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Introdução
As mudanças educativas que visam ter incidência real na vida da escola, terão de ser
geradas a partir do seu interior, a comissão da acompanhamento do Projeto TurmaMais,
através dos representantes da Escola Secundária Rainha Santa Isabel de EstremozI e do
Centro de Investigação em Educação e Psicologia da Universidade de Évora (CIEPEU),
têm desenvolvido a sua acção no sentido de capacitar as escolas para a mudança e
melhoria, incidindo nas dimensões organizacional e pedagógica com o objetivo de
implicar os professores na (re)construção de uma nova cultura de escola, sustentada na
análise reflexiva dos processos de organização e gestão e das práticas em sala de aula
Introdução
Este é mais um livro escrito a “várias mãos”, mantendo a lógica dos
números anteriores, está organizado em três partes que concorrem para
uma visão integrada do trabalho realizado no âmbito do Projeto TurmaMais,
quer no que diz respeito ao processo de acompanhamento realizado
pelo CIEPE-UE, quer na abordagem teórica de temáticas que concorrem para um melhor processo de ensino e de aprendizagem, quer
ainda nos testemunhos de professores de várias escolas que vivenciaram
o projeto, enfrentaram dificuldades e desafios e de uma forma empenhada
trabalharam pela inovação organizacional e pedagógica e pela melhoria
dos resultados dos seus aluno
TurmaMais e Sucesso Escolar: fragmentos de um percurso
A primeira parte do livro integra cinco textos de autores diversos e que em diferentes contextos e momentos participaram de vários modos nas reflexões e debates que a aplicação e desenvolvimento nas escolas do Programa Mais Sucesso Escolar-TurmaMais tem proporcionado.
A abrir, “O projeto TurmaMais no cenário da eficácia e melhoria da escola”, um texto da autoria de Isabel Fialho e José Verdasca, no qual se oferece uma reflexão focada na problemática e melhoria da escola e se explora o conceito de eficácia da escola, apresentando-se alguns dos estudos que têm marcado o movimento das escolas eficazes e da melhoria das escolas. Num certo sentido, as perspetivas concetuais apresentadas servem como cenário de fundo dos percursos que estão a ser trilhados por dezenas de agrupamentos e escolas, por vezes com avanços e recuos, e que impõem de algum modo a necessidade de transportar para o debate questões relacionadas com a autonomia das escolas e a organização pedagógica, currículo e direção de turma, regulação, formação e comunidades de prática.
Em “Autonomia da escola, organização pedagógica e equipas educativas”, tema da primeira conferência do III Seminário Nacional PMSE-TurmaMais, João Formosinho e Joaquim Machado analisam e exploram as transformações na escola básica, o conceito de escola básica como serviço público, os novos desafios da organização do processo de ensino por turmas independentes versus equipas docentes, mas também aspetos em torno da coordenação e gestão do processo de ensino/aprendizagem e acompanhamento dos alunos.
A segunda conferência “Do normativo à narratividade curricular, para uma análise da intervenção do Diretor de Turma” proferida por José Augusto Pacheco serviu de mote a problematizações em torno da não definição de currículo às culturas curriculares e dimensões do diretor de turma no sucesso dos alunos. Dá ainda conta dos resultados de investigação recente e que tendem para a sobrevalorização, no trabalho do diretor de turma, das dimensões organizacional e pedagógica face à dimensão curricular, mas também de sinais de apropriação por parte dos coordenadores dos órgãos intermédios de gestão dos referenciais da avaliação externa do domínio da prestação do serviço educativo.
A conferência de encerramento do III Seminário, intitulada “As Metas de Aprendizagem, fundamentos e características de um instrumento de regulação na política educativa”, da responsabilidade de Natércio Afonso, conduz-nos para análises sobre as metas de aprendizagem enquanto instrumento técnico-pedagógico no espaço público da profissão docente e de novo para os impactos esperados no quadro da política pública de promoção da eficácia do ensino e do sucesso escolar. Mas também como instrumento de regulação baseado no conhecimento e numa lógica de governança, privilegiando nas palavras do conferencista “o soft power, fazendo apelo à influência e à persuasão (e promovendo) escolas e professores a co-construtores das politicas, legitimando-as e dispensando os mecanismos tradicionais da pressão normativa e inspetiva”.
A encerrar a primeira parte, “Trabalho colaborativo de docentes e a plataforma Moodle como suporte tecnológico às equipas educativas do projeto TurmaMais”, da autoria de José Luís d’Orey, com especial enfâse para duas dimensões de análise: a colaboração e cooperação docentes, condicionantes de melhoria da qualidade do sucesso escolar dos alunos; o trabalho colaborativo de equipas educativas no âmbito do programa Mais Sucesso Escolar - Turma Mais. Depois de uma reflexão acerca das possíveis vantagens e desvantagens da plataforma LMS – Moodle para a produção, em equipas de docentes, de recursos educativos em ambiente digital e para a partilha de experiências profissionais diversificadas no âmbito do PMSE, apresentam-se os resultados de um projeto de formação que teve como finalidade principal promover a utilização de plataformas de gestão de aprendizagem (LMS), estimulando a colaboração e a cooperação docentes, para a produção de recursos de avaliação educativa e outros recursos educativos com a finalidade de melhorar a qualidade do sucesso. A segunda parte do livro integra os contributos do Agrupamento de Escolas Abel Varzim, do Agrupamento de Escolas Monsenhor Miguel de Oliveira, do Agrupamento de Escolas Lima de Freitas, Setúbal e do Agrupamento Vertical de Escolas de Grândola e a encerrar uma espécie de balanço de feição impressionista que os três anos de contacto e acompanhamento de proximidade às escolas têm proporcionado.
“O Projeto Mais Sucesso Escolar – Turma Mais no Agrupamento de Escolas Abel Varzim – Relato de uma experiência de trabalho colaborativo” foi o título escolhido pelas autoras, Maria Esperança Campos, Paulo Lisboa e Maria da Conceição Silva, deixando-nos um breve historial da implementação do projeto na escola e algumas reflexões em torno do trabalho colaborativo que a experiência tem sugerido. Descrevem-nos um quotidiano escolar onde a “apreensão”, pela distância em relação às metas desejadas em particular num ano terminal de ciclo e de avaliações externas, se entrecruza com a “esperança” de que se possa assistir a uma redução substancial do número de níveis inferiores a três dos primeiro e segundo períodos para o terceiro período. Na convicção de que o PMSE-TM trouxe mais-valias irreversíveis para o futuro sublinham a importância da formação de equipas educativas que reforcem o trabalho colaborativo e que façam da análise e resolução dos problemas dos alunos o principal foco da sua ação.
O segundo contributo “Boas práticas educativas - A utilização do Moodle no Agrupamento de Escolas Monsenhor Miguel de Oliveira” é assinado por Isilda Lemos. A utilização da plataforma Moodle no desenvolvimento de atividades específicas da TurmaMais teve como principal objetivo fomentar o trabalho colaborativo entre professores, entre alunos e entre professores e alunos, conduzindo à criação de uma área com dois blocos (zona comum e zona disciplinar), na plataforma da Escola, destinada ao projeto TurmaMais.
Dina Fernandes, Ofélia Baptista e Sandra Figueira assinam “AprenderMais com a TurmaMais no Agrupamento de Escolas Lima de Freitas – Setúbal” e deixam-nos um retrato do percurso trilhado ao longo destes três anos. O funcionamento da coordenação no Projeto TurmaMais e o seu alargamento progressivo são dois dos tópicos a que se dá particular destaque. Sentido como algo de novo estava a acontecer o projeto TurmaMais entrava nas conversas de todos mas era visto como “um mundo à parte”, sobretudo entre os docentes que não estavam envolvidos no mesmo. O alargamento progressivo trouxe constrangimentos devido ao insuficiente número de horas disponibilizado para a sua implementação mas ampliou os mecanismos de comunicação entre os diretores de turma e os encarregados de educação. As metodologias de trabalho adotadas foram surtindo efeitos positivos e sentiu-se necessidade de alargá-las à escola. A centralidade projeto TurmaMais na escola está bem evidenciada no facto de a coordenadora do ter passado a integrar em 2011/12 o Conselho Pedagógico do Agrupamento estabelecendo a ponte entre o projeto, os departamentos curriculares e as estruturas pedagógicas. O reconhecimento de tais procedimentos como “boas práticas” (formas de atuação experimentadas, melhoradas e avaliadas pelos docentes envolvidos na TurmaMais), corroborados por testemunhos de alunos, encarregados de educação e professores do Agrupamento, levou ao seu alargamento aos 2.º e 3.º ciclos.
O quarto contributo “Mais olhares sobre a Turma Mais no Agrupamento Vertical de Escolas de Grândola” é assinado por José Manuel Abreu. Numa breve reflexão explora o sentido da importância da criação nos alunos do sentimento de pertença ao grupo/ano e a promoção de uma maior socialização e de equidade e justiça no acesso e participação nas aprendizagens. Nas palavras do autor “Oriundos de freguesias com características muito diferenciadas os alunos criam fortes laços nos locais de origem que se mantêm no grupo turma, o que contribui para a existência de um certo imobilismo social e cultural. A circulação dos alunos pelos diferentes grupos, ao longo destes três anos, permitiu a criação de um sentimento de pertença a uma entidade maior, o grupo/ano e, consequentemente, um maior conhecimento das vivências do outro, o que se tem revelado uma importante mais-valia em termos sociais, quer ao nível comportamental, com a diminuição dos conflitos, quer promovendo a criação de laços até então inexistentes e aprofundando o conhecimento de outras realidades”.
Em jeito de encerramento, uma conversa de fim de tarde, a três, com Teodolinda Cruz, José Fateixa e José Verdasca, e que em certa medida constitui uma síntese dos contributos anteriores mas também de outras racionalidades e dinâmicas percecionadas nos contactos continuados com as muitas dezenas de escolas e comunidades escolares de norte a sul do país nas diversas fases e períodos de desenvolvimento do projeto. Um conhecimento amadurecido no contacto direto com as escolas e muito focado na produção de soluções para problemas e dificuldades, resultado em certa medida “de uma certa ‘caminhada cultural escolar’ que está um pouco por aí, deixando marcas de entusiasmo e trabalho, outras vezes de desalento e dúvida, numa diversidade de intensidades e vivências feita de muitos nomes e rostos que vivem e fazem acontecer nas escolas a essência da ação pedagógica, desafiando racionalidades e lógicas instaladas e ousando lançar (novos) caminhos de resposta aos muitos e complexos problemas que a escola de hoje enfrenta”
O projeto TurmaMais no cenário da eficácia e melhoria da escola
A grande ambição dos pais, professores, alunos, decisores políticos é saber quais os
fatores que contribuem para a eficácia e melhoria das escolas. Esta tem sido uma das
áreas em que a investigação em educação tem investido nas últimas décadas na tentativa
de encontra resposta para a questão – a escola faz a diferença no sucesso educativo dos
alunos?.
Ultrapassadas algumas questões organizacionais e pedagógicas que têm conduzido a
uma melhoria de resultados, evidenciada nas taxas de sucesso alcanças pelas escolas nos
dois anos do projeto TurmaMais, impõe-se agora uma ação estratégica que conduza a
uma melhoria eficaz dos resultados e à sustentabilidade dessa melhoria. Este artigo
pretende oferecer um quadro conceptual sobre os movimentos da eficácia e da melhoria
da escola no sentido de abrir oportunidades de reflexão sobre as possibilidades de
melhorar a eficácia das escolas através de medidas de política educativa nas quais se
inscreve o Projeto TurmaMais.
No primeiro ponto do texto - O CONCEITO DE EFICÁCIA DA ESCOLA - abordamos
o conceito de eficácia em contexto educativo, na perspetiva de diferentes autores. No
segundo ponto - ESTUDOS SOBRE A EFICÁCIA E MELHORIA DAS ESCOLAS –
fazemos uma trajetória ao longo dos últimos 40 anos do século passado, dando conta de
estudos realizados em importantes campos de pesquisa educacional: movimento das
escolas eficazes, movimento da melhoria das escolas e movimento da melhoria eficaz
da escola. Finalizamos este texto com algumas ideias-chave e reflexões que visam contribuir para uma maior compreensão e apropriação das questões relacionadas com a
eficácia e a melhoria levantadas ao longo do text
Avaliar para aprender na escola: um caminho em aberto
O presente texto pretende ser mais um contributo no sentido de continuarmos a refletir e a pensar a avaliação como parte integrante do processo de ensino e, sobretudo, do processo de aprendizagem, pelo seu importante papel no sucesso escolar dos alunos e pelo impacto significativo que tem demonstrado na melhoria das aprendizagens.
Interessa compreender o que torna a avaliação para a aprendizagem tão decisiva nesse processo, entender os obstáculos que se colocam à sua implementação nas escolas portuguesas, mas também alertar para algumas inércias e dificuldades inerentes a qualquer processo de mudança. Para isso, é determinante não só a aposta numa formação com os professores mas em que a própria escola ajude ao seu desenvolvimento profissional, num contexto de abertura, responsabilidade e de autonomia pedagógica
CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO - DA FUNDAMENTAÇÃO À OPERACIONALIZAÇÃO
A exigência de certificação das aprendizagens e a sua importância social tem mantido a avaliação sumativa num lugar de destaque na sociedade, arreigada a uma tradição centrada nos produtos da aprendizagem. A avaliação formativa, por sua vez, e apesar de consagrada nos documentos legais orientadores para o Ensino Básico e Secundário desde os anos noventa do século passado, tem levado tempo a implantar-se de forma sustentada e fundamentada no sistema educativo português. É por isso fundamental que esta seja entendida como estando ao serviço das aprendizagens e, como tal, valorizada pelos órgãos de gestão pedagógica das escolas e integrada nos projetos curriculares de escola e de turma.
O currículo centrado em competências exige, por seu lado, um compromisso com a diversidade de instrumentos de avaliação, pois implica a criação de tarefas e situações-problema que funcionem ao mesmo tempo como instrumento avaliativo.
O processo avaliativo é, por isso, uma tarefa complexa que exige a definição de critérios claros e transparentes, refletidos e discutidos pelas equipas docentes, para que todos os intervenientes entendam a avaliação como um ato credível e de responsabilidade e utilidade educativa e social
Efeitos da avaliação externa das escolas nos resultados escolares e na qualidade do serviço educativo prestado
O trabalho que apresentamos integra a tese de Doutoramento da primeira autora.
Centrámo-nos nos domínios «Resultados» e «Prestação do Serviço Educativo»,
para, a partir da análise dos relatórios, procurarmos respostas para a questão
central: Quais os efeitos que a Avaliação Externa das Escolas operou nos
resultados educativos e na qualidade do serviço educativo prestado?.
Metodologicamente, recorremos à análise de conteúdo das entrevistas
semiestruturadas levadas a cabo em 10 unidades orgânicas do Alentejo, avaliadas
externamente em 2006/2007, juntamente com o cruzamento dos dados que a leitura
dos relatórios da AEE possibilitou.
Os principais resultados evidenciam que, em geral, os relatórios produzem impactos
e efeitos maioritariamente positivos, sendo globalmente assumidos como um
instrumento potenciador de autorregulação escolar e de aprendizagem e melhoria
contínuas, abrangendo três grandes aspetos: 1) Conhecimento das alterações que
surgiram nas escolas, em consequência do processo de Avaliação Externa (AE), no
que concerne aos “Resultados” e à “Prestação do Serviço Educativo; 2)
Identificação dos padrões de alteração registados nas unidades de organização alvo de estudo, potenciadores da eficiência, eficácia e qualidade organizacionais; e
3) Explicação das divergências e/ou similitudes provocadas pelo impacto do
processo da Avaliação Externa./ The work we present is part of the PhD thesis of the first author. We focused on the
areas 'Results' and 'Provision of Educational Services', for, from the analysis of the
reports, we seek answers to the central question: What were the effects of the
External Evaluation of Schools (EES) operated in educational outcomes and the
quality of the educational service provided?.
Methodologically, we carried out a content analysis of semi-structured interviews
conducted in 10 schools in the Alentejo, externally evaluated in 2006/2007,
proceeding to the intersection of the data from the reports of the EES.
The main results show that, in general, the reports produce some impacts and have
mostly positive effects, generally assumed to be an enhancer of school and self -
regulation of learning and continuous improvement tool, covering three major
aspects: 1) Knowledge of changes in schools that emerged as a result of the
process of External Evaluation (EES), in relation to the "Results" and "Provision of
Educational Services; 2) Identification of the patterns of change recorded in the
schools, enhancers of efficiency, effectiveness and organizational quality; and 3)
Explanation of differences and / or similarities caused by the impact of the process
of external assessment
Acompanhamento científico do projeto TurmaMais: dos processos aos produtos
No âmbito do Programa Mais Sucesso Escolar (PMSE), o Centro de Investigação
em Educação e Psicologia da Universidade de Évora (CIEP-UE) estabeleceu
um protocolo com Ministério da Educação, com o objetivo de realizar
o acompanhamento científico dos projetos dos agrupamentos de
escolas/escolas não agrupadas de tipologia TurmaMais. O presente texto pretende
ser a reconstrução de um percurso que teve o seu início em março de
2010, nele damos conta do trabalho desenvolvido, considerando os compromissos
protocolados com DGE. Começamos por fazer um enquadramento
teórico conceptual que sustenta o trabalho de acompanhamento científico
realizado pelo CIEP-UE, de seguida fazemos a descrição e a análise das atividades
desenvolvidas: Encontros Regionais; Seminários Nacionais; Ações
de formação; produção científica e divulgação da informação
A avaliação das escolas: dos constrangimentos à melhoria da qualidade da educação
A problemática da avaliação das organizações escolares tem vindo a ocupar um
lugar de destaque na agenda das políticas educativas, onde os processos de
avaliação externa e de autoavaliação são apontados como instrumentos decisivos
para a melhoria da qualidade do serviço educativo e para o desenvolvimento da
escola.
Este texto apresenta resultados parciais de uma investigação mais ampla, em
curso, que se propôs averiguar de que modo o programa de Avaliação Externa das
Escolas promove o desenvolvimento nas escolas de dinâmicas e práticas de
autoavaliação que sustentam a elaboração de planos de ação para a melhoria e
possibilitam a melhoria da escola. Trata-se de uma investigação inserida numa
matriz de cariz essencialmente qualitativa e opta pelo estudo de casos múltiplos. No
presente estudo restringe-se a abordagem e procura-se conhecer e refletir sobre os
significados atribuídos pelos atores quanto à influência dos processos avaliativos
nos processos de mudança, bem como, identificar os constrangimentos inte rnos e
externos que se colocam à ocorrência de mudanças na escola na sequência dos
processos avaliativos. Com estes objetivos foram realizadas um conjunto de
entrevistas a diversos atores da comunidade educativa das diversas escolas em
estudo. Os seus discursos tendem a evidenciar que as escolas, como organizações,possuem um papel crucial na implementação da melhoria educativa, sendo que as
mudanças educativas dependem na sua implementação das condições
organizacionais e da forma como os atores educativos, nos diversos contextos
organizacionais, desenvolvem a capacidade interna de mudança, nem sempre
coincidente com as prescrições externas para a mudança./ The thematic of evaluation of school organizations have come to occupy a
prominent place in the educational policies, where the processes of self -evaluation
and external evaluation are seen as crucial instruments to improving the quality of
educational services and the development of school agenda.
This paper presents partial results of a wider research in progress which are
proposed to find out how the program and the External Evaluation of Schools in
schools promotes the development of dynamic and self-evaluation practices that
support the development of action plans for improvement and enable school
improvement. It is inserted into an investigation of essentially qualitative nature
mother and opts for a multiple case study. In the present study restricts itself to
approach and endeavors to meet and reflect on the meanings attributed by actors
about the influence of evaluative processes in the change process, as well as
identifying the internal and external constraints to the occurrence of changes in
school following the evaluation process. With these objectives a series of interviews
with various stakeholders in the educational community of the various schools in the
study were performed. His speeches tend to show that schools as organizations
have a crucial role in the implementation of educational improvement, and
educational changes depend on the implementation of the organizational conditions
and how the educational actors in different organizational contexts, develop internal
capacity for change, not always coincident with the external prescriptions for
change
Avaliação Externa das Escolas. Mecanismos de Mudança nas Escolas e na Inspeção
Este livro integra um conjunto de estudos desenvolvidos no âmbito de um projeto de investigação financiado pela FCT, implementado entre 2018 e 2022 – Mecanismos de Mudança nas Escolas e na Inspeção. Um estudo sobre o 3º ciclo de AEE no Ensino Não Superior, em Portugal (MAEE) –, no qual se pretendeu atualizar e ampliar o estudo anterior, permitindo um maior foco na exploração dos mecanismos de mudança das práticas, decorrentes da implementação do 3º ciclo de AEE, que se traduzem em impactos nas dimensões curricular, pedagógica e organizacional das escolas e que criam efeitos na IGEC.
Capítulo 1 – Modelo do 3º ciclo da Avaliação Externa das Escolas. Aborda-se todo o processo de construção do referencial do 3º ciclo de AEE, iniciado em 2016, com a nomeação do Grupo de Trabalho de Avaliação Externa das Escolas, que teve a missão de analisar os referenciais e metodologias do programa de Avaliação Externa das Escolas em vigor e propor o modelo para o 3º ciclo da avaliação externa das escolas. Foram analisados diversos documentos nacionais e internacionais, incluindo normativos de política educativa (Perfil do Alunos, DL54/2018 e 55/2018), que conduziu a diversas alterações no referencial da AEE, designadamente no âmbito, objetivos princípios e metodologia. Para testar o modelo foi realizada, em 2018, uma experiência-piloto em nove escolas/ agrupamentos de escolas, de diferentes tipologias, que permitiu a validação do modelo proposto com informação útil para consolidar e aperfeiçoar a proposta.
Capítulo 2 – Perceções de atores políticos, inspetivos e avaliativos (inspetores e peritos externos) sobre a Avaliação Externa das Escolas como política, procedimento e experiência. São apresentadas as perceções de diferentes atores sobre a AEE, como política, processo e experiência, e ainda como mecanismo de mudança nas escolas e na Inspeção. Os dados foram recolhidos através de 18 entrevistas individuais, a 2 representantes do Ministério da Educação, 4 representantes da Inspeção-Geral da Educação e Ciência (com cargos de coordenação), 9 avaliadores-inspetores e 3 avaliadores-peritos externos. Na AEE como política verifica-se o reconhecimento do efeito da legitimação discursiva, mas é nos atores políticos e nos inspetores que mais se evidencia, já que a sua ação está integrada em agendas políticas, o que não se verifica, totalmente, nos atores avaliadores-inspetores e nos avaliadores-peritos externos. A AEE como processo, ainda que de forma não consensual entre os quatro grupos de inquiridos, distancia-se das atividades de controlo e auditoria, embora não seja totalmente assumida como atividade de acompanhamento, assume um caracter mais formativo. Na abordagem da AEE como experiência, é partilhada a ideia de que esta constitui um instrumento de melhoria da escola, sendo que os avaliadores-inspetores tendem a valorizar mais os resultados e os avaliadores-peritos externos a privilegiarem o valor formativo das práticas de avaliação. No que se refere aos mecanismos de mudança, a convicção dos atores políticos de que a AE produz mudança nas escolas é partilhada pelos atores inspetivos, considerando que tem mais impacto no desenvolvimento organizacional do que no desenvolvimento curricular e pedagógico. Todos os entrevistados reconhecem mudanças na Inspeção, salientam que a AEE tem contribuído para uma nova imagem da Inspeção, um novo relacionamento com as escolas, uma nova cultura em que a partilha e ajuda se evidencia face ao controlo.
Capítulo 3 – Satisfação, perceção de efeitos e mecanismos de mudança na sequência do 3º ciclo de Avaliação Externa das Escolas. São apresentados os resultados de um estudo que teve como objetivos: conhecer o grau de satisfação com o processo de AEE e identificar efeitos e mecanismos de mudança, com especial enfoque no 3º ciclo avaliativo. Os dados foram recolhidos através de um inquérito por questionário, aplicado a lideranças - representantes dos órgãos de administração e gestão e das estruturas de coordenação e supervisão pedagógica, bem como aos docentes. Globalmente, os dados apontam para uma certa ambiguidade no grau de satisfação em relação à AEE (as respostas, em geral, situam-se ligeiramente acima do nível intermédio da escala “nem insatisfeito/ nem satisfeito”). No que se refere aos mecanismos de mudança, destacam-se o uso do feedback e a aceitação do feedback, evidenciando-se, contudo, a possibilidade de ocorrerem igualmente riscos de efeitos menos desejáveis, tais como a mudança da escola para corresponder ao recomendado, o foco no resultado, mais do que no processo de melhoria e a adoção de medidas orientadas para o curto prazo.
Capítulo 4 – O 3º ciclo da Avaliação Externa das Escolas: olhares dos inspetores. Apresenta os dados de um estudo de natureza quantitativa realizado com base num questionário aplicado a 41 inspetores da IGEC com o objetivo de conhecer os seus níveis de satisfação, enquanto avaliadores externos do 3º ciclo do Programa de AEE, com as práticas/procedimentos avaliativos deste ciclo de avaliação e as suas perceções sobre os efeitos do referencial do 3.º ciclo nos processos escolares. Os resultados evidenciam níveis de satisfação global dos inspetores-avaliadores com todas as fases da AEE (preparação da intervenção, desenvolvimento e pós-intervenção, sendo menor nesta última fase) e, sobre os efeitos produzidos nas escolas, os inspetores destacam os domínios da Liderança e Gestão e da Autoavaliação, e menos a Prestação do Serviço Educativo e os Resultados.
Estudos de caso. Metodologia da investigação. Foram realizados estudos de caso nas 3 áreas territoriais da IGEC, com os mesmos objetivos e recurso aos mesmos procedimentos metodológicos, que correspondem a 3 capítulos. Estes estudos tiveram como objetivo conhecer as perceções dos diferentes atores educativos (diretores, coordenadores de departamento e professores) relativamente aos mecanismos de mudança, decorrentes do 3º ciclo da AEE, que se traduzem em efeitos nas escolas (nas dimensões curricular, pedagógica e organizacional) e efeitos na Inspeção.No processo de recolha de dados, foram elaborados guiões na tipologia de entrevistas semiestruturadas, para o diretor da escola, o coordenador da equipa de autoavaliação e responsáveis por lideranças intermédias (coordenadores de departamento, delegados de disciplina, diretores de turma, coordenadores de projetos) e foi elaborado um inquérito por questionário para os restantes professores. Também foi usada a análise documental, incluindo relatórios de avaliação de escola, contraditórios e respostas da equipa de avaliação externa, documentos de autoavaliação da escola e planos de melhoria.
Capítulo 5 – Mudanças da avaliação externa nas escolas e na inspeção. Estudos de caso. São apresentados dois estudos de caso, realizados na zona norte. Os resultados indicam, para além de outros aspetos, que os efeitos transforma¬dores da AEE se fazem sentir de modo direto tanto nas escolas como na Inspeção, nesta numa perspetiva de assunção de novas competências, ancoradas em experiências de avaliação e, naquelas a partir de mudanças mais a nível organizacional do que a nível pedagógico ou curricular.
Capítulo 6 – Escolas em busca de melhoria: efeitos da Avaliação Externa das Escolas em agrupamentos de escolas na zona centro. São apresentados dois estudos de caso. Os resultados apontam para a perceção de mudanças nos domínios da Liderança e Gestão e da Prestação do Serviço Educativo, em ambos os agrupamentos, com maior relevância nas respostas dos docentes do agrupamento com a classificação de muito bom. A perceção de mudanças no domínio da Autoavaliação é mais acen¬tuada em ambos os agrupamentos, parecendo existir uma forte motivação na procura da melhoria. Há reconhecimento de mudanças na IGEC no sentido de uma intervenção mais pedagógica e menos inspetiva.
Capítulo 7– Avaliação Externa das Escolas: o olhar dos atores escolares. Apresenta os resultados de três estudos de caso - de dois agrupamentos de escolas e de uma escola privada com contrato de associação, situadas na área territorial do sul. Os resultados evidenciam que a AEE é um importante instrumento de garantia da qualidade e promoção da melhoria, nomeadamente ao nível dos procedimentos de autoava¬liação e das dinâmicas adotadas para reflexão interna, ainda que exista a necessidade de capacitação dos atores escolares. Os inquiridos reconhecem o efeito formativo do modelo do 3.º ciclo da AEE, na alteração da ação da Inspeção e na sua relação com as escolas
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