. A colaboração e a co-criação envolvem empresas, instituições de pesquisa, setor público e até os próprios turistas, permitindo a construção conjunta de soluções inovadoras e adaptadas às necessidades do mercado. A cultura de inovação está relacionada ao incentivo ao compartilhamento de conhecimento e à criação de ambientes organizacionais abertos, essenciais para responder a um mercado globalizado e competitivo. A sustentabilidade, por sua vez, associa inovação a práticas responsáveis, alinhadas a demandas sociais e ambientais. A literatura revisada mostra que hotéis, agências de viagens, companhias aéreas e outros agentes do setor podem se beneficiar ao compartilhar recursos e informações, desenvolvendo produtos e serviços altamente personalizados. Exemplos destacados incluem a adaptação de mercados de alimentos durante a pandemia da COVID-19, com a introdução de entregas e comércio eletrônico, representando a aplicação da inovação aberta em setores específicos. Essas experiências demonstram como a inovação aberta pode ser aplicada em diferentes contextos do turismo, promovendo colaboração, resiliência e soluções de valor compartilhado. A análise da literatura revelou ainda que a inovação aberta no turismo estimula a cooperação entre setor público e privado, integrando universidades, centros de pesquisa e turistas como cocriadores de experiências. Estudos evidenciam que práticas colaborativas e o uso de tecnologias digitais são fundamentais para atender às expectativas de viajantes modernos, reforçando a ideia de que a competitividade do setor depende da capacidade de integrar múltiplos atores no processo de inovação. A pesquisa evidenciou que a inovação aberta é capaz de transformar pressões competitivas em oportunidades, permitindo que organizações turísticas criem novos produtos e serviços alinhados às necessidades do mercado e, ao mesmo tempo, fortaleçam a sustentabilidade
A (in)admissibilidade da prova digital oriunda de conteúdo produzido por inteligência artificial no processo civil brasileiro
O direito brasileiro é dotado de princípios que atuam como alicerces no sistema jurídico, fornecendo diretrizes gerais e interpretativas. Dentre estes, menciona-se o princípio da ampla defesa, positivado no artigo 5º, LV da Constituição Federal, que que assegura às partes o utilizarem todos os meios legais para demonstrem verdade em suas alegações. No contexto do processo civil, este princípio é reafirmado no art. 369 do Código de Processo Civil, que garante às partes o direito de empregar todos os meios legais, bem como moralmente legítimos, ainda que não especificadas, para provar a veracidade dos fatos em juízo, abrindo margem para a produção de provas atípicas ou inominadas, ou seja, aquelas que não estão expressamente previstas em lei. Nesse contexto de flexibilidade do ordenamento jurídico o rápido avanço da tecnologia e a crescente utilização de sistemas de inteligência artificial (IA) na produção de conteúdo, como textos, áudios e imagens, impõem novos desafios e, simultaneamente, abrem novas possibilidades para o sistema jurídico. O problema de pesquisa apresentado é: A prova digital oriunda de conteúdo gerado por inteligência artificial é viável e admissível no processo civil brasileiro? A presente pesquisa buscou responder a essa indagação por meio de um estudo bibliográfico e documental, com abordagem qualitativa e metodologia indutiva. A análise evidenciou que embora o ordenamento jurídico permita o uso de provas atípicas digitais, sua admissibilidade está condicionada à sua licitude, autenticidade e integridade, reforçados pela necessidade de cadeia de custódia. Os resultados indicam que o conteúdo produzido por IA suscita questões sobre confiabilidade, precisão e neutralidade dos sistemas. A ausência de mecanismos padronizados de verificação de autoria, o risco de manipulação e a complexidade algorítmica, infringem os princípios constitucionais de contraditório e ampla defesa e comprometem o processo judicial, representando um obstáculo à sua aceitação. A jurisprudência, ainda incipiente, tem demonstrado cautela, exigindo perícia especializada e rejeitando conteúdos que não possuam metadados ou relatórios que atestem sua veracidade. Conclui-se que a admissibilidade do conteúdo gerado por IA, embora juridicamente viável, depende de critérios estritos de controle técnico e normativo. Sua utilização licita, autentica e integra constitui uma lacuna no ordenamento jurídico brasileiro, devido à ausência de mecanismo claros de verificação de autoria, a inexistência de cadeia de custódia padronizada e o risco de manipulação do conteúdo. Tais fatores indicam que, em sua forma atual, esses elementos devem ser considerados mais como indícios ou meios de informação, do que como provas plenas e autossuficientes. A utilização dessa modalidade probatória está condicionada a critérios rigorosos de controle técnico, à realização de perícia especializada e ao respeito às garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa
Traumas na infância são preditores de desfechos adversos nas doenças inflamatórias intestinais? Uma revisão de escopo
Consequências longitudinais da adversidade precoce sugerem diferenças individuais na vulnerabilidade e diferenças neurobiológicas na resposta aos ambientes sociais, desempenhando papel importante na forma como os indivíduos respondem a ambientes sociais estressantes. Dada à exposição aguda e crônica aos eventos estressores no decorrer do desenvolvimento, o cérebro passa a perceber as situações como ameaçadoras, aumentando a atividade de hormônios como o cortisol e a adrenalina, que afetam o funcionamento do sistema imunológico intestinal. O trauma psicológico prejudica o tálamo e o córtex pré-frontal dorsolateral, áreas responsáveis por distinguir entre estímulos relevantes e irrelevantes, com decorrências na concentração, atenção e na percepção temporal. O indivíduo traumatizado revive o evento sem distinguir entre passado, presente e futuro, com maior suscetibilidade a transtornos mentais comuns como depressão, ansiedade e transtorno de estresse pós-traumático. O objetivo deste trabalho foi mapear, por meio de revisão de escopo, a prevalência de eventos traumáticos na infância e a associação com desfechos clínicos nas Doenças Inflamatórias Intestinais. As bases de dados utilizadas foram Medline/PubMed, Lilacs/Scielo e PsycINFO/APA, por meio dos descritores (Inflammatory Bowel Diseases) AND (Childhood trauma); (Inflammatory Bowel Diseases) AND (Psychological Traumas); (Inflammatory Bowel Diseases) AND (Adverse Childhood Experiences); (Inflammatory Bowel Diseases) AND (Early Life Stress); Inflammatory Bowel Diseases) AND (Childhood trauma). A análise foi realizada com base no modelo PRISMA 2020. Do total dos 87 artigos selecionados, sete estudos preencheram os critérios, publicados entre 2019 e 2024 no Canadá, França, América do Norte, Europa e Oceania, Austrália e Alemanha. Os estudos eram de natureza quantitativa, predominantemente de coorte prospectivo e transversal, exceto três que se constituíram como estudos longitudinais. A revisão englobou uma amostra de 1.286 pacientes com média de idade de 38,7 a 54,6 anos, predomínio de mulheres (67,9%) e Doença de Crohn. Para a avaliação das experiências traumáticas foram utilizados o Questionário de Trauma na Infância - versão reduzida (CTQ-SF), Questionário de Trauma na Infância (CTQ), Questionário de Experiência de Cuidado e Abuso na Infância (CECA.Q), Questionário de Experiências Emocionais na Família (ELES), Pesquisa de Eventos Traumáticos Infantis (CTES), Lista de Verificação de PTSD para DSM-5 (PCL-5) para levantamento de experiências traumáticas e diagnóstico provisório de TEPT e Lista de Verificação de Eventos de Vida para DSM-5 (LEC-5). Os maus-tratos na infância mais prevalentes em pacientes com DII foram abuso emocional e físico, negligência emocional e física, seguido de abuso sexual. Níveis mais elevados foram associados a níveis mais baixos de resiliência, e estes ao aumento dos sintomas depressivos e ao aumento do risco de suicídio. Evidenciou-se associação significativa com catastrofização da dor, intensidade nos sintomas digestivos e resposta emocional negativa, culminando em maior assistência médica devido à ansiedade com o tratamento e impacto no uso dos serviços de saúde. Pacientes com DII apresentaram pontuações mais altas em sintomas de intrusão, evitação, alterações cognitivas e emocionais negativas, além de maior excitação e reatividade. Pacientes que adotaram coping adaptativo como a busca de soluções e apoio social tiveram melhor adaptação e bem-estar. Já os que utilizaram coping desadaptativo, como evitação e ruminação tiveram maior risco de desenvolver Transtorno de Estresse Pós-Traumático. Evidenciou-se que a ligação entre experiências adversas na infância e DII é complexa e multifacetada, cujos mecanismos envolvem disfunções no eixo intestino-cérebro, desregulação imunológica e alterações na resposta ao estresse, constituindo-se como gatilhos etiológicos para doenças psiquiátricas e psicossomáticas na DII. Destaca-se a importância de intervenções precoces no processamento das experiências adversas na infância, práticas de gestão emocional e modulação da resposta ao estresse, com abordagens terapêuticas integradas que considerem o histórico psicossocial dos pacientes, além de formulação de políticas de saúde mental eficazes e sensíveis a essas demandas
Atividade dos antagonistas de PPAR
Os macrofágos detectam lesões e respondem à invasão de patógenos, alterando sua polarização e fenótipo em resposta a uma variedade de estímulos, como a resolução da inflamação trazendo a homeostase. Durante esse processo pode ocorrer uma exacerbação da resposta desencadeando inflamação crônica. Os compostos D1, D2, D3, E2, E3, E4 foram sintetizados na Univali, para atuar como agonista de PPAR, porém não foram comprovados seus papeis no processo de resolução inflamatória. O objetivo deste estudo é investigar a função dos agonistas PPAR para resolução inflamatória. Ensaio de eferocitose os macrófagos(1×106) obtidos do canal medular de camundongos, tratados com agonistas de PPAR (D1, D2, D3, E2, E3, E4) nas concentrações 0,1, 1 e 10 μM. Os neutrófilos senescentes obtidos da cavidade peritoneal (glicogênio de ostra 1%), adicionados aos macrófagos, coletou o sobrenadante para dosagem de citocinas (TNF e IL-10) e lâminas coradas May-Grünwald-Giemsa para análise da fagocitose. Determinação de citocinas utilizando ELISA, a leitura da densidade óptica. Realizou-se a fenotipagem de macrófagos com a polarização induzida: M1: IFN-γ (10 ng/mL) ± LPS (100 ng/mL). M2: IL-4 (20 ng/mL), exposição ao composto D3 (0,1 μM), os macrófagos corados para marcadores de superfície e intracelulares com CD206 (M2), CD80 (M1), CD86 (M1) e CD163 (M2), sendo analisado por citometria de fluxo. Teste do gene repórter com células HeLa (25 x 103), para avaliar o efeito do D3 sob a ativação das isoformas PPAR foi realizado. DMSO, WY14643 (100 μM), GW0742 (0,1 μM), BEZA (100 μM) rosiglitazona (10 μM) e pioglitazona (10 μM) foram usadas como controle. Células Raw 264.7 (1x105) foram utilizadas para avaliar o efeito do D3 na viabilidade celular, através do ensaio de MTT. D3 (1μM) com ou sem a adição de antagonistas de isoformas de PPAR, (GSK3787, GW9662 e T0070907) e Dimetilsulfóxido (DMSO) a 10% foram analisados. Realizou-se o experimento de produção intracelular de ânion superóxido (NadpH oxidase), no qual células Raw 264.7 (2x105), foram tratadas com D3 (0,1; 1 e 10μM), o antagonista T0070907, e LPS (controle positivo), por 30 minutos, adicionou-se NBT, diluídos em DMSO e KOH 2M para leitura no espectrofotômetro. O tratamento com os compostos resultou em um aumento da taxa de eferocitose em todas as concentrações testadas. O tratamento com os compostos D1, D2, D3 e E2 obteve redução nos níveis de TNF. O efeito dos compostos na liberação da citocina anti-inflamatória IL-10 ocorreu somente D1 e D2 (0,1 µM). O tratamento com D3 resultou em uma diminuição significativa da expressão de p38-MAPK em relação ao controle de macrófagos de M1. Além disso, D3 promoveu o aumento da expressão de pSTAT-3 sendo similar ao controle de macrófagos de fenótipo M2. No ensaio de gene repórter o D3 ativou o receptor PPARγ de maneira parcial, em comparação aos agonistas usados como controle, ativando as isoformas PPARα e PPARβ porém em menor proporção. O tratamento com o D3 e os antagonistas não alterou a viabilidade dos macrófagos. No NadpH oxidase a concentração que demonstrou os melhores resultados foram 1,0μM e 10μM que reverteram a formação de peróxidos. Conclui-se que todos os compostos aumentaram a taxa de eferocitose, sugerindo uma melhora na resolução da inflamação. O composto D3 apresentou melhores efeitos reduzindo a expressão de p38-MAPK, aumentou a ativação de pSTAT-3 em níveis semelhantes aos macrófagos M2 e ativou parcialmente o receptor PPARγ, além de interagir com PPARα e PPARβ. Esses achados indicam que D3 pode modular vias de sinalização associadas à polarização de macrófagos para um fenótipo anti-inflamatório. Sem comprometer a viabilidade celular e demonstrou efeito protetor quando exposto ao NADPH oxidase
Práticas gerontológicas na atenção à saúde do idoso com demência, seus familiares e comunidade
O envelhecimento populacional tem se consolidado como um fenômeno universal, resultado das transformações demográficas observadas nas últimas décadas, especialmente pela queda das taxas de natalidade e mortalidade e pelo prolongamento da expectativa de vida. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), pela primeira vez na história, a população mundial pode esperar viver além dos 60 anos, com projeções que indicam crescimento acelerado desse grupo etário até 2050. Esse processo, embora represente uma conquista social, também traz novos desafios para os sistemas de saúde, já que o envelhecimento está frequentemente associado à redução da vitalidade e ao processo de fragilização. A fragilidade, reconhecida como uma síndrome geriátrica multifatorial e dinâmica, envolve a interação de fatores biológicos, psicológicos, cognitivos e sociais, impactando diretamente a autonomia e a independência dos idosos. Sua detecção precoce possibilita a formulação de planos de cuidado individualizados, capazes de auxiliar tanto os idosos quanto suas famílias na promoção da qualidade de vida. Inserida nesse contexto, a Doença de Alzheimer (DA) desponta como uma das condições mais relevantes de saúde pública, sendo responsável por aproximadamente 50% dos casos de demência no mundo. Considerada a quarta principal causa de morbimortalidade entre idosos de 75 a 84 anos na América do Norte, a DA representa não apenas um desafio clínico, mas também social e econômico, dado o impacto sobre cuidadores e serviços de saúde. O presente estudo teve como objetivo identificar o público e avaliar o alcance das atividades do projeto de extensão Grupo de Estudo e Apoio às Famílias e Cuidadores das Pessoas com Doença de Alzheimer e outras Demências (GEAz), desenvolvido na região do Vale do Itajaí/SC. Trata-se de um estudo transversal, com abordagem qualitativa-quantitativa, que buscou compreender o perfil sociodemográfico e as percepções dos participantes em relação à doença de Alzheimer. A coleta de dados ocorreu mediante consentimento dos voluntários, após a apresentação dos objetivos da pesquisa e assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Foi aplicado um questionário sociodemográfico a 21 participantes, abordando idade, gênero, escolaridade, filhos, renda, ocupação, conhecimento prévio e contato com a doença de Alzheimer. As entrevistas ocorreram individualmente, em local reservado e com agendamento prévio. A maioria dos respondentes tinha menos de 70 anos (52,38%), com distribuição menor nas demais faixas etárias (20, 40, 50 e 60 anos). Predominou a identificação cisgênero, com apenas um caso não especificado. Quanto à escolaridade, destacou-se elevado nível de formação, principalmente pós-graduação completa ou incompleta, contrastando com poucos casos de ensino médio ou superior incompleto. Em relação ao perfil familiar, a maior parte declarou ter dois ou três filhos. A renda concentrou-se entre 3 e 7 salários mínimos, sobretudo nas faixas de 3 a 5 e 5 a 7 salários. As ocupações foram variadas, com maior presença de estudantes, aposentados e trabalhadores do setor privado. Sobre a temática do estudo, a maioria possuía conhecimento prévio acerca da doença de Alzheimer, enquanto uma parcela menor relatou desconhecimento. O contato com a doença ocorreu, principalmente, por meio de familiares diagnosticados e da vivência acadêmica de estudantes da área da saúde. Os resultados permitiram concluir que a amostra foi composta majoritariamente por adultos com nível educacional elevado e renda familiar intermediária, que, em sua maioria, apresentaram contato direto ou conhecimento prévio sobre a doença de Alzheimer. Esse perfil sugere que tais características podem influenciar as percepções e atitudes dos indivíduos frente à temática, destacando a relevância do GEAz como espaço de acolhimento, informação e suporte às famílias e cuidadores