Revistas URI - FW (Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões, campus de Frederico Westphalen/RS)
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EXPERIÊNCIAS DE IMIGRAÇÃO EM YADÉ KARA
RESUMO: O romance Selam, Berlin, da autora alemã de origem turca Yadé Kara, aborda o ponto de vista de duas gerações de imigrantes na Alemanha: a geração dos pais, que deixa a Turquia para se estabelecer em Berlim Ocidental, e a geração dos filhos, que transita naturalmente entre Istambul e Berlim, pertencendo igualmente a duas culturas, mas de modo diferente. Assim, este artigo pretende discutir o habitus, segundo Pierre Bourdieu, dessas duas gerações, problematizando o conjunto de disposições que condicionam suas visões de mundo, suas ações e a narração de sua identidade. O modo como cada geração administra esse sistema de percepção e comportamento se diferencia substancialmente, produzindo narrativas de identidade pautada por critérios diferentes
CURTA-METRAGEM BRASILERO E EDUCAÇÃO EM DIREITOS HUMANOS: REFLEXÃO SOBRE QUESTÕES DE GÊNERO E DE EXCLUSÃO SOCIAL
Considerando o atual panorama político do país, que avança para uma pauta conservadora e discriminatória com alguns grupos sociais, esse artigo apresenta algumas reflexões sobre o uso do cinema, especialmente o filme de curta-metragem, como ponto de partida para a discussão dos Direitos Humanos (DH) na realidade escolar. No que diz respeito à proposta acima, duas questões são fundamentais: (1) como os DH e questões concernentes a eles são discutidos em filmes de curta-metragem? (2) como o audiovisual, instrumento de representação do mundo e objeto estético, inserido no campo da “mídia-educação” (BÉVORT, BELLONI, 2009), pode contribuir para a formação humana e crítica do aluno (e do professor)? Esses questionamentos e os documentos referentes à Educação Básica no país, a propósito do respeito ao outro e à diferença e à promoção da igualdade e da justiça sociais (Cf. BRASIL, 1996; BRASIL, 2018), são o ponto de partida para a discussão de dois curtas-metragens: Rua São Paulo (MASSARANDUBA, RIBEIRO, 2002) e Amapô (GOIFMAN, 2013), no qual temos o protagonismo de grupos sociais marginalizados, os sem tetos e a população transsexual, respectivamente
CULTURA REGIONAL E FORMAÇÃO DO LEITOR: ESTUDO COMPARATIVO DO PERFIL DO LEITOR DE JORNAL E DE LIVROS EM SÃO JOÃO DO OESTE, SC
Esta pesquisa sobre o perfil do leitor de livros e de jornais em São João do Oeste, Santa Catarina, deriva da condição de destaque do município no Brasil com relação aos índices de alfabetização, o que motivou a indagação-base: “Qual o perfil do leitor – de jornal e de livros – no município?” Utilizaram-se dados obtidos em questionário estruturado aplicado a 60 leitores: 30 assinantes do Jornal Força d’Oeste e 30 leitores de livros, sendo, destes, 15 frequentadores da Biblioteca Pública Municipal Padre Afonso Hansen e 15 que obtêm livros em outras fontes. Os dados obtidos apontam para perfis diversos do leitor de jornal e do leitor de livros no município: o primeiro, com menor escolaridade, limita-se à leitura de jornal, em busca de informação, e pouco lê livros; comparado a este, o leitor de livros é mais sofisticado, embora ainda afeito à leitura de best-sellers; revela-se tanto leitor de livros como de jornais
O PROCESSO LICITATÓRIO COMO MEIO IDÔNEO PARA CONTRATOS VANTAJOSOS NA UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ
A licitação é um instrumento que assegura à sociedade o princípio da livre concorrência, funcionando como moralizador dos gastos públicos e proporcionando a transparência entre os envolvidos, pois garante iguais oportunidades a todos os interessados em oferecer bens, serviços ou obras ao Poder Público. Entre as finalidades da licitação pode-se destacar que ela garante a isonomia na contratação administrativa e obtenção da proposta mais vantajosa ao Governo. Objetiva-se analisar o processo de licitação, compreendido na Lei nº 8.666/93, buscando entender os procedimentos executados e quais os momentos são passíveis de corrupção pelos agentes públicos, bem como sobre o histórico da licitação e sobre os princípios constitucionais contidos na lei. Propõe-se apresentar soluções para evitar a corrupção sobre o processo licitatório e esperando com isso contribuir para que o Governo reconheça o processo de licitação como umas das falhas governamentais que mais induzem ao desvio do dinheiro público no país e que, desta maneira, aplique fiscalização sobre os procedimentos executados, bem como, imponha punições mais severas sobre os agentes públicos corruptos. A metodologia utilizada compreende a pesquisa bibliográfica, a consulta a documentos oficiais do Governo e pesquisa qualitativa-quantitativa efetuada através da aplicação de questionário no Departamento de Serviços Gerais da Universidade Federal do Paraná
ÉDIPO REI EM LA MACHINE INFERNALE
As peças gregas têm servido de material criativo há séculos devido a temas que colocam em discussão a natureza humana. Em La machine infernale, Jean Cocteau parodia a peça grega Édipo Rei, conhecida por ter inspirado os estudos de Freud sobre as relações familiares. A peça de Cocteau subverte as convenções formais de uma tragédia grega, tanto na estrutura quanto no ethos dos personagens. É evidente que se trata de uma paródia moderna, portanto, os estudos de Linda Hutcheon sobre o tema se apresentam apropriados para uma análise comparativa. É possível pensar nas duas tragédias como complementares, pois o que não foi desenvolvido na peça grega, a francesa pôs em cena
UMA LEITURA ALEGÓRICA DE MACUNAÍMA: A FICÇÃO COMO REPLAY OU RECONSTITUIÇÃO DO PASSADO E DO PRESENTE
Este artigo tem por objetivo analisar o romance Macunaíma (1928), de Mário de Andrade (1893-1945), entendendo sua a narrativa como um conjunto de alegorias, que, por sua vez, representam ideias sobre a formação do povo brasileiro e as suas “culturalidades”. Nesse sentido, a alegoria será estudada a partir da perspectiva de Peter Burke que coloca o referido conceito como um replay do passado. Partimos do pressuposto de que, reconstruindo o passado e o presente, essas alegorias funcionam como mecanismo de composição da ficção. Nossa análise está centrada na trajetória do protagonista, desde seu nascimento no mato-virgem, acompanhando sua ida para a “civilização”, até seu retorno ao local de origem próximo ao Uraricoera
A RESISTÊNCIA DE UMA ESCRITORA E OS CONFLITOS DE UMA PERSONAGEM: EU SOU UMA LÉSBICA, DE CASSANDRA RIOS
A escritora mais proibida da história literária brasileira publica Eu sou uma Lésbica em folhetim, em 1980. Na obra, a personagem Flávia, ao reconstruir as suas memórias, apresenta ao leitor como se deu o reconhecimento de sua identidade sexual. Além disto, expõe contradições, violência e afetos que marcam a homossexualidade entre mulheres. A análise proposta neste artigo buscou compreender o processo de escrita de Cassandra Rios, valorizando as características literárias das memórias ficcionais de Flávia e identificando por quais perspectivas o tema da homossexualidade feminina foi abordado. O processo de análise dialogou com estudiosos da psicanálise, da sexualidade e da homoafetividade. Ao final, a confissão de Flávia representa o desabafo de sensações e sentimentos iniciados aos sete anos, mas também permite visualizar as fragilidades e a luta contra os preconceitos políticos e sociais experimentados por ela e pelas demais personagens que dão vida à obra
INTERCONEXÕES ENTRE LITERATURA E ESTUDOS PÓS-CRÍTICOS: POSSIBILIDADES INVESTIGATIVAS PARA AS REPRESENTAÇÕES DE GÊNERO E SEXUALIDADE
Com o advento dos estudos pós-críticos, abre-se um leque de possibilidades para interrogar e problematizar os discursos dominantes e penetrar nas diversas áreas do saber, entre elas, a Literatura. Dessa forma, é apresentada a importância de se inserir, por meio das discussões suscitadas, o caráter construído e provisório das representações de gênero e sexualidade, a diversidade dos sentidos ficcionais que vão se formando e a intersecção entre o estético e o político da obra literária. A investigação de cunho pós-crítico busca observar não somente o texto literário, mas interrogar o que há por trás dele, de onde parte esse discurso autorizado, quais modos de subjetivação estão em funcionamento. Por fim, propõe-se uma leitura que seja capaz de reconhecer o texto literário com toda a sua multiplicidade de discurso, como um espaço de confronto de linguagem, ambiguidades, contradições e também como lugar de resistência e rupturas