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O processo de separação-individuação mãe-bebê ao longo do primeiro ano de vida de bebês que frequentaram ou não a creche
Este estudo teve por objetivo investigar eventuais diferenças no processo de separação-individuação em mães e bebês que frequentaram ou não a creche ao longo do primeiro ano de vida. Participaram do estudo 3 díades de mães e bebês que frequentaram a creche a partir dos 6 meses de idade e 3 díades de mães e bebês que não frequentaram a creche e foram cuidados, prioritariamente, pela mãe. As mães responderam a entrevistas estruturadas durante o 6º e 12º mês dos filhos. A análise de conteúdo qualitativa revelou que os bebês vivenciaram o processo de separação-individuação de maneira satisfatória, independente de terem frequentado ou não a creche. As mães cujos bebês frequentaram a creche consideraram essa decisão como necessária, sem que os momentos de separação lhes trouxessem maiores sofrimentos e prejuízos. Tal aspecto revelou-se, aparentemente, sem maiores consequências para o processo de separação-individuação mãe-bebê. Já as mães cujos bebês não frequentaram a creche ressaltaram dificuldades frente às separações, especialmente aos 6 meses do bebê, ressaltando o desejo de estarem com os filhos durante todo o tempo diário. No entanto, aos 12 meses dos bebês elas já ressaltavam maior necessidade de se individuarem dos filhos estabelecendo uma rotina mais separada deles, justamente o momento em que os bebês apresentavam uma individuação maior em relação a elas. Esse estudo revela que o processo de separação-individuação mãe-bebê ocorre em íntima conexão com o que se passa com o bebê, e pode ocorrer adequadamente mesmo com uma influência externa, como a entrada na creche, ou através do processo natural de desenvolvimento do bebê.This paper has had the goal to investigate eventual differences in the separation-individuation process in mothers and babies who attended or did not attend daycare throughout the first year of life. Three dyads have participated of the study from mothers and babies who attended nursery from 6 months old and 3 dyads of mothers and babies who haven’t attended daycare and were cared, as a matter of priority, by mother. Mothers answered to structured interviews during the 6th and 12th months old of their children. The qualitative content analysis has revealed that babies have experienced the separation-individuation process of a satisfactory way, apart, no matter having attended or not daycare. Mothers whose babies attended daycare considered this decision as required, without which the moments of separation brought them more sufferings and prejudice. This aspect has been revealed itself, apparently, without any major consequences for the separation-individuation process. Already mothers whose babies did not attend daycare underscored difficulties in separating the desire of being with their children all the time every single day, specially the baby at 6-months-age. However, at 12 months old of babies they already highlighted more necessity of being away from their children establishing a more distant routine from them, just the moment in what babies showed a wider individuation related to their mothers. Its paper shows that mother-baby´s separation-individuation process occur in intimate connection in which it’s been through the baby, and can properly occur even with an external influence, as the entry in the day care center, or through the baby’s natural process of development
Relação mãe-criança e indicadores de dependência e de independência no contexto da prematuridade
O nascimento prematuro acarreta grande impacto às famílias, podendo ser um momento muito delicado e traumático para os pais, devido à situação de risco na qual se encontra a criança. Desta forma, a prematuridade pode afetar as relações iniciais da criança com a sua família, além do próprio desenvolvimento da criança. O presente estudo buscou investigar os indicadores de dependência e de independência de crianças nascidas prematuras, bem como a relação mãe-criança no contexto da prematuridade. Participaram do estudo cinco mães e seus filhos/as com idade entre quatro e cinco anos, e que nasceram prematuras. As mães responderam a entrevistas, enquanto que as crianças responderam ao Teste das Fábulas. Análise de conteúdo qualitativa dos relatos maternos revelou tanto indicadores de dependência como de independência no que diz respeito a aspectos desenvolvimentais. Quanto à relação mãe-criança, de acordo com o relato materno, as crianças apresentaram mais indicadores de independência. As mães ainda enfrentavam algumas dificuldades e inseguranças, às quais foram relacionadas ao contexto de prematuridade. Já o Teste das Fábulas revelou mais indicadores de dependência emocional por parte das crianças. Ressaltase o impacto que a prematuridade pode ter nas famílias, e como este contexto pode perpassar a relação mãe-criança mesmo após passada a situação de risco. Os resultados sugerem a importância do acompanhamento longitudinal das famílias, com atenção às questões emocionais que podem se fazer presentes em vários momentos do desenvolvimento da criança nascida prematura.Preterm birth causes great impact on families, since it is a delicate and traumatic moment for parents, because of the risk situation in which the child is. Thus, prematurity can affect the initial relationship of the child with his family, as well the child's own development. This study aimed to investigate the dependence and independence indicators of children born prematurely, and the mother-child relationship in the context of prematurity. Participants were five mothers and their children, aged four to five years, who were born preterm. Mothers answered interviews, while the children responded to the Fables Test. Content analysis of maternal reports showed both dependence and independence indicators in developmental aspects. As for the mother-child relationship, according to the mother's report, the children showed more independence indicators. Mothers were still facing some difficulties and insecurities, which were related to the prematurity context. The Fables Test also revealed indicators of greater emotional dependence by the children. It is notable the impact that prematurity can cause in families, and how this context can persist in the mother-child relationship even after the risk situation’s is over. The results suggest the importance of longitudinal follow-up of families, with attention to emotional issues that may be present in various stages of development of premature by born child
Psicoterapias baseadas em evidências : importância e limites das pesquisas de eficácia e efetividade
Neste trabalho, revisa-se a história da Prática Baseada em Evidências, partindo de seu surgimento na Medicina e chegando ao debate mais atual em Psicologia, onde são situadas as principais divergências. Considerando os argumentos mais difundidos a respeito da chamada sustentação empírica de tratamentos, discute-se a importância e os problemas metodológicos da pesquisa clínica em psicologia. Tendo em vista os elementos normativos e políticos da prática e da pesquisa em psicoterapia, aponta-se para alguns limites dos estudos de eficácia e efetividade como guias da prática psicoterapêuica e destaca-se o potencial das pesquisas participativas para a produção de conhecimentos sobre a psicoterapia, em sintonia com os interesses de suas/seus futuras/os usuárias/os. Argumenta-se pela importância de que psicoterapeutas e pesquisadoras/es considerem a diversidade de aspectos e posições nesse campo, a fim de assumirem seus respectivos posicionamentos de maneira mais compreensiva, ainda que firme. De forma semelhante, entende-se que um diálogo aberto com as/os usuários/as é fundamental e deve fazer parte do trabalho da/o psicoterapeuta, cabendo a ela/e avaliar criticamente a literatura e informar aos/às usuários/as sobre alternativas de tratamento existentes e os argumentos que as sustentam, independentemente da abordagem preferida pelo/a psicoterapeuta.This monograph reviews the history of the Evidence-Based Practice, starting from its outset in medicine and arriving in the more current debate in Psychology, where the main divergences are situated. Considering the more disseminated arguments on respect to the so called Empirical Support of Psychological Treatments, the importance and methodological problems of research in psychotherapy are discussed. In view of the normative and political elements of practice and research in psychotherapy, some limits of the efficacy and effectiveness research on guiding clinical practice are pointed, and the potential of participative research to produce knowledge in line with the interests of its future users is underscored. The importance that psychotherapists and researchers consider the diverse aspects and positions in this field is defended, in order that they can take their own positions, even the strongest ones, in a more comprehensive manner. In the same way, it is understood that an open dialog with users, clients or patients, is fundamental and should be a part of the psychotherapists’ work, being up to him or her to evaluate critically the literature and inform the psychotherapy users about existing treatment alternatives and the arguments that support them, regardlessly of the clinic’s theoretical allegiance
A experiência materna com a educação de filhos ingressantes no ensino fundamental durante a pandemia de COVID-19
A família desempenha papel fundamental no desenvolvimento humano em suas diversas dimensões. Um dos fatores constituintes do psiquismo infantil são os cuidados que inserem a criança no mundo simbólico da cultura da qual ela faz parte. Esse processo de socialização da criança, iniciado no ambiente familiar, é potencializado pelo ingresso dela na escola, uma vez que a educação não se restringe à tarefa do ensino, pois ela desempenha, conjuntamente à família, uma função civilizatória para o sujeito. No contexto do início da pandemia de COVID-19, em 2020, os estabelecimentos de ensino precisaram ser fechados, dificultando o acesso das crianças à educação. Além de afetar a educação formal, as medidas de distanciamento social impactaram também a dinâmica familiar, com repercussões no bemestar e na saúde mental de todos, em especial das mães que desempenham, ainda hoje, a principal função de cuidado parental. Assim, o objetivo do presente estudo foi investigar a experiência materna com a educação de filhos ingressantes no ensino fundamental durante a pandemia de COVID-19. Para isso, foi realizado um estudo de caso múltiplo, no qual foram entrevistadas cinco mães com filho que ingressou no Ensino Fundamental em escola pública de Porto Alegre ou região metropolitana, entre 2020 e 2021. Os dados foram analisados a partir da Análise Temática, que levou à construção de dois temas, A emergência da pandemia e A educação na pandemia, cada um com três subtemas. Os resultados evidenciaram o desamparo vivenciado pelas participantes diante de um contexto sobre o qual não tinham controle e onde foram desfeitos os limites entre as dimensões pessoal, parental e profissional da vida cotidiana. Os resultados apontaram ainda a sobrecarga das mães que passaram a desempenhar o papel de professora dos próprios filhos, impossibilitadas de recorrer integralmente ao conhecimento das educadoras, ocasionando sentimentos de angústia e impotência. A partir dos resultados, destaca-se a importância da atenção ao bem-estar e à saúde mental materna, bem como da escola enquanto local de desenvolvimento humano e amparo à família no processo de inserção social da criança.Family plays a fundamental role in human development in its various dimensions. One of the constituent factors of the child's psyche is the care that inserts the child into the symbolic world of the culture of which he or she is a part. This process of socialization of the child, which begins in the family environment, is enhanced by the child's entry into school, since education is not restricted to the task of teaching, as it plays, along with the family, a civilizing function for the individual. In the context of the beginning of the COVID-19 pandemic, in 2020, educational establishments had to be closed, making it difficult for children to access education. In addition to affecting formal education, social distancing measures also impacted family dynamics, with repercussions on the well-being and mental health of everyone, especially mothers, who still perform the main role of parental care today. Thus, the objective of the present study was to investigate the maternal experience with the education of children entering elementary school during the COVID-19 pandemic. To this end, a multiple case study was conducted, in which five mothers whose children entered elementary school in a public school in Porto Alegre or its metropolitan region were interviewed between 2020 and 2021. The data were analyzed using Thematic Analysis, which led to the construction of two themes, The emergence of the pandemic and Education in the pandemic, each with three subthemes. The results highlighted the helplessness experienced by the participants in a context over which they had no control and in which the boundaries between the personal, parental, and professional dimensions of daily life were blurred. The results also pointed to the overload of mothers who began to play the role of teachers for their own children, unable to fully rely on the knowledge of educators, causing feelings of anguish and powerlessness. Based on the results, the importance of attention to maternal well-being and mental health stands out, as well as of school as a place of human development and support for the family in the process of the child's social integration
Determinantes psicossociais dos problemas de comportamento e do coeficiente intelectual (QI) de crianças pré-escolares
O objetivo desta investigação foi o de examinar, através de um estudo epidemiológico, os determinantes sócio-demográficos, familiares e individuais dos problemas de comportamento de crianças pré-escolares. Participaram do estudo 634 crianças com idade de 4 anos e suas mães pertencentes a uma coorte que vem sendo acompanhada desde o nascimento da criança. Durante visita domiciliar, foram examinados os problemas de comportamento e o QI da criança, bem como o transtorno psiquiátrico da mãe, a qualidade do ambiente familiar, além de outros fatores sócio-demográficos, familiares e individuais. Examinaram-se os fatores associados aos problemas de comportamento da criança, cuja prevalência foi de 24%. Análise de regressão mostrou que o transtorno psiquiátrico materno, a escolaridade e a idade da mãe, o número de irmãos menores, a qualidade ambiente familiar e as hospitalizações da criança explicaram 28% da variância dos seus problemas de comportamento da criança. Os resultados apontam para a multideterminação dos problemas de comportamento
Contribuições da musicoterapia para a díade mãe-bebê pré-termo na uti neonatal
O presente estudo investigou as contribuições da musicoterapia para a díade mãe-bebê prétermo na UTI Neonatal, em particular suas contribuições para o bebê, para a mãe e para a interação mãe-bebê. Participaram uma mãe e sua filha nascida extremamente prematura (27 semanas) e internada na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTINeo) de um hospital público de Porto Alegre. Foi utilizado um delineamento de estudo de caso único, em que se avaliou as contribuições da Intervenção Musicoterápica para Mãe-Bebê Pré-termo – IMUSP, desenvolvida para o estudo. Na Fase 1 (pré-IMUSP) a mãe respondeu a entrevistas iniciais sobre a maternidade e seu histórico sonoro-musical. Na Fase 2 (IMUSP) a díade participou de nove encontros propostos pela intervenção, que tinha por objetivo sensibilizar e acompanhar a mãe a cantar para a filha. Nas Fases 3 (pós-IMUSP), 4 (pré-alta) e 5 (pós-alta) a mãe respondeu a entrevistas de avaliação da intervenção e foram realizadas sessões de observação da interação mãe-bebê durante o canto e não-canto. As entrevistas e as descrições dos encontros da IMUSP e das sessões de observação, que foram filmados, foram examinadas através da análise temática, baseando-se em uma estrutura de quatro temas, derivados da literatura: (1) empoderamento do bebê; (2) empoderamento da mãe; (3) interação mãe-bebê; e, (4) musicalidade comunicativa. Os resultados mostraram que a musicoterapia contribuiu no empoderamento da bebê, através do relaxamento, da estabilização da saturação de oxigênio, da apresentação de novas competências, e da participação e envolvimento no canto. Também, a musicoterapia contribuiu no empoderamento da mãe, uma vez que, ao longo dos encontros da IMUSP e no follow up, ela conseguiu relaxar mais, superar a vergonha e o medo de interagir com a bebê, fortalecer suas competências maternas e mostrar autonomia no canto. Dessa forma, a musicoterapia contribuiu também na interação mãe-bebê, uma vez que, especialmente na pré e pós-alta, os episódios de canto permitiram contatos face-a-face e olhares recíprocos mãe-bebê mais prolongados e evidenciaram uma contingência entre os comportamentos da díade. Por fim, identificou-se também a musicalidade comunicativa entre mãe e bebê na pós-alta, uma vez que a díade se comunicava de uma forma musical, negociando e coordenando reciprocamente as suas respostas vocais e não-vocais. Os resultados corroboram a literatura e apoiam a expectativa inicial de que a musicoterapia contribui para o bebê, para a mãe e para a interação mãe-bebê.This study investigated the contributions of music therapy for the mother-preterm infant dyad in the NICU, in particular the contributions for the infant, the mother and mother-infant interaction. Participants were a mother and her extremely preterm daughter (27 weeks), admitted to the Neonatal Intensive Care Unit (NICU) of a public hospital in Porto Alegre. A single-case study design was used, in order to assess the contributions of the Music Therapy Intervention for Mother-Preterm Infant – MUSIP, developed for the study. In Phase 1 (pre- MUSIP) the mother answered to initial interviews about motherhood and her musical history. In Phase 2 (MUSIP) the mother-infant dyad participated in nine sessions, with the goal of sensitizing and accompanying the mother to sing for her daughter. In Phases 3 (post-MUSIP), 4 (pre-discharge) and 5 (post-discharge), the mother answered to assessment interviews and the dyad was observed during mother-infant interaction with singing and non-singing. Interviews and descriptions of the videotaped MUSIP sessions, as well as of the videotaped observation sessions, were examined through thematic analysis, based on a structure of four themes, which were derived from literature: (1) infant´s empowerment; (2) mother´s empowerment; (3) mother-infant interaction; and, (4) communicative musicality. Results showed that music therapy contributed to infant´s empowerment, since the infant was able to relax, to stabilize the oxygen saturation, to show new competences, and to participate and engage during singing. Moreover, music therapy contributed to mother´s empowerment, both during MUSIP sessions and observation sessions, considering that she was able to relax, to overcome the shame and the fear of interacting with her daughter, to empower her maternal competences, and to show autonomy in singing. Therefore, music therapy contributed to mother-infant interaction, especially in pre and post-discharge, since maternal singing provided extended face to face contacts and mutual gazes, and it showed contingency between mother´s and infant´s behaviors. Finally, mother-infant communicative musicality was found in the post-discharge period, considering that the mother and her daughter communicated with a mutual co-ordination and co-operation of their vocal and non-vocal answers. Results support the literature and the initial expectation that music therapy contributes for the infant, the mother and mother-infant interaction
O processo de tomada de decisão no tratamento de crianças com indicadores de TDAH : percepções de profissionais de CAPSI
Este estudo teve como objetivo investigar o processo de tomada de decisão no tratamento de crianças com indicadores de TDAH, na percepção de profissionais de saúde mental. Em particular, buscou-se conhecer em que medida a tomada de decisões é compartilhada com a criança e sua família. Participaram do estudo oito profissionais de dois Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPSi) da Região Metropolitana de Porto Alegre. Trata-se de um estudo de caso múltiplo, em que os participantes foram entrevistados individualmente e seus relatos foram submetidos à análise temática. A respeito tomada de decisão no tratamento, foram gerados dois temas, Tratamento padrão e Dificuldades diagnósticas e patologização. Já no que diz respeito à participação dos usuários e seus familiares no processo de tomada de decisão, foram gerados três temas, Informações dos profissionais, Participação como resposta e Divergências criança-família. A tomada de decisão no contexto dos CAPSi estudados enfrenta o desafio da adequação do tratamento às complexidades de cada caso em um contexto de excesso de demanda. Além disso, foram identificados alguns desafios para o envolvimento dos usuários e familiares nas decisões sobre o tratamento. A dificuldade de compreensão das informações sobre o tratamento é geralmente percebida como uma barreira à participação dos usuários nas decisões, e o compartilhamento de informações é associado restritamente a uma função argumentativa. A participação de crianças e familiares nas decisões sobre o tratamento geralmente está restrita ao fornecimento de feedbacks a respeito das intervenções e propostas terapêuticas. Também foram relatadas divergências entre os interesses e preferências das crianças e os expressos por seus familiares. Esses aspectos poderão ser abordados por futuros estudos e intervenções, a fim de aprofundar a compreensão e enfrentar os desafios para o envolvimento de usuários e familiares nas decisões sobre o seu tratamento no SUS.This study aimed to investigate the decision-making process in the treatment of children with ADHD indicators, in the perception of mental health professionals. In particular, we sought to know to what extent decision-making is shared with the child and his or her family. Eight professionals from two Child and Adolescent Psychosocial Care Centers (CAPSi) in the Metropolitan Region of Porto Alegre (Brazil) participated in the study. This is a multiple case study, in which the participants were interviewed individually and their reports were subjected to thematic analysis. Regarding treatment decision-making, two themes were generated, Standard treatment and Diagnostic difficulties and pathologization. Regarding the participation of users and their families in the decision-making process, three themes were generated: Information from professionals, Participation as a response and Child-family disagreements. Decision making in the context of the studied CAPSi faces the challenge of adapting treatment to the complexities of each case in a context of excess demand. In addition, some challenges were identified for the involvement of users and family members in treatment decisions. The difficulty in understanding information about treatment is generally perceived as a barrier to users' participation in decisions, and information sharing is strictly associated with an argumentative function. The participation of children and family members in treatment decisions is generally restricted to providing feedback regarding interventions and therapeutic proposals. Divergences between the interests and preferences of children and those expressed by their family members were also reported. These aspects can be addressed by future studies and interventions, in order to deepen understanding and face the challenges for the involvement of users and family members in decisions about their treatment in SUS
Maternidade e HIV : retenção e adesão ao tratamento da gestação ao terceiro mês do bebê
O objetivo geral do presente estudo foi investigar a retenção ao tratamento de HIV e a adesão à medicação antirretroviral no contexto da maternidade: da gestação ao terceiro mês de vida do bebê. Para tanto, foram realizados dois estudos. O Estudo 1 teve o objetivo de investigar a retenção ao tratamento de HIV e a adesão à medicação antirretroviral de mulheres nos primeiros três meses após o parto. Através de uma abordagem quantitativa, se examinou os fatores sociodemográficos, clínicos e psicossociais que afetam a retenção ao tratamento de HIV e a adesão à medicação antirretroviral em mulheres no período após o parto. Participaram 56 mulheres vivendo com HIV, com idades entre 18 e 43 anos. A grande maioria era branca, com baixa escolaridade e casada. A maioria foi diagnosticada antes da gestação atual, e muitas já tinham vivenciado outra gestação com HIV. Os resultados encontrados apoiaram a expectativa inicial de que as mulheres que percebiam maior apoio social apresentariam maiores taxas de retenção após o parto, e que aquelas com carga viral detectável na gestação mais frequentemente não apresentariam adesão após o parto. Já, o Estudo 2, investigou qualitativamente os fatores que favorecem ou dificultam a retenção e a adesão ao tratamento tanto na gestação como no pós-parto. Utilizando uma abordagem de estudo de casos, investigou, em particular, os sentimentos e percepções das mulheres em relação ao seu diagnóstico, seu próprio tratamento e frente ao tratamento preventivo do bebê. Participaram 3 mulheres, com idades entre 21 e 31 anos, que já tinham filhos e eram casadas com parceiros vivendo com HIV. Os resultados encontrados apoiaram a expectativa inicial de que dificuldades para lidar com o próprio diagnóstico afetariam a continuidade do tratamento, e de que aquelas com maior tempo de diagnóstico da infecção pelo HIV apresentariam uma melhor compreensão sobre os benefícios da continuidade do tratamento para sua saúde, facilitando sua retenção e adesão. Juntos, os achados demonstraram que as consultas do prénatal, consultas pediátricas e demais atendimentos no parto e nos três meses de vida do bebê são momentos oportunos para escuta, incentivo e acesso a informações. Destaca-se o relevante papel das atitudes dos profissionais de saúde, inclusive quanto ao apoio emocional, respeito a confidencialidade e direitos reprodutivos destas mulheres.The overall objective of the present study was to investigate retention to HIV care and adherence to antiretroviral medication in the context of motherhood: from pregnancy to the third month of the baby's life. Two studies were carried out. One of the studies aimed to investigate retention of care and antiretroviral adherence in women in the first three months after delivery. Through a quantitative approach, sociodemographic, clinical and psychosocial factors affecting HIV retention and antiretroviral adherence in postpartum women were examined. Participants were 56 women living with HIV, aged between 18 and 43 years. The majority were white, with low schooling and married. Most were diagnosed before the current gestation, and many had experienced another pregnancy with HIV. The results supported the initial expectation that women who perceived greater social support would have higher rates of retention after childbirth, and that those with detectable viral load in pregnancy would most often not have indetectable viral load after delivery. The second study, qualitatively investigated the factors that contribute or hinder retention and adherence to treatment in both pregnancy and postpartum. Using a case-study approach, investigated in particular the feelings and perceptions of women regarding their diagnosis, their own care, and the preventive treatment of the baby. Three women, aged between 21 and 31, who had children and were married to partners living with HIV participated. The results supported the initial expectation that difficulties in dealing with the diagnosis itself would affect the continuity of treatment and that those with a longer diagnosis of HIV infection would have a better understanding of the benefits of continuing treatment for their health, facilitating their retention and adherence. Together, the findings showed that prenatal consultations, pediatric consultations, and other consultations during childbirth and during the baby's three months of life are timely moments for listening, encouragement and access to information. It highlights the relevant role of health professionals' attitudes, including emotional support, respect for confidentiality and reproductive rights of these women
Contribuições da clínica winnicottiana para o contexto da prematuridade
O nascimento prematuro é um evento potencialmente traumático para a relação da mãe e do bebê. Ele pode ser vivenciado como uma ruptura na continuidade da gestação e agregar dificuldades nas primeiras aproximações extrauterinas da díade. Tanto a mãe quanto o bebê são subitamente impedidos de dar continuidade ao processo de desenvolvimento natural. O trabalho desenvolvido na presente tese foi baseado nos princípios e técnica da clínica winnicottiana para pacientes que se encontram em estágios primitivos. Tal técnica consiste no holding, na não- intrusividade, manutenção do silêncio, no setting confiável e acolhedor, assim como a capacidade de empatia do analista. O objetivo deste estudo foi investigar as contribuições dos princípios e da técnica da clínica winnicottiana para o contexto da prematuridade, e suas especificidades, considerando a internação do bebê na UTI Neo. Em particular, se investigou as contribuições deste atendimento para a diminuição do sofrimento psíquico e conflitos da mãe relacionados ao bebê, esperando que tais benefícios se estendessem para a relação mãe/bebê. Participaram do estudo duas mães primíparas e seus bebês. No Caso 1, a mãe tinha 20 anos e a bebê havia nascido com 27 semanas gestacionais, pesando 1020gramas e permaneceu 81 dias internada na UTI Neo. No Caso 2, a mãe tinha 21 anos e as bebês gêmeas haviam nascido com 27 semanas gestacionais, pesando 1600gramas e permaneceram internadas 49 dias na UTI Neo. As famílias eram de nível socioeconômico baixo. O atendimento clínico winnicottiano (Winnicott, 1954/2000; Winnicott,1955-6/2000; 1960/2007) foi realizado durante a internação do bebê, variando o número de sessões de acordo com o tempo de internação. O foco da análise esteve no processo do atendimento clínico, incluindo as mudanças e os fenômenos ocorridos ao longo dos atendimentos, sendo o material organizado na forma de relato clínico, com base no referencial winnicottiano. A análise mostrou que os atendimentos foram benéficos para as mães e suas filhas, auxiliando as mães em suas dificuldades frente à maternidade e nas primeiras aproximações e cuidados com as bebês. Igualmente, influenciou positivamente no olhar das mães em relação às filhas, contribuindo para a continuidade do desenvolvimento emocional das bebês. Os atendimentos também ajudaram as mães a verbalizarem e elaborarem culpas, perdas, lutos e medos que a experiência do nascimento prematuro agrega a maternidade. Tais benefícios estiveram relacionados com a técnica utilizada, incluindo adaptações no atendimento para atender às demandas e características de cada caso. Os resultados mostraram que o atendimento clínico winnicottiano para a prematuridade se constitui em uma técnica capaz de ajudar as mães e seus bebês.Premature birth is a potentially traumatic event for both mother and baby. It is an interruption in the continuity of gestation and add difficulties to the dyad’s first extrauterine interactions. Both mother and baby are suddenly displaced and unable to give continuity to their natural developmental processes. The clinical work developed in this thesis was based on winnicottian clinic’s principles and technique for primitive patients, which includes holding, non- intrusiveness, silence and constancy of the setting as well as the analyst’s ability for empathy. The purpose of this study was to investigated the contributions of the winnicottian clinic’s principles/technique to the context of prematurity, with its specificities, considering the hospitalization of the infant in the NICU. In particular, we investigated the contributions of the winnicottian clinic’s principles and technique to the reduction of mothers’ psychic suffering and conflicts related to the infant, hoping that such benefits would extend to the mother-infant relationship. Two primiparus mothers and their babies participated in the study. In Dyad 1, the mother was 20 years old and the infant was born in the 27th gestational week weighing 1,020 grams and remained 81 days in NICU. In Dyad 2 the mother was 21 years old and the twin babies were born in the 27th gestational week, weighing 1,600grams and remained hospitalized for 49 days in the NICU. Families were of low socioeconomic status. Based on Winnicottian clinic’s principles and technique (Winnicott, 1954/2000, Winnicott, 1955-6 / 2000, 1960/2007), mothers were seen during the infant’s hospitalization, the number of sessions varying according to the the infant’s level of prematurity and length of hospital stay. The analysis was based on winnicottian clinic’s principles and technique, including the changes and phenomena that occurred during the visits. The material was organized as a clinical report. The analysis showed that the consultations were beneficial for the mother-infant relationship, helping the mothers to talk about and deal better with their difficulties in the face of motherhood and in the first interactions and care for the infants. Likewise, it positively influenced the mothers’ view of their daughters, contributing for the continuity of the infants’ emotional development. The consultations also helped mothers to verbalize and elaborate guilts, losses, mourning and fears that the experience of premature birth adds to motherhood. These benefits were related to the technique used, including adjustments in care in order to meet the demands and characteristics of each case. The results showed that the principles/techniques of winnicottian clinic can be apllied and used in the context of prematurity aiming at helping mothers / infants
Paternidade no contexto da prematuridade : da interação do bebê ao 3º mês após a alta hospitalar
O presente estudo investigou a experiência da paternidade no contexto da prematuridade desde o nascimento e internação do bebê em unidade de tratamento intensivo neonatal (UTINeo) até o 3º mês após a sua alta hospitalar. Buscou ainda investigar retrospectivamente as expectativas e sentimentos do pai durante a gestação. Participaram três pais de bebês nascidos pré-termo, com idades entre 27 e 45 anos e que residiam com a mãe do bebê. Dois participantes estavam sendo pais pela primeira vez, e um deles estava tendo um terceiro filho. Os bebês apresentavam diferentes características clínicas ao nascer, incluindo um bebê nascido extremamente pré-termo e com extremo baixo peso, um bebê nascido muito pré-termo e com muito baixo peso e um bebê nascido moderadamente pré-termo e com baixo peso. Foi utilizado um delineamento longitudinal de estudo de caso coletivo, envolvendo entrevistas durante a internação do bebê e no 3º mês após a alta hospitalar. Os relatos dos participantes sobre a paternidade foram examinados através de análise qualitativa com base em quatro categorias derivadas da literatura e dos dados: representações acerca de si mesmo como pai, representações acerca da filha, relação pai-filha e representações acerca da família de origem. Os resultados revelaram o sofrimento dos pais relacionado à condição de vulnerabilidade do bebê nascido pré-termo e aos riscos envolvidos na situação de pré-eclâmpsia, particularmente entre os pais cujas filhas apresentaram menor peso e tempo gestacional. Os relatos sobre a gestação e parto também revelaram intensas ansiedades, com destaque para o sentimento de impotência e as preocupações referentes à saúde, sobrevivência e condição emocional da esposa. Após o parto, apesar dos temores sobre o futuro da criança, os participantes, em maior ou menor grau, mostraram-se bastante dedicados e atenciosos como pais, especialmente, durante os primeiros dias de vida de suas filhas, incluindo as visitas frequentes ao bebê, a relação pai-filha e o apoio emocional à esposa. Três meses após a alta do bebê, os relatos paternos evidenciaram o quanto as filhas, embora saudáveis, ainda eram percebidas como bebês bastante vulneráveis, desencadeando uma série de cuidados e, consequentemente, tendo importantes repercussões em suas vidas. Juntos, os achados do presente estudo sugerem a importância das maternidades, UTINeos e profissionais contemplarem a complexidade da situação do nascimento prematuro bem como as particularidades de cada caso. Além disso, destaca a necessidade de se oferecer intervenções psicológicas não só para as mães, mas também aos pais dos bebês nascidos pré-termo.The present study aimed to investigate the transition to fatherhood in a context of preterm birth since the hospitalization in neonatal intensive care unit (NICU) up to three months after discharge. Retrospectively, this study also has the objective to investigate the father’s expectations and feelings during pregnancy. Three fathers of preterm born children, aged from 27 to 45, living with the babies’ mothers participated on this study. Two participants were first-time fathers, and one of them had two other children. The babies had different clinical characteristics at birth, including one extremely preterm infant with extremely-low-birth-weight, one very preterm infant with very low-weight and another one moderately preterm with low-birth-weight. A collective-case study design was developed involving fathers interviews during the baby hospital stay and in the third month post-discharge. The reports from participants about fatherhood were examined through qualitative analysis based on four categories derived from the literature and data: representations about himself-as-father, representations about the infant, father-infant relationship and representations on the family of origin. The results demonstrated the suffering of fathers related to the condition of the preterm infant vulnerability and the risks involved in the situation of pre-eclampsia, particularly among fathers whose infants had lower birth weight and shorter gestational time. Reports on pregnancy and childbirth also revealed intense anxieties, emphasizing helplessness feelings and concerns with the wife’s health, survival and emotional condition. After delivery, despite fears about the child's future, participants, to a greater or lesser degree, were very dedicated and caring as parents, especially during the first days of life of their infants, including frequent visits to the baby, the father-infant relationship and the emotional support to the wife. Three months after discharge, parental reports showed how the infants, although healthy, were still perceived as very vulnerable babies, triggering a series of care and, therefore, having important repercussions in their lives. Altogether, the findings of this study suggest the importance of contemplating the complexity of the situation of premature birth as the particularities of each case. Furthermore, the need of providing psychological interventions not only to mothers but also to child born preterm fathers should be emphasized
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