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    A cistematicidade dos desacordos profundos

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    Desacordos mais-que-profundos: e se o animot discordasse?

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    E se o animot discordasse? Com esse pequeno questionamento, pretendo entrelaçar algumas bibliografias que prenderam meu interesse: a noção de certeza em Wittgenstein; o “animal” em Derrida; os desacordos profundos em Fogelin; o romance Adeus a Alexandria, de Myriam Campello. Silvia, a narradora do romance, parece estar em busca de algo que constantemente lhe escapa – seja um amor correspondido, uma inspiração para escrever como ghost-writer, uma garantia de estabilidade financeira. Minha identificação com Silvia deriva de algumas de suas afirmações, que entrelaço com a possibilidade de o animot discordar – se é que é possível escrever sobre animot sem ofender sua singularidade. Trago como elemento de análise o ato da nomeação, que Silvia atribui aos “reis da Terra”, e que anularia a possibilidade de o “animal” discordar, uma vez não sendo capaz de linguagem. Relaciono essa investigação ao conceito de monstruosidade, trabalho por Paul B. Preciado e Trächtler, e à noção abstrata de desacordos mais-que-profundos, que trago como sugestão

    Por gramáticas monstruosas: desacordos mais-que-profundos e formas-de-vida

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    Proponho uma interlocução entre as filosofias de Derrida e Wittgenstein a partir do conceito de desacordos profundos (Fogelin, 1985). Estudo desacordos que exprimem a dicotomia humanidade/monstruosidade, observando que a epistemologia dos desacordos, até o momento, se concentrou em localizá-los e separá-los (Lavorerio, 2021), e que esse movimento se alinha aos esforços de secar o conhecimento (Haddock-Lobo, 2007). Ao contrário do animal, privado da palavra, as monstruosidades se encontram às margens da linguagem humana, estando sujeitas a injustiças epistêmicas (Fricker, 2007) e silenciamentos linguísticos (Saul e Díaz-León, 2018). Se, como argumenta Fogelin, desacordos profundos derivam de choques entre formas de vida, proponho que pensemos em desacordos mais-que-profundos, derivados de conflitos entre formas de vida humanas e formas-de-vida monstruosas (Tiqqun, 2019; Trächtler, 2023), e que fornecem o solo sobre o qual desacordos profundos ocorrem

    Tranarchy: On Changing the Names of All Things

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    In his documentary Orlando, My Political Biography (2024), Paul B. Preciado invites us to reflect on the possibility of changing the names of all things, stating that, in Virginia Woolf’s novel Orlando: A Biography (1928), four metamorphoses can be identified. Here, I am interested in the first. In Preciado’s words, “the first revolutionary metamorphosis is poetry”, which he defines as “the possibility of changing the names of all things”. Inspired by this passage, I aim to elaborate that changing the names of all things entails the possibility of abolition – not necessarily of other names, but of what underlies them; that it implies challenging that which subsists in the act of naming, that is, its normativities. To name, rename, unname, when one considers what underlies a name’s pronunciation, is to suggest that there is no such thing as a determined identity or a purified nature. Yet, habitually, in engaging in linguistic and epistemological disputes, we often reproduce the dynamics that we oppose1, as for example assimilationist postures in trans movements (Raha 2015)

    Por um manejo trans-anarquista da linguagem

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    Através de uma breve historicização dos anarcofeminismo e do anarquismo queer, neste artigo escrevo sobre “trans-anarquismo”, sobre os atravessamentos entre princípios anarquistas e movimentos por emancipação das vidas trans. O trans-anarquismo, em crítica tanto ao anarquismo cisnormativo como ao assimilacionismo de movimentos trans/queer, se opõe ao autoritarismo científico e governamental. Para compreender esse posicionamento, tomo como objeto de análise a nomeação da cisgeneridade e sua reação de negação diante das investidas libertárias de desnaturalização e constrangimento da norma. Assim, argumento que se exerce um manejo trans-anárquico da linguagem que tem como base uma prefiguração trans radical, o rechaço da opressão intelectual e a formação de redes de apoio mútuo

    E se o monstro respondesse? Derrida, Wittgenstein e Desacordos Profundos

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    Há 40 anos, Robert Fogelin inaugurou o conceito de “desacordos profundos”, com inspiração na filosofia da linguagem de Wittgenstein. Dentre as interpretações existentes, seriam considerados profundos os desacordos travados por choques entre formas de vida. As tentativas de compreender desacordos profundos – persistentes, de difícil resolução – incitaram bastante discordância. Fogelin fez uma abertura: desde sua publicação, inúmeras autorias se engajaram em um esforço para definir desacordos profundos e delinear alguns conceitos importantes em seu entorno, quais sejam, racionalidade, argumentação, certeza, conhecimento... Há quem defenda que desacordos profundos podem, sim, ser resolvidos racionalmente; há quem defenda que desacordos profundos não existem; há quem recorra à possibilidade de concordar em discordar. No seio de tantos posicionamentos, algo capturou nosso interesse: a possibilidade de responder. Pois a possibilidade de responder implica que há, de um lado, um sujeito considerado falante e, de outro, um sujeito capaz de escutá-lo. Para desenvolver isso, trazemos um estudo de caso

    El silencio como máquina de guerra

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    Escribimos sobre algo que no se puede decir ni escuchar. Al intentar escucharlo, se inventa lo que se podría oír. Sobre el silencio, es habitual hacer referencia a la composición 4’33’’ del teórico musical estadounidense John Cage, de 1952. En un auditorio, un pianista se coloca frente al teclado, extiende las manos sobre las teclas y espera cuatro minutos y treinta y tres segundos. En el caso de las personas oyentes, se escucha lo que no se puede evitar. John Cage compuso 4’33’’ tras visitar una cámara anecoica — un recinto en el que el techo, las paredes y el piso absorben el sonido, de modo que no hay eco ni interferencia de ruidos externos — en la Universidad de Harvard, donde se construyó la primera cámara. En 1940, el gobierno estadounidense, con el fin de mejorar sus tecnologías militares durante la Segunda Guerra Mundial, financió dos proyectos de Harvard relacionados con el sonido. El ingeniero Leo Beranek se encargó de aislar el sonido y evitar el eco, por lo que la primera cámara anecoica recibió como apodo su nombre: caja de Beranek. Actualmente, con los dispositivos de grabación, se pueden utilizar dead cats o fluffys, salas acústicas y micrófonos sensibles con buena captación, para que la «reducción de ruido» sea viable y «limpie» un fragmento de audio con «ruido». En la producción musical, se considera una característica de profesionalidad la calidad del audio, equiparable, entre otros factores, a la ausencia de ruido

    Desacordos mais-que-profundos: e se o animot discordasse?

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    E se o animot discordasse? Com esse pequeno questionamento, pretendo entrelaçar algumas bibliografias que prenderam meu interesse: a noção de certeza em Wittgenstein; o “animal” em Derrida; os desacordos profundos em Fogelin; o romance Adeus a Alexandria, de Myriam Campello. Silvia, a narradora do romance, parece estar em busca de algo que constantemente lhe escapa – seja um amor correspondido, uma inspiração para escrever como ghost-writer, uma garantia de estabilidade financeira. Minha identificação com Silvia deriva de algumas de suas afirmações, que entrelaço com a possibilidade de o animot discordar – se é que é possível escrever sobre animot sem ofender sua singularidade. Trago como elemento de análise o ato da nomeação, que Silvia atribui aos “reis da Terra”, e que anularia a possibilidade de o “animal” discordar, uma vez não sendo capaz de linguagem. Relaciono essa investigação ao conceito de monstruosidade, trabalho por Paul B. Preciado e Trächtler, e à noção abstrata de desacordos mais-que-profundos, que trago como sugestão

    Por gramáticas monstruosas: desacordos mais-que-profundos e formas-de-vida

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    Proponho uma interlocução entre as filosofias de Derrida e Wittgenstein a partir do conceito de desacordos profundos (Fogelin, 1985). Estudo desacordos que exprimem a dicotomia humanidade/monstruosidade, observando que a epistemologia dos desacordos, até o momento, se concentrou em localizá-los e separá-los (Lavorerio, 2021), e que esse movimento se alinha aos esforços de secar o conhecimento (Haddock-Lobo, 2007). Ao contrário do animal, privado da palavra, as monstruosidades se encontram às margens da linguagem humana, estando sujeitas a injustiças epistêmicas (Fricker, 2007) e silenciamentos linguísticos (Saul e Díaz-León, 2018). Se, como argumenta Fogelin, desacordos profundos derivam de choques entre formas de vida, proponho que pensemos em desacordos mais-que-profundos, derivados de conflitos entre formas de vida humanas e formas-de-vida monstruosas (Tiqqun, 2019; Trächtler, 2023), e que fornecem o solo sobre o qual desacordos profundos ocorrem

    Por um manejo trans-anarquista da linguagem

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    Através de uma breve historicização dos anarcofeminismo e do anarquismo queer, neste artigo escrevo sobre “trans-anarquismo”, sobre os atravessamentos entre princípios anarquistas e movimentos por emancipação das vidas trans. O trans-anarquismo, em crítica tanto ao anarquismo cisnormativo como ao assimilacionismo de movimentos trans/queer, se opõe ao autoritarismo científico e governamental. Para compreender esse posicionamento, tomo como objeto de análise a nomeação da cisgeneridade e sua reação de negação diante das investidas libertárias de desnaturalização e constrangimento da norma. Assim, argumento que se exerce um manejo trans-anárquico da linguagem que tem como base uma prefiguração trans radical, o rechaço da opressão intelectual e a formação de redes de apoio mútuo
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