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Avaliação química e da atividade antitumoral das folhas e galhos de Citharexylum myrianthum Cham. (Verbenaceae)
A busca por novos agentes antitumorais a partir de produtos naturais constitui uma estratégia promissora para o desenvolvimento de terapias mais eficazes e seletivas. Citharexylum myrianthum (Verbenaceae) é uma espécie sul-americana pouco explorada sob o ponto de vista químico-farmacológico. Embora já possua relatos de atividade diurética em modelos experimentais in vivo, seu potencial antitumoral permanece pouco conhecido. Neste contexto, este estudo investigou a atividade antiproliferativa de extratos, frações e compostos isolados das partes aéreas desta espécie, com ênfase nos galhos, associada à identificação de metabólitos bioativos. O material vegetal foi coletado em Itajaí-SC, registrado no herbário Barbosa Rodrigues (HBR 52637) e no SisGen (protocolo A8906CC). Os galhos foram separados das folhas manualmente e submetidos à extração metanolica, seguida de partição líquido-líquido com hexano, diclorometano e acetato de etila. As frações foram purificadas por cromatografia em coluna aberta e flash, usando sílica gel como fase estacionária, e posteriormente reunidas por similaridade de perfis cromatográficos em CCD. Os compostos isolados foram caracterizados por RMN de H¹ e C¹³. A avaliação da atividade antiproliferativa foi realizada frente às linhagens tumorais humanas MCF-7 (adenocarcinoma de mama) e SCC-25 (carcinoma de células escamosas de língua), além da linhagem não tumoral HaCaT (queratinócitos imortalizados), por meio do ensaio de viabilidade celular com Sulforrodamina B. A prospecção química resultou no isolamento e identificação do 6-O-glicosil-4,5-dihidroxi-3,7-dimetoxiflavona, do estigmasterol e do Verbascosídeo inédito para a espécie. Em relação à atividade biológica, a fração de hexano demonstrou elevada seletividade frente à linhagem SCC-25, com GI50 de 1,1 μg/mL. Por outro lado, o extrato metanólico e a fração de acetato de etila também exibiram atividade antiproliferativa, porém acompanhada de citotoxicidade em HaCaT, o que limita seu interesse farmacológico devido à baixa seletividade. Esses resultados sugerem que os galhos de C. myrianthum contêm metabólitos secundários bioativos capazes de modular a proliferação celular, sendo a fração de hexano a que mais se destacou como candidata para estudos avançados. Conclui-se, portanto, que a espécie apresenta potencial relevante na prospecção de novos agentes terapêuticos de origem natural, mostrando a necessidade da continuidade dos estudos fitoquímicos e farmacológicos que confirmem a seletividade e a segurança dos compostos isolados
Avaliação do potencial mutagênico do extrato metanólico das folhas de Trema micranta (L.) Blume
Plantas medicinais e seus metabólitos secundários representam uma fonte importante de compostos bioativos com potencial terapêutico, sendo amplamente estudadas pela farmacologia moderna. Entre esses compostos, destacam-se os fitocanabinoides da Cannabis sativa, que vêm demonstrando efeitos promissores no tratamento de desordens neuropsiquiátricas. O canabidiol (CBD), principal composto não psicoativo da espécie, apresenta propriedades farmacológicas relevantes, incluindo atividades ansiolítica, anticonvulsivante, anti-inflamatória e neuroprotetora, mas seu uso ainda é limitado por barreiras legais, estigmas sociais e restrições regulatórias. Recentemente, pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) identificaram a presença de canabinoides, principalmente na forma ácida como o ácido canabidiolítico (CBDA) e ácido tetrahidrocanabinólico (THCA) no extrato das folhas de Trema micrantha (L.) Blume, espécie nativa brasileira da família Cannabaceae, o que pode viabilizar aplicações terapêuticas semelhantes sem os entraves socioculturais e jurídicos associados à Cannabis. A espécie já possui uso etnobotânico consolidado na medicina popular, sendo empregada para o tratamento doenças de pele, reumatismo e como hipoglicemiante. Entretanto, apesar do seu potencial, os estudos toxicológicos disponíveis são limitados, sendo a maioria deles relatos de intoxicações em diferentes espécies animais (bovinos, equinos e caprinos), ressaltando a necessidade de estudos toxicológicos para viabilizar seu uso terapêutico seguro. A avaliação da mutagenicidade de plantas medicinais é essencial para garantir sua segurança, prevenindo riscos genotóxicos. O teste de micronúcleo é amplamente utilizado por detectar danos cromossômicos e mutações, fornecendo evidências sobre o potencial tóxico, podendo embasar o uso seguro desses compostos. Nesse contexto, o presente estudo teve como objetivo avaliar o potencial mutagênico do extrato metanólico das folhas de Trema micrantha por meio do teste do micronúcleo em camundongos (OECD 474). Para isso, foram utilizados 30 animais, sendo 15 machos e 15 fêmeas, distribuídos igualmente em três grupos experimentais. O grupo controle negativo recebeu solução salina, enquanto o grupo controle positivo foi tratado com metanossulfonato de metila (MMS, 50 mg/kg i.p.), reconhecido agente mutagênico. O grupo de tratamento recebeu uma dose de 2000 mg/kg do extrato metanólico de T. micranta via oral. A genotoxicidade foi avaliada a partir da frequência de ocorrência de micronúcleos em 1000 eritrócitos, obtidos do lavado da medula óssea dos animais, preparados em lâminas e corados com Giemsa, sendo a análise realizada em microscópio óptico com aumento de 1000x. Os resultados obtidos demonstraram que o extrato metanólico das folhas de T. micrantha não promoveu aumento significativo na frequência de micronúcleos, com valores Média ± DP de 5,0 ± 1,0 SD em machos e 5,66 ± 0,57 em fêmeas, semelhantes ao controle negativo (4,3 ± 0,57 e 4,4 ± 1,14 respectivamente). Já o controle positivo (MMS) elevou significativamente os micronúcleos (10,20 ± 1,78 em machos e 10,6 ± 2,08 em fêmeas), confirmando a validade do ensaio segundo a OECD 474. Esses achados contribuem para a construção de evidências científicas mais consistentes sobre a toxicidade da espécie, reforçando a importância de estudos toxicológicos atualizados que possam subsidiar sua validação farmacológica
