Revistas URI - FW (Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões, campus de Frederico Westphalen/RS)
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A FILOSOFIA DA LINGUAGEM NA PERSPECTIVA DE LUIS ALBERTO WARAT
A linguagem é de suma importância na vida do jurista, pois o mesmo utiliza-se dessa para sua atuação profissional, pessoal e científica. Em tempos turbulentos, buscar uma forma de ampliação do alcance de um discurso, texto ou decisão é algo primordial, utilizando-se do método waratiano de linguagem que possibilita ao leitor, ou, ao destinatário da fala, além de compreender o que foi dito, situar-se de acordo com as intenções do autor e a partir disto, assumir uma posição crítica, que torne o debate, a criação de ideias e pensamentos mais fluida e menos embasada no óbvio. Nesse sentido, surge à filosofia da linguagem waratiana, que mesmo após muitos anos, aquilo que o mestre Warat afirma, mostra-se atual e aplicável. As circunstâncias que fazem da filosofia da linguagem de suma importância para os ideais waratianos, estão vinculadas ao pensamento de utilizar a evolução de um discurso baseado em argumentos que façam o pensamento crítico florescer seja no interlocutor ou no leitor ao qual é destinado um texto ou discurso jurídico, evidente que uma reforma baseada em ideais que vão contra o comodismo, o engessamento do pensamento, a construção de um raciocínio que possibilite a intuição lógica do que é debatido, formando juristas críticos e preocupados com os anseios apresentados pela sociedade
O ESTADO DE COISAS INCONSTITUCIONAL
As ciências jurídicas sempre estão em constante atualização. A modernidade juridical, especialmente nos dias atuais, encontrada nos países com menos tradição histórica trouxe o novel instituto constitucional denominado “Estado de Coisas Inconstitucional”, ou simplesmente ECI. Essa nomeação foi feita pela Suprema Corte Colombiana, primeiro órgão judicial no mundo a aplicar o dispositivo que, aos poucos, vem sendo incorporado pelos mais variados sistemas jurídicos de outros países, especialmente naqueles em que as mazelas sociais já atingiram um nível sem precedentes em outrora. O ECI apresenta, por sua natureza, uma proposta desafiadora: extinguir ou, pelo menos, minimizar violações de cunho social, em que uma parcela significativa de pessoas tem os seus direitos fundamentais suprimidos, tendo essa violação como causa a omissão persistente de elaboração ou falhas na execução de políticas públicas saneadoras pelo Poder Público, e que, através de iniciativas sistemáticas do Poder Judiciário, as denominadas sentenças estruturais, alcance um número amplo de órgãos e autoridades para superar o problema social
CONSIDERAÇÕES SOBRE SINTOMATOLOGIAS PSICOSSOMÁTICAS NOS ESTÁGIOS PRECOCES DE DESENVOLVIMENTO
A pesquisa foi desenvolvida abordando a temática da relação mãe-bebê e manifestações psicossomáticas precoces, a partir da abordagem psicanalítica. O objetivo geral do projeto foi investigar as características da relação mãe/bebê em bebês que desenvolvem condições psicossomáticas precoces. Os principais autores utilizados foram Winnicott e Kreisler. Esta pesquisa é de caráter qualitativo, descritivo-exploratória e com delineamento estudo de caso múltiplo. Os participantes da pesquisa foram duas díades, sendo que os bebês foram diagnosticados pelo seu pediatra do ESF com algum distúrbio psicossomático. A coleta de dados foi por meio de duas entrevistas e uma observação. A análise dos dados foi através de eixos temáticos a luz da teoria psicanalítica. Nos dois estudos de casos, pode-se pensar que houve falhas nos cuidados iniciais e isso fez com que os bebês produzissem sintomas psicossomáticos, no entanto, não se pode analisar isso na perspectiva da culpabilização materna
Alianças intensivas em "O capitão Mendonça"
Resumo: O presente artigo propõe investigações sobre as relações entre as noções de mediação e estilo, tomando como intercessor privilegiado, nos termos de Gilles Deleuze, o conto “O capitão Mendonça”, publicado em 1870 por Machado de Assis no Jornal das famílias. A escolha por se trabalhar com essa narrativa em particular se dá pelo fato de, aí, surpreenderem-se linhas de força e problemas que, singularmente corporificados na escrita machadiana, permitem contágios fecundos com certas vertentes do pensamento contemporâneo – ao mesmo tempo em que se apresenta como catalisadora dos debates hoje travados em torno da revisão filosófica e antropológica da partição natureza-cultura no ocidente. O trabalho de criação teórica aqui empreendido busca situar as noções supracitadas na contramão de definições clássicas, de modo a compreendê-las, mais amplamente, como embate de forças produzido nas relações entre corpos provenientes de domínios heterogêneos. Palavras-chave: Machado de Assis. Mediação. Estilo. Natureza-cultura. Modernidade
A LITERATURA INDÍGENA CONTEMPORÂNEA BRASILEIRA: A ORALIDADE NO IMPRESSO NA OBRA A QUEDA DO CÉU: PALAVRAS DE UM XAMÃ YANOMAMI DE DAVI KOPENAWA E BRUCE ALBERT
Este texto versa sobre uma das características basilares da literatura indígena brasileira na contemporaneidade, a saber, a íntima associação da oralidade com a escrita alfabética e o impresso. A adaptação dos povos indígenas à tradição escrita revela que as obras literárias, incluindo aqui A queda do céu, que será objeto de estudo neste texto, possuindo como base a ancestralidade (marcada pela oralidade), têm no contato intercultural (marcado pela escrita) sua ação ativista, militante e política. Em outras palavras, as práticas narrativas orais tradicionais encontram nas formas literárias (impressas e em circulação) um lugar para a reatualização de saberes e memórias, criação estética indígena, denúncia política e reafirmação da alteridade.
MEU CORPO, MINHA VIDA: CIDADANIA, DIREITOS HUMANOS E MULHERES
Historicamente as mulheres avançaram em todas as áreas pelas quais lutaram – trabalho, educação, voto, métodos contraceptivos, etc., mas nesta espiral ascendente de conquistas, duas questões teimam em permanecer – o patriarcado (poder de uns sobre outras) e a violência contra as mulheres. O Brasil não carece de leis igualitárias; figuramos entre os países que mais protegem legalmente as mulheres. Mas entre a pena da lei e a cultura que sempre encarou com naturalidade o assédio, o estupro, a violência e a morte, há um longo caminho a percorrer. Neste texto onde historiamos os Direitos Humanos e a Cidadania e sua relação com as mulheres nos deparamos com um foco de poder – o corpo feminino. Historicamente desqualificado, um corpo a ser utilizado, agredido, violado. Como falar em Direitos Humanos como direitos universais, em Cidadania para todos, se nos deparamos cotidianamente com a calamidade pública que é a violência contra a mulher? Paradoxalmente como falar em direitos humanos e ética, se este mesmo corpo agredido, assassinado é aquele que produz seres humanos
ÉTICA E DIREITOS HUMANOS NA EDUCAÇÃO: O QUE OS ESTUDOS DE GÊNERO TÊM A VER COM ISSO?
No presente artigo, trazemos à tona a importância da articulação entre Direitos Humanos e os Estudos de Gênero no contexto da Educação Formal. Tal problematização engloba, sob nosso ponto de vista, um movimento ético-estético-político necessário para o cenário atual, e para uma Educação comprometida com a realidade das pessoas que dela se beneficiam. Na ideia de que construímos e somos construídos por intermédio das relações, e que inventamos e damos sentido ao mundo por intermédio da linguagem, propomos um olhar interdisciplinar e problematizador em meio às práticas de sala de aula. A noção de cidadania, nesse cenário, ganha centralidade, e exercita uma prática de formação integral, sensível e incentivadora das diversidades e do cuidado em prol da emergência de modos singulares de existir
CARTAS AOS MINEIROS: de Fernando Sabino para Paulo Mendes Campos, Otto Lara Resende, Hélio Pellegrino e além
A fim de erigir uma teorização da carta, o artigo irá se deter no livro Cartas na mesa (2003), volume com as missivas do escritor Fernando Sabino para os amigos Paulo Mendes Campos, Otto Lara Resende e Hélio Pellegrino. As cartas constituem relevante documentação de uma amizade que imprimiu marca na Literatura Brasileira. A tese é a de que para ler as cartas no século XXI, é exigido uma articulação imbrincada no conceito de fronteira. A discussão emergirá dos apontamentos de Walter Mignolo em Histórias locais/projetos globais (2003) visto que o crítico menciona a dupla natureza da fronteira. A necessidade de que a teorização epistolar se erija a partir da perspectiva fronteiriça justifica-se pelo fato de que a discussão muitas vezes centra-se em ressaltar características como a hibridez textual sem considerar que acompanha as mudanças culturais. O embasamento teórico parte da Crítica Biográfica e da pós-colonialidade
EMBATES EM TORNO DA ESCRAVIDÃO E DO RACISMO: O PASSADO E O PRESENTE EM DIÁLOGO
Este artigo tem por objetivo propor reflexões sobre a experiência da escravização e pós-abolição no Rio Grande do Sul, analisando fotografias produzidas entre meados do século XIX e primeiras décadas do século XX, em sua maioria realizadas na cidade de Porto Alegre. Estas fontes iconográficas não são meras ilustrações deste passado e traduzem várias e conflitantes formas de se representar estas práticas sociais. Tomando como ponto de partida tensionamentos públicos sobre representações preconceituosas na contemporaneidade, assim como a discussão das definições jurídicas sobre o trabalho escravo contemporâneo, este breve texto procura demonstrar que o racismo subjaz não apenas como uma herança do passado, mas principalmente como uma ressignificação deste passado nas experiências do presente
APRESENTAÇÃO
É sempre um imenso prazer lançar a Revista Psicologia em Foco nesta época do ano! É como se, de alguma forma, fechássemos um ciclo com êxito, por intermédio da oferta, junto à comunidade, de uma produção acadêmica, fruto do exercício diário da ciência. Para esta edição, apresentamos cinco artigos, com assuntos e epistemologias diversificadas. O intuito é divulgar a produção acadêmica de qualidade e propositora de novas práticas, com a parceria de pesquisadores/as na área da Psicologia. Em tempos de cortes na Educação, banalização dos processos de ensino e desvalorização do/a professor/a, cabe à Universidade resistir a esses processos, insistindo em seu papel de fomentar a discussão crítica e, quiçá, auxiliar na promoção de mudanças neste cenário. Esperamos que as leituras sejam produtivas e que, mesmo neste período que o Brasil vive em que o pensamento crítico é condenado e colocado em questão, possamos semear reflexões e desacomodações em nossos/as leitores/as